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Continua aqui conosco o Ricardo Silvestre. Já vamos falar em particular sobre o estado do Kansas. Ricardo chamava aqui a atenção precisamente para a tendência de votação neste estado. Voltamos a ter conosco o Michael Sowart. Boa noite, bem-vindo mais uma vez. Há pouco, aquando da primeira intervenção, dizia que ainda havia muito poucos dados para fazer uma análise sobre a tendência desta eleição. E agora?
Como nós sabemos, o grosso dos estados já parte para esta noite com o resultado bastante claro. Nas sondagens da maioria dos estados, o resultado está a ser exatamente aquele que era previsto e não houve ainda nenhuma surpresa. Os famosos swing states ou battleground states, que estão neste momento já com contagens mais avançadas, nomeadamente a Geórgia e a Carolina do Norte, entram agora naquela fase em que o voto urbano começa a aparecer. Nesses dois estados, os republicanos estão à frente. Resta saber se nas grandes cidades a candidata Kamala Harris consegue compensar e levar algum destes dois estados. Se o conseguir, fica com um dos caminhos, como a gente famosamente já referiu, bastante mais facilitados. Se não, e com as contagens neste momento, Trump que ganhe a Carolina do Norte e a Geórgia, se Kamala Harris ganhar o Michigan, isto vai acabar por se decidir na Pensilvânia, que era o resultado mais estreito para ambos. Mas, na verdade, a vice-presidente tem que ganhar o Michigan e o Wisconsin para ter uma vitória na Pensilvânia e com isso levar a vitória para a Casa Branca. É neste momento, com os números que temos à frente, aquilo que me parece mais provável, sendo certo que em algumas zonas urbanas da Geórgia, Kamala Harris está a fazer um resultado ligeiramente melhor que Joe Biden, mas noutras ligeiramente pior, portanto, é difícil de adivinhar o que é que vai sair dali.
Sendo que nesta altura só falta fechar um swing state, Nevada. Há pouco dizia que não há resultados no Arizona, mas há uma justificação para isso. Neste estado, nenhum voto é reportado até uma hora depois do encerramento das urnas e, portanto, só daqui a cerca de 22 minutos é que vamos ter os primeiros resultados do Arizona, que já encerrou a votação, já não é possível votar, tirando as pessoas que estivessem na fila, mas os primeiros votos a serem contabilizados só vão ser divulgados na próxima hora.
Mas no Arizona há a extensão do prazo para a votação.
Exatamente. E, portanto, espera-se que a contagem se possa prolongar por vários dias também neste estado, que é considerado também um swing state e um campo de batalha importante nesta eleição. Ricardo, continua conosco a olhar aqui para os resultados. Ainda há pouco falávamos desta questão da Geórgia, que Kamala Harris está a dar bem, mas o Michael falava aqui já de outras cidades onde não se está a dar tão bem. Vai ser até à última novamente este estado?
Sem dúvida. E eu concordo totalmente com a análise do Michael. Inclusive, se nós repararmos, estamos a falar agora de uma diferença de 150 mil votos. E só os subúrbios de Atlanta têm quase um milhão. E os subúrbios, como o Michael disse muito bem, principalmente os subúrbios de Atlanta, ela está a desempenhar muito bem em distritos como Fulton County, DeKalb County e Cobb County. Eu gostava de acrescentar uma coisa, ainda não temos falado sobre isso, se vocês não se importam.
Claro.
Tem havido dezenas de ameaças de bomba, principalmente na Geórgia e principalmente em distritos de maiorias negras. E isto tem estado também a atrapalhar porque tem que se estender o prazo, porque tem que se fechar as instalações, têm que ir lá equipas especializadas. E, portanto, eu queria fazer esta ressalva, e tudo isto é claramente ação da Rússia, de Putin. Mais uma vez temos esta intervenção disruptiva de Moscovo em eleições do Ocidente, o que é de condenar. E eu gostava de deixar aqui esta nota antes de continuarmos a falar de números. Relativamente à Carolina do Norte, é que é um pouco mais complicado, e aí eu não sei se o Michael ainda está conosco, porque como eu estava a dizer, a Carolina do Norte não é tão declaradamente diferente a nível de grandes centros urbanos e mais rurais. Portanto, eu não sei onde é que a Kamala Harris poderá buscar votos, apesar de neste momento a diferença ser à volta de 100 mil votos e ainda temos 40% dos votos para apurar.
Michael?
Sim, a Carolina do Norte tem uma particularidade que é sensivelmente no seu centro, o chamado Research Triangle, que é uma região de presença universitária e acadêmica muito grande, à volta de Raleigh e Durham. E aí o presidente Biden, em 2020, conseguiu, nalguns desses condados, 80%. Neste momento, por exemplo, no condado de Durham, Kamala está com 81%, portanto está ligeiramente acima dos 80% de Biden no mesmo county. Estamos a falar, nesse county em particular, de 85% dos votos contados. Em Raleigh, que é exatamente ao lado, com 76% dos votos contados, Kamala está com 64% e Biden teve 62,2. Portanto, ela está um bocadinho acima nestas zonas, que são as zonas em que os democratas procuram ir buscar votos, como se disse muito bem, não sendo zonas exatamente urbanas no sentido dos outros estados, em que há uma urbanização forte, mesmo de cidades. Estamos a falar aqui dos centros universitários onde os democratas procuram buscar os seus votos. Ela está um bocadinho acima. Eu julgo que não chegará para levar o estado, mas esta é, de facto, a noite das corridas até o fim. E é como eu dizia, se ela conseguisse um destes dois estados, a Georgia ou a Carolina do Norte, de facto ficava com uma noite mais aliviada. Trump, inicialmente, nas últimas sondagens indicaria que levava os dois e que, portanto, faz a noite depender da Pensilvânia para os democratas.
Perdemos aqui momentaneamente o contacto. Certo.
Levando estes dois e ganhando mais alguns, nem precisava de ir lá.
Sendo que nesta altura é Donald Trump quem segue à frente nestes dois estados. Ricardo, há pouco chamava a atenção aqui para a situação no Kansas. Na altura era a candidata democrata que é Kamala Harris, quem liderava. Já é Donald Trump.
Sim, é novamente o efeito da contaminação, ou seja, se tu reparares neste momento a Iowa, a candidata democrata está com 54% para 44% do Trump. É verdade que ainda só temos 20 votos e o Kansas realmente agora já está mais apertado. Estamos a falar de 15 mil votos de diferença, mas ela não vai ganhar Kansas. É só mais por causa de haver este estreitamento de margens, que eu espero que depois se reflita quando olhamos um pouco mais para cima, principalmente para Wisconsin e Michigan.
Para já vão dando democrata.
E eu aí concordo com a análise do Michel, que é o seguinte: a Kamala neste momento está a olhar para ter quatro estados e se ganhar os quatro estados, ganha a eleição. Não conseguindo Georgia, que eu, atenção, ao contrário do New York Times, e imaginem eu dizer isto aqui na Rádio Observador
Desmentir o New York Times.
Aliás, neste momento Georgia ainda é too close to call, porque eu acho que a decisão em Georgia ainda não está completamente fechada. E aliás, o Michel disse isto, portanto, isto fica até à última, em 2020 isso aconteceu. Georgia foi definida muito tarde na noite depois dos votos todos reunidos, principalmente nos subúrbios de Atlanta e de Savannah. Relativamente a Pensilvânia, ela segurando Pensilvânia, Wisconsin, Michigan e depois com a-
A vantagem está a estreitar para a candidata Kamala Harris. Já teve uma vantagem bastante superior nesta altura, 58,8% contra 47,3.
Mas ó Miguel, nós já sabíamos que ia ser assim. Nós sabemos que a Kamala tem menos caminhos para ganhar e os caminhos para ganhar vão ser muito apertados. Ela vai ter que ganhar por poucas margens, tirando um estado como Illinois, mas o Illinois não é para aqui chamado, ou, por exemplo, Nova Iorque.
Só dar aqui também uma informação nestas noites eleitorais, madrugadas, logo ao arranque das primeiras horas, o New York Times costuma dar uma projeção, quase um sinal de quem tem maior probabilidade de vencer. E até há cerca de meia hora, o New York Times não arriscava dizer quem tem maior probabilidade de vencer. Dizia sempre: "Ainda é cedo", mas víamos a agulha desse contador já inclinar pro lado de Donald Trump. Nesta altura, 02h45 em Portugal continental, já estamos nesta emissão há mais de três horas e já a avançar com resultados. Nesta altura, o New York Times já arrisca dar uma maior chance de vitória para Donald Trump. Diz que tem 69% de chance de vitória, de hipótese de vitória. Isto é o que diz o New York Times. Estive cá também há quatro anos, na noite eleitoral dos Estados Unidos da América, e durante toda a noite, essa agulha apontou também para Donald Trump, acabou por virar para Joe Biden nessa eleição. São os dados, para já, do New York Times e apontando para esses cenários, para essas probabilidades daquilo que pode ser o desfecho desta eleição. Sabemos, Ricardo, que ainda é cedo para avançar com isto. O New York Times arrisca já esta chance de vitória, mas lá está, há quatro anos também falhou.
É assim, o New York Times tem sido alvo de muitas críticas durante toda esta campanha eleitoral, principalmente por causa das suas sondagens, que se diz que são sempre ajustadas para eleitores, que são os eleitores mais de Trump e menos da Harris. Eu também compreendo que eles tenham números que os outros não têm, mas eu dizia-te, Miguel, que neste momento não estou a ver isso aparecer em mais nenhum lado. Portanto, o New York Times dizer que Trump ganha Georgia e que o Trump tem possibilidade de ganhar a Pensilvânia, claro que tem, sem dúvida nenhuma, mas até os votos todos contados são só previsões. Eu gostava de dizer uma pequena coisa, se me permitem. Eu vou deixar-vos com muita pena, porque eu tenho que ir agora, curiosamente, para Budapeste, na Hungria, para uma conferência sobre as eleições americanas. Pode parecer brincadeira, não é. Mas eu deixava-vos esta última nota, que é: a eleição de Trump como presidente a acontecer é uma situação muito complicada para a Europa. Aliás, nós já falámos isso durante a noite. Eu tive a oportunidade de estar em Tbilisi, na Georgia, por causa de uma conferência sobre o Mar Negro. Portanto, o Mar Negro, que nós sabemos bem, é aquela área onde está a Turquia, onde está a Geórgia, onde está a Bulgária, a Romênia e a Ucrânia, necessariamente. Depois temos a questão do Báltico também e, por exemplo, a questão dos nossos amigos da Hungria e os nossos amigos da Polônia. E naturalmente, a Europa está preocupada com o que poderá vir a seguir se Trump ganhar a eleição. Porque se em 2016 ele tinha um conjunto de sistemas de segurança à sua volta que impediam que ele tivesse os seus piores impulsos concretizados, e um deles, por exemplo, era que os Estados Unidos deixasse de ser um elemento da NATO, ou não deixando de ser, não tem ação, até ele dizer coisas como: se o Putin invadir o Báltico, ele não vai sair em ajuda dos países da NATO e os países da União Europeia. Portanto, eu ficava com esta última nota. Necessariamente, nós europeus temos que ter a nossa autonomia estratégica, temos que também apostar na nossa defesa, necessariamente, mas a concretizar-se uma vitória do candidato republicano, vão ser quatro anos muito difíceis, tanto para os nossos amigos americanos
Porque aquilo que é o programa eleitoral vale o que vale. Vamos ver mais uma vez se é aplicado ou não, mas sendo aplicado vai tirar muitas liberdades aos americanos e depois na relação com a Europa, que vai desde a relação econômica, por exemplo, as tarifas, à relação da segurança do continente europeu com a ajuda da NATO. Eu vou agradecer muito vocês terem me recebido, é sempre um privilégio estar aqui. Muito obrigado.
Ricardo Silvestre vai-se embora, anuncia a sua saída e deixa-nos aqui com esta nota de profunda preocupação. Não sei se é muito adequado por parte do Ricardo fazer tal coisa, mas vou perguntar ao Michael Seuffert e agradecer a sua presença, Ricardo, nesta emissão, se partilha estes sinais de preocupação aqui expressos pelo Ricardo Silvestre, particularmente na perspectiva da Europa e as consequências de uma eventual vitória de Donald Trump.
Como já disse há pouco, a questão das tarifas é certamente uma questão que economicamente nos deve preocupar, porque o comércio livre, nomeadamente com os Estados Unidos, mas também com a Ásia, é algo de que a Europa precisa, diria eu, economicamente, e que nos faz poder concentrar em algumas indústrias e receber de outras que vêm do continente americano. Também disse que acho que teremos que aprender a ser resilientes. Na questão da defesa, evidentemente, e apesar da situação da Ucrânia nos últimos anos, a Europa acabou por ainda não ocupar um espaço que continua a ser ocupado pelos Estados Unidos, uma força muito importante para a defesa da Europa também. E uma possível retirada dos Estados Unidos da NATO, que é não só o seu membro fundador mais importante, mas o seu membro no presente, que mais investe e com forças importantes para a Europa.
Mas admite essa possibilidade ou será só uma retórica tendo em vista o maior grau de compromisso, por exemplo, financeiro dos membros da Aliança Atlântica?
É aí que a análise se torna mais difícil, porque, na verdade, de Trump já vimos tudo. Ser muito assertivo em algumas coisas que depois se esquece e dar muita importância a outras coisas que parecem pouco importantes. E, portanto, eu não consigo avaliar se isso é uma ameaça real ou não, até porque o investimento militar continua a ser uma importante componente da economia norte-americana e o investimento militar não existe para as Forças Armadas dos Estados Unidos estarem em casa a limpar as espingardas. Creio que também aí há algumas vicissitudes. Concordo, no entanto, com uma coisa que acho que é importante, que de facto, desta vez, muda o cenário face a 2016. É que Donald Trump tem, de facto, menos amarras do que tinha, até porque uma grande parte, mais de metade, por exemplo, dos seus ministros ou dos membros do seu gabinete, a começar pelo vice-presidente e por outras figuras importantes, deixou e não quer ouvir sequer falar em trabalhar com ele, e são ocupados por pessoas mais radicais, e isso é certamente uma preocupação. Mas eu acho que aprender também a trabalhar com a nossa autonomia, como aqui foi referido, e veremos. Mas, de facto, ainda é too close to call o resultado final destas eleições.
Agradecer também a-
Eu lembro-me há quatro anos exatamente disso, também.
Sim. Agradecer também ao Ricardo Silvestre e desejar-lhe boa viagem, saber que vai ser difícil estar numa viagem e não poder acompanhar ao minuto os resultados, e resultados, claro, para acompanhar na chegada, neste caso, à Hungria. Ainda temos tempo, Michael Seuffert. Gostaria de perceber para alguém que acompanha e com muito detalhe esta questão das eleições norte-americanas e muitas noites eleitorais, sabendo o que sabemos neste momento, nós já fomos projetando aquilo a que devemos estar atentos nos próximos minutos, nas próximas horas, mas na sua análise, o que vai estar atento durante os próximos minutos, durante as próximas horas, sabendo que vamos ter mais um swing state, o Arizona a fechar ou a ter resultados daqui a pouco, a que vai estar atento durante os próximos minutos?
Estamos a chegar à fasquia dos 80% dos votos contados na Geórgia. Continuo a dar aqui muita importância a este estado, igualmente à Carolina do Norte. Creio que um destes estados poder ser democrata é um sinal positivo para Kamala Harris. Se ficarem os dois do lado republicano, é um sinal positivo para Donald Trump, e diria que ele conta com isso, e razoavelmente, face às projeções. Um estado mais a norte, do qual ainda não temos falado tanto, mas que é muito importante para Kamala Harris, é o Michigan, que fica mesmo a norte nos Grandes Lagos e que é um estado do qual ela também vai precisar para ter o seu caminho para a Casa Branca.
Segue nesta altura indiferente.
O Arizona e o Nevada. É, neste momento ainda também muito cedo. O Arizona e o Nevada são importantes, enfim, mais pequenos. Eu confesso que na minha lista já conto com o Arizona do lado republicano e o Nevada está empatado no meu pequeno mapa que eu tenho aqui, mas também no fim podia nem importar. São seis votos e pode ser, de facto, o menos importante nesta conjectura toda. Isto vai se concentrar naqueles que têm mais de 15, portanto, Carolina do Norte, Geórgia, Michigan e depois a Pensilvânia.
Claro.
Isto hoje poderia ser um resultado se Trump ganhasse a Geórgia, a Carolina do Norte e o Michigan, eu acho que ele podia dormir satisfeito. Se isso não acontecer, e portanto, se Kamala ganha o Wisconsin e o Michigan, ele ganha a Geórgia, a Carolina do Norte, e eu já contei Arizona do lado dele, vai ser a Pensilvânia a decidir. E então vai ser uma espera dura pelos resultados e eu espero que não signifique que haja também distúrbios e violência devido a isso, porque as contagens demorarão o que tiverem que demorar.