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Olá, boa tarde.
Olá, Francisco. Tudo bem? É o Rui Pedro do Observador. Tudo bem?
Prazer.
Francisco, estava a ligar para a chamada final do dia. Queria perceber se hoje já terminou o dia de campanha e como é que foi este dia.
Ainda não terminamos, estamos quase a terminar, mas foi um dia longo. Começamos logo de manhã com uma entrevista com a Cristina Ferreira e o Cláudio Ramos pra televisão. Logo a seguir, tivemos que gravar uns vídeos pras redes sociais pra fazer conteúdo digital nesta última fase de campanha, pra apelar ao voto no domingo. Depois, pusemo-nos na estrada de Lisboa para Castelo Branco, onde fomos conhecer uma associação local que trabalha na integração de migrantes, na proteção de vítimas de violência doméstica, e também na integração de comunidades marginalizadas. Neste momento, já terminamos há cerca de uma hora essa sessão e estamos outra vez de caminho a Lisboa, porque amanhã pegamos cedo em Setúbal. Estamos em viagem pra Lisboa, a voltar de Castelo Branco.
E como é que têm sido as ações? Têm tido tempo ou têm sido especialmente cansativas?
Têm sido intensas. O período de campanha acaba por ser curto para uma campanha nacional, mas temos tentado ir a todo o país, de norte a sul, ao interior e litoral. E hoje viemos aqui a Castelo Branco também e a partir de amanhã estaremos mais no litoral e mais virados pro mar.
O Livre é um partido que na faixa litoral e nas grandes zonas urbanas é mais popular, podemos dizer assim, tem mais força. Essa ida ao interior não é uma perda de tempo ou, como é círculo nacional, todos os votos contam?
Sim, todos os votos contam e nós também queremos expandir o Livre e estamos a pensar no crescimento do Livre, portanto também precisamos dar uma força. Nós temos um núcleo territorial que vai ser criado em Castelo Branco e quisemos também dar força a esse núcleo, até pras autárquicas do próximo ano. Temos que pensar sempre no crescimento do Livre sustentado e não apenas na parte urbana e do litoral.
No programa do Ricardo Araújo Pereira, ele ofereceu lhe um Rui Tavares. Não sei se levou pra casa o cartão. Levou pra casa?
Levamos, exatamente. Levamos pra sede do Livre e assim temos sempre o Rui em todo lado. E vamos ter dois Ruis na campanha, portanto, estamos felizes por contar com mais um Rui Tavares.
Mas ele vai voltar ainda à campanha, não? O carneoso.
Sim, ele estará conosco já amanhã, quinta-feira também, portanto vai aparecer mais vezes na campanha. Não o de cartão, o de carne e osso. O de campanha ainda não sabemos, ainda estamos a planear com o próprio ver se aparece em campanha.
No debate da rádio, que foi no início da semana, não sei se reparou que acabou por ser aquele que tinha menos tempo. Eu, como fui um dos moderadores, consigo perceber que muitas vezes não foi propriamente por não ter esse espaço, mas porque quando nós tentávamos equilibrar o tempo, faziam declarações muito assertivas. Isso é um treino, fazer as declarações assim mais curtas? Está treinado pra isso, pra dizer muito em pouco tempo ou como é que isto aconteceu? Sentiu-se prejudicado? Já agora pode reclamar.
Sim. Pois é, mas nós não tínhamos acesso ao tempo. Eu tinha a percepção que estava com menos tempo até no final, mas no final é quando querem acelerar e quando me tentaram cortar a palavra. Mas a verdade é que as mensagens do Livre são mais diretas, são mais assertivas e nós treinamos sempre para passar a mensagem e não para fazer floreados como outros candidatos fazem. Nós somos diretos e honestos e não precisamos de circundar as perguntas e gastar esse tempo a tentar fugir às vezes das próprias perguntas desses candidatos.
Houve alguma coisa que ficasse por dizer nesse debate que gostava de ter dito e que depois lembrou-se: "Devia ter dito ou ter respondido a este ou àquele", e acabou por não fazer?
Não, eu penso que respondi sempre quando tinha que responder aos outros candidatos e até mais à ofensiva. O que ficou por falar foi de outros assuntos, como os direitos das mulheres, os direitos humanos, que também é uma competência desta União Europeia e que acaba por ser muito importante na ação do Eurogroupe, que infelizmente em todos os debates não foi muito discutido e gostávamos de discutir um pouco mais, mas certamente teremos tempo em campanha. Nós temos feito esses contactos também locais e sempre nas declarações que prestamos de tentar passar a nossa mensagem.
Francisco, não sente que a esquerda em geral também está a trazer muito esse tema, no fundo, pra atacar o Sebastião Bugalho como alguém que não defende propriamente esses direitos? E também, obviamente, António Tajra Correia. Não é estratégico da vossa parte? Não é só o Livre, também é o PS. E eu não tô a dizer que isso é ilegítimo, mas não faz parte também de uma estratégia denunciarem aquilo que vocês acham que poderá ser algum... Já agora, se divide esses dois planos entre aquilo que é a AD e o Chega, e se acha que um terá menos respeito pelos direitos das mulheres do que outro.
Sim, claro que são partidos diferentes. Não podemos comparar a AD com o Chega, mas a verdade é que o que nós atacamos são as linhas programáticas e as atitudes e votos que têm feito nos últimos mandatos. O que nós atacamos é a incoerência, é dizer que também são na defesa das mulheres, na defesa das minorias, na defesa dos direitos humanos, e depois no último mandato terem votado contra grande parte dos assuntos que nós expomos. Portanto, isto não são ataques pessoais, não são nada disso. É simplesmente um ataque programático, porque realmente não se percebe esta incoerência, não só no ataque das mulheres, mas também na carta da habitação, em que neste momento querem propor a carta da habitação dos direitos da União Europeia e depois votam ou até se abstêm de projetos de resolução que aconteceram no passado. E foi essa incoerência que procuramos atacar.
A entrevista ao Observador, enfim, são muitas e a muitos órgãos. O Sebastião Bugalho disse que não tinha nada contra e que até podia fazer-se essa leitura do apoio às minorias que está no programa da AD, que não tinha problema nenhum em que houvesse um reforço financeiramente europeu para associações LGBTQI+. Isso surpreende, o que ele tenha dito disso de uma forma tão clara?
Não surpreende. O problema é que deixamos de acreditar nas suas palavras, porque mais uma vez, no passado não foi isso que aconteceu. É muito giro falar em campanha dessas propostas, depois queremos ver se vão continuar no Parlamento, sabendo que neste momento a conversação que estão a ter não é à esquerda, não é com a área progressista, mas sim com a área conservadora. E a área conservadora certamente não vai aprovar esse tipo de propostas. Os Verdes e o Livre são partidos que vão aprovar esse tipo de propostas. Portanto, a AD tem que se decidir com quem quer falar e tem que decidir também que grupo político é que quer ser, porque o seu grupo político europeu, na verdade, quer falar com os ultraconservadores.
Mas acha que o PPE de fato é mais conservador do que o PSD, como diz o Sebastião Bugalho?
Eu não tenho essa visão. Eu considero que a AD está bem inserida no grupo Popular Europeu. Acho que há uma falta de coragem política de assumir as suas posições, porque pode ser menos favorável em Portugal essas posições, comparado com outros países. Acho que falta essa coragem política de assumir realmente ao que vão nestas eleições, como no passado aconteceu, o PSD sempre foi teoricamente em defesa, a defender as mulheres e a defender as minorias, mas depois mais uma vez os votos não vão nesse sentido. E é essa incoerência que vamos continuar a apontar, porque realmente não vem de agora, ou seja, não vem de Sebastião Bugalho, vem do partido, vem da AD.
E já agora, o PS. Acha que os socialistas na Europa são mais ao centro do que o PS e o PS é mais à esquerda ou não tem essa perceção?
Na parte europeia, o PS acaba por ser bem à esquerda e grande parte dos projetos dos SD, dos sociais-democratas, acabam por ser apoiados também pelos Verdes nessa parte progressista. Mas claro que o que nos difere é que também os sociais-democratas estão dispostos a fazer acordos com a direita e a fazer acordos na questão das regras orçamentais, na questão das regras climáticas e, portanto, ainda há uma divisão entre os Verdes e os sociais-democratas, mas claro que consideramos que estão mais à esquerda do que o PPE.
O ministro das Finanças alemão hoje manifestou o apoio é liberal, naturalmente, a João Cotrim Figueiredo. Alguém que tem uma perspectiva e uma visão de sociedade como o LIVRE, sente-se confortável de ter parceiros que depois fazem acordos de governo com liberais, como também há dias falaram no debate, no Frente a Frente, com partidos do PPE, como o polaco de Donald Tusk. Os Verdes sentem-se bem com este tipo de coligações?
Sim, os Verdes são muito diversos e há autonomia de cada partido para fazer esse tipo de coligações nacionais. A nível europeu, do Parlamento Europeu, claro que tem que ser mais concertado e apesar de termos dos grupos mais diversos, a verdade é que no Parlamento Europeu somos também o grupo que mais vota de forma igual entre si. Portanto, também diz a forma como estamos coordenados nas nossas ações.
E em Portugal seria impossível o LIVRE fazer parte de qualquer acordo de governação à direita do PS, podemos dizer assim?
Tem tudo a ver com o tipo de orçamento, com o tipo de programa político que a direita apresenta. Neste momento, é impensável fazermos um governo à direita do PS, precisamente porque o que nos foi apresentado, e nós vimos propostas nesta semana, como o plano de saúde, que vai privatizar, como o plano das migrações, que vai desumanizar esta entrada das pessoas, é que o LIVRE nunca poderia estar em governo com o tipo de partido político que apresenta este tipo de propostas.
Quando foi o Frente a Frente aqui na Rádio Observador, o Francisco, quando estavam a falar da Palestina, disse que o Hamas devia fazer parte das negociações pra uma solução de paz. Não teme ser mal interpretado e estar a defender que os terroristas se sentem à mesa?
Não, isso foi mal contextualizado, foi da resposta a uma pergunta sobre a independência da Palestina e que nós no LIVRE queremos que tem que ser com a autoridade palestiniana, que reconhecemos à autoridade palestiniana essa responsabilidade. Temos é que perceber que há uma guerra em jogo também entre o Hamas e Israel e que tem que ser posto em cima da mesa tudo o que devemos fazer para chegar a essa paz. E é nesse sentido que foi dito, e não no sentido da guerra e não no sentido da negociação com o Hamas.
É incontornável falar com o Hamas para essa solução de paz.
Sim, pra haver a paz, tem que ser não só entre o Hamas, mas também entre o governo de Israel. Mas o que eu estava a referir nessa tal entrevista tinha a ver com a independência da Palestina, que é isso que o LIVRE quer reconhecido neste momento.
Posso lhe perguntar se ao longo desta campanha outros candidatos lhe têm enviado mensagens?
Por acaso não recebi mensagens, mas eu também não tenho o contacto pessoal da maioria deles, portanto, não trocamos mensagens nesta campanha.
De nenhum deles? Nenhum lhe enviou nenhuma mensagem em nenhum momento?
Não. Durante a campanha, não.
O João Cotrim Figueiredo, quando foi à Feira do Livro, não lhe ofereceu nenhum. Vi até que depois no Twitter retuitou de alguém que estava a reclamar disso. Se fosse o Francisco, teria algum pra oferecer ao João Cotrim Figueiredo ou não? Não pensou nisso? Nunca combinámos isto antes, portanto é difícil que se lembre.
Não, a questão é que eu fiquei feliz por saber que o Cotrim Figueiredo não tem nada pra ensinar ao LIVRE e a mim, e gosto de sentir esse reconhecimento. Em relação ao livro, eu não sinto nessa necessidade de ter que me sentir como um professor. O Cotrim Figueiredo, infelizmente, em todos os debates acha que vai dar aulas, mas a verdade é que ouvimos zero propostas, ouvimos muitas intenções. E a verdade, no nosso ataque até ao Cotrim Figueiredo e às propostas da Iniciativa Liberal, tivemos um total de zero respostas. Se calhar, convinha preparar essas respostas antes de dar livros a outros partidos.
Francisco, quando o Rui Tavares foi eurodeputado, abdicou de uma parte do salário para dar bolsas de estudo. Está disposto a fazer alguma coisa desse gênero?
Sim, e mais do que o salário, até com a questão do IRS Jovem, que consideramos ser pouco justo pra os jovens deste país e, portanto, se Se acontecer de ser eleito e se este IRS Jovem avançar, também pensarei em formas semelhantes a esta de utilizar este financiamento.
Ou seja, vai pegar no dinheiro do IRS Jovem e vai realocá-lo, é isso? Ou dar alguma destinação?
Exatamente.
Já agora, Francisco, houve um início conturbado, que parece agora minimamente ultrapassado, mas aconteceu, por exemplo, de um outro partido que conseguiu eleger um deputado há cinco anos, no caso o PAN, em que o deputado entrou em rutura com a direção e tornou-se não inscrito. Consegue deixar aqui, de forma clara, a garantia que caso se zangue com o Livre, não ficará com o lugar até o fim, ou isso dependerá do avançar da situação?
Não, nem se coloca como hipótese haver essa cisão ou dificuldade com a direção do partido. Nós estamos sempre em contacto. Esta campanha só tem funcionado porque estamos em contacto e, portanto, nem se coloca como situação neste momento e no futuro.
Francisco, para terminar, ia-lhe só perguntar, creio que confessou no podcast, no programa do Guilherme Geirinhas, que era do Sporting, eu não sei se era relativamente do sentido comum. Ia-lhe perguntar, se for para Bruxelas, como é que vai conseguir ver os jogos? Se vai ver de forma pirata ou se vai comprar algum sistema que lhe permita ver os jogos.
Na verdade, eu vou poucas vezes ao estádio, porque era do Porto, Porto cidade, mas eu quero ver é junto da comunidade portuguesa. De certeza que vou arranjar cafés e associações em que possa ver os jogos.
Francisco, antes de desligar, queria só perceber onde é que está neste momento. Está no carro, vem de uma ação?
Estamos no carro, em Abrantes, a caminho de Lisboa. Vimos de Castelo Branco. Portanto, ainda temos uma horinha de viagem.
E o que é que vai fazer no carro até chegar a Lisboa?
Neste momento até vamos a conversar sobre política, tenho aqui mais gente no carro que faz parte da campanha, tem aqui um deputado também, o Jorge Pinto, e vamos falando de política e se calhar a seguir colocamos uma música para tentar não adormecer, que isto fica cansativo de andar pelo país.
Muito obrigado, Francisco. Um abraço grande da viagem e boa viagem até Lisboa.
Muito obrigado. Boa tarde.