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Estamos na emissão especial do Observador do 42º Congresso do PSD. Comigo está o Miguel Santos Carrapatouso, editor-adjunto de política, e recebemos agora Hugo Soares, secretário-geral do PSD. É dos poucos nomes que termina este mandato como secretário-geral e começa no mesmo cargo na direção que vai amanhã ser eleita. Esta renovação da direção, que sinal é que quer dar e se não corre o risco de o núcleo duro da direção perder capacidade de combate político?

Muito obrigado pelo convite. Deixe-me pôr a coisa ao contrário. Se o presidente do PSD apresentasse a mesma lista, diriam: "Não teve capacidade de recrutamento, não teve capacidade de surpreender, não teve capacidade de ir buscar gente nova". Veja bem, dra. Leonor Beleza, que é uma destacadíssima militante do PSD, diziam até durante o verão que eu a estava a lançar para presidente da República, recorda-se certamente disso. Alexandre Poço, um jovem altamente promissor, vice-presidente do grupo parlamentar, com grande capacidade de combate político, com grande capacidade de intervenção. Presidente da UGT, dando um sinal de abertura à sociedade, mas também ao movimento sindical e numa lógica de aprofundar as questões sociais. O dr. Rui Rocha, que é um experimentadíssimo político e dirigente partidário. Esta é uma lista de grande capacidade política na comissão política permanente, de grande combate político e ao mesmo tempo de grande credibilidade. Portanto, eu creio que este sinal que o presidente do partido deu, ao mesmo tempo que continua a ir buscar gente à sociedade civil, deixe-me dizer assim, a entrada hoje no partido de Sebastião Bugalho e Gabriela Cabilhas é um sinal de renovação, é o sinal de que nós no PSD queremos fazer o mesmo que queremos fazer no país: recrutar talento, chamar os melhores para dentro da sociedade e para dentro do PSD.

Mas olhando para o elenco final, não se vislumbra, até pela idade que algumas pessoas têm, nenhum quadro que se possa colocar para futuro, para que possa ser percepcionado como um eventual sucessor, por exemplo, de Luís Montenegro.

Era expectável que assim fosse?

Costuma, há sinais, às vezes, nas direções do partido. Aliás, na última direção era.

Estou eu a fazer o seu papel, desculpe, Miguel.

Paulo Rangel, primeiro vice-presidente do partido, tinha já candidatado à liderança do partido, Miguel Pinto Luz, idem, àspas, àspas. Portanto, há sempre uma associação entre pesos pesados do partido e um eventual futuro sucessor ou sucessora. Não houve essa preocupação aqui, nesta composição final?

Eu julgo, com toda a franqueza, que um líder que constitua uma equipa a pensar em quem o vai suceder, está a cometer um erro. E o erro é não preparar a equipa para aquilo que é absolutamente necessário, mas a pensar que ele pode fracassar. Mas já agora, os dois exemplos que deu, Miguel Pinto Luz e Paulo Rangel, continuam na Comissão Política Nacional. Veja este dado particular, que é absolutamente inédito. Todos os ex-vice-presidentes do PSD passam para vogais da Comissão Política Nacional. Isto dá, por um lado, uma palavra de grande humildade a quem aceita fazer esta transição, mas, sobretudo, faz algo que eu creio que é absolutamente necessário que os partidos aprendam de uma vez por todas, que é trazer e manter os melhores, mesmo em lugares que não era expectável. Não é normal termos gente da qualidade de António Leitão Amaro, Margarida Balseiro Lopes, Paulo Rangel, Miguel Pinto Luz, Pedro Reis, Joaquim Miranda Sarmento. Veja bem, estamos a falar do núcleo duro do governo também, como vogais da Comissão Política Nacional do PSD. Eu creio que este é um facto de assinalar, não vale a pena dizê-lo de outra maneira.

Falou-se muito de eleições autárquicas neste congresso. A prioridade, percebeu-se pelas intervenções que foram sendo feitas, é ganhar a Câmara Municipal do Porto. Como secretário-geral do partido, tem algum nome pensado para esse desafio? Pedro Duarte poderia ser um candidato sólido do PSD.

Olhe, a prioridade é manter as câmaras municipais que temos, desde logo a capital, desde logo aqui onde estamos, em Braga. É para mim fundamental, porque eu sou de cá, como secretário-geral, nós podermos ganhar novamente a eleição autárquica em Braga e era muito importante que o PSD ganhasse a Câmara Municipal do Porto. Era importante por várias razões. Eu costumo dizer que não é importante que o PSD ganhe câmaras para que possamos, com muito regozijo, dizer que temos muitas câmaras municipais no nosso pecúlio. É porque eu acredito mesmo que é uma gestão social-democrata que melhora a vida das pessoas. E isso é importante também para o Porto, porque é uma grande cidade do país, é a segunda cidade do país e merece agora um novo impulso. Ora, o PSD terá certamente um candidato que corporize este desejo de impulso, de catapultar a cidade do Porto e encontrará dentro da sociedade civil ou dentro do partido, o melhor candidato para o efeito. Se me pergunta se Pedro Duarte era um bom candidato, não tenho dúvida que Pedro Duarte, como muitos outros, seriam excelentes candidatos ao Porto e o PSD tem, de facto, nas suas fileiras, muita gente capaz de ir ao Porto disputar e ganhar a eleição, mas também na sociedade civil.

Colocando a questão ao contrário, os objetivos são claros, conquistar a liderança da Associação Nacional de Municípios e da ANAFRE, das freguesias. E se o PSD falhar, que conclusões é que retirará?

Retirará que não foi capaz de encontrar os melhores candidatos e os que responderam à confiança dos eleitores. Não há outra a tirar, é mesmo essa. Não escolhemos os melhores e por isso não logramos ter a confiança dos eleitores. A política deve ser encarada com uma simplicidade que é evidente. Quer dizer, se nós não ganhamos as eleições, seja as legislativas, seja as autárquicas, não é porque os eleitores se enganaram, é porque nós não fomos capazes de ir ao encontro daquilo que era a expectativa dos eleitores. Luís Montenegro disse isso hoje de manhã, quando dizia com realidade que Quando nós perdemos eleições, não foram os portugueses que estavam enganados. Os portugueses decidiram de determinada maneira porque entenderam que era aquela maneira que deviam entender, porque não confiavam nas políticas públicas que eram apresentadas pelo PSD. Ora, em eleições autárquicas é exatamente o mesmo.

Mas essas eleições vão acontecer um mês antes da apresentação do Orçamento Estado para 2026, que olhando para o que foi o processo negocial deste orçamento, é altamente improvável que venha a ser viabilizado. Uma eventual derrota do PSD nas autárquicas, ou um resultado menos positivo, se quiser, não pode prejudicar as aspirações nacionais do partido quando for novamente a votos?

Mas novamente a votos quando? Na final da legislatura?

Ou acredita que o Orçamento Estado para 2026 vai ser aprovado?

Não faço ideia. Eu sou um fiel ouvinte da Rádio Observador. Eu começo as minhas manhãs, devo dizer, a ouvir a Rádio Observador. E qualquer um de vós, e outros, que eu ouço na Rádio Observador, têm sistematicamente, todos os dias de manhã, começado por dizer: "Já estamos cansados e fartos da novela do orçamento 2025". Miguel, não me leva a mal. Vamos já começar com a novela do orçamento de 2026?

Nós podemos resolver já isso. Acha que o Partido Socialista vai-

Eu acho que ninguém aguenta, não me leva a mal.

Mas acha mesmo que o Partido Socialista vai viabilizar o orçamento para 2026? Depois de tudo que assistiu até aqui, quando já não há uma crise política no horizonte.

Eu não sei quem é que vai viabilizar o orçamento para 2026. Há uma coisa que os senhores sabem e que eu também sei. A Assembleia da República não pode ser dissolvida se o orçamento de 2026 não for aprovado. Agora, se me perguntar se é a intenção do PSD ou do governo de Ad viabilizar o orçamento de 2026, é, como é o de 2027 e o de 2028. Eu disse hoje de manhã e quero aqui repetir: a viabilização do orçamento para 2025 não é uma vitória do governo, é uma vitória do país, é manifestamente uma vitória dos mais jovens. Vou elencar, fazer aqui um bocadinho da minha política, se me permitem. O jovem, neste orçamento, tem uma redução absolutamente significativa do IRS, do imposto sobre o trabalho. Tem a isenção do imposto de selo de IMT na aquisição da primeira casa. Dos pensionistas, que veem as suas pensões aumentadas e que têm a palavra que, havendo condições, vai haver um aumento extraordinário da pensão.

Mas a questão é que Pedro Nuno Santos não está convencido. Até no momento em que decidiu a abstenção, disse que o fazia porque o país tinha ido a votos há muito pouco tempo e porque não havia, no fundo, sondagens que indicassem uma clarificação do atual quadro parlamentar. Portanto, não convenceram particularmente Pedro Nuno Santos e por isso a insistência no cenário de 2026. Se não o convenceram agora, seguramente não o convencerão daqui a um ano.

Até porque já disse que não há processo negocial. Eu tenho uma grande confiança na capacidade de persuasão e de negociação, como se tem visto, do primeiro-ministro, mas digo-lhe mais, tenho absolutamente confiança que o orçamento para 2026 há de ser também ele um bom orçamento e isso depois se discutirá na altura própria.

Que é parte de convencer Pedro Nuno Santos. Já confessou numa entrevista que agora às sextas-feiras fica mais tenso com as votações no Parlamento. É assim que vai estar na votação na especialidade?

Já disse hoje, repito, estou absolutamente tranquilo quanto à votação na especialidade. Eu ouvi o secretário-geral do Partido Socialista, com grande responsabilidade, tenho que o dizer, anunciar o voto de abstenção, viabilizando o Orçamento Estado na generalidade e na votação final global. E tenho ouvido várias vezes o secretário-geral do Partido Socialista e vários dirigentes do Partido Socialista manifestar sempre grande preocupação com as contas certas e com um orçamento capaz de gerar excedente para pagar a dívida pública. Ora, assim sendo, se conjugarmos estas três posições, como é que é possível esperar que o Partido Socialista não seja absolutamente responsável também na especialidade? E portanto, dito isto, não tenho dúvida alguma de que vamos conseguir fazer um processo de debate, de aprovação, de discussão do orçamento na especialidade, que será um processo responsável. Devo dizer, as sextas-feiras são complicadas. Foram, sobretudo, ou ainda são, como aconteceu esta sexta-feira, quando numa cumplicidade que ninguém entende, mas que eu tenho vindo a denunciar, o Chega e o Partido Socialista se aliam para aprovar matérias contra aquilo que seria o mais natural do espectro político partidário.

E com esse histórico, ele espera que isso aconteça no orçamento?

Se eu ouvi tudo aquilo que vos disse antes quanto à responsabilidade do Partido Socialista, sinceramente, eu estou muito tranquilo.

Mas está a ignorar as letrinhas pequeninas de Pedro Nuno Santos.

Quais são as letrinhas pequeninas?

O secretário-geral do PS disse que não compromete a margem de 700 milhões de euros e nem o excedente 0,3%. Dentro desse bolo, dentro dessa margem, o Partido Socialista pode, por exemplo, aumentar a despesa enquanto aumenta também a receita. Portanto, dá para calibrar. Aliás, numa contraproposta que Pedro Nuno Santos fez a Luís Montenegro, passava precisamente por reduzir menos os impostos e aumentar a despesa estrutural, nomeadamente na habitação. Ou seja, qual é a linha vermelha do PSD nesta matéria?

Miguel, deixe-me dizer.

O que seria inaceitável para o PSD, por exemplo?

Inaceitável é aceitar aumento de impostos. Isso é absolutamente inaceitável, desde logo, e o Miguel dizia, que para não comprometer as contas públicas e poder gerar mais despesa pública, é preciso aumentar impostos. E isso é evidente que o PSD não está disponível para aumentar impostos. Nós fizemos uma campanha eleitoral inteira e temos o programa do governo a dizer exatamente o mesmo. Portugal vivia numa asfixia fiscal. Nós não reduzimos ainda todos os impostos e tanto quanto gostaríamos. Mas este é o primeiro orçamento de Estado que não aumenta um único imposto e que gera excedente orçamental na história da democracia portuguesa e que baixa vários impostos, como se sabe, sobre as famílias, sobre as empresas, sobre os mais jovens. Enfim, isso para dizer que eu não acredito, sinceramente, que o Partido Socialista possa, na especialidade, desvirtuar o orçamento Que foi apresentado pelo governo, depois de anunciar que o viabiliza e que gere qualquer tipo de problema. Eu estou mesmo tranquilo quanto a isso e queria reafirmar a minha total tranquilidade e a minha total confiança, deixe-me dizer mesmo assim, a minha total confiança no sentido de responsabilidade do Partido Socialista.

Já vamos essa questão. Só uma pergunta concreta sobre o IRC. O PSD admite algum cenário que possa ser confrontado com a necessidade de anular a descida do IRC?

Eu atalho já. Como sabe, houve negociações com o Partido Socialista e nós não abdicamos de descer o IRC. Creio que isso é claro.

E nessa parte não houve acordo.

E nós não abdicamos de baixar o IRC.

Mas, em contrapartida, imaginando que possa surgir uma maioria que impeça a redução do IRC, o que faria o PSD?

Como é que essa maioria se podia formar?

É difícil imaginar, porque à partida o Chega não vai não reduzir impostos.

Isso é a mesma coisa que achar que eu tenho lá fora um Ferrari à minha espera e não tenho, infelizmente. Portanto, não faz nenhum sentido.

Mas imagino que o Chega use o argumento que não é suficiente esta redução de impostos.

Sim, quereria mais, não queria reduzir esta. É sim ou não é? Esse cenário não existe.

Acha que de um lado ou de outro a proposta está blindada.

Ouçam, vamos lá ver uma coisa. Se o Chega acha que o IRC devia descer mais do que o que nós propusemos, se o Partido Socialista acha que não devia descer coisa nenhuma, como é que é possível eles entenderem-se nessa matéria? Portanto, não vamos enfabular, isso não existe. Esse é um problema que está resolvido por si.

Portanto, tem confiança que o Chega não vá prejudicar essa-

Eu não tenho confiança. Eu reafirmei aqui a minha confiança no sentido de responsabilidade do Partido Socialista. Eu no Chega não tenho confiança nenhuma, perante aquilo que têm sido as posições variadíssimas, divergentes, contraditórias, antagônicas, que o Chega toma às vezes no mesmo dia e outras vezes durante a mesma semana.

Precisamente, antes de irmos para o Orçamento Estado, uma pergunta porque tivemos aqui Pedro Duarte, que sugeriu que talvez fosse melhor ideia ou uma boa ideia, aliás, repensar eventuais encontros com o Chega, no limite até ter uma testemunha que pudesse assistir a esses encontros entre Luís Montenegro e André Ventura. Acha que o PSD deveria evitar voltar a ter reuniões discretas ou secretas, como quiser, com André Ventura?

Eu deixo isso para o governo, porque é o governo que teve ocasião de falar sobre essa matéria, mas eu lembro os eleitores do Chega. É para eles que eu quero falar. Eu lembro os eleitores do Chega que eu enunciei publicamente e nunca fui desmentido, nem nunca serei. Isso é que eu posso dizer. Eu fiz dois acordos parlamentares, é público, com o doutor André Ventura, foi com ele próprio. Um sobre a questão das portagens e outro sobre a questão do IRS. Eles duraram umas horas, sem razão nenhuma, ele foi rompido. Por isso nós dizemos que o Chega não é um parceiro fiável, não se pode confiar na palavra de quem, sem razão nenhuma, viola compromissos que foram assumidos. Esses acordos aconteceram comigo e, portanto, ninguém me contou. Eu não enfabulei, eu não inventei reuniões. Enfim, diria o seguinte: sobre a forma como o governo se vai relacionar com o partido Chega, é matéria do governo. Eu, no Parlamento, é minha obrigação, é obrigação do grupo parlamentar do PSD, procurar no quadro de uma maioria relativa, as soluções possíveis do ponto de vista parlamentar, para fazer aprovar a legislação que nós entendemos ser importante para melhorar a vida das pessoas. E é isso que eu vou continuar a fazer. Quando correr mal, denuncio, como é hábito e como tenho feito.

Uma última pergunta sobre o orçamento, porque eu há instantes interrompi o seu raciocínio. Se PS e Chega desvirtuarem o Orçamento Estado, o que fará o PSD e o CDS, naturalmente?

Se nós não estivéssemos aqui, estávamos noutro lado. Eu não vou enfabular.

Mas foi o Soares que falou dessa hipótese.

Não, não foi. Foi o Miguel que me perguntou, não fui eu que criei essa hipótese, foi o Miguel.

Mas reconhece que existe o risco? Portanto, dependendo que o risco existe, o que fará o PSD e o CDS nesse cenário?

Se eu digo assim: "Eu tenho total confiança na responsabilidade do Partido Socialista", não ponho outro cenário em cima da mesa.

Por exemplo, em agosto, Joaquim Miranda Sarmento, em entrevista ao Público e Renascença, disse que se isso acontecesse, teria de ser dada a palavra aos portugueses. Portanto, não é uma invenção da comunicação social.

Não, não estou a dizer que é. Eu estou a dizer é que podem perguntar ao professor Joaquim Miranda Sarmento. Eu não vou por aí. Não vou mesmo. Eu sou ator político, não sou comentador político. Já disse isso uma vez numa entrevista e vocês tiveram piada, agora comentaram a propósito de um canal televisivo. Agora lembrei-me dessa particularidade. Mas sendo ator político, eu devo ter a obrigação de agir, de intervir, para que as coisas corram como eu entendo, do meu ponto de vista, devem correr. A minha convicção é que essa questão, na especialidade, não se vai colocar. Eu vou voltar um bocadinho atrás para voltar ao Observador e à minha rádio, à rádio que eu ouço todos os dias de manhã. Acreditem em mim, estas matérias, as pessoas estão cansadas, é uma novela atrás de novela. É mais importante nós falarmos dos problemas das vidas das pessoas, daquilo que interessa manifestamente a cada uma e a cada um dos portugueses, do que estarmos sempre a enfabular cenários. "Mas e se o Pedro Nuno Santos votar contra o IRC e o Ventura também votar?" As pessoas estão mesmo fartas disso, Miguel, não me leva a mal dizer-lhe isto, e sei que não leva. E devo dizer, eu também estou. Eu estou muito compenetrado, muito focado, muito concentrado no trabalho, na especialidade, para ver dentro do orçamento como é que nós ainda podemos melhorar mais o orçamento, dentro daquilo que são as margens orçamentais.

E há margem para negociar com a bancada socialista? Em que medida? Em que matérias?

Está claro que não há negociação possível. Agora, o que há é o Partido Socialista apresentar propostas, outros partidos apresentam propostas. Dir-me-á assim: "Ó Soares, se o Partido Socialista apresentar uma proposta", eu vou mais longe, "se o Bloco de Esquerda apresentar uma proposta com a qual o grupo parlamentar do PSD concorde, está disponível para aprová-la?" Evidente, como já demonstrei várias vezes ao longo desta legislatura. Portanto, é assim que se faz o processo na especialidade. É assim que deve ser feito, procurando, de forma muito clara, quero ser transparente convosco, não desvirtuar aquilo que é a proposta do Orçamento de Estado, que é assim que deve ser, e procurando, ao mesmo tempo, melhorar o orçamento.

Vamos só terminar com presidenciais, porque também já se falaram delas aqui no Congresso. Marques Mendes veio hoje aqui assumir-se definitivamente como o candidato apoiado pelo PSD?

Não. Eu tive ocasião de entrar com o doutor Marques Mendes e ele disse que só falava de presidenciais em 2025.

Mas é o único que vai falando disso.

Ele diz que vai falar em 2025.

Não foi recebido com particular entusiasmo pela sala. Houve aplausos, naturalmente, mas não houve uma reação apoteótica à entrada de Luís Marques Mendes. Isso é um sinal que preocupa o PSD ou não?

De todo. Eu acompanhei o doutor Luís Marques Mendes, vi a forma efusiva como foi recebido pelos militantes que estavam, aliás, fora do recinto. Foi aplaudido dentro do Congresso, estavam a decorrer intervenções, perfeitamente normal, mas que eu saiba, o doutor Marques Mendes não é candidato a nada. Não estou a dizer que não possa ser ou que não tenha o perfil para ser.

Já pôs o pé na porta.

Já disse publicamente que creio que tem perfil para ser. Creio não, tenho certeza absoluta.

E o perfil que o PSD tem encaixa outros nomes que não Marques Mendes?

Não tenho.

O de Nobreza agora já não está.

Honestamente, tenho a certeza absoluta que há outros nomes que podem encaixar nesse perfil, mas que o doutor Luís Marques Mendes tem um fortíssimo perfil para encaixar naquilo que é a nossa noção de estratégia global, tem, isso não há dúvida nenhuma.

Santana Lopes veio cá por outros motivos. É para ser mais um presidente de câmara do PSD no futuro ou também ainda dá para esse perfil?

Não sei, tenho que lhe perguntar ao doutor Pedro Santana Lopes. Foi muito bem recebido, tive todo o gosto em receber o doutor Santana Lopes numa casa que já foi dele. Creio que já também é público que foi com total surpresa que o doutor Santana Lopes veio ao Congresso, mas foi também ele muito bem recebido, como sabem. É um extraordinário autarca.

Encaixaria bem numa lista do PSD para a Figueira.

Não tenho dúvida nenhuma sobre isso.

Hugo Soares, muito obrigado por se ter juntado a nós na emissão especial da Rádio Observador aqui do Congresso do PSD. Estaremos por aqui todo o fim de semana a acompanhar a reunião magna dos sociais-democratas.