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Estou?

Estou, João Oliveira. Como está?

Viva, tudo bem.

Vasco Maldonado Correia do Observador. Está já a caminho do Porto?

Ainda não, estamos a caminho do jantar.

E onde é que vão jantar?

Em Montemor. Vamos parar aqui em Montemor para jantar.

E está a voltar então agora de Évora, a sua cidade natal.

Exatamente.

Era uma passagem obrigatória?

Exatamente. Era uma paragem obrigatória. Já cá estive há uma semana numa outra iniciativa dedicada às questões da cultura, mas nesta reta final da campanha é um dos sítios onde era preciso ir.

Mas acha que o distrito tem deixado de ficar mal, sendo que é o seu distrito, nas últimas duas legislativas não conseguiram eleger. O que se tem passado?

Não, acho que estamos em condições de dar a volta a isso. Estamos em condições de dar a volta a essa circunstância e ter aqui um resultado que seja também reflexo daquilo que é preciso para o resto do país.

O João Oliveira já confessou estar muito cansado. Tem agora o jantar, mas depois vai ter mais uma longa viagem pela frente. O que eu lhe pergunto primeiro é onde é que vive com a sua família e se nestes últimos dias em que estivemos muito perto de Lisboa, conseguiu dormir em casa.

Sim, vivo em Azeméis. Agora nos últimos dias foi possível ter algum tempo mais em casa com a família, ainda assim com horários que não são propriamente os horários desejáveis para a vida familiar como ela se quer, mas tive a oportunidade de estar em casa mais por perto, com a agenda de campanha mais por perto. Agora nestes últimos dias vai ser diferente, vou andar mais para longe, mas depois das eleições tenho que arranjar maneira de compensar estas ausências.

O João tem filhos?

Tenho duas filhas.

Que idades?

Uma com cinco e outra com quatro.

Ok. E elas já percebem o que está a acontecer, o que o pai está a fazer?

Percebem, já foram reparando. A partir do momento em que se começou a falar nisso, elas foram percebendo que havia alguma coisa diferente em relação ao que é habitual. Nós também lhes fomos explicando, na medida em que é possível explicar a crianças de cinco e de quatro anos, o que é isso das eleições e qual é o papel que o pai está a cumprir nessas eleições. Mas isso já se tornou até motivo de brincadeira entre elas e as amigas. Acho que é uma coisa que já está normalizada.

A CDU e o próprio João Oliveira falam muito sobre a necessidade de conciliar a vida familiar com a vida profissional. Como é que se faz este equilíbrio agora durante a campanha e se acabar por ser eleito para o Parlamento Europeu, como é que isto vai funcionar?

Em termos de campanha eleitoral é sempre mais complicado. Já tinha as experiências anteriores das campanhas anteriores, em que isso era de facto mais complicado. Mas fora das campanhas eleitorais não é difícil. É sempre pretença para alguma exigência, mas é sempre possível conciliar a intervenção política e mesmo a intervenção enquanto eleito com a vida familiar, no sentido do equilíbrio que tudo isso tem que ter, até porque há aspetos que são imprescindíveis e que não podem deixar de ser considerados e o equilíbrio com a vida familiar é absolutamente necessário. Para lhe ser sincero, relativamente às circunstâncias do exercício do mandato do Parlamento Europeu, ainda não tenho completamente claro o quadro em que isso será feito e as condições em que isso será feito. Sinceramente, ainda não tomámos decisões familiares relativamente a essa circunstância, com tudo aquilo que ela implica. A seu tempo há de ser possível encontrar as soluções para isso.

Vamos então falar mais concretamente sobre a campanha. Tem tido a companhia de Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, praticamente todos os dias. É uma ajuda importante?

É claro que é uma ajuda importante. A presença do secretário-geral na campanha é sempre um elemento de qualificação da campanha que estamos a fazer, das ações que estamos a fazer e isso é um contributo muito importante e é um espaço de intervenção que naturalmente acrescenta muito àquilo que vamos fazendo nas outras circunstâncias. É um elemento de muita satisfação essa circunstância de poder contar com o secretário-geral nas iniciativas nestes dias de campanha.

E vai-lhe pedindo conselhos ao longo da campanha?

Sim, vamos trocando opiniões, vamos falando muito um com o outro em função até das circunstâncias com que vamos lidando, até a partir de iniciativas em que nós estamos os dois presentes. Ainda hoje de manhã tive uma conversa com ele depois de ele ter participado numa ação de campanha em Loures, em que estivemos a conversar precisamente sobre alguns dos contactos que ele fez, algumas das conversas que teve naquela ação de campanha, alguns aspetos que acabam por aparecer mais como elementos de preocupação na vida das pessoas e que justificam também uma abordagem mais concentrada depois nas outras iniciativas e esse diálogo é absolutamente essencial.

E teve também a presença de Jerónimo de Sousa na campanha. Que significado é que isso teve?

Sim, é verdade. A presença do camarada Jerónimo naquela iniciativa no Parque das Nações foi muito importante. Não apenas porque aquela foi, de facto, uma iniciativa grande da nossa campanha, com a expressão toda que ela teve e, portanto, a presença do Jerónimo deu também um elemento acrescentado, digamos assim, de dimensão política à iniciativa. Mas o Jerónimo também não deixa de ser alguém que está presente no cotidiano da intervenção política do partido. Ele próprio tem tido uma agenda de intervenção na campanha com iniciativas em que tem vindo a participar. E também nas circunstâncias em que vai sendo possível, em que nos vamos cruzando, não deixa também de ir havendo essa troca de experiências e de informação sobre aquilo que se vai encontrando nas diversas iniciativas e, naturalmente, a experiência dele é muito importante em momentos como este de campanha eleitoral. Penso que ele tem do ponto de vista político e até do ponto de vista eleitoral, a participação em campanhas eleitorais ajuda também muito a desbravar caminhos que é preciso fazer nessa altura.

O João Oliveira tem sempre fugido a dar objetivos concretos para a campanha, mas eu vou arriscar voltar a perguntar o que é que seria um bom resultado no dia 9.

Eu, de facto, tenho evitado estender-me na abordagem a esses objetivos e a essa quantificação, porque num momento anterior já me pus fora do pé a fazer palpite sobre isso. E eu, sinceramente, não quero arriscar-me a isso outra vez. Eu acho que verdadeiramente estamos em condições de ter um bom resultado eleitoral e termos um reforço em termos da nossa votação e eventualmente da percentagem que temos. Vemos se isso é possível também em termos de mandatos, mas eu diria que temos condições para construir esse resultado eleitoral. Estamos a construí-lo a pulso com contactos de norte a sul do país, com muita gente diferente com quem vamos falando, com surpresas muito boas, de gente que assume que vai votar na CDU pela primeira vez. Ainda hoje tive uma mensagem de uma camarada minha de Cascais, a propósito de uma amiga que votará pela primeira vez na CDU e sobretudo porque acha que é muito importante a mensagem que temos afirmado na campanha eleitoral em defesa da paz. E portanto, isso é um elemento muito importante. Mas vamos encontrando elementos que nos dão essa confiança. Os apoios que tivemos hoje de professores e educadores, aqueles que há dois dias, há uns dias, não foi há dois, já foi há um bocadinho mais, que tínhamos todos recebido de profissionais de saúde e que hoje já chegam a mais de 300. Ora, isso são tudo elementos que nos dão uma grande confiança relativamente ao nosso resultado eleitoral e mesmo não voltando a arriscar na quantificação de um resultado que podemos obter, eu estou cada vez mais convencido à medida que o tempo passa, que podemos ter um resultado eleitoral de reforço da CDU, assim consigamos transformar em votos o apoio que vamos sentindo e as declarações de reconhecimento da nossa importância, de que a CDU faz falta, que a voz da CDU é uma voz importante. Assim, toda a gente que pensa dessa forma converta esse apoio e esse reconhecimento em voto na CDU. E eu estou cada vez mais convencido que nós temos mesmo condições para poder ter um resultado de reforço da CDU no dia 9.

E numa altura em que a CDU tem tido resultados mais desanimadores, digamos assim, sente uma responsabilidade acrescida de dar uma vitória à CDU? É uma vitória de que a CDU precisa?

Nós nunca travamos uma batalha eleitoral com a ideia de que são os principais protagonistas que têm a responsabilidade de construir o resultado por si. Nós travamos cada batalha eleitoral com a noção da importância do nosso trabalho coletivo e, sobretudo, desse contacto que não pode ser feito apenas pelos candidatos, tem que ser feito por muitos milhares de ativistas pelo país todo, de contacto direto com as populações, nas mais variadas circunstâncias. E, portanto, é verdadeiramente disso que depende o resultado eleitoral que temos e é também em função desses contactos que vão sendo feitos, que nós vamos também, de alguma forma, medindo o pulso à situação em que estamos a intervir. E nesta batalha eleitoral em particular, há uma mensagem muito forte, muito distintiva da parte da CDU, relativamente a um conjunto de questões dos salários, das pensões, da saúde, da habitação, da educação, de um conjunto de aspetos relacionados, por exemplo, com a produção nacional, que marcam o caráter distintivo da CDU. A nossa mensagem é diferente das outras forças políticas, tratando de assuntos que as outras forças políticas procuram enfumar para o esquecimento, trazendo para a primeira linha das preocupações do debate eleitoral o conjunto de questões que todos os dias marcam a vida do povo e que são determinantes no futuro do país. E julgo que esse reconhecimento desse caráter distintivo da CDU acaba por contribuir para essa realidade objetiva que vamos encontrando de apoio, de reconhecimento à CDU. E como lhe digo, nos dá a perspectiva de termos um resultado eleitoral do reforço das nossas posições.

Mas se por acaso não conseguir eleger, não sente essa responsabilidade também a nível pessoal?

Olha, eu naturalmente estou a dar o contributo que posso e naturalmente hei de ter a minha quota parte da responsabilidade nesse trabalho coletivo que se faz com o contributo individual de cada um. E, portanto, o trabalho coletivo resulta do contributo individual que cada um dá para isso. E eu, naturalmente, com as responsabilidades que tenho como primeiro candidato da CDU, estou a procurar dar o contributo da forma melhor que sei e posso e da forma mais empenhada e determinada que posso. Mas eu estou convencido que verdadeiramente havemos de ter condições de reforço do resultado da CDU. E isso não há de ser resultado apenas da intervenção do cabeça de lista, há de ser a intervenção do conjunto dos milhares de ativistas da CDU que contribuíram para que isso assim fosse Sobretudo chegando àqueles a quem eu diretamente não consigo chegar e em muitas circunstâncias, de outra forma, também consigo chegar. Esse resultado coletivo que devemos construir há de ser um produto de todo esse trabalho e todo esse empenhamento de muitos milhares de pessoas.

Há pouco falou na questão da paz e eu queria também abordar essa questão. É um dos pontos, no mínimo, mais polêmicos a envolver a CDU, a questão da guerra na Ucrânia. Eu queria lhe perguntar, tendo em conta o consenso que parece existir neste tema, não teme perder votos com a posição neutral que tem sido assumida?

Se alguém acha que defender a guerra dá votos, é preciso que perceba que pode dar votos, mas não dá futuro. E a nossa posição é exatamente a oposta. Aquilo que dá futuro é defender a paz. E é na defesa da paz que nós continuamos concentrados. E há muita gente que vai começando a perceber que verdadeiramente o desafio que temos pela frente, um dos mais urgentes, entre todos aqueles que temos pela frente, é, de fato, o desafio da luta pela paz e a consequência, a firmeza e a coragem com que a CDU tem afirmado a necessidade de se encontrarem soluções de paz, não apenas na Ucrânia, mas na Palestina, no Iémen, em tantos outros sítios onde há guerra, é verdadeiramente a única solução que serve aos povos e em particular ao povo português. Nós não queremos os nossos jovens sacrificados no futuro, como passaram os seus pais e os seus avós pela guerra colonial. E essa afirmação muito clara da CDU na defesa de soluções de paz, onde há guerra, contrariando até o discurso de todas as outras forças políticas à nossa volta, eu julgo que também marca o caráter distintivo da CDU e em muitas circunstâncias está a abrir consciências e a alertar as pessoas para que o caminho tem de ser esse. E para que o caminho seja esse, é preciso reforçar a CDU.

Mas permita-me só insistir nesta questão. Se a Rússia insiste em manter a guerra na Ucrânia, continuar com esta posição não é estar a ignorar o problema e também os ucranianos que estão a ser atacados?

Olhe, é precisamente para contrariar isso tudo que é preciso que haja quem defenda a paz. É precisamente para contrariar a realidade que nós já há dois anos estamos a verificar, de forma muito impossível, dos ucranianos estarem a ser utilizados como carne para canhão numa guerra que não tem solução militar. É precisamente para evitar mais mortes de ucranianos, é precisamente para evitar a escalada da guerra, inclusivamente até ao ponto de um conflito nuclear, como parece estar a ser assumido de forma completamente ligeira e leviana por vários líderes políticos pelo mundo todo. É precisamente para contrariar essa tragédia que, pelos vistos, alguns têm programado para o nosso futuro, que é preciso exigir soluções de paz, exigir uma solução de paz e de segurança coletiva, não apenas para a Ucrânia, mas para toda a Europa, que tem que ser discutida na base de uma solução política negociada. Paz, que tem que ser encontrada para a Ucrânia, naturalmente na base de um cessar-fogo imediato e de uma solução que, sendo uma solução negociada, seja aceite por ambas as partes e que envolva também os Estados Unidos, a NATO, para além da Ucrânia e da Rússia, que envolva os Estados Unidos, a NATO e a própria União Europeia. E é perante isso que nós temos que nos perguntar o que a União Europeia tem feito e o que a União Europeia está a fazer. O caminho que a União Europeia tem feito é precisamente o de fomentar a guerra, levar a guerra a uma escalada ainda maior. E aquilo que se exige é que haja no Parlamento Europeu quem diga que o caminho não pode ser esse. O caminho tem que ser o da pressão sobre a União Europeia para que se comprometa com uma solução de paz. E mesmo que sejamos só nós a falar nisso, nós não teremos problema nenhum em continuar a falar disso sozinhos. Continuaremos a exigir uma solução de paz, porque a guerra não pode ser a solução que queiram apontar para o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos. Recusamo-nos a isso. Recusamos terminantemente a perspectiva de futuro dos nossos filhos e dos nossos netos seja de irem morrer pra um lado qualquer, numa guerra pra qual vão ser obrigados, como foram obrigados os seus pais e os seus avós a irem combater na guerra colonial. Nós recusamos essa perspectiva e continuaremos com todas as nossas forças a lutar pela paz. Quanto mais força o povo nos der no dia 9 de junho, mais força nós teremos para fazer esse combate pela paz.

João Oliveira, eu queria também fazer-lhe uma pergunta sobre estas viagens que tem feito um pouco por todo o país. Tem conseguido acompanhar também o que a comunicação social tira desta campanha? Vai lendo, por exemplo, "O Observador", o que é escrito sobre a campanha ou prefere ir desligando dessa parte?

Não, confesso que é com muita dificuldade que vou conseguindo fazer esse acompanhamento. Vou procurando ir percebendo, compreendendo o que vai sendo dito e escrito sobre a nossa campanha, mas confesso que não consigo fazer o acompanhamento com a profundidade e com a proximidade que desejava. Naturalmente, os meus camaradas vão me ajudando nessa tarefa e vão chamando a atenção deste ou daquele aspecto como seu destaque, deste ou daquele aspecto que foi tratado, a forma como as nossas iniciativas de campanha vão sendo tratadas e suscitam a minha leitura e a minha atenção sobre algumas das questões que vão sendo tratadas na comunicação social, mas confesso que tenho muita dificuldade em conseguir ter esse acompanhamento mais permanente e mais próximo que gostava de ter.

João Oliveira, eu não o chateio mais, até porque ainda tem uma longa viagem pela frente. Muito obrigado e bom descanso. Até amanhã.

Não me chateia nada. Bom trabalho. Obrigado.