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Há que dizer um chega ao Chega e há que dizer um basta ao PS. Quanto ao Chega, já chega e já basta de tanta encenação burlesca. É a quarta vez em cinco anos que o Chega usa, ou melhor, abusa das moções de censura. Ao banalizar moções de censura, o Chega é fator de instabilidade, que não hesita em querer mais e mais eleições, que só está bem em campanha. O Chega não é um partido de governo, é um partido de campanha. E tanto frenesim eleitoral que o Chega, é tanto que parece brincar com a democracia ou querer brincar às democracias. Mas tenho uma má notícia para o Chega: os tempos não estão para brincadeiras. Como pode um partido que diz que gostaria de governar, numa situação tão difícil internacionalmente, dizer que Portugal tem sempre respondido com estabilidade e com resultados reconhecidos no crescimento e no emprego, no rating da República, no resultado da eleição para o Conselho de Segurança? Como pode ter o Chega uma agenda cuja única vontade é mal dizer, apoucar, enxovalhar, sempre à espreita de fazer cair governos e obrigar os portugueses a mais uma eleição e a mais uma campanha, que seria tal como esta moção de censura, a quarta em cinco anos. E já agora, quero deixar um alerta a todos aqueles que algum dia votaram ou pensaram votar no Chega. Vi ontem e hoje o líder do Chega, André Ventura, como aliás muitos dos seus dirigentes, dizerem que a vitória da AFD nas eleições da Saxônia-Anhalt era positiva e era bem vista pelo Chega. Ora, este partido alemão defende o regime de Putin, o fim do apoio à Ucrânia, deseja sair do euro e da União Europeia, tem dirigentes negacionistas e antissemitas e usou sempre um discurso que humilhava Portugal durante os difíceis tempos da troica. Chegou o tempo de o Chega dizer de que lado está. Está do lado da NATO, da União Europeia, da zona euro? Ou está contra a Europa, a favor da Rússia de Putin, tal como a AFD? André Ventura vai ter de dizer se se retrata ou não de um elogio que ainda hoje fez a um partido que humilhou Portugal durante os tempos da troica. Tem de dizer por que é que é aliado de um partido que humilhou Portugal. A essa pergunta não vai poder fugir. E já agora, é bom que as pessoas saibam que hoje está afixado no século XVII, com 1640 e supostamente com os deputados de 1653, que eram puritanos, misturando a religião com a política e que inauguraram a ditadura de Cromwell. Esses deputados que estavam à porta foi quem pôs a ditadura em Inglaterra. Bom, por razões bem diferentes, é preciso dizer basta, um basta ao PS. Basta de fazer um discurso assente na manipulação dos dados, um discurso virginal e pseudovirtuoso de quem não tem nenhuma responsabilidade no passado e na pesada herança de oito anos de governos socialistas. Basta de falar como se agora tivesse descoberto soluções mágicas que nunca foi capaz de aplicar. Sim, o PS já esqueceu, ou talvez queira fazer esquecer, e eu compreendo bem por quê, que governou oito anos seguidos e que a sua atual direção esteve ao leme desses oito anos. Como estava a situação das migrações com os governos do PS? Para lá de recebermos 800 mil migrantes entre 21 e 24, apenas em quatro anos, com todas as consequências para a saúde e para a educação pública. Foi o PS, pela mão do seu atual secretário-geral, que liquidou e desmantelou o SEF. Está hoje aqui como São Pedro na noite em que Cristo foi preso e já negou três vezes que foi ele quem extinguiu o SEF. Mas quis aqui fazer o teste da paternidade e diz que não foi o pai, pois se não foi o pai da extinção do SEF, foi o pai adotivo que a abraçou e a executou sem qualquer reserva. Na educação, eu pasmo que o PS fale na educação. Saíram agora os resultados PISA e depois de Portugal ter tido uma subida constante entre 2000 e 2015, os oito anos do governo PS foram sempre a descer. Ver os resultados do PISA 2018, PISA 2022, PISA 2025, diz tudo sobre o sucesso das políticas de educação do PS. Mas ao contrário do que hoje vimos com o SEF, o ex-ministro João Costa veio hoje reconhecer aos microfones da TSF que este abaixamento da qualidade do ensino português era da exclusiva responsabilidade do PS. Há ao menos quem tenha consciência. O PS, e por isso é preciso dizer basta a este tipo de discurso, viajou ontem até Espanha para nos falar dos preços dos combustíveis. Uma preocupação que é enorme para este Governo, para a Ministra da Energia, para os Ministros das Finanças, de Economia, para este ministro, que acompanha de perto a situação internacional que dá causa à subida dos preços do petróleo e do gás. Não vou responder ao PS e ao seu líder, pois a Ministra do Ambiente e Energia já desmontou as falácias em que persiste neste tema. Mas a um ponto vou, sempre, mas sempre, com todo o respeito pelas escolhas políticas do Governo espanhol. Por acaso, o secretário-geral do PS viu que em 2024 e 2025, enquanto nós tivemos superávit, a Espanha teve défices superiores a 3%? Por acaso viu que este ano vai ter um déficit bem acima dos 2%? Por acaso o secretário-geral do PS viu que a nossa dívida pública é bem mais baixa que a espanhola, que os juros que pagamos são mais baixos e que o nosso rating é agora melhor que o da Espanha? O PS vai ter de dizer: é o modelo dos défices, o modelo que o PS quer seguir? Este Governo trabalha para o futuro e trabalha não a pensar nos subsídios universais, mas nos apoios e incentivos seletivos que aliviam a carga dos mais pobres e que ajudam os setores mais afetados. Isso sim, é justiça social. Sim, porque nós acreditamos na justiça social, nas contas justas, na prosperidade, no crescimento, na autonomia dos indivíduos e das empresas. Nunca nos verão apoiar o populismo estatista do Chega ou o socialismo paralisante do PS, porque de uma coisa podem os portugueses estar certos: nestes tempos de grande turbulência, polarização e imprevisão, o Governo da AD será sempre um governo garante da justiça social, mas nunca será um paladino do estatismo ou do socialismo na justiça. Justiça social sim, socialismo da justiça não.