Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Margarida Bentes Penedo, da direção de Francisco Rodrigues dos Santos. Obrigado por se juntar a nós. Fez uma intervenção há poucos minutos, onde acusou alguns elementos do partido de terem manobrado nos últimos dois anos, não contra a direção de Francisco Rodrigues dos Santos, mas contra o partido. Acusou-os também de fragmentarem o partido e no final até soltou uma gargalhada a dizer que fazem de conta que querem unir o partido. A Margarida Bentes Penedo é que com esta intervenção não quer de maneira nenhuma unir o partido.

Não, sobretudo eu não faço de conta que quero unir o partido. Repare, nós estivemos durante dois anos a tentar unir o partido e a primeira coisa que nós temos que perceber aqui é o seguinte: para haver um acordo é preciso pelo menos duas partes, ou três ou quatro, mas pelo menos duas. Para haver um desacordo ou uma discórdia, basta uma das partes. Aqueles senhores impuseram a discórdia no partido desde o dia em que Francisco Rodrigues dos Santos ganhou o Congresso de Aveiro de janeiro de 2020. Eles nunca reconheceram como presidente, nunca reconheceram a direção dele e sentiram que havia alguma coisa que era deles, que é o partido, que lhes tinha sido tomada ilegitimamente.

Mas não viu também da parte de Francisco Rodrigues dos Santos alguma postura mais agressiva relativamente a esse passado e a essas pessoas desde o primeiro momento em que chegou à liderança do partido?

Não, de maneira nenhuma.

Recordo que nos bastidores falava-se muito de muita pressão, por exemplo, para Cecília Meireles, que há pouco esteve aí sentada, sair do lugar de deputada para dar lugar a Francisco Rodrigues dos Santos e outras jogadas de bastidores, que o outro lado acusava Francisco Rodrigues dos Santos de fazer. Foi sempre um santo, Francisco Rodrigues dos Santos, nesse aspeto e nunca fez um jogo de guerrilha ao contrário para responder precisamente a essa guerrilha que temos que admitir que também lhe era feita.

Essa parte das jogadas de bastidores é um plano da política.

Porque estava por dentro e pôde, de uma forma privilegiada, assistir.

Pois, por acaso é curioso que durante todo esse período em que se desconfiou de jogadas de bastidores, nunca nenhum jornalista veio falar comigo. É curioso. Eu escrevi vários artigos a falar da nossa posição, a denunciar aquilo que se passava e nunca nenhum jornalista de nenhum jornal nem de nenhuma televisão se interessou em vir falar comigo. Eu é porque não gosto de conversas de bastidores, eu gosto de dizer as coisas claramente.

Deixe-me só dizer que os jornalistas obviamente priorizam a informação e muitas vezes falando com o líder do partido, depois já não falam com o membro da direção. Enfim, às vezes a informação é priorizada desta forma. Mas feita essa nota, ia responder.

Sim, continuo a responder. A parte das jogadas de bastidores e das conversas de corredores e das pequenas intrigas é um plano que existe, sim, na política, existe dentro dos partidos, existe entre os partidos, existe na Assembleia da República. Nós sabemos que isso existe, não é o plano sobre o qual eu tenha talento, não é a minha vocação. E acho que a política, quando é só interpretada a partir daí, falta-lhe a fatia principal. Isso é só uma parte, quanto a mim, é menos interessante, é a parte que faz mais guiões de séries e de filmes sobre política, mas é a parte que menos me interessa e é a parte mais mesquinha da política. Não me interessa muito essa parte. Interessa-me aquilo que está à vista. Eu faço as interpretações do país, as interpretações dos dirigentes, do partido, do CDS e dos outros, através daquilo que eles mostram publicamente. Isso pra mim é suficiente pra tirar muitas conclusões e pra tirar até conclusões mais fortes, mais estruturais, mais sustentadas. Repare, porque eu posso dizer: "Não, o senhor disse isto nesta entrevista, o senhor disse isto naquele artigo que escreveu." E é com base em tudo isto, nada daquilo que eu disse ali na minha intervenção se baseou em conversas de bastidores, nem nada que eu tenha sabido através de A, quanto a B, quanto a C. Não há mentiras. Quer dizer, esta maneira de fazer política, vocês estavam a falar disso, porque é uma das vossas fontes e é natural que seja. Mas também é uma maneira de fazer política na qual o CDS se especializou. Isso é uma maneira de fazer política própria dos 20 anos do doutor Paulo Portas. E estes senhores aprenderam a fazer política assim.

Mas também uma das críticas da direção é precisamente eles terem vindo para os jornais e para as televisões e para os espaços que já ocupavam, quase todos vindos do portismo, e abertamente e publicamente fazerem essas críticas.

Claro.

Eles não podem é ser jogadores de bastidores e ao mesmo tempo-

São. Não podem, por quê? Podem e foram os jogadores de bastidores e jogadores à frente.

Mas aquilo que dizem no foro privado, também disseram nesse espaço. Aliás, essa é uma das críticas que a direção de Francisco Rodrigues dos Santos faz, é que todo esse espaço público foi ocupado em parte como crítica à liderança do CDS.

E é verdade, ele tem toda a razão. Estas pessoas tinham uma notoriedade que lhes vinha do fato de terem sido ex-ministros, ex-secretários de Estado, governantes de um governo muito recente. O governo mais difícil de Portugal dos últimos 30 anos. Eles fizeram parte desse governo e tornaram-se conhecidos, é natural que tivessem tido essa notoriedade. E depois tinham esses meios, tinham as televisões, que é sem dúvida nenhuma, incomparavelmente, o meio mais poderoso que existe de fazer passar uma mensagem política, uma perspectiva. E esses senhores manobraram com todos os meios que tinham, de facto. Se há alguma coisa do nosso lado foi mal avaliada, foi termos pensado que era possível Combater com armas tão desiguais.

No seu discurso também diz que, e acho que vai ao encontro daquilo que nos está a dizer agora, que os deputados do CDS, presumo que se estivesse a referir a eles e outros.

Presumo bem. Não me importa nada dizer os nomes, eu gosto de dizer os nomes. Só não disse ali, porque eu tenho um tempo contado, mas eu aqui posso dizer os nomes todos.

A Margarida Mendes disse que tinham sido promovidos por Paulo Portas e nunca tiveram, sem ele, qualquer existência na vida pública. Já achava isto antes de fazer parte da direção do CDS ou passou a achar só depois?

Não, já achava. Muito boa tarde a todos.

Silvia Mateus é uma deputada que tem feito um trabalho parlamentar, foi secretária de Estado do Turismo, aí com menos sucesso, por exemplo. Telmo Correia também tem um passado de vida pública muito grande.

Sempre no CDS, nunca teve outro.

Mas não propriamente anexada a Paulo Portas. Embora possa ter tido aí mais-

Nos últimos 30 anos, quase, foi o Paulo Portas. Quer dizer, teve pequenos intervalos de-

Eles têm carreiras para lá de Paulo Portas, não é?

Não. Paulo Portas. Sim, como é que ele se chama?

Telmo Correia.

Sim, exatamente. Está no partido há muito tempo. Eu às vezes desconfio que ele já nasceu no partido. Nunca fez outra coisa. Esteve sempre do lado de quem ganhou.

Mas foi-lhes transmitindo esta opinião que tinha acerca deles?

Com certeza. Eu não digo nada em privado que não tenha dito pelo menos primeiro em público.

Mas compreende que dessa forma cria-se também a tal fricção entre-

Não, o que é natural é fazer assim. A política é uma coisa de vida pública. A política é um exercício para o qual nós precisamos de ter a concordância dos cidadãos e pedimos aos portugueses que votem em nós. Portanto, nós temos que dar a conhecer aos portugueses quem somos, o que pensamos, o que pensamos deles, o que pensamos do país, como é que interpretamos as coisas. É o contrário. As coisas devem ser ditas em público, não devem andar a ser ditas em conversinhas de café. Vamos tomar um cafezinho e combinar uma coisinha.

Durante dois anos, queixou-se que a sua direção estava a ser permanentemente atacada por essas pessoas. Hoje foi ali e fez um discurso a recusar completamente uma união do partido, até contra aquilo que Francisco Rodrigues dos Santos defendeu. É uma vingança face àquilo que sofreu nos últimos anos?

Não é uma vingança. Repare uma coisa.

É que não está empenhada em que aqui chegue algo diferente. Não vos deixaram, agora também não os vou deixar, é isso?

Não, mané nenhuma. É pôr uma legenda nas coisas, pôr uma legenda naquilo que se passou. Dizer: "Não, o que se passou não é a história que estes senhores estão a contar, é outra história. A minha história é esta." Peço desculpa.

Está tudo ok.

A minha história é esta, é assim que eu vejo o que aconteceu. E esta união do partido, que eles vêm aqui fingir que querem, é uma farsa. Repare uma coisa. Eles vêm falar numa união do partido e foram buscar alguém que governou o partido há 30 anos para fazer uma reunião, que foi o doutor Manuel Monteiro. Eles não vieram aqui fazer nenhuma-

Quem o foi buscar foi Francisco Rodrigues dos Santos, que o filiou, porque senão ele não estaria aqui.

Quem?

O Manuel Monteiro, que refiliou.

Sim, mas não é isso que eu estou a dizer. Sim, isso é verdade. Não, ele não refiliou, vamos lá ver. O Manuel Monteiro quis voltar.

Estava parado em Braga há muito tempo e acho que foi Francisco Rodrigues dos Santos que o filiou.

Sim, e o meu partido aceitou.

E de certa forma, o Manuel Monteiro até agradeceu, de alguma forma, no palco e fez essa justiça a Francisco Rodrigues dos Santos.

Certo, mas estas pazes que estes senhores, esta união de que estes senhores estão a falar aqui é totalmente artificial. Eles não foram buscar ninguém da anterior direção para se reconciliar. Eles não são capazes de dizer o nosso nome. Eles não são capazes de ali assim dizer: "Agora queríamos ir buscar esta pessoa ou aquela." Eles não entraram em contacto com nenhum de nós, nem nunca disseram o nome de nenhum de nós, nem um único. Eles foram se reconciliar com alguém com quem eles tiveram um problema há 30 anos. Repare, isto é uma coisa absolutamente fingida.

Se o Nuno Melo viesse convidá-la durante esta noite para integrar a direção-

A mim?

Sim, aceitaria? Em nome dessa...

Não.

Então, se calhar, também já sabia que convidando pessoas da direção de Francisco Rodrigues dos Santos não aceitariam, ou não?

Não sei se ele sabia. O que eu estou a lhe dizer é que ele não o fez. Percebe? Estou a dizer que ele não o fez. E em conjunto com isso, eu vejo isto como uma consequência do que foram os dois anos anteriores. Durante os dois anos anteriores, eles não quiseram. Eles fizeram uma oposição ao partido que o partido não teve por parte de mais ninguém. O CDS não teve oposição da parte dos outros partidos, nem de parte de mais nenhuma força, como teve dos ex-diretores.

O Chega e a Iniciativa Liberal tiraram uma grande fatia de eleitorado ao CDS, não é?

Certo. Mais uma vez, responsabilizo aqueles senhores, porque aqueles senhores deixaram o eleitorado da direita órfão de representação. As pessoas iam votar em quem? E mesmo o doutor Nuno Melo, agora o doutor Nuno Melo vem para aqui dizer que importantes são as alterações climáticas. Eu não sei se ele já falou do heteropatriarcado e do LGBT, dessas conversas, desses clichês, dessas palavras de ordem, dos cartazes da esquerda. Que ele agora já veio dizer numa entrevista, já não sei se foi no Expresso, se onde é que foi, mas eu vi isto em qualquer lado, ele dizer que o CDS não tinha que ser um partido de causas. Mas estes senhores passam por Borchel e vêm lá assim.

Assim como?

Diz que isto não são os assuntos nem de esquerda, nem de direita. São, são. São assuntos de esquerda.

O que é que fala da defesa dos direitos homossexuais?

Não é a defesa dos direitos homossexuais, é a agenda. Percebe? O problema é o clima. Não, o problema não é o clima. O primeiro problema de Portugal é um problema de pobreza Pobreza é falta de futuro. Falta de futuro às gerações. E outra coisa gravíssima, é que nós temos um grau de instrução que foi desenvolvido muito para além do que a economia pode absorver. Portanto, nós neste momento temos estas pessoas que estudaram, que se esforçaram a fazer exames, que se esforçaram e que se habituaram a concorrer e a competir. E depois foi-lhes dito que eles iam ter um determinado nível de vida, eles criaram expectativas, e não há nem salários, nem lugares que eles gostem, não há nada, não há economia que os possa absorver. Portanto, é claro que eles se vão embora. E os pais deles e os avós deles ficam aqui sozinhos. Ficam aqui sozinhos a empobrecer e ficam aqui sozinhos a envelhecer sozinhos. Isto é contra a família. A questão da economia e do desenvolvimento da economia não pode ser tomada à parte das outras esferas, da esfera da liberdade dos indivíduos e das famílias e das chamadas instituições intermédias da organização da sociedade, que esta gente considera que não é necessário, basta desenvolver a economia e o resto é a agenda da esquerda.

O que é que a Margarida Bento Penedo vai fazer na segunda-feira quando o CDS tiver um novo líder? Vai sair do partido?

Não, neste momento eu tenho uma obrigação para com os eleitores que me elegeram para a Assembleia Municipal de Lisboa. Onde eu entrei na lista do engenheiro Carlos Moedas. Portanto, eu tenho um dever para com os eleitores de Lisboa e para com o engenheiro Carlos Moedas. Tenho esse dever de lealdade e tenho essa responsabilidade, que vou respeitar até o fim.

Está com o vice-presidente Anacoreta Correia ou não?

Sim, também. Com certeza, sim, claro.

Muito bem.

A nível da Câmara de Lisboa, uma vez que não está no Parlamento e pode ser um local em que o CDS ajude a recuperar esse mediatismo que vai perder, por exemplo, em palcos como o Parlamento. E já agora aproveito para lhe perguntar se não é importante o líder do partido ser um deputado eleito, neste caso eurodeputado, e continuar a ter esse palco mediático, ainda que mais reduzido, e que isso não é uma vantagem para o partido do que ter, por exemplo, uma pessoa da moção que apoia e que eventualmente pode ser menos desconhecida ou então alguém que vem da mesma ala do Francisco Rodrigues dos Santos.

Ouça. Se nós tivéssemos tido um deputado agora, nas últimas eleições, o CDS tinha ganho um deputado, não tinha perdido quatro, tinha ganho um deputado, porque nós tínhamos tido cinco deputados a jogar contra nós