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João Pinto de Campelos, qual é a reação que lhe merece o discurso de Nuno Melo?

Muito boa tarde a todos. Nós hoje ouvimos aqui Nuno Melo e, portanto, ouvimos aqui um discurso que à primeira vista parece efetivamente agregador. No entanto, o Nuno Melo fala do passado, fala de alguns ex-militantes que eram a primeira linha do partido, como Pires Lima, Adolfo Mesquita Nunes e outros que tais. E, portanto, fala de que realmente quer fazer regressar essas figuras ao partido, o que a nós nos parece, e a mim particularmente, parece muito bem. Fala também do futuro e de alguns independentes que gostava de ver associados ao partido, mas a meu ver, falta aqui uma ótica muito importante, que é o presente. E digo isto em duas linhas. Digo isto porque não fala dos bons elementos que com certeza esta direção terá. Portanto, não há aqui uma linha que pareça, efetivamente, como diz a noção de Nuno Melo, de construir uma linha agregadora futuro. E depois, não existe também numa ótica do presente, uma linha orientadora para o país.

Mas acha que Nuno Melo devia convidar alguns membros desta direção ou alguém mais desta ala do partido, da atual, que agora cessa funções, para integrar a lista dele?

Eu acho é que Nuno Melo deveria ter em atenção que o partido se faz com todos. E o todos é o antigo, é o presente e é o futuro. E, portanto, com certeza esta direção terá gente de grande valor, e isso foi notório. Hoje em dia, mesmo a nível autárquico, nós conseguimos bons resultados autárquicos e essas figuras estão muito associadas à atual direção. E portanto, acredito eu, que essas figuras são também importantes no presente do partido para assim construir o futuro. O partido passa por um momento muito frágil, isso é sabido, é notório, todos o sabemos, ninguém o nega, mas o que é facto é que se, de facto, quer construir, há que chamar todos. E o todos é entrar em conversação com os que estão agora a cessar também funções para, no futuro, termos aqui algo que seja efetivamente agregador. Eu não estou a dizer que com isto há saneamentos ou o que quer que seja. O que tem que ficar claro para o país e para o partido é que isso não vai acontecer. E, portanto, está na mão, neste caso, do primeiro subscritor, que é Nuno Melo, transmitir essa mensagem.

Também chegou aqui Manuel Monteiro agora ao Congresso, disse que não era candidato. O que pode trazer Manuel Monteiro a este Congresso?

Manuel Monteiro é o sinônimo daquilo que é um elemento e também um sinônimo, na verdade, de que de facto esta direção conseguiu algum tipo de agregação. Como sabemos, Nuno Melo estava afastado do partido há longos anos. Regressou pela mão de Francisco Rodrigues dos Santos. Foi um ativo durante este mandato.

Não devia ser candidato, sendo uma figura conhecida, para ajudar a haver mais escolhas e mais pluralidade e até talvez a dar mais uma oportunidade a esta ala do partido que pode não se sentir representada em Nuno Melo?

Eu não sei se ele deva ou não ser candidato, isso até porque é uma decisão muito pessoal e muito intrínseca de cada uma das pessoas. Há um conjunto de fatores que levam as pessoas a serem ou não candidatos. O que é facto é que Manuel Monteiro está aqui passado longos anos num congresso do CDS. Isso é um sinal. E eu acho que é um bom sinal dele ter regressado. Agora, se ele deve ser ou não candidato, não sei. Se ele está muito conectado com a liderança de Francisco Rodrigues dos Santos, também não sei. O que é facto é que veio pela mão dele e esteve muito ligado também. Recordo que Manuel Monteiro esteve ao lado de Francisco Rodrigues dos Santos na rentreia do partido, ao lado direito. Era um sinal de que queria transmitir que estava no partido e veio para ficar no partido.

Esse pode ser o candidato surpresa deste congresso?

Não sei. É como lhe digo, isso é uma individualidade, ou seja, é uma ação individual de cada pessoa.

Mas acredita que esse candidato surpresa pode surgir ou não?

Eu acredito tudo. Um congresso com o seu dinamismo. Como sabemos, um congresso não se esgota às oito da noite ou o que quer que seja, prolonga-se pela noite fora.

Temos o caso, na altura, que estava tudo aparentemente encaminhado para Telmo Correia, quando venceu Ribeiro e Castro.

É verdade.

E temos um congresso também de Ribeiro e Castro, em que o João Almeida foi com a missão da JP e quase ganhava o Congresso.

Exatamente. O CDS nesta questão é sempre muito imprevisível. O que é facto é que há mais do que umas figuras que poderão aparecer como candidatos. Há candidatos assumidos, uns mais bem posicionados do que outros, como sabemos. Agora, o que é facto é que eu espero que o partido saia daqui efetivamente unido amanhã, com uma mensagem clara para o país e uma mensagem clara que tenha a ver efetivamente não apenas e só com conteúdos vagos, com medidas concretas daquilo que quer para o país.

Nós de manhã estivemos à conversa com o Hélder Amaral, que esteve sentado na cadeira onde o João Pinto Campelos está sentado neste momento, e o Hélder Amaral disse-nos que, é opinião dele, que o surgimento de um candidato surpresa seria prova de covardia. Concorda com esta ideia?

De todo. Aliás, ser candidato é tudo menos um ato de covardia. É exatamente o contrário, é um ato de coragem. Não podia estar mais em desacordo com Hélder Amaral. Eu não sei se isso vai acontecer ou não. O que eu sei, e espero que tal aconteça, e volto a reiterar, quer seja Nuno Melo, o vencedor deste Congresso, quer seja outra figura qualquer ou até Manuel Monteiro, que haja efetivamente um momento de agregação para conseguirmos verificar que este partido é viável, que terá soluções para o país e para os portugueses e que consiga recuperar o assento parlamentar, que foi aquilo que perdeu nas últimas eleições legislativas.

Fernando Almeida dizia agora há pouco que não é filho de pai tirano, numa candidatura. No fundo, esta ala de Francisco Rodrigues dos Santos que tiveram, e da qual também faz parte, fragmentou-se em várias candidaturas. Há alguém que é a grande aposta nesta ala e que acaba por ser da herança da direção que agora cessa funções?

Eu acho que isso não acontece, efetivamente. Nós, de facto, temos aqui uma moção, que é a que corre nos corredores, que é a chamada moção das distritais, que tem o nome do slogan da campanha das legislativas deste ano, pelas mesmas razões de sempre, que visa efetivamente fazer a defesa do legado desta última direção e daí também as distritais estarem envolvidas. Tudo pode acontecer, veremos nas próximas horas.

Obrigado ao João Pinto Campelos, secretário-geral adjunto do CDS