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Meio século depois, ninguém questiona a marca que "O Padrinho" deixou na história do cinema e da cultura. Mas neste dia, há 50 anos, surgiam várias dúvidas sobre o sucesso do filme, como explica o escritor Bruno Vieira Amaral.

Ninguém fazia ideia. O Francis Ford Coppola, quando entrega o filme, acha que aquilo vai ser um desastre, acha que a carreira dele estava no fim.

Mesmo agora é difícil dizer qual foi o segredo, mas passa certamente pela primeira cena.

O filme mostra uma falência da sociedade norte-americana, desde logo expressa na frase inicial do Bonasera, que vai pedir o favor ao Padrinho. Ele diz: "Eu acredito na América, mas a América falhou."

"And those two bastards, they smiled at me. Then I said to my wife, for justice, we must go to Don Corleone."

Também o elenco ajudou no sucesso, mas se hoje ninguém imaginava outro ator para Vito Corleone, há 50 anos, Marlon Brando também não inspirava confiança.

E outra das cenas que não está no livro, a cena da sucessão, em que o pai, o rei, prepara o sucessor, que é o filho.

"This wasn't our time, Michael. Wasn't our time."

"We'll get there, Pop. We'll get there."

E pelo mesmo caminho passou a segunda estrela do filme, Al Pacino.

O Al Pacino não era ninguém. Há um momento em que a personagem do Al Pacino mata o Sollozzo e o Tom Hagen, e que para os responsáveis da Paramount foi o momento que se convenceram que o Al Pacino era mesmo o Michael Corleone.

"But if Clemenza can figure a way to have a weapon planted there for me, then I'll kill them both."

Cinquenta anos depois, ainda não se desvendou todo o fenômeno do Padrinho, mas uma coisa parece certa: encontrar uma marca igual na história do cinema será um desafio.