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Para já, Gabriel Alves, primeira parte com três golos, não fosse este borburinho de final de primeira parte, estamos aqui a falar num jogo inesquecível pelos melhores motivos.
Mas agora já não podemos falar de um jogo inesquecível pelos melhores motivos, dado que foram muitos minutos e tudo aquilo que se passou parecia um jogo sul-americano, daqueles dos mais básicos, que naturalmente acontecem por lá e que nos chegam, infelizmente, imagens. Eu penso que os treinadores devem conversar com os seus jogadores, as estruturas, e dizer aos jogadores que é para jogar futebol, porque obviamente o árbitro, e bem, como diz o Pedro Henriques, está a fazer o seu papel, inclusivamente dar o espaço para que os jogadores se serene, mas a partir de determinada altura, é impossível, porque não há futebol, há outro tipo de jogo e é aquilo que menos se quer num jogo de futebol. Falando do encontro, um futebol com o Porto, como sempre, a entrar de forma territorial, intensa, consegue colocar duas bolas entre postes para Adán defender. Depois, aquilo a que eu chamo normalmente "muita parra, pouca uva", com o Sporting a aguentar essa pressão e inteligentemente a fazer o contra-ataque, aquela transição que todos esperávamos que viesse a acontecer. Muito bem as mutações de linha, a descordenar completamente a defesa do Futebol Clube do Porto, que deveria estar preparada para que isto acontecesse. Há que estudar o adversário, já se sabe que o Sporting o sabe fazer e Paulinho marca um gol de cabeça completamente à vontade, sem ter qualquer tipo de oposição. Quanto ao segundo gol, depois desse primeiro marcado, que o Sporting geriu de forma inteligente, capaz, face a um Futebol Clube do Porto que nada conseguiu. Atacou. Tentou tudo dentro da área, o Sporting mandou, embora seja sempre difícil e seja sempre preocupante para quem defende, defender muito próximo do seu guarda-redes. Sai numa jogada de contra-ataque. Outra vez, a jogada de ala para ala, uma entrada a formar ali uma situação mais de superioridade numérica com o avanço do Matheus Reis e agora com o Nuno Santos a aparecer na zona frontal, na zona do ponta de lança, que Paulinho deixou. Muito bem a articulação entre os três homens da frente, Sarabia, Paulinho e Nuno Santos, com Nuno Santos agora a aparecer na zona do ponta de lança, não de cabeça, mas com o pé, a marcar. Dois zero, uma resposta boa do Porto. Ficou afetado, mas respondeu com, finalmente, um remate fora da área, capaz. Muito bom o remate do futebolista azul e branco, um remate muito bem colocado, sem hipótese de defesa para Adán. Quando pensávamos que íamos ter, de facto, um jogo muito interessante, deixámos de ter futebol, temos para aí outra coisa qualquer que, de facto, não é recomendável.
E Gabriel Alves, é a esperar que na segunda parte as coisas mudem de feição, não no que ao jogo jogado diz respeito, mas no que às emoções, a gestão das emoções diz respeito para as duas equipas, para os dois plantéis e também para os dois bancos de suplentes. Já a seguir, vamos lançar esta segunda parte do clássico com o João Castro e com o Júlio Magalhães. Começamos, por isso, por chamar à emissão de desporto para uma análise à primeira parte, o Júlio Magalhães. Júlio, Futebol Clube do Porto, que teve muita bola, teve também alguma capacidade para pressionar o Sporting, só conseguiu fazer o gol estopê bem perto do intervalo. Agora nesta segunda parte as coisas têm de ser diferentes. Como é que podem ser diferentes?
O Sérgio Conceição não me parece que vá fazer, posso me enganar, mas não é costume fazer alterações ao intervalo. Normalmente, faz correções ao intervalo e delega nos jogadores que estiveram na primeira parte a responsabilidade de virarem o jogo eles. E, portanto, normalmente lá para os 60, 70 minutos é que fará alterações, a não ser que o Porto sofra já um gol na segunda parte. Agora, este gol resgatou o Porto, claramente. Porque o Porto, apesar de ter jogado bem nos minutos iniciais, sofreu o gol, ainda reagiu, mas depois começou a ser um Porto mais preocupado com o Sporting do que propriamente preocupado em marcar gol. E sofreu o segundo gol e isso desconcentrou um bocado o Porto. Devo reconhecer que teve alguma sorte, porque marcar um gol logo a seguir ao dois a zero é importante para o jogo, é importante para o Porto. Os cinco minutos finais foram muito quentes, muito apimentados e a minha previsão é que vão continuar assim. Vai continuar assim a segunda parte. Vai ser um jogo quente, apimentado. É um jogo que reconheço favorece um bocadinho o Porto, porque é uma equipa mais talhada, mais fomentada, com os jogadores mais fomentados neste tipo de coisas também. E está a perder. E, portanto, o Porto claramente dramatizou um bocadinho o jogo. Mas isto é jogo, é competição e, portanto, vamos aguardar pela segunda parte. Não aguardo alterações. Para já, o dois um é um resultado justo em função do que foi a primeira parte. O Sporting esteve muito bem. Eu não percebi a saída do Palhinha, do Sporting, e os 10 minutos iniciais até achei que estava a ter alguma razão. Não percebi porque é que Palhinha saiu, o Sporting não estava a conseguir bloquear a pressão do Porto, mas a verdade é que o gol que o Sporting marcou ali no início, deu-lhe o conforto do jogo e pronto. O futebol também é isso para os treinadores. A tática é muito boa quando a coisa corre bem, se corresse mal era má, mas pronto. Também faz parte do jogo, mas não estou a prever alterações, sobretudo do lado do Porto Não estou a prever alterações agora no intervalo, a não ser que Sérgio Conceição esteja mesmo zangado com algum jogador que não está a fazer o seu papel.
Zangado há de estar. Essa questão das substituições também vamos aguardar para ver.
Zangado está.
Sim, vamos ver pelas imagens.
Com algum jogador.
Em específico, sim. Zangado como de geral também, o fervilhar típico de Sérgio Conceição a sobressair nestes jogos. São muitas as imagens que nos vão chegando do treinador na linha, fulo com os próprios jogadores, mas também faz parte da exigência que faz com que o Futebol Clube do Porto seja, até aqui chegado, uma equipa que tem 17 vitórias consecutivas para o campeonato. E, João Castro, parece, como o jogo está a decorrer, com a prestação do Sporting, que pode ser este jogo o momento de quebra dessa forma do Futebol Clube do Porto. Pode o Sporting ser a equipa que destrói a tal aura de que falava Rúben Amorim na antevisão deste encontro do Futebol Clube do Porto como uma equipa que não perde, sobretudo os jogos em casa.
Pode, e está a ser. Obviamente, se não for o Sporting, duvido que alguma equipa consiga. Diga-se de passagem, o Porto está muito forte. Só realmente um Sporting forte é capaz de derrotar este Porto. De resto, no campeonato, poderá acontecer, mas é muito difícil, muito improvável. O Sporting cumpriu o seu plano de jogo, aguentou os primeiros minutos de pressão do Porto conforme era expectável, começou a sair, começou a variar os flancos conforme faz, desposicionou a defesa do Porto nos dois gols. No primeiro, uma excelente assistência do Matheus Reis, no segundo, mais uma assistência de Sarabia, realmente é um jogador muito bom, e diga-se de passagem, estava lá o Nuno Santos e estava lá o Paulinho. Portanto, estavam dois jogadores completamente libertos para finalizar. Depois o gol do Porto nasce de uma desintenção de Fedal. Quando o Porto varia para a esquerda o lance, a defesa do Sporting alinha toda pela grande área, mas Fedal não dá um passo em frente e põe o jogador em jogo, que depois muito bem cruzou para a entrada da área e Fábio Vieira com um remate colocado, não com o seu pé mais fraco, mas acaba por ter este gol e reanimar o Porto. Voltou a trazer o Porto ao jogo. Agora, no início da segunda parte, o Porto vai entrar outra vez muito forte, vai tentar rapidamente marcar o gol de empate, cabe ao Sporting conseguir aguentar novamente e tentar desferir o terceiro gol. Acho que é importante o Sporting não deixar de atacar, não recuar muito para dentro da área, por causa destas polémicas e por causa de toda esta pressão que vai ser nítida da equipa do Porto, até nestes lances, porque é muito mais experiência, e o Sporting tem que sair e saber criar jogadas de perigo para pôr o Porto em sentido, se conseguir marcar ainda melhor. Será por aí que o Sporting poderá dar o faro de vencida ao Futebol Clube do Porto.