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A partir de agora e até bem perto das 14h30, para perceber como é que se faz cidade aqui em Braga, a nossa convidada Alexandra Reuger, administradora executiva da AGER, empresa que assegura os serviços essenciais do dia a dia dos bracarenses, água, recolha de resíduos. Bem-vinda, Alexandra.

Muito obrigada. Muito boa tarde a todos e agradeço.

A indústria. Estamos num município, Braga, onde há grandes indústrias, que são também grandes consumidoras de água. Sabemos que no Minho não falta água, mas isto é um desafio, não é?

Claro que sim. Reiterando o agradecimento por poder falar um bocadinho em nome da AGER. De facto, a AGER tem um papel crítico na cadeia de valor, nomeadamente ao nível da indústria local. E claro que todos os desafios que nos são colocados em termos regulatórios, em termos das alterações climáticas, em termos das dificuldades associadas de momentos de escassez, momentos de imensa pluviosidade, tudo isto são novos inputs para a nossa atividade e naturalmente nós temos que estar capazes de garantir a resiliência operacional, garantir a disponibilidade de água, garantir todos os serviços na área da gestão de resíduos e naturalmente que para a indústria este contributo é fundamental.

É uma atividade económica muito exigente, não é?

É uma atividade económica muito exigente.

Causa-lhe preocupação de serviços?

Claro que sim, mas no bom sentido. Há uma série de desafios que naturalmente o mundo atual está a verificar no dia a dia e as notícias são disso exemplo. E de facto nós não somos alheios a esses problemas e estamos a implementar programas e planos de gestão que permitem efetivamente esta resiliência, esta garantia de qualidade da prestação de serviços e todas estas alterações de circunstância estão a ser interiorizadas por nós e internalizadas nos nossos serviços. O senhor presidente da câmara, doutor João Rodrigues, falava há pouco, e muito bem. Braga é das cidades que está a crescer mais e está a crescer exponencialmente. Isto acarreta também para a AGER uma necessidade de acompanhar este crescimento, para não deixar naturalmente de prestar os serviços que são essenciais, mas sempre numa ótica de pleno cuidado e plena atenção a tudo que tem a ver com uma prestação de serviços mais sustentável. A circularidade tem que estar presente em todas as nossas atividades. Há uma sigla-

Circularidade aqui no setor de água é o quê? É aproveitar a água, por exemplo, que cai a chuva para rega da cidade e dos espaços verdes.

Por exemplo, é aproveitar a água que é tratada nas nossas estações de tratamento de águas residuais, aproveitá-la para lavagens de pavimentos, lavagens de ruas, para rega dos jardins, é aproveitar tudo o que são resíduos, transformar resíduos em recursos, que é algo que nós também estamos a fazer de uma forma muito empenhada. Por exemplo, é natural, no tratamento de águas residuais são produzidas lamas, por exemplo, e essas lamas eram consideradas como resíduos. Neste momento, o paradigma completamente mudou.

Transformar o passivo num ativo, não é?

Passam para ativos, são recursos naturais.

Há muitos municípios que se debatem hoje com graves problemas, porque têm um passivo gigantesco nesta área, fruto ou de infraestruturas que já estão obsoletas ou foram mal calculadas. É um problema aqui em Braga ou não?

Muito bem. Não vou dizer que é um problema, é um desafio constante promovermos requalificações de redes de água, requalificações de redes de saneamento. Vamos ter uma nova ETAR a muito curto prazo que vem precisamente ajudar-nos a conseguir ter esta resiliência e esta capacidade de prestar continuamente os serviços a toda a comunidade e naturalmente que os industriais veem em nós, a AGER, uma entidade parceira, uma entidade com quem podem trabalhar em rede e devem trabalhar em rede, e devem também ver-nos a nós como potenciais parceiros em projetos. Por exemplo, aquilo que eu referi há pouco, que resíduos têm que ser pensados como recursos, eventualmente os resíduos que produzimos nas nossas atividades, poder haver estudos com a academia. Nós estamos riquíssimos aqui em Braga com a academia.

Já tem alguns em andamento?

Temos muitos projetos com a academia. Posso falar. Por exemplo, as lamas do tratamento na nossa estação de tratamento de águas está a ser incorporada em materiais de construção no sentido de fazer bancos de jardim e de fazer lancis. É um exemplo. As nossas lamas vão agora passar por processos de compostagem que vão permitir ser utilizadas como adubo natural. Portanto, temos todo um conjunto de atividades que está a ser desenvolvido, lá está, trazendo resíduos como recursos.

Nada se perde, tudo se transforma, não é? Lavoisier seria muito feliz aqui em Braga. O que está a fazer a AGER, não sei as taxas de reciclagem aqui em Braga, mas em Portugal são muito baixas, ficam até abaixo das metas europeias, mas o que está a AGER a fazer concretamente para mudar esse comportamento e melhorar os índices de separação e também valorização dos resíduos no concelho?

Claro. Nós neste momento, para além de toda a rede de ecopontos que a Braval, que é o sistema intermunicipal, tem instalado, para além de toda a rede de contentores que temos também para indiferenciados, nós estamos neste momento a preparar uma grande alteração, também esta de paradigma, com a instalação de contentores dedicados para a recolha dos biorresíduos. Se numa casa normal as pessoas retirarem o papel e o cartão, retirarem as embalagens, retirarem o vidro e colocarem no ecoponto e retirarem a fração biodegradável, restos das comidas, da preparação das refeições, também para valorização, não tenho dúvida nenhuma que ao fim do dia o que vai para resíduo indiferenciado é praticamente nada. Quer isto dizer o quê? Que nós podemos e devemos fazer a separação de todos estes resíduos. Todos eles são vistos como recurso, são valorizáveis e de facto evitamos ao máximo a colocação destes resíduos em aterro, porque é uma perda não só ambiental, mas é uma perda financeira, porque de facto nós estamos a perder aqui recursos que são fundamentais. Nesse contexto, por exemplo, o plano de biorresíduos, vamos implementar estas alterações a muito curto prazo. Vamos naturalmente fazer grandes campanhas de divulgação para que isso seja implementado com todo o fervor por parte da comunidade e continuamos com a educação ambiental nas escolas e em todo lado. Estamos presentes.

Muito bem, Alexandra Reuger, administrativa executiva da AGER. Agradeço-lhe muito ter estado aqui na emissão da Rádio Observador, a partir da Cimeira da Indústria que decorre hoje no Teatro Circo em Braga.

Muito obrigada, eu é que agradeço.