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A economia do mar é um setor com potencial de desenvolvimento que está ainda largamente por aproveitar. A gestão sustentável dos recursos marinhos é uma prioridade e vai ser discutida em mais uma edição do Matosinhos Business to Sea, que se realiza nos dias 24 e 25 de novembro, no Terminal de Cruzeiros de Leixões. Ruben Neiras é secretário-geral de Fórum Oceano, que é a entidade gestora do cluster da economia azul em Portugal, é também a organizadora desta conferência e é com ele que falamos agora. Ruben Neiras, bem-vindo. O tema deste encontro são as parcerias globais para a sustentabilidade da economia azul. Estamos a falar de que tipo de parcerias? Algumas já estarão em curso, mas outras podem vir a ser firmadas.
Muito obrigado pelo convite, por aqui estar, na Rádio Observador, Paulo. Que parcerias estamos a fazer para a sustentabilidade? São parcerias econômicas. Esta edição do Matosinhos Business to Sea faz aqui, dentro de uma promoção forte do concelho de Matosinhos como uma capital para a indústria azul, para se desenvolver de Portugal para o mundo. E de que parcerias estamos a falar? Vem a este evento de dois dias uma delegação do Japão, do cluster Marine Open Innovation Institute, baseado em Shizuoka, a zona do mar mais profundo no Japão. Uma delegação do Canadá, do Canada Ocean Supercluster, que congrega toda a indústria do mar do Canadá. Temos também uma delegação do Brasil, de dois fundos de investimento que estão a desenvolver o seu portfólio para investir na economia azul sustentável. E, por fim, uma delegação da Noruega, do cluster GCE Ocean Tech, baseado em Bergen, que está a liderar o processo da criação do Ocean Supercluster da Noruega e do Centre of Ocean, um dos centros de ID industrial mais prestigiados da Noruega e que tem também uma parceria com o INESC Tech, que está baseado em Matosinhos, Porto, para a criação do INESC Tech Point Ocean, um centro de engenharia oceânica financiado diretamente pelo Horizon Europe, pela Comissão Europeia, num total de 30 milhões de euros.
Portanto, Ruben, estamos a falar de Japão, Canadá, Noruega e Brasil.
Exatamente.
São tudo economias fortes, grandes, desenvolvidas ou com grande dimensão, como é o caso do Brasil. E como é que nós estamos em Portugal, quando falamos de economia azul, quando comparamos com esses países? Estamos a fazer também um trabalho ao nível deles ou ainda precisamos apanhar um pouco esse comboio?
Não é uma resposta politicamente correta, estamos a fazer as duas coisas, mas em dimensões diferentes. O que estamos a fazer de igual e por isso é que estes países de grandes economias estão cá, é que o nosso ecossistema de startups está em ponto de take off. Isso é validado pelos dados que temos da nossa plataforma digital, que gerimos a Hub Azul Dealroom, que é a plataforma que agrega uma grande parte dos dados, a nível global, da economia azul, de startups e de fundos de investimento, bem como de outros atores do setor. E o que temos? Em nível de equity, de venture capital, em 2020, as nossas empresas tinham valor de mercado, um ecossistema de startups de 47 milhões de euros, volvidos cinco anos, temos um salto significativo para 1,6 bilhões de euros em termos de valorização do mercado empresarial. E estas empresas estão a operar aonde? Robótica e digital pro mar, aquacultura regenerativa, energias renováveis offshore e biotecnologia azul aplicada à refinação de macroalgas.
E essas empresas, Ruben, no fundo, essa plataforma serve também para pôr em contacto quem desenvolve esses projetos, quem faz inovação a esse nível e, de facto, instrumentos de capital, de investimento?
Exatamente. E, sobretudo, é um instrumento de visibilidade de como esses ecossistemas se estão a desenvolver e onde investir para obter o melhor retorno. O melhor retorno, não só em termos de lucro, mas também de impacto a nível de sustentabilidade. E é por causa desta abordagem que países como o Canadá, economias como o Japão, Noruega e Brasil estão a ver Portugal como um parceiro de valor acrescentado nesta nova economia azul, que aliada já às vantagens competitivas consolidadas nestes países, a nível de várias indústrias, poderemos criar aqui uma nova geração de empresas baseadas em Portugal ou com negócio com Portugal, de valor acrescentado bastante interessante na área do mar.
Olhando para tudo aquilo que é a economia azul, que toca tantos setores de atividade, da energia ao turismo, quais são as tendências mais fortes atualmente? Sei, por exemplo, que há um grande esforço para, no fundo, aproveitar os recursos energéticos do mar. Esta é uma das tendências?
Esta é uma das tendências que enfrenta diversos desafios, tecnológicos e regulatórios. Tecnológicos, porque a curva de aprendizagem da tecnologia da EOL offshore ainda tem que amadurecer para conseguir chegar a um LCOE competitivo com aquilo que é o standard do mercado. E também regulatório, porque há aqui diversos conflitos de uso no espaço marítimo que têm que ser dirimidos com as comunidades piscatórias e também com algumas atividades marítimo-turísticas. Mas isso tudo dependerá daquilo que for a aceleração da curva de aprendizagem tecnológica. É isso, nas energias renováveis, o principal ponto de situação.
É isso.
Mas um setor que neste momento está em alta, que está a atrair imenso investimento e que vem na vaga de investimento em inteligência artificial, é o setor do digital e da robótica do mar. Sobretudo, tudo aquilo que sejam tecnologias que aumentem a capacidade de monitorização oceânica subaquática. Isto não só devido às questões de geopolítica que agora atravessamos. É preciso ter mais olhos e ouvidos no mar para proteger infraestruturas críticas, como os cabos submarinos, mas também porque o desenvolvimento de atividades como as energias renováveis oceânicas e a diminuição dos seus custos de Capex e Opex, bem como da aquacultura offshore, dependem estritamente do avanço das tecnologias digitais, a nível de software e hardware, que permitem esmagar os custos operacionais.
Rui Bandeiras, quase a fecharmos esta nossa conversa. Muito rapidamente, além do tema das parcerias, que já falámos logo no arranque, o que é que nós podemos esperar desta conferência, deste Matosinhos Business to Sea?
Além de identificar projetos concretos e parcerias concretas com estes quatro países, iremos ter também uma sessão em parceria com a GoParity, a plataforma de crowdfunding de investimento de impacto, da apresentação de 20 startups e também de tecnologias próximas da comercialização em mercado a investidores, numa sessão de pitches, em que as empresas que tiverem as melhores performances poderão ter uma campanha da angariação de financiamento na GoParity. Estamos muito focados naquilo que são os resultados concretos da conferência. Não só falar, mas também fazer. E por falar em fazer, teremos também um momento especial de entrevista com um dos grandes empreendedores da economia do mar em Portugal, o Mário Ferreira, da Douro Azul e da Mystic, em que vem exatamente falar sobre qual é a perspectiva dele sobre as megatendências de investimento na economia azul, onde a construção naval também está a emergir com soluções muito interessantes e negócios muito interessantes, em muito devido à introdução da inteligência artificial e das novas energias nas tecnologias de transporte marítimo.
Muito bem, Rui Bandeiras, vamos ficar então a aguardar este Matosinhos Business to Sea, que se realiza nos dias 24 e 25 de novembro, no terminal de cruzeiros de Leixões. Obrigado pela disponibilidade e boa conferência.
Obrigado.