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Bruno, vamos a isso. Euromilhões desportivamente intensos, é aquilo que queremos ser aqui. A saída de Otávio do Porto, as saídas de Neres e Morato do Benfica, Zenit, Nottingham Forest, é isso que está a marcar o presente.
Sim, e vamos olhar para as movimentações nos principais clubes portugueses, nos três grandes, e começamos exatamente pelo Porto. Está confirmada a saída de Otávio para o Al-Nassr, da Arábia Saudita. Vai ser um dos escudeiros de Cristiano Ronaldo no clube saudita orientado por Luís Castro. Sai Otávio, entram milhões que fazem muita falta aos cofres do Futebol Clube do Porto. Agora resta saber se Sérgio Conceição vai encontrar soluções para a perda daquele que nos últimos anos foi não só um dos símbolos do Porto, como na temporada transata foi considerado o melhor jogador do campeonato. Com as chegadas de Alan Varela e Nico González e talvez João Moutinho, não faltam opções para o meio-campo, a juntar aos que já estão lá, Eustáquio, Grujić, André Franco. Não sabemos é se algum destes será um substituto à altura de Otávio e que ofereça a Sérgio Conceição aquilo que Otávio conseguia dar. Outra posição que tem sido uma dor de cabeça para o treinador do Porto é a de lateral direito, mas Jorge Sánchez, lateral mexicano do Ajax, deve também estar a chegar ao Dragão. Resumindo, há ovos suficientes para Sérgio Conceição fazer uma omelete.
Será que é daqueles ovos em pó?
Pois, não sabemos se a qualidade da omelete será idêntica à de outros anos, em que Sérgio Conceição conseguiu ganhar títulos e bons desempenhos na Europa. Passando para o Benfica, não se discutem neste momento as entradas. O Benfica já está bem servido de entradas, mas e eventuais saídas. Fala-se de David Neres, que não estará muito contente com a situação de arma secreta, suplente utilizado, e teme que o estatuto se mantenha numa época em que chegou ao Benfica o campeão do mundo, Ángel Di María. Há um interessado no jogador brasileiro, o Zenit de São Petersburgo, mas o Benfica não está disposto a vender o jogador brasileiro a qualquer preço, ele que é um desequilibrador nato, que faz falta a qualquer equipa, mas que também se pode tornar um desequilibrador de balneário se Roger Schmidt não conseguir gerir as expectativas do jogador e não conseguir gerir tão bem quanto conseguiu no ano passado, ou faça uma gestão idêntica à que fez agora com o caso de Vlachodimos. Outro jogador que estaria à espera de ser titular no Benfica é o central Morato, isto depois da excelente pré-época que fez. A namorada queixou-se nas redes sociais quando o jogador deu lugar a Otamendi, regressando ao estatuto de terceiro central, e poderá sair se houver uma proposta suficientemente aliciante para o clube. Ora, o que é uma proposta aliciante? Pelos vistos, acima dos 30 milhões, que terá sido o que o Nottingham Forest ofereceu pelo central do Benfica. Trinta milhões por um suplente, Vicente, a mim parece-me muito pouco. Só que o Benfica acredita que Morato pode ainda vir a valer mais e o clube também não pode ter apenas dois bons centrais, António Silva e Otamendi, ou duas opções imediatas para a titularidade. Tem que ter pelo menos três que possam a qualquer momento assumir a titularidade. Trinta milhões, esse valor que terá sido posto em cima da mesa pelo Nottingham Forest, para já, não chegam para tirar Morato do Benfica, depois também há ainda a incerteza sobre o futuro do guarda-redes Odysseas Vlachodimos. O Manchester United está na jogada. Já se percebeu que Vlachodimos não estará muito disposto a aceitar a condição de suplente e o guarda-redes ucraniano Anatoliy Trubin está ali pronto para saltar para o onze. No meio disso tudo, destas movimentações, entradas e saídas, o Sporting parece navegar em águas mais tranquilas. Jovane Cabral, que praticamente não contava para Rúben Amorim, foi emprestado à Salernitana com a opção de compra de € 3 milhões pelo clube orientado por Paulo Sousa. Não se pode dizer que seja um rombo desportivo e o clube leonino continua também em negociações para a contratação do lateral-direito do Valladolid, Ivan Fresneda, um jogador de apenas 18 anos. Portanto, neste momento, as coisas estão mais definidas, mais tranquilas para o Sporting em comparação com os outros dois grandes, mas ainda faltam alguns dias para o fecho do mercado de transferências.
Bem, sabemos que até dia 31/08 todos os treinadores roem as unhas. E temos futuro para o Braga na Champions, Bruno.
É verdade. Amanhã o Braga começa a disputar o playoff Que o poderá levar pela terceira vez à fase de grupos da Champions. Artur Jorge, treinador do Braga, já disse que é a eliminatória mais importante da história recente do Braga, e é verdade. Vai enfrentar um adversário complicado, o Panathinaikos, um histórico clube grego que, apesar de tudo, não conquista o campeonato do seu país desde 2009, 2010. É verdade que ultrapassou um adversário mais difícil que o Braga, os gregos eliminaram o Marselha, e quem conhece bem as equipes atribui algum favoritismo ao Braga. Se olharmos para o histórico dos confrontos do Braga com equipes gregas, também há motivos para sorrir, embora não para se confiar em demasia. Os clubes portugueses normalmente dão-se bem com adversários gregos, ao contrário da seleção.
Jamais esqueceremos.
Ficou traumatizada com aquela final no Estádio da Luz do Euro 2004, mas os clubes portugueses, regra geral, têm se dado bem com os clubes gregos. Lembremos, por exemplo, os quartos de final da Taça UEFA em 2002, 2003, em que o Porto de José Mourinho eliminou este mesmo Panathinaikos, perdeu na primeira mão em casa, mas depois conseguiu vencer na Grécia. Também há histórias menos tristes, um pouco mais trágicas, à maneira grega. Os benfiquistas ainda não esqueceram a desilusão da eliminatória a um só jogo, em que o AEK de Atenas, então orientado por Abel Ferreira, impediu a entrada das Águias na Champions. Voltando ao Braga, o clube nunca perdeu contra adversários gregos. Em cinco jogos, conta com quatro vitórias e um empate. Por fim, um olhar rápido a este plantel do Panathinaikos, onde se destaca, aos olhos de um adepto português, a presença de nossos velhos conhecidos, que tiveram passagens um tanto infelizes por Lisboa, caso de Filipe Turicic, que esteve ligado ao Benfica, e do ponta de lança Andras Sporar, ligado ao Sporting. Também conhecido é o brasileiro William Arão, muito conhecido pelos berros.
Jesus chamou por ele, o padeirista.
E que estava no Fenerbahçe. Jesus saiu, Arão também saiu, mas Arão não foi para a Arábia Saudita, foi para o Panathinaikos, já está convocado para este jogo. Um jogo que será arbitrado pelo alemão Felix Zwayer, que em 2006 foi suspenso depois de ter informado a Federação Alemã de que o árbitro de quem ele era assistente tinha aceitado subornos, ele próprio tinha sido subornado, foi suspenso por seis meses. E este é também o árbitro, esta é uma curiosidade que alguns agora devem lembrar o caso. Ele, em fevereiro de 2016, expulsou Roger Schmidt no jogo entre o Bayer Leverkusen, orientado pelo atual treinador do Benfica e o Dortmund. Depois de ser expulso, Roger Schmidt recusou-se a abandonar o campo durante alguns minutos.
E depois da cena de Sérgio Conceição na Supertaça, ainda dizem que nós e que o nosso bola não aprende nada com o futebol que se pratica lá fora. Bem, Bruno, para irmos até ao passado, vamos até com alguma nostalgia e muita alegria. Obikwelu, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas. Foi neste dia.
Foi neste dia, há 19 anos, que o atletismo português conseguiu um feito dificilmente repetível, uma medalha de prata na prova mais midiática do atletismo olímpico, os 100 metros. E só podia ter sido esse fenômeno chamado Francis Obikwelu, o jovem nigeriano que veio para Portugal para participar nos Campeonatos do Mundo de juniores de 1994 e por cá ficou. Chegou a trabalhar na construção civil, até ter a oportunidade de retomar a carreira desportiva e demonstrar todo o enorme potencial que lhe era apontado. Mas uma coisa é competir, chegar a uma final, até conquistar títulos europeus, outra coisa é intrometer-se num pódio geralmente ocupado por norte-americanos e que nos últimos anos também teve fases prolongadas de domínio jamaicano. A medalha de prata de Francis Obikwelu foi a primeira medalha olímpica de um europeu nos 100 metros desde a vitória de Linford Christie em Barcelona, em 92, e a última antes do triunfo do italiano Marcell Jacobs em 2020, 2021, nos Jogos Olímpicos de 2020, Tóquio. Na altura, Francis Obikwelu conquistou a prata com o recorde europeu de 9,86 segundos, ficou atrás de Justin Gatlin, que anos antes tinha sido suspenso por doping e anos depois também voltou a ser suspenso por doping.
Então foi ouro.
Pois, mas na altura parece que não detetaram nenhum problema desse gênero e Obikwelu teve de se contentar com uma prata, que diga-se de passagem, soube a ouro.
E para nós é isso mesmo que vale. Euro Milhões desta terça-feira com o Bruno Vieira Amaral. Olhamos para as transferências dos três grandes, como anda o mercado aqui em Portugal. Olhamos também para o futuro do Braga na Champions, vai enfrentar o Panathinaikos. E a terminar, a feliz memória de Obikwelu a vencer a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas. Já a seguir temos notícias para ouvir com a Vanessa Cruz. Rádio Observador