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E falamos de desporto na tarde em direto, sempre antes do jornal das 19h, hoje com o Bruno Vieira Amaral. Bruno, trazes para aqui os Mundiais de Atletismo para tema do dia e a surpreendente derrota de um norueguês chamado Jakob Ingebrigtsen.
Ingebrigtsen, nos 1500 metros.
O que lhe aconteceu?
Aconteceu uma coisa que já tinha acontecido no ano passado, mas já lá vamos. E nunca é de bom tom olhar para um resultado desportivo deste ângulo, de quem perdeu, dizer: "Perdeu a medalha de ouro, não conquistou." É melhor destacarmos o vencedor, mas esta, de facto, é a grande notícia, porque o atleta norueguês chegou a Budapeste como grande favorito à conquista da medalha de ouro, não só nesta prova dos 1500 metros, como nos 5000 metros, que ainda vai disputar. Para já, perdeu os 1500, sendo batido na reta final pelo britânico Josh Kerr. Isso foi uma grande surpresa, como eu dizia, a verdade é que também é uma espécie de déjà vu, embora com outro protagonista, também ele britânico. É que Ingebrigtsen, que é por vezes acusado de uma certa sobranceria, tal é a superioridade que tem demonstrado, também perdeu no ano passado esta prova nos Campeonatos do Mundo de Eugene. Eu ontem disse Edmonton aqui na edição do "Campeão", mas foi em Eugene, nos Estados Unidos. Perdeu na altura para Jake Wightman, que agora não competiu por estar lesionado e que é companheiro de equipa e de treinos de Josh Kerr, que ganhou agora. Portanto, não se pode dizer que Ingebrigtsen perdeu por falta de aviso. E a verdade é que o norueguês até conduziu a corrida ao ritmo que lhe seria mais favorável, um ritmo forte para ir afastando os adversários pelo caminho e confiante que à entrada dos últimos 100 metros as coisas já estivessem resolvidas. Mas Kerr aguentou esse ritmo, não descolou de Ingebrigtsen e o norueguês, na parte final, já não teve, de facto, capacidade para encontrar outra mudança. Aliás, quando percebeu que a medalha de ouro lhe iria escapar, como que desligou os motores e quase foi ultrapassado por outro norueguês, que conquistou a medalha de bronze. Apesar deste relativo insucesso, não foi um mau dia de todo para a Noruega, que além das duas medalhas nos 1500 metros, alcançou o ouro nos 400 metros barreiras masculinos. Karsten Warholm era o grande favorito e, ao contrário de Ingebrigtsen, confirmou esse favoritismo, conquistando o inédito terceiro título mundial consecutivo nesta prova. Outro destaque de ontem foi o empate no ouro da prova de salto à vara feminino, com a australiana Nina Kennedy e a americana Katie Moon a saltarem ambas 4,90 metros e depois a falharem as três tentativas a 4,95 metros. Este tipo de empates não é muito frequente, mas pode acontecer. Aconteceu, por exemplo, nos Jogos Olímpicos de Tóquio e nesse caso foi no salto em altura masculino, quando o italiano Gianmarco Tamberi, que conquistou o título mundial agora em Budapeste, dividiu o ouro com o qatari Mutaz Barshim.
Pela história ainda nos tem para contar estes Mundiais de Atletismo que estão a correr em Budapeste, com um dos exemplos aqui trazidos pelo Bruno Vieira Amaral. Vamos ao futuro e no futuro está Bernardo Silva. Renovou até 2026 com o Manchester City. Virá para o Benfica no final do contrato?
Isso era o que os benfiquistas queriam. Bernardo Silva deu a entender que gostaria de voltar para o Benfica ainda em condições. Referiu mesmo a idade, 32 anos, e ele terá 32 anos quando terminar este contrato que agora assinou com o City. E muito se falou sobre o destino do jogador, e não foi a primeira vez. Já começava a ser uma das novelas de todos os verões, todos os mercados de transferência. Para onde é que iria Bernardo? Bem, a resposta está aí, não vai para lado nenhum, fica onde está, em Manchester, até 2026. Fica num lugar onde tem sido muito feliz em termos de títulos, de preponderância na equipa de Pep Guardiola, que não se tem cansado de elogiar o jogador. Ora, esses elogios demonstram também que Bernardo Silva é um jogador muito cobiçado e num ano em que a Arábia Saudita atacou em força o mercado europeu, essa também foi uma das possibilidades. Segundo o pai do jogador, em entrevista à Rádio Renascença, houve uma proposta de um clube saudita em junho e não foi a única. O Paris Saint-Germain também manifestou vontade de contratar Bernardo e também chegou a apresentar uma proposta, mas que não terá sido suficiente para convencer o médio e/ou o clube inglês. Finalmente, também é conhecido esse velho interesse do Barcelona, quase uma paixão não correspondida, ou se é correspondida, nunca concretizada, e esse interesse em contar com os serviços do internacional português. Talvez fosse o destino até mais desejado por Bernardo, ele que é um jogador tecnicamente à medida do clube catalão, mas conhecidas as dificuldades financeiras do Barcelona, isso seria sempre mais difícil. Até se diz que com este novo contrato, Bernardo Silva passará a ganhar 18 milhões de euros por ano, 350 mil euros por semana, o que ultrapassa o valor do jogador mais bem pago no Barcelona neste momento, que é Robert Lewandowski, com cerca de 13 milhões de euros por ano. Uma última hipótese, ou se calhar não era a última, mas aquela que acabou por prevalecer, era a renovação então com o Manchester City E veio a acontecer com essa atualização salarial, com o Bernardo a passar a ser um dos mais bem pagos dos Citizens. Nas seis temporadas que leva em Inglaterra, o jogador conquistou cinco campeonatos, duas Taças de Inglaterra, quatro Taças da Liga, duas Supertaças e o mais desejado de todos os troféus, a Champions, além da Supertaça Europeia, que conquistou já esta época. Marcou 55 gols e fez 59 assistências e agora vai certamente aumentar esses registros. A pergunta: depois disso, em 2026, com 32 anos, virá para o Benfica, o clube do coração? E aqui é recomendável calma aos benfiquistas, porque o pai do jogador sublinhou também que este contrato e a duração do mesmo não tem que ver com nenhum plano antecipado de regresso ao Clube da Luz. Poderá acontecer? Sim, mas cada coisa a seu tempo. Bernardo Silva agora está com a cabeça no City, no Benfica pensará mais tarde.
Vamos ao passado. China vence pela primeira vez os Jogos Olímpicos em número de títulos conquistados. Quando é que isto aconteceu?
Foi em 2008, precisamente nos Jogos Olímpicos de Pequim, em que a China conseguiu este feito de vencer o medalheiro olímpico, 24 anos depois de ter conquistado as primeiras medalhas olímpicas em 1984, em Los Angeles. É verdade, até aí a China nunca tinha conquistado uma medalha olímpica, mas a verdade é que também não participou em muitas dessas edições. Excluiu-se do Comitê Olímpico Internacional durante muitos anos, depois boicotou os Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980, mas quando começou a participar, a evolução foi evidente. Logo em 84, terminou em quarto lugar, com 15 medalhas de ouro e 32 medalhas no total. Em Seul, em 88, teve uma quebra, e isto também porque não houve um boicote dos países de leste, como aconteceu em 84. Nesse ano, a China ficou em 11º, com apenas cinco medalhas de ouro e 28 no total, mas começou então uma imparável ascensão, com quartos lugares em 1992 e 96, terceiro lugar em 2000, segundo lugar em 2004, em Atenas, e finalmente o primeiro lugar nos Jogos Olímpicos que recebeu, com 48 medalhas de ouro e um total de 100. Os Estados Unidos, nesses Jogos Olímpicos, ganharam mais medalhas no total, 112, mas obtiveram menos 12 de ouro do que a China, com 36 apenas. Nos três jogos seguintes, Londres, Rio e Tóquio, a China não voltou ao primeiro lugar, mas também nunca mais saiu do pódio. Refira-se que nestas edições foram sempre os Estados Unidos a levar mais medalhas de ouro pra casa. Hoje, a China é uma superpotência desportiva e em várias modalidades, além daquelas em que historicamente sempre foi muito forte, como o ténis de mesa, os saltos pra água ou o halterofilismo. Veremos como se comporta no próximo ano em Paris, se conseguirá recuperar esse primeiro lugar que conquistou pela primeira e única vez nos Jogos de 2008.
E fomos à China no fecho do Euromilhões de hoje com a edição do Bruno Vieira Amaral.