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Está no ar mais uma edição do Euromilhões, trazida hoje à tarde em direto pelo João Filipe Cruz. Olá, João, boa tarde.

Boa tarde, Nelson.

Está conosco também o Bruno Vieira Amaral e vamos ao tema do dia, uma polêmica que surgiu hoje na disciplina. O Tribunal Arbitral do Desporto considerou nula a decisão que impediu António Adán de jogar o Sporting-Benfica que aconteceu na época passada.

Pois é isso.

Maio.

Sim, eu ia dizer para não estranhares, porque não houve nenhum Sporting-Benfica entretanto. E só hoje é que conhecemos este desenvolvimento. O caso deu o que falar no final da temporada passada, tem esta atualização. O guarda-redes espanhol foi impedido na altura de jogar o derby da penúltima jornada, acabou dois a dois em Alvalade. Foi impedido pelo Conselho de Disciplina da FPF. Em causa, a expulsão na jornada anterior, na jornada 32, frente ao Marítimo. Adán viu dois amarelos e os Leões depois tentaram invocar um erro no relatório do árbitro Tiago Martins. O recurso até estava condenado a dar em nada, não fosse o fato de o Conselho de Disciplina não ter registado a audiência do guarda-redes e o direito de defesa que tinha antes da publicação do mapa de castigos para a jornada 33. E aconteceu porque os documentos enviados pelo Sporting foram parar ao spam, ou seja, à pasta do lixo de e-mail. E agora o TAD vem dar razão ao Sporting e, Bruno Vieira Amaral, isto não dará um pouco de força àqueles recursos a que já nos habituamos nos últimos tempos e que possibilitaram vermos jogadores e treinadores em jogos depois de serem castigados ou é uma coisa completamente à parte?

Sim, e dá razão a quem diz que é melhor investir numa boa equipa de advogados do que num bom lateral direito ou num bom ponta de lança. Se calhar, têm de canalizar mais recursos para a contratação de um ponta de lança da advocacia, porque nestes casos parece que rende. Não sei se rende. Por exemplo, no caso do Palhinha, rendeu na altura. Neste caso, não sei quais serão as consequências, mas presumo que já não haja nada a fazer. Isto parece o que os americanos chamam technicalities, que é andar a ver aquelas coisinhas dos procedimentos, o que é que falhou, para anular e reverter decisões que são tomadas em campo. Eu não percebo o que TADS e outros organismos têm que ver com decisões dos árbitros em campo. Ele mostrou um amarelo, não houve uma inversão das regras ou uma subversão das regras. Ele foi expulso, ficou de fora do próximo jogo, como acontece normalmente. Eu percebo que os clubes usem todas as armas ao seu dispor para se defenderem dentro e fora de campo. Isto parece-me um absurdo, até porque não se percebe muito bem qual é que será o desfecho disto, quais serão as consequências práticas. Repete-se o jogo? Isso é possível? Não sei, eu desconheço. Parece-me que estar constantemente a levar para a secretaria estes processos é francamente exagerado, quando estamos a falar de decisões dos árbitros em campo, de amarelos, vermelhos. Qualquer dia vamos estar a discutir num tribunal se o lançamento devia ter sido feito assim ou ao contrário. E com estas questões do VAR, se calhar um dia temos isso. Não me parece que seja o melhor caminho para o futebol e também não percebo que reais vantagens podem advir desses processos, quando as decisões demoram seis meses ou mais de um ano, às vezes.

Porque agora Adán ficou prejudicado, não é?

Pois.

Agora, da próxima vez que ele ficar de fora, vai poder jogar para compensar.

O que é que vamos fazer então? Agora quando um jogador vir um amarelo ou vir um vermelho e o clube decidir interpor um recurso, vamos esperar? Suspende-se as competições até que haja uma decisão do tribunal? Se o tribunal demora este tempo a decidir, eu acredito que seja o tempo normal de uma decisão do TAD. O que se vai fazer? Vai-se ficar à espera? A homologação dos campeonatos fica suspensa até que todos esses casos sejam avaliados? Não, isso parece-me muito estranho.

Muito bem, vamos ao futuro. Qual será o futuro de Schjelderup no Benfica? O jovem extremo não teve papas na língua numa entrevista e falou sobre a saída do clube.

É, uma entrevista ao canal TV2 da Noruega, o país natal do Andreas Schjelderup, que foi contratado em janeiro ao Nordsjaelland por 9 milhões de euros, mas no final deste mês que passou, há 12 dias, regressou aos dinamarqueses por empréstimo do Benfica. O extremo de 19 anos teve a certeza que tinha de sair depois de um jogo da pré-época frente ao Feyenoord, em que acabou por ser o nono a entrar para campo, e esta foi para Schjelderup a gota de água. Mas antes, o extremo assegurou que tinha a garantia quando chegou à Luz de que ia ter minutos, acabou por não acontecer. Entrou no final de três jogos, dois na última época e no final da Supertaça contra o Futebol Clube do Porto. E de acordo com Schjelderup, os treinos até corriam bem, sentia que podia ter minutos, mas na pré-época, como já vimos, as coisas não correram da melhor forma. Apesar disso, e no final desta entrevista, o jogador garante que tem uma grande motivação para vingar no Estádio da Luz quando voltar do Nordsjaelland e a pergunta, Bruno, é: como, depois disto?

Depois das declarações dele? Eu não vi nada de estranho.

Não vês nada de anormal.

Não, as declarações dele acho que são declarações normais. Ele sentiu que se calhar merecia mais minutos por aquilo que estava a fazer nos treinos, sentiu que poderia ter lugar no plantel e eu acho que o Benfica e qualquer outro clube quando contrata jogadores, mais jovens ou menos jovens, deve ser com este espírito, que tenham espírito competitivo e que se achem com capacidade para fazer parte do plantel Obviamente, poderão ter-lhe dito a determinada altura que contavam com ele para esta época, que iria provavelmente ter mais minutos, mas depois o mercado também se mexe, há contratações inesperadas. Pelos vistos, não foi o caso do Di María, que já seria uma contratação acertada há mais tempo. Mas o Tiago Gouveia, por exemplo, ter ficado no plantel pode ter sido uma decisão, pode às vezes ser um pormenor que faz com que um jogador seja emprestado. O Tiago Gouveia também já esteve emprestado e o outro fica no plantel. Eu não vi aqui nada de polémico nestas declarações.

Ele tem uma frase que é, e isto é uma tradução livre: "Nem tudo corre conforme o planeado, tudo pode acontecer no futebol. O mundo do futebol é um mundo doente, nem tudo corre como planeado". Não sei se isto pode ter algum significado ou se vai querer explicá-lo.

Esse "doente" parece-me um pouco, não sei se isso foi traduzido pelo Google Translate, parece-me um pouco deslocado. Não consigo perceber o que ele terá querido dizer com isso. Agora, pelo resto destas declarações, em contexto, essa declaração não faz muito sentido, porque ele, na verdade, não está a atacar. A única coisa que ele diz é que lhe prometeram que ele teria mais minutos, mas ele percebe também que um clube, e ele também refere isso, com a grandeza do Benfica, com o nível do plantel, com o nível que a equipa apresentou no ano passado, torna-se difícil para um jovem jogador, que ele é um jovem jogador, uma jovem promessa, conseguir ter esse tempo. Vai rodar num ambiente que ele conhece bem, numa equipa, como ele diz também, que está nas competições europeias. O que ele tem de fazer é o trabalho dele, a parte dele, e voltar mais forte para o ano que vem e tentar esse lugar que desta vez não conseguiu.

Sjeldrup veio com outro jogador também escandinavo na altura.

O Tengstedt está no plantel e já marcou um golinho. Os dois estavam praticamente ao mesmo nível. O que é que acontece aí? O que acontece é que para a posição do Tengstedt sai o Gonçalo Ramos, vem o Arthur Cabral. O Benfica obviamente não quis emprestar o Tengstedt porque não sabia como é que ia ficar a situação dos avançados. Deixou-o ficar no plantel. Aconteceu isso ao Tengstedt, podia ter acontecido ao Sjeldrup. Teve azar, porque ali há excesso de concorrentes. Excesso, não, mas há muita concorrência.

E agora Di María também. É difícil.

Vamos à memória do dia. Vamos recordar outras goleadas que foram destronadas depois dos 9 x 0 de ontem da seleção portuguesa.

Não sei se vos aconteceu o mesmo, mas ontem aquilo chegou a uma altura em que eu já só pensava: "Qual é que foi a maior? Será que isto ainda pode ser a maior goleada de sempre?" E depois cheguei à conclusão que depois do gol do Bruno Fernandes, dos 8 x 0, a seleção portuguesa tinha sete minutos, mais os descontos, e estava a um gol de tornar o jogo de ontem a maior goleada da história da seleção portuguesa. Portugal conseguiu dar 8 x 0, faço a expressão, atenção, aplicar a chapa-oito, como se costuma dizer no futebol, em dois jogos, curiosamente os dois frente ao Liechtenstein, que até está no nosso grupo e na primeira jornada perdeu por 4 x 0, metade. Os dois 8 x 0 aconteceram nos apuramentos para o Euro 96 e 2000. O primeiro foi no dia 18 de dezembro de 94. Vocês lembrar-se-ão disto muito melhor do que eu.

Eu lembro-me disso porque eu estava lá no estádio.

E foram dois golos do Paulo Alves.

Estava no terceiro anel.

Estava no Estádio da Luz.

Em 94, o Bruno estava no terceiro anel.

Não sei se era no terceiro anel, se era mais abaixo, mas estava lá. Creio que foi no jogo em que o João Pinto, eterno capitão do Futebol Clube do Porto, bateu o que era então o recorde de internacionalizações. Creio que era 60 e tal.

Mas foi 8 x 0, com dois gols do Paulo Alves, dois gols do Domingos Pacência, o João Vieira Pinto também marcou, o outro João Pinto, o Fernando Couto, o Folha e o Ossian, que falhou um penalti, portanto, isto, na verdade, podia ter sido a maior goleada de sempre de Portugal. 18 de dezembro de 94. Depois, cinco anos mais tarde, o segundo 8 x 0, também ao Liechtenstein. Mudámos de Lisboa para Coimbra. O jogo teve dois hat-tricks e um bis. Dois hat-tricks do Sá Pinto, um hat-trick do João Pinto e um bis de Rui Costa. Resultado: nós apurámo-nos para esses dois Euros, obviamente, o de 96 e o de 2000. Na primeira fase de qualificação para o Euro 96, terminámos em primeiro só com uma derrota frente à segunda classificada, a República da Irlanda, sofremos sete gols, e no apuramento para o Euro 2000 tivemos uma derrota frente ao líder, acabámos em segundo, a Roménia, e sofremos quatro gols. Digo estes dois números porque ainda não sofremos nada.

Deixa-me só lembrar que Portugal tem outra goleada por 8 x 0, mas não em jogos oficiais, foi num particular, em 2003, contra o Kuwait, em que Pauleta não fez um hat-trick, fez um poker. O Nuno Gomes fez um hat-trick e o Figo também molhou a sopa.

Mas isso tudo passou para segundo lugar.

Pois, agora são as segundas maiores goleadas de sempre.

Não sei, ó Bruno, eu ontem estava a falar com amigos e tudo mais, e fico sempre com aquela sensação que é: não jogamos nada. Isto é conversa de café, atenção. Não jogamos nada, mas depois acontece um 9 x 0 e afinal os outros não eram assim tão bons. Normalmente, isso acontece muito conosco.

Isso é o habitual, mas é verdade que este Luxemburgo, apesar de ter registado uma evolução significativa nos últimos anos, ontem esteve bastantes furos abaixo daquilo que tem feito até nesta fase de apuramento.

Não está muito mal no grupo. Venceram 3 x 1 a Islândia, com mais um certo.

E conseguiu empatar na Eslováquia, onde Portugal ganhou também apenas por 1 x 0. Portanto, é um futebol que tem tido alguma evolução, mas ontem foi um descalabro, a partir do momento em que sofreu o primeiro gol, e sofreu muito cedo, a ponto do treinador ter saído do banco aos 8 x 0. Ainda voltou, depois ainda viu mais um, ainda bem. Assim pode dizer que viu todos os gols. Mas eu creio que ontem o que fez a diferença, ou o que justifica este resultado, foi a forma como Portugal nunca desligou e quis sempre ir à procura de mais. E depois há aquelas noites em que cada remate à baliza parece que é gol.

Tem quem diga que essa é a maior forma de respeito ao adversário, é não tirar o pé.

Dividem-se.

Dividem-se as opiniões.

É verdade. Depois, o que é que tu ias fazer nos restantes minutos? Tu lá estar a passar a bola, não dava.

E vocês lembram-se também de muitas ocasiões em que Portugal era acusado contra equipas de menor nomeada, desligar um bocadinho, às vezes desligar antes de ligar.

Certo.

Ou seja, de encarar estes jogos com alguma sobranceria e não entrar mesmo a sério. Ontem não se pode acusar a equipa disso. Depois, surge essa conversa que tu estavas a referir, João Filipe, que é agora estamos a bater em mortos. Eu fico mais contente quando a equipa mostra o empenho que demonstrou ontem ao longo de todo o jogo. Serviu também para dar ali um bocadinho de motivação, porque não nos esqueçamos que Roberto Martínez convocou João Félix por razões psicológicas.

E foi uma convocação de psicólogo.

Com aquele gol de ontem, ele é capaz de ter poupado umas deslocações a um consultório.

Muito bem, está feito o Euro Milhões hoje com edição do João Filipe Cruz. João, obrigado. Até amanhã.

Um abraço.