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Também o nosso site, mas para já vamos às temperaturas. Lisboa registava há instantes 23 graus, 21 para o Porto. Não são de excluir alguns aguaceiros que podem acontecer durante a madrugada e manhã de terça-feira, também na região de Lisboa. Para esta terça-feira, há a previsão do céu pouco nublado ou limpo na maior parte do dia, à exceção dessa madrugada e manhã, onde a nublosidade pode ainda trazer alguns chuviscos. Não há qualquer aviso meteorológico por parte do IPMA para o dia de amanhã e há uma máxima prevista de 25 para Lisboa, 24 para o Porto. Portugal-Luxemburgo. A equipa das Quinas conta com casa cheia no Estádio do Algarve. Esta segunda, a partir das 19h30, emissão especial com relato em direto do Portugal-Luxemburgo. As emoções da seleção na Rádio Observador. Este é o Euro Milhões, o programa de desporto da tarde em direto na Rádio Observador. Hoje tem edição da Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bem-vinda.

Olá, boa tarde.

Vamos falar do 24º Grand Slam de Djokovic. É um número bem redondo que faz com que também regresse número um mundial, não é, nesta altura?

Sim, sendo que ele já ia regressar de qualquer forma, porque venceu Carlos Alcaraz no Masters de Cincinnati. Portanto, na próxima atualização que existisse, que era hoje, no caso, depois do US Open. Ele queria de qualquer forma.

Bastava ele ganhar uma ronda.

Bastava ganhar uma ronda do US Open. Já se sabia que ia voltar a número um. O que não se sabia, só soube ontem, madrugada adentro, foi que iria conquistar este US Open, portanto, o 24º Grand Slam da carreira.

Provavelmente o torneio com mais estrelas de Hollywood nas bancadas.

Sim. Incluindo Matthew McConaughey na box de Djokovic, junto da família de Djokovic.

No camarote real.

Exatamente. Eu acho que daqui a uns anos vamos estar a olhar para os números desta final do US Open entre Djokovic e Medvedev e pensar que foi uma vitória fácil. Em três sets, sem sequer conceder um set a Medvedev, e depois ter vencido também sempre em três sets nos oitavos de final, nos quartos de final e nas meias-finais. Parece que foi uma coisa bastante simples para Djokovic, mas eu acho que basta olhar para o tempo de jogo, mais de três horas para três sets, para perceber que Medvedev deu muita luta e que Djokovic venceu uma autêntica batalha em Nova Iorque, com destaque óbvio para aquele segundo set em que Medvedev chega a ter um set point e tudo depois fica só decidido num tie break brutal. Certo é que Novak Djokovic venceu o terceiro Grand Slam do ano, depois do Open da Austrália e de Roland-Garros, e ter perdido a final do Wimbledon para Carlos Alcaraz. Chega ao 24º Grand Slam da carreira, assumindo-se ainda mais como o tenista, neste caso, o homem mais titulado, sempre igualando o registo de Margaret Court, que até agora era a única tenista, homem ou mulher, com 24 Grand Slams. Um recorde, como se sabe, Serena Williams perseguiu até ao último dia, já que acabou a carreira com 23. Voltou à liderança, como dizias, do ranking ATP, portanto, superou novamente Carlos Alcaraz e mostrou que continua a ser um fenômeno. Pode não ter uma legião de fãs, pode não ser adorado, pelo contrário, pode até ser odiado, mas faz disso a sua força e acaba por conseguir quase sempre superar as adversidades até físicas, como se viu ontem, em que a dada altura estava visivelmente esgotado a atirar-se para o chão depois dos pontos mais difíceis. Acho que vai ter o condão muito raro de ser o melhor de sempre naquilo que faz, sem ser claramente o mais idolatrado de sempre. Pelo meio, ainda teve tempo de protagonizar um momento bonito ao aproveitar o número 24 para homenagear Kobe Bryant, de quem era amigo próximo e que usava, como sabemos, o 24 na camisola dos Lakers.

Foi uma batalha, a final, mais difícil do que o resultado pode parecer. Conseguiste ver o jogo?

Sim, estive a acompanhar e foi nesse segundo set que o jogo praticamente se decidiu. Percebeu-se que Novak Djokovic, se não levasse isto em três sets, teria muitas dificuldades para conseguir bater Daniil Medvedev. E viu-se isso nessa estatística dos pontos jogados com mais trocas de bola, que Medvedev venceu a maioria desses pontos. E o que Djokovic fez foi sacar de outra das suas armas, das muitas armas que tem no seu arsenal, com subidas à rede para tentar encurtar os pontos e conseguir ganhar muitos pontos. A subir muitas vezes e a conseguir ganhar esses pontos, às vezes de uma forma extraordinária. E Medvedev não teve o antídoto para essa recalibragem do jogo de Djokovic. Tinha claramente vantagem o russo nesses momentos em que estavam a trocar bolas do fundo do corte quase de forma interminável. Djokovic também defende muito bem, é verdade. Consegue ter uma amplitude e cobrir muito campo, consegue responder a quase tudo, mas Medvedev também tem essa característica. E houve ali alguns momentos em que Djokovic massacrava com aquelas esquerdas cruzadas para a esquerda de Medvedev e ele conseguia responder e Djokovic insistia e conseguiu ganhar alguns pontos assim, mas seria muito difícil ele ganhar o jogo só com essa insistência e com jogadas muito longas que favoreciam o adversário. Optou por uma outra estratégia e acabou por vencer, definindo esse segundo set em que se percebeu claramente que Djokovic estava no limite, até se calhar no limite psicológico, porque estava a ser de facto uma batalha brutal, mas quanto a mim é claramente um tenista com muito mais recursos do que Medvedev. Suplantar Alcaraz, mesmo quando Alcaraz optou por essas subidas à rede, mas ontem não teve essa capacidade e o vencedor é justo, apesar de ter aquele momento de dúvida, em que Medvedev poderia ter conquistado o segundo set e se calhar ter encaminhado a final de outra forma.

Vamos ao futuro. A Mariana Fernandes coloca hoje no futuro a seleção alemã, porque despediu pela primeira vez na sua história o seu selecionador.

Sim, este cargo existe desde 1924, pelo menos de forma oficial, e nunca um selecionador alemão tinha sido despedido pela federação até ontem, até Hansi Flick. E trazemos a seleção alemã no futuro, porque na verdade eu acho que não existe qualquer tipo de ideia sobre qual vai ser o futuro desta seleção alemã a menos de um ano de um Campeonato da Europa que vai acontecer precisamente na Alemanha. Esta Alemanha foi goleada pelo Japão no fim de semana, é certo que num jogo particular, mas mesmo assim a federação decidiu despedir o selecionador Hansi Flick, que se tornou assim o primeiro selecionador alemão a ser despedido desde os anos 20. Rudi Völler, antigo jogador e antigo selecionador, que era agora diretor técnico da federação, será o substituto imediato, interino, até que seja encontrado um sucessor, que pode ser, segundo a imprensa alemã, tanto Julian Nagelsmann, que foi despedido do Bayern de Munique em março, como Oliver Glasner, que deixou o Eintracht Frankfurt no final da temporada passada. Apesar de ser inédita, a verdade é que esta decisão surge sem grande surpresa, devido ao registo recente da Alemanha. Foram campeões mundiais em 2014, chegaram às semifinais do Euro 2016 e de lá pra cá não foram além das fases de grupos do Mundial 2018 e 2022 e dos oitavos de final do Euro 2020, sendo que nos últimos seis jogos, portanto, desde o início de 2023, perderam quatro, ganharam um e empataram outro. A seleção está em claro final de ciclo, muito envelhecida, sem grandes soluções pro futuro. Já não existe um avançado centro como existiu em Miroslav Klose. O Borussia Dortmund e o Bayern de Munique já têm poucos alemães no 11 inicial e o sucesso europeu tem sido muito curto no que toca a clubes. Jogadores outrora cruciais como Kai Havertz, Gnabry e Goretzka caíram muito em termos de rendimento, tanto nos próprios clubes como nas idas à seleção, e hoje em dia é uma seleção muito abonada e muito dependente dos momentos do Leroy Sané. O Gündoğan, capitão nesta altura, assumiu que a equipa está com os níveis de confiança em baixo, disse que todos estão a lutar contra eles próprios e pelo meio existem lutas literais, porque parece que ironicamente a Amazon Prime divulgou na semana passada um documentário, um daqueles documentários "all or nothing", que já foi feito com várias equipas, acompanharam a Alemanha durante o Mundial do Qatar e este documentário saiu na semana passada e é possível ver discussões entre Rüdiger e Kimmich nos treinos do Mundial 2022, discussões que já tinham acontecido também em 2018. Portanto, são dois jogadores que claramente não encaixam sempre que se encontram na seleção. Pelo meio, eu acho que já toda a gente se tinha esquecido que Hansi Flick chega a esta seleção com apenas 18 meses de experiência ao mais alto nível, porque ele foi adjunto de Niko Kovač, assumiu o cargo no Bayern de Munique enquanto interino e ficou depois devido aos bons resultados e acabou por conquistar a Liga dos Campeões, mas chega à seleção com muito pouca experiência e acho que isso fica claro também nestes quatro episódios do documentário, em que ele constantemente e continuamente duvida da decisão que vai tomar e chega até a pedir opiniões aos próprios jogadores sobre o que fazer ao intervalo. Portanto, é um treinador que claramente não estava preparado para este desafio, pelo menos já na carreira, e que deixa a Alemanha sem liderança a menos de um ano do Campeonato da Europa.

É o homem que está na linha de gol no calcanhar de Madjer, não é?

É o Wolf Flick.

Isso eu ouvi quando ele assumiu só a seleção, é que depois me recordaram isso.

Se calhar foi a pior coisa que ele fez para o futebol português.

Deixar passar esse gol. Só aqui dar conta que Laurent Blanc também é despedido do Lyon.

Quatro jornadas.

Mas está em último, o Lyon, em França.

Sim, e com um vídeo extraordinário, que acho que correu as redes sociais na semana passada, em que no final de um jogo, no final de uma derrota, o líder da claque pega no microfone e chama a equipa e fala diretamente da bancada para a equipa a pedir mais compromisso aos jogadores do Lyon.

Fala-se de Gattuso para assumir o comando técnico do Lyon. É o que diz a imprensa.

Gattuso também tem um registo extraordinário enquanto treinador de futebol.

E agora se calhar ia perguntar se Fernando Santos não será o próximo, porque também não estão muito famosas as coisas para ele na Polónia.

Não estão. Ele já disse, em resposta a um jornalista, na conferência de imprensa após a derrota com a Albânia, que não se demite. Já o tínhamos ouvido dizer coisas semelhantes em circunstâncias diferentes à frente da seleção portuguesa, mas sobre a seleção alemã, isto do futebol é muito curioso. A Alemanha teve um período de crise no final dos anos 90, início dos anos 2000, com aquela célebre eliminação, com os três gols do Sérgio Conceição, ainda na fase de grupos do Euro 2000.

Em que parece que tudo mudou depois disso, não é?

Depois chega à final do Mundial 2002.

Sim, mas a jogar muito mal e com o futebol alemão a precisar de uma revolução e de uma renovação. E isso foi feito e elogiou-se muito todo o trabalho de fundo, estrutural, na federação alemã, no futebol alemão, que aos poucos depois foi conseguindo recuperar a importância, não digo a hegemonia, porque não foi hegemônica, mas com muito bons resultados, a chegar novamente a finais, até atingir então o cume com o triunfo em 2014. E em 2016, eu acho que esse é que é o momento decisivo nesta viragem Disseste, e bem, foi nas meias-finais do Euro 2016 e se nos lembrarmos, a Alemanha chega a esse jogo contra a França, e a França a jogar em casa, mas como clara favorita.

Sim.

Aliás, nós portugueses estávamos nas meias-finais.

Até tendo em conta o quadro. Portugal, País de Gales, de um lado.

Mas mesmo para aquele jogo com a França, se bem me recordo, a Alemanha dominou esse jogo, criou muitíssimas oportunidades e acabou por ser eliminada pela França. E a partir daí, toda essa estrutura, toda essa renovação muito perfeita e pensada do futebol alemão, parece que ruiu. E de então para cá têm duas eliminações na fase de grupos, creio que nunca tinha acontecido.

Não, em 2018, foi a primeira vez.

Exatamente. Nunca tinha acontecido na história do futebol alemão, em Campeonatos do Mundo, e isto agora mais parece uma federação de terceiro mundo a despedir um treinador relativamente pouco tempo depois de ter nomeado.

E depois num particular. Eu acho que é preciso sublinhar esta parte também. Foi um jogo particular. Certo que dói, mas foi um jogo particular.

Sim, e perder 4-1 contra o Japão dói mesmo.

Muito bem, vamos ao passado. A Mariana Fernandes traz hoje o 11 de setembro. O 11 de setembro no desporto.

Sim, é uma das datas obviamente mais relevantes, principalmente no mundo ocidental, ainda que seja pelos piores motivos, e é muito complicado passar ao lado do dia 11 de setembro, até quando se fala de desporto ou principalmente quando se fala de desporto, porque a verdade é que o desporto norte-americano, principalmente, não só foi muito afetado pelo atentado no World Trade Center, como ajudou a unir a nação depois de tudo o que se passou. Praticamente todas as ligas profissionais das mais variadas modalidades cancelaram todos os eventos programados para aquele dia, 11 de setembro de 2001, e até para os dias seguintes. A Major League Baseball, portanto, a liga de beisebol, cancelou jogos durante quatro dias, naquela que foi apenas a terceira vez que parou por completo. Tinham sido duas na Segunda Guerra, entretanto, repetiu-se o cenário agora durante a pandemia. A NFL, a liga de futebol americano, também cancelou todos os jogos até dia 16 de setembro. E a verdade é que o calendário ficou alterado para sempre, porque a partir de 2001, como os jogos em atraso tiveram ser compensados e adiados, o Super Bowl realiza-se agora no primeiro domingo de fevereiro e até 2001 realizava-se no final de janeiro. A NASCAR também cancelou os eventos que tinha programado para esse dia, para os dias seguintes. A PGA decidiu mesmo cancelar o Mundial de Golfe que estava a decorrer e a ESPN parou a programação normal dedicada ao desporto para cobrir única e exclusivamente o que se estava a passar em Nova Iorque. Da mesma forma, o desporto também foi utilizado para apelar ao sentimento patriótico, nacionalista, muito de recuperação de um país depois do que tinha acontecido. Isso ficou bem claro logo no dia 30 de outubro, quando o então presidente George W. Bush fez o lançamento inicial do primeiro jogo de beisebol a acontecer no Yankee Stadium, em Nova Iorque, depois do 11 de setembro e utilizando um casaco do departamento de bombeiros da cidade. O desporto é tão importante que o próprio museu que existe agora no sítio onde estavam as duas torres, o Memorial Museum, inclui uma ala inteiramente dedicada a esta Comeback Season, que aborda a importância do desporto na recuperação da identidade norte-americana e que inclui até artefactos relacionados com o desporto que foram encontrados nos destroços das duas torres.

Hoje de manhã enviaram uma fotografia do jornal Record desse dia. É engraçado também ver como os desportivos, e falavas da ESPN, cessa com a sua programação normal desportiva para cobrir o atentado, mas o Record também tem meia página com isso e uma reação de Tiger Woods.

A sério?

Sim. E depois embaixo tem o empate do Boavista com o Liverpool.

Boavista contra o Liverpool. Golo do Elpídio Silva.

É verdade.

O pistoleiro.

Mas são as duas fotos que fazem meia página para cada um destes assuntos.

Na altura houve alguma polêmica na Europa por não terem sido suspensos os jogos das competições europeias. E nessa semana, para além do Boavista, lembro-me que o Sporting teve o jogo com o Midtjylland para a Taça UEFA, creio eu. E falou-se muito dessa possibilidade de adiar os jogos, também devido ao clima de incerteza que havia, de insegurança.

Das viagens.

Exatamente. Mas os jogos acabaram por se realizar. É uma boa memória para o Boavista, que conseguiu esse resultado histórico no jogo que marcou o regresso à Liga dos Campeões do Liverpool depois da suspensão dos acontecimentos de 1985 no Estádio do Heysel.

Muito bem, fica por aqui o Euro Milhões de hoje. Falamos de desporto sempre antes do jornal das 19h, edição de hoje foi com a Mariana Fernandes. Obrigado, Mariana. Até amanhã.

Até amanhã.

Rádio Observador, Almada