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Está no ar o Euromilhões na Rádio Observador e também no YouTube do Observador, Facebook e site. A partir de agora falamos de desporto com a Mariana Fernandes. Muito boa tarde, Mariana. Bem-vinda.
Olá, boa tarde.
E vamos falar de Deco, que foi apresentado no Barcelona, mas não é para jogar.
Não é para jogar, infelizmente, diria eu, porque acho que todos gostávamos de recordar Deco, mas esta foi uma apresentação meramente formal, digamos assim, porque a verdade é que Deco já desempenhou as funções de diretor desportivo do Barcelona durante o mercado de transferências que agora terminou, portanto, ele já estava em funções, foi apenas formalmente apresentado no cargo.
Com pompa ou não?
Com alguma pompa, sim, com a presença de toda a direção do Barcelona e com Deco a falar longamente sobre aquilo que pretende fazer do Barcelona.
Deco tem um percurso de agente de jogadores.
Exatamente.
Ele tinha outra alguma experiência anterior de diretor desportivo?
Não. Continua a ter essa empresa de agenciamento de jogadores, que tem como um dos seus principais nomes o Rafinha, que está precisamente no Barcelona.
Rafinha, que era do Sporting.
Sim. Uma espécie de conflito de interesses, que Deco diz que não é conflito de interesses, porque não desempenha propriamente as funções de agente direto.
Agora põe a empresa no nome de outra pessoa, não é? Acho que é assim que se faz.
Eu acho que não vai acontecer. Eu acho que o Deco vai continuar a ser o dono da empresa. Aquilo que ele diz é que não é o agente diretamente responsável pela carreira de Rafinha. Esta apresentação serviu para ouvir, principalmente, o antigo internacional português, perceber mais ou menos como e de que forma é que o Barcelona vai querer mexer-se a partir de agora. Explicou que o objetivo deste mercado de verão foi equilibrar um plantel que está em claro fim de ciclo, com saídas de jogadores como o Busquets, Jordi Alba e Piqué na temporada passada, e que a ideia foi contratar de forma cirúrgica, já que o clube está muito condicionado pelo fair play financeiro e também pelos próprios constrangimentos financeiros que o clube tem, que estes empréstimos de João Félix e de João Cancelo, sem opção de compra, fazem parte também dessa fase de transição, ainda que Deco sublinhe: "Se quisermos ficar com eles e se acharmos que faz sentido, vamos tentar ficar com estes jogadores." E que as prioridades nesta altura são as renovações dos jovens Lamine Yamal e Alejandro Balde, já que a renovação do próprio Xavi, do treinador, está aparentemente bem encaminhada. Não deixou de sublinhar que está, como dizias também, a hipotecar a vida familiar para aceitar este desafio do Barcelona. Explicou que deixou precisamente essa empresa de agenciamento que tem e deixou também funcionários, a mulher, os filhos, para se mudar para a Catalunha e que já tinha tido a oportunidade de desempenhar as mesmas funções tanto no Porto como no Fluminense depois de acabar a carreira, mas recusou sempre. Portanto, também fica essa espécie de notícia de que o Porto, a dada altura, terá abordado Deco para ter algum tipo de função dentro do clube. O próprio presidente do Barcelona, Joan Laporta, falou também depois de Deco, explicou que a escolha do antigo jogador tem como grande objetivo não só o sucesso desportivo entre os troféus internos e a própria Liga dos Campeões, que o Barcelona também não conquista há alguns anos, mas também o reforço do posicionamento do clube nos mercados do Brasil e de Portugal, essencialmente, sem esquecer que o Barcelona roubou, digamos assim, Neymar ao Real Madrid há cerca de 10 anos. Os dois clubes lutaram na altura para tirar Neymar do Santos e o Barcelona ganhou, mas nos últimos anos temos visto o Real Madrid ganhar quase todas as corridas entre o Vinícius, o Rodrygo, o Reinier e o próprio Endrick, que ainda não jogou no Real Madrid, mas que vai jogar na próxima temporada. Portanto, o Real Madrid tem conseguido ganhar um bocadinho mais de terreno no mercado brasileiro e acredito que esta contratação de Deco para diretor desportivo também tem esse condão do Barcelona de querer voltar a reequilibrar um pouquinho a balança do outro lado do Atlântico.
Bruno Vieira Amaral, o Deco, se fosse diretor desportivo como foi jogador, estava o Barcelona bem servido.
Se fosse metade do que era já chegava. Já dava alguma coisa. Ele é contratado para esta função, claramente, pela experiência que ele tem de jogador também no Barcelona. Isso é importante, de estar identificado com o clube. Conhecer também o treinador ajuda, ter jogado com o treinador, com o Xavi, ajuda. À partida, em princípio, será um trunfo. Tem que ver também com essa relação com alguns mercados em que o Barcelona não se tem movimentado tão bem, e a Mariana falou desse exemplo do mercado brasileiro, e bem, em que o Barcelona tem perdido esse terreno para o Real Madrid. E depois há esse lado também dele conhecer o outro lado das negociações, enquanto empresário, enquanto agente de jogadores, perceber também como é que as coisas funcionam, ir ao encontro daquilo que os agentes e os jogadores, através dos seus agentes, pretendem. E depois há, e lembrando aqui o caso, o exemplo do Rui Costa, há também este fator de um antigo jogador de grande sucesso e de grande prestígio entrar, ser ele o rosto do clube para as contratações, pode ajudar alguns jogadores a inclinarem-se por mais um projeto. Sendo o Barcelona o Barcelona, também não é preciso esse rosto, mas pode ajudar em certas situações, nomeadamente tendo em conta a situação financeira do Barcelona, pode ajudar a convencer um jogador que esteja ali na dúvida e levá-lo para o Barcelona.
Vamos ao futuro. A Mariana Fernandes coloca hoje no futuro o Neemias Queta. Qual será o futuro dele depois da dispensa pelos Sacramento Kings?
Sim, é a notícia que está também a marcar a atualidade desportiva e que abre a porta a esse futuro totalmente incerto nesta altura para o Neemias Queta, que foi dispensado pelos Sacramento Kings e que é agora um free agent, ou seja, é um jogador livre que pode assinar por qualquer outra equipa, tanto nos Estados Unidos como no resto do mundo. A saída da equipa não surge por acaso.
O Bruno Vieira Amaral queria que ele regressasse a Portugal.
Regressar a Portugal?
Deve ser bem difícil.
Sei, eu percebo. Predigo que não esteja, nesta altura, na lista de prioridades.
Até porque ele deve ter interessados mais apelativos no mundo do basquetebol.
Nesta altura existem aqui dois caminhos, claramente, para o Neemias: ou ficar na NBA, e fala-se principalmente sobre o interesse dos Portland Trail Blazers, que poderão querer aprofundar um bocadinho mais a posição de poste, que é a posição de Neemias, ou um regresso à Europa, mas para jogar numa das principais equipas da Euroliga, a espécie ou o mais aproximado que existe da Liga dos Campeões.
Mas o que é que correu mal para chegarmos a este desfecho?
Logo à partida-
Fez muitos jogos pela outra equipa.
É isso.
E até jogou bem, teve algum destaque nessa segunda equipa.
A questão aqui é que o Neemias é poste e estes Sacramento Kings contam, logo à partida, com três postes, portanto, o Neemias era o quarto e neste mercado contrataram outro poste. Ele estava completamente tapado na posição que tem nos Sacramento Kings. Ainda assim, e como diziam, fez ótimas exibições pelos Stockton Kings, da G League, uma espécie de equipa B dos Kings, que joga na liga de desenvolvimento, nessa G League. Foi o segundo mais votado para MVP da G League, esteve muito bem, mas só fez esses 20 jogos pela NBA e estava completamente tapado na equipa. Portanto, a verdade é que esta saída não surge propriamente como uma enorme novidade, ainda que há umas semanas os Sacramento Kings tenham dito que iam procurar renovar por mais um ano com o Neemias, mas a verdade é que agora decidiram soltá-lo, digamos assim, e dar-lhe mais minutos de jogo noutra equipa, depois de ele também se ter lesionado nesta Summer League, nesta espécie de pré-época da NBA. Ele nem sequer conseguiu mostrar-se nesta Summer League, também não vai à seleção jogar os jogos de pré-qualificação com a seleção nacional. A verdade é que também não tem tido uns meses fáceis, principalmente por essa lesão, e acaba aqui por ter esta oportunidade, digamos assim, para ter mais tempo de jogo ou nos Estados Unidos ou na Europa, sendo que este regresso à Europa parece um passo atrás para quem já esteve na NBA, mas voltar à Europa com experiência de NBA e com 20 jogos na NBA significam entrada direta num desses clubes que disputa e que luta pela conquista da Euroliga, dessa espécie de Liga dos Campeões. Fala-se no Partizan de Belgrado, uma das principais equipas da Europa, e também no Panathinaikos da Grécia. Se isso acontecer, parece-me que o Neemias Queta tem tudo para mostrar aquilo que ainda não conseguiu mostrar na NBA e sem esquecer que, obviamente, um regresso à Europa não é ficar na Europa para sempre e pode perfeitamente também voltar aos Estados Unidos. Existe esta ideia de que o melhor basquetebol do mundo está nos Estados Unidos, está na NBA, que o regresso à Europa será sempre um passo atrás na carreira, mas basta olharmos para alguns dos melhores jogadores hoje em dia da NBA, já vêm da Europa e lembram, por exemplo, do Luka Dončić, começou a dar nas vistas no Real Madrid e só então depois vai para os Dallas Mavericks nos Estados Unidos. A ideia do basquetebol na Europa está a mudar, está a tornar-se diferente, é um basquetebol muito mais tático e menos físico do que aquele que existe na NBA, mas onde eu acho que o Neemias pode ter um bocadinho mais de espaço, um bocadinho mais de tempo de jogo e mostrar o porquê de ter sido o primeiro português também na NBA.
E ele teve azar, porque ele chegou aos Sacramento Kings numa altura em que a equipa não estava bem, os resultados não eram bons e o ano passado a equipa, creio que foi na época passada, conseguiu chegar aos playoff. E isso também, visto que ele não tinha espaço na equipa, acabou por reduzir ainda mais o espaço. É que as coisas começaram a correr melhor à equipa, sem que ele fosse uma das principais opções. Mas eu concordo com a Mariana, isto pode ser um passo atrás, que depois o pode ajudar a voltar, eventualmente, à NBA ou o sucesso na Europa também não é algo de desprezar.
Em oposição, e em algo que está a correr a favor dele neste interesse também dos Trail Blazers, ele é muito querido pelos adeptos dos Kings, ou seja, a forma como também a maior parte dos jornais, dos meios de comunicação que deram esta notícia explicaram o que era o Neemias, era "fan favorite", portanto, um dos favoritos dos adeptos. Ele era muito querido pelos adeptos dos Kings e isso conta muito na NBA.
Muito bem. Estamos quase a terminar. Vamos ainda rapidamente ao passado: 50 anos de Fabio Cannavaro.
O que é que tens a dizer sobre isso?
Não fazia ideia que tinha 50 anos.
Fabio Cannavaro faz 50 anos.
Pensei que tinha menos. Parece que ainda me lembro de o ver jogar.
O último defesa a ganhar a Bola de Ouro. Exatamente. O antigo central italiano nasceu neste dia, 13 de setembro de 1973, em Nápoles. Curiosamente, acabou por não ter grande história no clube da terra, mas foi lá que começou a jogar, ainda assim. Fez parte da formação, foi apanha-bolas do Nápoles na altura de Maradona e de Ciro Ferrara. Começou a jogar como médio, depressa recuou no terreno e assumiu a posição de defesa central, que teria durante toda a carreira. Começou a ganhar algum nome também em Nápoles, num treino da equipa principal em que participou, ainda com idade de júnior. Fez uma entrada muito dura sobre o Maradona. Foi confrontado pelos outros jogadores, pela equipa técnica, até por funcionários do clube, já que poderia ter lesionado a estrela, mas foi defendido pelo próprio Maradona, que lhe disse que podia jogar sempre com aquela paixão e que até lhe ofereceu as próprias chuteiras no final do treino, como presente. Passou depois pelo Parma, pelo Inter, pela Juventus, tornou-se um dos melhores jogadores italianos, presença absolutamente cativa na seleção, com a braçadeira de capitão depois da era de Maldini, e acabou a carreira como segundo jogador com mais internacionalizações, logo atrás de Buffon. Teve o melhor ano da carreira em 2006, conquistou o Mundial da Alemanha enquanto capitão com a Itália, venceu a Série A com a Juventus e ganhou a Bola de Ouro, como dizias, tornando-se apenas o terceiro defesa de sempre a receber a distinção depois de Beckenbauer e do Matthias Sammer. Saiu da Juventus em 2006, na sequência da descida do clube à Série B, depois do Calciopoli, ainda ganhou duas ligas espanholas com o Real Madrid, voltou à Juventus por mais uma temporada e acabou a carreira no Al-Ahli, dos Emirados Árabes Unidos, iniciando depois uma carreira de treinador que já o levou à China, incluindo à seleção da China, à Arábia Saudita e ao Benevento, a Itália, mas que até agora não tem tido grande sucesso.
Que foi o último clube que treinou. Algum momento da tua profícua memória de Cannavaro?
Do Cannavaro é a cabeçada do Zidane ao Materazzi que lhe entregou de mão beijada a Bola de Ouro. Se não fosse essa cabeçada, o Cannavaro não teria sido o último defesa a conquistar a Bola de Ouro.
Ok, recordamos Fabio Cannavaro, faz hoje 50 anos, foi trazido aqui ao Euromilhões pela Mariana Fernandes. Obrigado, Mariana. Até amanhã.
Até amanhã.
Rádio Observador