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Edição desta segunda-feira, dia 21 de agosto, do EuroMilhões, comigo, Vicente Figueira, também com o Bruno Vieira Amaral e com a nossa Chave Dourada. Estou a ficar cada vez pior nos meus adjetivos relacionados com EuroMilhões, não estou, Mariana? É um mau desporto aquele que tenho feito aqui.

Olha, para mim, que estou a acabar de vir de férias, respirei, descansei, esqueci-me e por isso agora está ótimo.

Está tudo bem? Boa, ainda bem. Vamos ao grande tema do dia de hoje, que é o mundial feminino, mais importante sempre, com mais repercussões e até do ponto de vista publicitário, saiu melhor que o mundial masculino, ouvi dizer.

Sim, falamos ainda deste campeonato do mundo feminino, ainda está muito fresquinho na memória, acabou há pouco mais de 24 horas. Eu arrisco-me até dizer que foi o primeiro que foi verdadeiramente global e normalmente é o de 99, aquele que foi nos Estados Unidos, que tem este carimbo, mas a verdade é que é um carimbo muito americano. É o primeiro que, de facto, teve audiência séria nos Estados Unidos, mas se olharmos para a Europa e para a atenção que a maioria da Europa deu àquele campeonato do mundo de 99, é uma coisa muito limitada. Portanto, eu acredito que este foi o primeiro campeonato do mundo feminino completamente global, tanto na Europa, nem que seja pelo facto de ter tido uma final completamente europeia, nos Estados Unidos, porque normalmente é sempre, em África, com seleções como a Nigéria e a África do Sul a terem campanhas muito positivas e até muito surpreendentes, e também na América do Sul, com a Colômbia a chegar muito longe. Obviamente sempre a Ásia, mas a Ásia tem uma tradição de futebol feminino que a Europa não tem, com a China e o Japão a chegarem muito longe já desde há muitos anos. Se olharmos para este resumo e para o facto de também ter acontecido na Austrália e na Nova Zelândia, noutro continente, este foi o primeiro campeonato do mundo, então sim, verdadeiramente global, também novamente a bater recordes de assistência de espectadores e de receita. Claro que para nós, para Portugal, a estreia da Seleção Nacional foi o grande destaque da competição, principalmente pela primeira vitória e pela luta pelo apuramento até ao último segundo naquele jogo contra os Estados Unidos. Mas o grande tema do dia passa, claro, por Espanha, pela vitória contra a Inglaterra, que garantiu à seleção espanhola o primeiro troféu internacional. Espanha é notícia só por ter vencido, naturalmente, mas é também pela forma como venceu, porque esta é uma seleção espanhola que ainda há um ano, depois do Campeonato da Europa, teve 15 jogadoras a renunciarem à seleção por e-mail, em rota de colisão com Jorge Vilda, o selecionador que recusou demitir-se e que teve sempre o apoio de Luis Rubiales, o presidente da Federação Espanhola. Três dessas jogadoras voltaram atrás, incluindo a Aitana Bonmatí, que acaba por ganhar aqui também o prêmio de melhor jogadora do mundial, mas a verdade é que 12 escolheram mesmo não ser convocadas, falharam este mundial que a Espanha acabou por conquistar, apesar deste turbilhão interno e de Jorge Vilda continuar sem ser consensual, tanto dentro do balneário como na opinião pública espanhola, e isso também ficou comprovado com as imagens dos festejos, jogo após jogo, em que víamos as jogadoras ir pra um lado e a equipe técnica a festejar sozinha do outro lado. Pelo meio, há esta quase surreal e trágica história de Olga Carmona, ela que marcou o gol decisivo da final e que soube depois do jogo que o pai tinha morrido, e que entretanto já disse que viveu este domingo tanto o melhor como o pior dia da própria vida. Daqui a quatro anos, há mais, sendo que ainda não é conhecido o país organizador do Mundial 2027 e pelo meio há Jogos Olímpicos em Paris no próximo ano e europeu já em 2025, com a Suíça a organizar um torneio onde se espera, claro, que Portugal marque presença. Se Portugal for a este europeu, começamos já aqui a falar então de uma verdadeira geração de ouro, porque seria o terceiro europeu consecutivo e a quarta fase final consecutiva em que Portugal conseguiria marcar presença.

E seria bom para a Península Ibérica, que era o mundial em Espanha e o europeu em Portugal. Bruno Vieira Amaral, acompanhaste com interesse o campeonato do mundo?

Acompanhei intermitentemente. Ontem estive a ver a final. A Espanha não me surpreendeu por aquilo que tinha visto ao longo do campeonato. Mostrou sempre uma grande capacidade, à exceção do jogo com o Japão, que foi a exceção que confirma a regra.

E pode também ser a vingança, apesar de tudo, daquilo que aconteceu no mundial masculino, que o Japão eliminou a Espanha em 2021. A vingança chegou pela mão das mulheres.

Mas no caso, o Japão ganhou no jogo contra a Espanha.

Ah, foi na fase de grupos.

Na fase de grupos. Mas a Espanha mostrou ter um plano de jogo, um estilo de futebol já muito consolidado e também o sucesso resulta de um trabalho muito consistente e que também tem tido títulos nas camadas jovens. Portanto, isto não é um acaso. É verdade que a Espanha nunca tinha chegado tão longe, mesmo se chegasse só às meias-finais, nunca tinha chegado tão longe Num campeonato do mundo, mas há um trabalho de fundo e isso é impressionante. Mesmo não tendo algumas das jogadoras que eram convocáveis, ter demonstrado essa capacidade, essa força. Agora, para o futebol feminino em geral, o grande desafio é o que se segue. Não em relação a estes grandes eventos, Jogos Olímpicos, Campeonatos da Europa e Campeonatos do Mundo, eu creio que esses vão crescer naturalmente.

Mas no quotidiano do ano.

Sim, do ano, das várias competições, dos campeonatos nacionais, na Liga dos Campeões. Eu vi no ano passado alguns jogos da Liga dos Campeões, em estádios praticamente vazios, nas fases mais adiantadas da competição. Portanto, há aqui um grande desafio, cá em Portugal também, e temos visto paulatinamente as coisas a mudarem, haver um maior interesse público, mas esse é o grande desafio: é fazer com que estes grandes eventos sirvam de mola para as competições nacionais, para o cotidiano, porque isto tem que ver com a vida destas jogadoras também. A vida destas jogadoras não muda com o mundial de quatro em quatro anos, muda com as condições do dia a dia nos clubes e nas competições nacionais e internacionais de clubes.

E quanto melhores forem essas condições, também melhores serão as competições, esses grandes eventos como o Europeu e o Mundial.

Sim, que despertam. Não vamos entrar em comparações, mas o nível foi bastante bom deste campeonato do mundo.

Mariana, no futuro temos a indefinição em torno de Vlachodimos, que depois de uma situação complicada com Roger Schmidt, diz-se agora estar perto de deixar o Benfica. Com o interesse do Manchester United, estou a cometer um erro?

Sim, do Manchester United à partida, sendo que a questão do Manchester United depende também de uma alínea do plantel, mas já lá vamos. Se partirmos do princípio, que me parece já evidente, que Otávio já é jogador do Al-Nassr, é algo que é óbvio e que carece apenas de oficialização. A verdade é que esta história que tem a odisseia de Vlachodimos como protagonista é a grande novela deste final de verão, deste início de temporada, e que está cada vez mais perto de terminar com a saída do guarda-redes do Benfica. A posição de Vlachodimos no plantel ou no 11 inicial até foi uma dúvida ao longo de todo o mercado de transferências, isto porque o Benfica passou muito tempo a negociar com o Atlético Paranaense para contratar o guarda-redes brasileiro Bento, chegando até a valores como 10 milhões de euros numa proposta por um guarda-redes, acabando por desistir, optar por Trubin, que estava no Shakhtar Donetsk. A primeira jornada do campeonato não correu propriamente bem, nem ao Benfica, nem ao próprio Vlachodimos, com os encarnados a perderem no Bessa com o Boavista e Roger Schmidt a personalizar alguma da responsabilidade pela derrota nos erros do guarda-redes, garantindo até nessa conferência de imprensa que Vlachodimos não tinha tido um dia feliz nesse jogo contra o Boavista. Continuou essa ideia ao retirar-lhe a titularidade contra o Estrela da Amadora no passado sábado, na segunda jornada. Vlachodimos não terá gostado, confrontou o treinador que o retirou da convocatória, sendo que o episódio parece ter sido a gota de água que vai mesmo empurrar o guarda-redes para longe da Luz, sendo que, como dizias, já foi associado ao Manchester United para a posição de alternativa ao recentemente contratado André Onana. Portanto, a ideia que existe é que o United só avançará por Vlachodimos se Dean Henderson, que é nesta altura o segundo guarda-redes e que tem interesse tanto o Nottingham Forest como o Crystal Palace, acabar mesmo por sair. O Ajax, que também já tinha noutras ocasiões, há cerca de um ano, feito abordagens informais por Vlachodimos, também continua interessado. Vlachodimos que chegou ao Benfica em 2018, na altura contratado ao Panathinaikos, conquistou dois campeonatos, duas Super Taças, sendo que só teve a titularidade neste período ameaçada em 2020/2021, quando Jorge Jesus preferiu Helton Leite. Tem contrato até 2027, renovou muito recentemente, já neste ano de 2023, mas a verdade é que à partida não tem a continuidade assegurada na Luz.

Bruno, muito rapidamente. O primeiro treinador do Benfica a não gostar muito das exibições ou a ter alguns problemas com Vlachodimos, a não achar particular graça à capacidade do guarda-redes, mas este foi provavelmente aquele que o conseguiu expulsar, Roger Schmidt e não Jorge Jesus.

Mas ele o ano passado confiava nele. Pelo menos nunca o apontou a dedo por algum jogo menos conseguido. Agora fê-lo porque já tinha uma alternativa, mas o Benfica volta à estaca zero, praticamente, porque Trubin foi contratado para ser concorrente de Vlachodimos, para que o Benfica tivesse dois guarda-redes capazes de assumir a qualquer momento a titularidade. E agora, com esta novela, volta à estaca zero, que é ter um guarda-redes que será o titular indiscutível, que contem será Trubin, e depois ter um jogador que ainda não representa uma alternativa sólida. Roger Schmidt já desmentiu, isto estou a falar de Samuel Soares, mas Samuel Soares há duas semanas estava para ser emprestado para ganhar rodagem. Isto não beneficia nada o Benfica, nem Vlachodimos, nem o treinador do Benfica.

E acreditamos nós também nem o balneário. Temos que fechar, Mariana, com muita rapidez. Vamos ao passado. Passam hoje 44 anos desde a morte de Giuseppe Meazza, que tem um estádio muito famoso em Milão. Qual o seu nome?

Muito rapidamente, passou à história como nome de estádio, mas a verdade é que Giuseppe Meazza foi jogador de futebol e hoje contamos então a história do italiano neste dia em que se assinalam 44 anos da morte. Foi a 21 de agosto de 1979. Tinha nascido também em agosto, mas de 1910, em Milão, como não podia deixar de ser, e é considerado um dos melhores jogadores de sempre do futebol italiano. Tinha apenas 1,69 m, passou grande parte da carreira no Inter de Milão, marcou 242 gols ao longo de 365 jogos, ganhou três campeonatos nos primeiros 13 anos em que esteve no clube. Passou depois pelo rival, pelo Milan, também pela Juventus, para além do Varese e da Atalanta, e terminou a carreira com o regresso de apenas uma temporada ao Inter, já com 46 anos. Na seleção, o sucesso foi idêntico, liderou a Itália até à conquista de dois mundiais consecutivos, em 34 e em 38, e é ainda hoje o segundo melhor marcador de sempre da seleção italiana, com 33 gols e atrás dos 35 de Gigi Riva. Depois de terminar a carreira de jogador, foi ainda treinador da Atalanta, do Inter e do Beşiktaş, da Turquia, para além de selecionador italiano. O nome Giuseppe Meazza, obviamente, é sinônimo de estádio, porque em 1980, um ano depois da morte do italiano, o famoso San Siro, que Inter de Milão e Milan partilham, foi renomeado Estádio Giuseppe Meazza para o homenagear, sendo que é normalmente denominado pelo nome do antigo jogador pelos adeptos do Inter, onde jogou durante mais tempo e mantém-se San Siro para os adeptos do Milan.

A rivalidade é que ninguém tem a capacidade para eliminar, por muito grande que seja. Mariana Fernandes, mais uma edição da "Euro Milhões" é desta segunda-feira. Muito obrigado e até à próxima.

Até amanhã.

Rádio Observador