Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Na tarde em direto falamos de desporto, sempre antes do jornal das 19h00 e hoje é com o Bruno Vieira Amaral. Olá, Bruno, boa tarde.
Olá.
Vamos começar com Sérgio Conceição, é o teu tema do dia. Regresso de Sérgio Conceição às conferências de imprensa.
É verdade, já tínhamos saudades. Ele também confessou logo que estava muito bem disposto, não se furtou a responder a nenhuma pergunta. Disse então que já tinha saudades de falar com os jornalistas, de estar ali. E a certa altura, parece que estamos ali perante o Dr. Jekyll e o Mr. Hyde, o Dr. Sérgio e o Sr. Conceição. O Dr. Sérgio muito tranquilo a responder a todas as perguntas, a fazer até uma análise fria da sua reação intempestiva que resultou após a expulsão do jogo da Supertaça. Falou de vários assuntos, respondeu às críticas de Rui Moreira.
Tinha dúvida que é. Já terminou o castigo, ele volta a estar no banco.
Eu creio que já estará a partir desta jornada.
Joga amanhã o Porto com o Estrela da Amadora?
Com o Estrela da Amadora. E respondeu, como estava a dizer, às críticas de Rui Moreira, com elevação. Lembrou os sucessos que tem alcançado enquanto treinador do Porto, mesmo com os constrangimentos do fair play financeiro, mesmo com as movimentações de mercado, que nem sempre são do agrado do treinador e por isso também lamentou a saída de Otávio. Não gosta destas saídas, ainda por cima de um jogador com a importância que o Otávio tinha para a equipa, mas diz que é o que é, as coisas são o que são. Os clubes que não têm o poderio financeiro de clubes de outras ligas, têm de viver com estas regras e têm de se adaptar. Explicou também, e não fugiu ao tema, João Moutinho. Explicou por que João Moutinho acabou em Braga, diz que foi uma questão de timing, que estava informado dessa possibilidade, que chegou a falar com o jogador, mas que também tem alternativas para esse lugar e que, por exemplo, achou mais necessário ter uma outra opção para as alas e daí o regresso criticado por muitos de Francisco Conceição, filho do treinador do Futebol Clube do Porto, que disse que não compreende a incompreensão de alguns adeptos e comentadores em relação ao regresso de Francisco Conceição. Diz que ainda pode ser muito útil, é um jogador que traz outras coisas que os elementos que estão no plantel não trazem. Como dizia há pouco, ele falou dessa questão do comportamento que lhe valeu um castigo algo pesado após a expulsão na Supertaça, por se ter recusado a sair do campo. Diz que há coisas a melhorar, que os outros também não gostam de perder, reconhece isso, que é uma questão de caráter. Falou do problema do tempo útil de jogo, que o Porto e não só o Porto, tem reclamado nos últimos anos a necessidade de que haja mais tempo útil de jogo e que quando há uma equipa a fazer antijogo, esse tempo depois seja compensado devidamente nos descontos. A verdade é que mesmo com descontos muito acima do que vimos no ano passado, o tempo útil de jogo continua relativamente baixo e esses descontos em excesso não têm resolvido o problema do tempo útil de jogo. Mas aí temos Sérgio Conceição de volta, falando tranquilamente. Esperemos que assim se mantenha nos próximos tempos.
E admitindo também alguns excessos, como direi. Ele diz que podiam ter corrido melhor as coisas quanto ao seu comportamento no banco. Que há coisas a melhorar.
Exatamente, há coisas a melhorar. Eu creio que isso é óbvio. Um treinador tem 20 e tal expulsões na carreira, obviamente que há coisas a melhorar. O que eu acho? Acho que já passou o tempo de Sérgio Conceição reconhecer isso. Não era preciso esta expulsão e este castigo para reconhecer que há um problema ali de gestão das emoções, de controle das emoções, quando está no banco. O que é curioso é que depois o comportamento dele nos jogos das competições europeias não é o mesmo e consegue conter-se. O que leva a suspeitar que tem que ver também com as características do futebol português, a forma como os árbitros gerem ou não conseguem gerir também os jogos, da forma como lidam com este comportamento dos treinadores, que não é só uma questão do temperamento de Sérgio Conceição, tem que ver também com esse ambiente em que ele está inserido, que é o ambiente do futebol português, e muitas vezes essa incapacidade dos árbitros em se imporem e não admitirem esses excessos, e depois também os castigos serem suficientemente pesados para dissuadirem esse comportamento.
A ver vamos como corre esse regresso de Sérgio Conceição. Não correu mal o regresso, pelo menos às conferências de imprensa. Vamos ao futuro e falar sobre os jogadores que são finalistas do prêmio The Best. A maioria, de facto, é da Premier League e o único português também, Bernardo Silva.
Também joga num clube da Premier League, aliás, vencedor da Premier League no ano passado. Foram anunciados então os 12 finalistas do prêmio The Best, atribuído pela FIFA. Bernardo Silva está lá, mas não é o favorito a vencer. Os favoritos serão Erling Haaland e Lionel Messi, muito por aquilo que fez no mundial e não tanto pelo desempenho ao serviço do Paris Saint-Germain, e creio que também não entrará muito nestas contas o que tem feito no Inter Miami. E a maioria dos jogadores destes 12 finalistas alinham na Premier League, são sete, sendo que um deles, o Gündoğan, entretanto saiu do City e está a representar o Barcelona. Mesmo assim, são 50% a jogar na Premier League dos finalistas deste prêmio The Best. Curiosamente, só há um inglês, é Declan Rice, que passou do West Ham United, onde conquistou a Conference League para o Arsenal. Nos 30 do Ballon d'Or estão 12 da Premier League E também há esta curiosidade, Declan Rice, que está nos 12 finalistas do The Best, não arranjou vaga nos 30 finalistas da Bola de Ouro. E aqui também a Premier League é a mais representada. E falando da Premier League, aqui na Rádio Observador, recebemos hoje o troféu numa iniciativa da Eleven e da Zone. John Cochrane, que é uma espécie de embaixador e guardião do troféu, que é único. Portanto, aquele troféu que hoje esteve aqui na redação é mesmo o troféu.
Tem essa dúvida, por acaso?
Não é uma réplica.
Confirmas.
É verdade. Noutras competições há mais do que um troféu, ou várias réplicas. Aqui este é mesmo único e, portanto, é tratado com todos os cuidados. John Cochrane contou-nos a regra de ouro da Premier League: só os vencedores podem tocar neste troféu e por isso mesmo, em sete anos e meio de trabalho como guardião da taça, John Cochrane só tocou no troféu com luvas. Não está autorizado a tocar na taça sem luvas.
We have a golden rule in the Premier League that says you can only touch the trophy if you've won it. Even us, we're the guardians or the ambassadors of the trophy. We have to wear white gloves before we can touch it. So even we're not allowed to touch it barehanded.
How many years do you do this job?
I've been doing it now for about seven and a half years.
And in seven years you never did touch the trophy.
Never touched the trophy without the gloves. But there again, a gentleman never tells.
Muito simpático este senhor.
Sim, é capaz de já ter tocado, mas também não vai dizer, porque como ele diz, é um cavalheiro.
Um cavalheiro não conta.
Esta taça tem três leões esculpidos, é o símbolo do futebol inglês. Pesa 25 quilos, a parte de cima com a coroa sai e é habitual que o capitão da equipa vencedora a ponha na cabeça. E ainda há outro pormenor, que são as fitas. Há seis fitas, três de cada lado do troféu e que têm as cores do clube vencedor da Premier League. John Cochrane.
Por isso era um azul clarinho, não é?
Um azul clarinho desta vez, porque o campeão foi o City. John Cochrane explica-nos como são escolhidas as cores.
The ribbon closest to the trophy is their colored socks, followed by their shorts, followed by their shirts. So Man City playing blue, white, blue. In the history of the Premier League, the 31 years, we've only ever had two teams to have six ribbons on the trophy, all the same color. Firstly, done by Leicester City being colored blue, and secondly, Liverpool being red.
Esta regra é muito engraçada. Começa das meias para cima, não é?
Exatamente. Isto obedece a um protocolo e é preciso respeitá-lo. Como explicou John Cochrane, a fita mais perto do corpo do troféu fica com a cor das meias do equipamento principal do clube vencedor, a do meio, a cor dos calções e a fita mais exterior é a da cor da camisola. Como ele nos diz no som que acabámos de ouvir, só duas equipas tiveram as fitas todas da mesma cor: o Leicester, que ganhou em 2015/2016 a Premier League, e o Liverpool.
E muito bem. Eu próprio fui lá ver a taça.
Tiraste uma fotografia?
Tirei uma fotografia à taça, não com a taça.
Eu tirei com a taça.
Fizeste bem.
Não resisti.
Nunca foi partida. Estavam a dizer, o troféu é único. Tenho ideia que já houve aqueles acidentes que já aconteceram noutros campeonatos também. Se calhar esta já teve de ser restaurada.
Essa não é a lenda que eles querem que seja impressa.
Sim, então parece que aqui há um esforço para tornar isto mais místico do que normal. Vamos lá ao passado. O Bruno traz hoje esta história do Estádio da Luz, com capacidade para 120 mil espectadores. Foi apresentado à imprensa precisamente no dia 14 de setembro, mas em 1985. E tu trazes aqui cinco momentos históricos desse antigo Estádio da Luz.
Do antigo Estádio da Luz, na altura já não era o novo Estádio da Luz, mas foi apresentado à imprensa após o fecho do terceiro anel, a conclusão que permitiu uma capacidade para 120 mil espectadores.
Qual é que foi a transferência que permitiu pagar?
Foi a de Chalana.
A de Chalana, exato. Gosto dessa história.
Creio que por 300 mil contos, acho que na altura era isso. Não ajustado a valores da inflação, seria 1,5 milhão de euros agora, mas era muito mais. E então foi apresentado nesse dia, 14 de setembro de 1985, à imprensa. E eu quis aqui recordar alguns jogos marcantes desse novo e antigo Estádio da Luz, ou seja, só lembrar momentos a partir de 1985. E o primeiro foi a meia-final. Os dois primeiros são duas meias-finais da antiga Taça dos Campeões Europeus. O primeiro, um jogo de 1988, uma meia-final contra o Steaua de Bucareste, a equipa romena, e o Benfica conseguiu o apuramento com uma vitória no Estádio da Luz por 2x0, com dois golos do Rui Águas, mas se calhar benfiquistas e não benfiquistas lembram-se melhor da outra meia-final, de 1990, contra o Marselha. O Benfica tinha perdido a primeira mão em Marselha, no Estádio Velodrome, por 2x1, precisava de vencer em casa e conseguiu essa vitória com um gol quase no final, mas um gol muito polémico e que fez correr rios de tinta, o célebre gol com a mão de Vata. Vata, o avançado alguerano, que disse sempre que não foi com a mão, mas as imagens disponíveis provam que, pois, foi com a mão. Não interessa, o árbitro validou o gol e o Benfica conseguiu o apuramento para a final da Taça dos Campeões Europeus, que nesse ano foi disputada em Viena, onde o Porto tinha conquistado três anos antes a Taça dos Campeões Europeus contra o Bayern de Munique. O Benfica enfrentou o Milan e perdeu por 1x0, gol de Frank Rijkaard. Estes foram dois dos jogos mais importantes das competições europeias mais importantes do Benfica neste antigo Estádio da Luz. Depois, tivemos um momento de felicidade nacional. Em 1991, Portugal sagrou-se campeão do mundo de juniores pela segunda vez, após a conquista do título em Riade, na Arábia Saudita, em 1989.
Há dias vi imagens dessa partida.
Da final do Estádio da Luz.
É que é engraçado, foi um pormenor que me saltou à vista. Peix foi eleito o melhor jogador.
O melhor jogador desse campeonato do mundo. E de facto, eu lembro-me, na altura era o meu jogador preferido, apesar de ser do rival Sporting, mas foi o melhor jogador desse campeonato do mundo, apesar de Portugal ter outras grandes figuras e que vieram a ter até carreiras muito mais destacadas que Emílio Peix, João Vieira Pinto, Luís Figo, Rui Costa, entre muitos outros. A final contra o Brasil, em que jogava, por exemplo, Roberto Carlos, lateral esquerdo, Élber e Paulo Nunes, que depois acabou ainda por representar o Benfica, acabou empatado ao fim de 120 minutos, 0x0 Estavam no Estádio da Luz não 120 mil espectadores, mas 127 mil, portanto arranjou-se maneira de caberem ainda lá mais 7 mil espectadores e teve de ser decidida então essa final nos penáltis. O último e decisivo foi convertido por Rui Costa, o atual presidente do Benfica. Outro momento marcante deste Estádio da Luz foi a final da Taça das Taças, Mónaco x Werder Bremen. Foi a única final europeia disputada no Estádio da Luz após a conclusão do terceiro anel e é de triste memória porque só teve 16 mil espectadores. Será de boa memória para os adeptos do clube alemão, que venceram o Mónaco, que então era orientado por Arsène Wenger. Só que do outro lado estava um treinador alemão, Otto Rehhagel, o alemão que 12 anos depois, já no novo Estádio da Luz, conquistaria o título mais importante da carreira como selecionador da Grécia no jogo contra Portugal. Por último, um momento marcante deste antigo Estádio da Luz foi, para teu contentamento, Nelson, a derrota do Benfica na Supertaça, 5 x 0 contra o Porto. O Porto venceu em 1996. Foi a maior derrota do Benfica naquele estádio, num dia que ficou marcado também pela morte do fotojornalista Nuno Ferrari, que morreu quando estava a trabalhar, a acompanhar precisamente esse jogo. Foi a 18 de setembro de 1996. O Benfica, orientado por Paulo Autori, até tinha começado bem a época, mas este 5 x 0 marcou a equipe, que depois não conseguiu resultados muito famosos. O Porto, treinado por António Oliveira, ganhou com gols, ainda te lembras de quem?
Não, não faço ideia.
Artur, Edmilson, Jorge Costa, Vetel, o jogador austríaco, e Djalminha. Rui Barros entrou nesse jogo também, ele que tinha jogado pelo Mónaco naquela final de 1992.
Eu tenho um amigo benfiquista que conta-me sempre uma história muito engraçada a propósito do antigo Estádio da Luz. Já não me recordo o ano, mas há uma apresentação à imprensa, aquele jogo de início da época, em que são esperadas também as novas contratações e havia o rumor de que o Litmanen vinha para o Benfica, lembras-te desses anos? E ele estava convencidíssimo que o Litmanen ia ser apresentado no Estádio da Luz, ele no terceiro anel.
E veio o Pringles, não?
Não, os anjos foram cantar. Eu adoro quando ele conta essa história, porque é incrível. À espera do Litmanen e são os anjos que fazem a apresentação.
Pois não se pode ter tudo.
Muito bem, bela viagem também a esse antigo Estádio da Luz, esse monumento para 120 mil pessoas que já não existe, mas cinco desses momentos históricos aqui recordados hoje no Euromilhões com o Bruno Vieira Amaral. Rádio Observador, Odivelas