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Edição desta sexta-feira do Euromilhões com o Diogo Varela. Diogo, bem-vindo, boa tarde.

Ora viva, Nelson, Bruno.

Vamos ao tema do dia que escolheste, um pouco incontornável: Luis Rubiales, de campeão do mundo a um inquérito disciplinar instaurado pela FIFA, e não só.

É precisamente isso, Nelson. É o tema incontornável do dia. Luis Rubiales, o presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, está envolto em polêmica. Tem sido destaque na imprensa desportiva de inúmeros países e já fomos desde as mais altas instâncias do futebol mundial, até mesmo ao próprio governo espanhol. Todos condenam a ação de Luis Rubiales, que beijou a jogadora de futebol espanhola, da seleção espanhola, Jenni Hermoso. Hoje, durante a Assembleia Geral da Real Federação Espanhola de Futebol, convocada com caráter de urgência, Luis Rubiales foi perentório na decisão que tomou.

Para que pidan mi dimisión, pues les voy a decir algo: no voy a dimitir. No voy a dimitir. No voy a dimitir.

Temos tido a oportunidade de falar sobre este tema nos espaços informativos da nossa Rádio Observador. Aquilo que vos trago aqui, Nelson, Bruno, e também para quem nos ouve, são outros casos semelhantes a este de Luis Rubiales. E não precisamos de sair de Espanha. No último domingo, depois do jogo da segunda divisão espanhola, entre o Sporting Gijón e o Mirandês, Miguel Ángel Ramírez, o treinador do Gijón, acabou por dizer na conferência de imprensa que o gol é como as mulheres numa discoteca: quanto mais nos aproximamos delas, mais elas se afastam e quando as ignoramos, elas aparecem e falam conosco. Isto causou desde logo polêmica, estas palavras de Miguel Ángel Ramírez, treinador do Sporting Gijón. Mas vamos até ao Campeonato do Mundo de Futebol Feminino, onde tudo isto aconteceu. Escreve o The Guardian, publicou mesmo um artigo, que uma jogadora da seleção da Zâmbia revelou que o selecionador Bruce Mwape, se quisesse dormir com alguma atleta, essa pessoa tinha de dar o seu consentimento, algo que também instalou a polêmica na seleção da Zâmbia. E recuando ainda mais, até 2018, logo na primeira edição da Bola de Ouro Feminina, em que a vencedora foi a norueguesa Ada Hegerberg, quando subiu ao palco para receber o troféu, o animador da gala, entre as muitas perguntas para se fazer naquela ocasião, lembrou-se de lhe perguntar se sabia fazer twerk, algo que deixou Hegerberg desconfortável e também grande parte da plateia presente incrédula. É caso para dizer, Nelson, que podemos fazer aqui uma adaptação do filme de Victor Fleming: "E tudo o beijo apagou", porque falamos das campeãs mundiais pela primeira vez, um dos maiores feitos da história do futebol espanhol, mas o foco está em Rubiales.

E a atitude dele hoje vai continuar a fazer escrever muita tinta também nos jornais, até porque o governo espanhol já confirma, Bruno, vai entrar com processo legal e destituí-lo da presidência. Se não saia bem, saia mal também.

Isto é exemplo de alguns treinadores que não querem sair do campo. Rubiales não quer sair do lugar que ocupa. Toda esta situação é lamentável, teria sido evitada se ele tivesse tido um comportamento com mínimos de decência, não só no beijo que deu à jogadora, como aqueles gestos quando estava na tribuna, e que também veio justificar. Eu creio que não tem grande explicação, a não ser que é uma pessoa que claramente não tem as condições psicológicas para ocupar este cargo, com a responsabilidade, com a visibilidade que o cargo de presidente da Federação Espanhola de Futebol tem. Já tinha dito aqui à tarde no "Campeão É": percebo que perante esta avalanche de pedidos de demissão, quase a exigir que Rubiales se demitisse, ele tivesse entrado em modo de autodefesa e recusasse demitir-se. Porque também temos de ver as coisas deste ponto de vista. Se ele não considera que o que fez é grave o suficiente para se demitir, ele tem o direito de o pensar e terá de seguir outros trâmites esta demissão. Terá de alguém, seja na Federação Espanhola ou no governo, assumir essa responsabilidade, porque ele também tem o direito a defender-se. Não pode ser só pela pressão da opinião pública. Se ele próprio não tem essa consciência de que o que fez era suficientemente grave para pedir a demissão, então terá que seguir outros trâmites e isso obedece a normas legais, a procedimentos que são necessários serem implementados, que seja pela federação ou pelo governo.

E até para todos os efeitos, Bruno, nós ouvimos há pouco no RM, têm sido muitas as vozes de contestação, mas a Assembleia Geral, que estava presente, da Real Federação Espanhola de Futebol, aplaudiu quando Rubiales disse que não saía, que ficava.

Mas isto não pode ser uma decisão do público, de sim ou não, de uns estão a aplaudir, outros estão a apupar. Tem de seguir as normas, tem de seguir as leis, e as coisas não podem ser decididas de ânimo leve.

Estou a dar conta aqui, em última hora também, de um comunicado que foi emitido pelas jogadoras da seleção espanhola, que dão conta de que não jogam enquanto Luis Rubiales se mantiver no cargo. Um total de 53 jogadoras assinaram este comunicado e há também essa declaração da própria Jenni Hermoso, desmentindo palavras do presidente da Federação Espanhola. E acho que aqui está a referir-se ao facto de ele ter usado a palavra consensual e outras dizendo que tal coisa ela não fez.

Não foi muito inteligente na gestão desta polêmica. A única coisa que ele deveria ter feito logo era pedir desculpas, justificar-se com o entusiasmo daquele momento e pedir desculpas à jogadora e a todas as pessoas que assistiram aquilo.

Temos que seguir. No futuro do Euromilhões, hoje falamos da Arábia Saudita. Diogo Varela, mais de 800 milhões de euros depois, só em contratações, haverá forma do futebol europeu parar a Arábia Saudita de comprar tudo e todos?

Dizes bem, só em contratações, porque fora prêmios de assinatura e entre outros prêmios que estejam envolvidos. Isto tudo começou, despoletou, agora com a venda da jovem promessa espanhola Gabri Veiga, 21 anos. Ele estava no Celta de Vigo, foi vendido ao Al-Ahli Jeddah por 40 milhões de euros, o valor da cláusula de rescisão, um pouco à semelhança do que aconteceu com o Otávio, no Futebol Clube do Porto. Na última época, Gabri Veiga faz 40 jogos e tem 11 gols com quatro assistências. É visto como um dos maiores futuros do futebol espanhol. Ora, o próprio Toni Kroos, alemão do Real Madrid, acabou por escrever nas redes sociais: "Vergonhoso!" Em relação a esta transferência, falamos de um jovem de 21 anos e como referia Nelson, a Arábia Saudita na época passada investiu apenas 43 milhões de euros em contratação de futebolistas, mas este verão já ultrapassou a barreira dos 800 milhões. São números estratosféricos e já vários treinadores dos principais clubes europeus demonstraram essa preocupação, entre os quais Jürgen Klopp, do Liverpool, que disse: "A FIFA e a UEFA têm de encontrar uma solução para tudo isto."

Bruno Vieira Amaral, 800 milhões de euros depois em contratações já te fazem ver o campeonato saudita?

Talvez, dar uma espreitadela. Têm bons jogadores, sem dúvida. Agora eu acho que sim, a FIFA e a UEFA têm de tomar medidas, porque se nós temos na Europa fair play financeiro.

Temos a questão das nacionalidades também.

Sim, muita preocupação com os investidores e a origem do dinheiro. Nem sempre este controle é muito rigoroso e há alguns clubes que beneficiam de um certo laxismo. Uns são mais perseguidos do que outros, mas se existem essas regras, então as regras, visto que é a FIFA que governa o futebol mundial, têm de ser aplicadas para todos. Porque nós sabemos perfeitamente que este valor de investimento da Liga da Arábia Saudita não corresponde, nem de perto nem de longe, ao retorno e às receitas que o campeonato gera. Portanto, estamos a falar de um Estado, que é a Arábia Saudita, que está a investir, nomeadamente através de quatro clubes, com dinheiro que não resulta do desporto, que não resulta da venda de direitos, não resulta das receitas geradas pelo futebol, tem a ver com uma política de promoção do próprio Estado, da própria Arábia Saudita. E isto, claro, introduz aqui um elemento forte de desigualdade. A FIFA e a UEFA, não tem nada a ver com questões morais, mas a FIFA e a UEFA têm de tomar algum tipo de medidas, porque introduz-se, sim, um elemento de desigualdade. No início eram só os jogadores mais velhinhos que iam lá para a reforma, agora já vão os mais novos.

É verdade. De resto, estava aqui também a confirmar que o Al-Nassr de Cristiano Ronaldo entra hoje em campo e já no 11 com o Otávio e com o Laporte, as últimas contratações.

Vou ver.

É para ver então. Memória do dia trazida pelo Diogo Varela. Há 97 anos nascia o atual campeão italiano, o Nápoles.

E que teve mão de Inglaterra, embora falemos aqui de um clube italiano. Isto porque na altura, no início do século XX, os ingleses, na sua maioria marinheiros, começaram a jogar o futebol na cidade. Despertou o interesse dos habitantes locais. Ora, um desses ingleses, William Pott, em 1904, juntamente com outros ingleses e também alguns italianos, fundou um clube onde se praticasse apenas futebol, o Naples Football Club. Ora, nos anos 20, por problemas financeiros, este clube fundiu-se com outro emblema napolitano e deu-se o Internaples. Os jogadores do Internaples quiseram mudar definitivamente o nome ao clube, ficou Associatione Calcio Napoli. Estávamos a 25 de agosto de 1926, os tais 97 anos que nasce assim a equipe napolitana, que usava na altura como símbolo da cidade e como emblema o cavalo. São conhecidos como os Azzurri, os azuis, em Itália, e em 1959 dá-se a inauguração e a mudança para o emblemático San Paolo, que hoje em dia é conhecido como o Estádio Diego Armando Maradona. Três anos depois, talvez tenha dado sorte, o Nápoles conquista o primeiro troféu nacional, a Taça de Itália. Em 86/87, aqui já com grande influência do homem que dá nome ao estádio, Diego Armando Maradona, são campeões, conquistam o primeiro Scudetto da história e são também, e aqui sim, por falar em história, entrando na história italiana, o primeiro clube a sul de Roma a conquistar um campeonato italiano, o que fez de Maradona um ícone não só social, mas também cultural. Ganham a Taça UEFA, que é o único título europeu, em 88/89 e no ano a seguir conquistam o segundo Scudetto, o segundo título italiano. No mundial que se realizou em Itália de 90, não sei se Bruno e Nelson, vocês têm memória desse mundial, aconteceu algo que atingiu um nível impensável, uma polêmica. Maradona pediu aos napolitanos para apoiarem na meia-final a sua Argentina contra a Itália e, sem surpresa, Nápoles apoiou mesmo os argentinos, que venceram e festejaram noite adentro essa eliminação transalpina. De resto, Itália ficou incrédula, claro, e Maradona e também o Nápoles passaram a ser aqui vistos como figuras non gratas para toda a Itália. O clube que, de resto, teve dificuldades, em 2004 declarou falência, teve de recomeçar desde a terceira divisão, já com o atual presidente, o Aurelio De Laurentiis, e conseguiu ser campeão nacional italiano outra vez.

Eu lembro-me no estádio, em 1990, o público se ter dividido e ter assobiado, uma parte do estádio assobiou a seleção da Argentina, e o Maradona estava muito revoltado com essa situação também, porque esperava um apoio incondicional dos adeptos, dos tifosis italianos.

Fomos conhecer a história do Nápoles, que está hoje de parabéns. Nasceu há 97 anos. Edição de hoje do Euromilhões com o Diogo Varela. Diogo, um abraço. Bom fim de semana.

Obrigado, Nelson. Rádio Observador.