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Euro Milhões desta sexta-feira com Bruno Vieira Amaral. Bruno, o tema do dia no presente são os reforços do Futebol Clube do Porto. Parece que estão complicados. Vêm, já estão no Porto, chegam, não chegam. Agora complicações com o pagamento de Alan Varela, exigências do Boca. Como é que estão estes dois reforços que parecem ser os dois principais para a equipe de Sérgio Conceição?
Sim, porque já há um reforço que já está integrado, já está a jogar, Fran Navarro, o primeiro reforço da época do Porto. Mas a questão, as dúvidas, têm a ver com estes dois reforços pro meio-campo, para uma posição, no caso da Alan Varela, de uma posição em que o Porto está deficitário com a saída de Uribe e há notícias que dão conta do desagrado de Sérgio Conceição com o impasse ou a demora nas contratações para esta época, porque vem aí o primeiro jogo oficial e se bem que os jogadores, se estiverem em forma, possam logo entrar nas escolhas de Sérgio Conceição, é diferente se puder trabalhar com eles com alguma antecedência. Mas este desagrado de Sérgio Conceição também tem sido um clássico do início de época. No entanto, as negociações, quer no caso de Alan Varela, quer no caso de Nico González, parecem bem encaminhadas, apesar de se estarem a arrastar um pouco mais do que seria desejável do ponto de vista do treinador do Porto, o que aliás, não é muito comum no clube. Durante muitos anos o Porto conduziu as negociações de forma discreta e ao contrário do que acontecia noutras paragens, nomeadamente no Benfica, e quando se ouvia falar de um nome, já o jogador estava contratado, era logo anunciado. E este não é, de facto, o modus operandi habitual de Pinto da Costa e da SAD, o que também estará relacionado com as dificuldades financeiras do clube. É isso que parece estar a acontecer com Alan Varela. Diz-se que são as exigências do Boca Juniors que estão a atrasar a conclusão do negócio. O clube argentino insiste em que o Porto pague 3 milhões de início, ou seja, na primeira parcela da transferência, o Porto quer adiar esse pagamento para setembro. Nesta altura, já quase ninguém se lembra das declarações do administrador da SAD, Fernando Gomes, de que seria necessário vender um jogador até o final do mês de junho por causa das contas. Junho acabou, não houve vendas. Agora a urgência já não será a mesma, porque já estamos a falar de outro período para as contas do clube, mas a questão mantém-se e será isso que está a preocupar Sérgio Conceição, que é a possibilidade de perder jogadores. Ou seja, mesmo que estes dois jogadores sejam contratados, depois há a possibilidade ainda de haver saídas, porque o Porto vai precisar de vender. Se não vender agora, terá de vender depois, já com a época em andamento. E como eu dizia de início, se estes dois reforços chegarem, juntam-se a Fran Navarro, que foi então uma dessas contratações ao Porto de antigamente, feito de uma forma muito rápida e sem dar hipótese à concorrência. Se estes dois reforços se juntarem então a Fran Navarro, creio que Sérgio Conceição ficaria satisfeito dentro dos parâmetros de Sérgio Conceição, que nunca está muito satisfeito nestas coisas das contratações, mas continua em aberto essa possibilidade de saídas.
E depois pode não haver tempo.
Claro, esse é que é o problema, não é um problema exclusivo do Futebol Clube do Porto. Acho que outros clubes vão passar pelo mesmo. O Benfica e o Sporting, se houver saídas a partir de agora, já após o início da época oficial, vão ter depois muita dificuldade em colmatar essas saídas e muito provavelmente terão também de fazer um esforço financeiro maior, porque quanto mais tarde se compra, mais caros são os jogadores.
Vamos ao futuro. Como é que será o futuro da seleção de futebol feminino neste Campeonato do Mundo, depois da vitória sobre o Vietnã? Aproxima-se um jogo com os Estados Unidos. Não vai ser fácil.
Não vai ser fácil. Se nós olharmos para o passado, para o histórico de confrontos entre as duas seleções, eu diria que é quase impossível. Em 11 jogos, o melhor que a seleção portuguesa conseguiu frente aos Estados Unidos foi um empate, mas até agora, em 11 jogos, não conseguiu marcar um único gol. Mas isto é olhar para o passado e nós o que estamos a fazer aqui é olhar para o futuro e não há impossíveis para uma seleção que está a fazer história a cada jogo. Estreou-se em mundiais, já marcou os primeiros gols, conquistou a primeira vitória e também a vitória mais robusta de sempre em fases finais de grandes competições. Então por que não surpreender a seleção norte-americana? Como dizia José Torres antes do jogo contra a Alemanha, na fase de qualificação pra o Mundial de 86, um jogo que Portugal ganhou, nunca tinha vencido na Alemanha, com aquele célebre gol de Carlos Manuel: "Deixem-nos sonhar". E é isto que Francisco Neto e também as jogadoras deverão pedir: deixem-nos sonhar. E muitas vezes faz-se história quando menos se espera ou quando as adversidades são maiores. E não há adversidade maior do que enfrentar aquela que é a melhor seleção do mundo, número um do ranking e a seleção com o melhor palmarés da história. No futebol feminino, os Estados Unidos são o Brasil, com a diferença de que continuam a dominar o ranking e continuam a conquistar títulos. A seleção norte-americana já venceu quatro Campeonatos do Mundo, 91, 99, 2015 e 2019, ou seja, venceu os dois últimos Campeonatos do Mundo, tem quatro medalhas de ouro olímpicas em 96, 2004, 2008 e 2012, e em 2023 está à procura do tricampeonato, ou seja, três campeonatos consecutivos E do penta, aquele que seria o quinto campeonato da sua história. As grandes figuras da seleção norte-americana são as experientes Megan Rapinoe e Alex Morgan, mas também há destaque para Lindsey Horan, que marcou um golo contra o Vietname e outro contra os Países Baixos, no empate entre as duas seleções, e que é a única jogadora a atuar fora dos Estados Unidos, no Lyon, que é uma das potências do futebol feminino na Europa. Ora, Portugal também tem as suas estrelas caseiras, por assim dizer. Telma Encarnação e Kika Nazaré, que marcaram os gols na vitória contra o Vietname, e Jéssica Silva, que também conta com experiência ao mais alto nível no futebol europeu, no Lyon, agora está no Benfica. E para finalizar, falamos de futuro, deixamos a mensagem de esperança e otimismo de Ana Seiça, defesa do Benfica, que está a representar a seleção nacional. Diz a jogadora que não há impossíveis no futebol. São 90 minutos, tudo pode acontecer e muitas vezes a nossa força e crer podem fazer a diferença. Os underdogs podem surpreender e é isso que nós esperamos para terça-feira num jogo que se exige, aquele que será muito provavelmente o jogo mais importante da história da seleção portuguesa de futebol feminino.
Vamos então ao passado. No Euromilhões, hoje falamos de Fernando Martins, foi presidente do Benfica.
Sim, um histórico presidente do Benfica, morreu há precisamente 10 anos, com 96 anos. Liderou os destinos do Benfica entre 1981 e 1987. Foi o 27º presidente da história do Sport Lisboa e Benfica e ficou para a história como o presidente que concluiu o terceiro anel do antigo Estádio da Luz. E para concluir a obra, usou o dinheiro de transferência de Fernando Chalana para o Bordéus.
Lembro dessa história.
Em 1984, e caso para dizer que se foi o dedo, mas ficou o anel, mais precisamente o terceiro. O Chalana ainda voltou ao Benfica, já longe dos seus tempos áureos. Na altura, o valor da transferência foi 300 mil contos, o que seria cerca de 1.5 milhão de euros. Agora, ajustado para a inflação, seria mais, obviamente, mas foi uma das maiores vendas e transferências do futebol português e serviu para o betão. Mas a presidência de Fernando Martins não ficou apenas marcada pelo betão, pela conclusão do terceiro anel do Estádio da Luz. Talvez a decisão mais importante da sua presidência tenha sido a contratação do treinador sueco Sven-Göran Eriksson para a época 82/83. Foi um sucesso que ajudou a transformar o futebol português e também marcou a consolidação do duopólio Porto-Benfica no futebol nacional. Durante a presidência de Fernando Martins, entre 29 de maio de 81 e 27 de março de 87, o Benfica ganhou três campeonatos, quatro Taças de Portugal e uma Supertaça, e chegou à final da Taça UEFA nessa primeira época de Sven-Göran Eriksson, em 82/83. Infelizmente, perdeu a final para o clube belga Anderlecht, com a segunda mão a ser disputada no Estádio da Luz. Ainda não tinha sido concluído o terceiro anel e talvez por isso o Benfica não tenha vencido essa final da Taça UEFA.
Fica por aqui o Euromilhões. Falamos de desporto sempre na tarde em direto antes do jornal das 19h. A edição de hoje foi com o Bruno Vieira Amaral.