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E cá está Mariana Fernandes, a tômbola do nosso talento para mais Euromilhões. Hoje saí-me bem?
Hoje foi bonito.
Obrigado. Vamos ao tema, vamos também ao futuro e ao passado e começamos sempre com o tema do dia. Tu trazes-nos hoje, Mariana, a discussão entre atletismo e basquetebol que está a acontecer nos Estados Unidos. Eu creio que vi aqui um vídeo em que eu vi um atleta qualquer dos Estados Unidos a dizer que-
Um qualquer?
Eu não conheço. Não pode excesso. Mas captei as palavras.
É para pessoas como tu que nós estamos cá.
Exato. É por isso que eu acompanho todos os dias, mesmo quando cá não estou, o Euromilhões, Mariana. Mas a verdade é que a frase que eu ouvi foi: as pessoas do basquete acham que ganham NBA e ganharam o Campeonato do Mundo. E na verdade, é só uma coisa nos Estados Unidos.
Sim, está a ser o grande tema do dia, e já dos dias, porque a verdade é que essas declarações já foram ontem, a nível desportivo e prende-se com os comentários, não é de um atleta qualquer, é do Noah Lyles, que é um dos principais nomes do atletismo nos Estados Unidos, medalha de bronze nos 200 metros em Tóquio, seis vezes medalhas de ouro em mundiais, três delas conquistadas nos mundiais que acabaram-
Não percebi o que ele fez para ser conhecido.
Em Budapeste, portanto, está em altas, digamos assim. E só para explicar o que o Noah Lyles acabou de fazer nos mundiais de Budapeste, o último e o único a ter conseguido três medalhas de ouro em mundiais, 100 metros, 200 metros e estafeta, tinha sido o Usain Bolt. Portanto, não é coisa pouca. E nesta conferência de imprensa, o Noah Lyles decidiu lembrar que os campeões da NBA, como tu dizias, são sempre interpretados como campeões do mundo, quando, na verdade, a competição só inclui equipas dos Estados Unidos e do Canadá. Portanto, disse que é impossível ser campeão do mundo quando só se compete internamente e que nos mundiais de atletismo estão lá quase todos os países do mundo com as respetivas bandeiras e que na NBA não há bandeiras porque estão todos ou nos Estados Unidos ou no Canadá. Os jogadores da NBA reagiram mal. Vários nomes, incluindo Kevin Durant, já vieram mostrar perplexidade com as declarações de Noah Lyles, defendendo que a NBA é a maior competição do mundo de basquetebol, logo, os campeões são campeões do mundo. Eu estou a achar muita graça a isto, porque eles não conseguem mesmo perceber a lógica quase geográfica do Noah Lyles. Eles estão mesmo a levar a mal estas declarações quase como antipatrióticas. E ele também antecipou um bocadinho isso e disse logo: "Não me entendam mal, eu adoro os Estados Unidos, mas nós não somos o mundo inteiro". Ele tentou logo também antecipar um bocadinho aquilo que acabou mesmo por acontecer. Certo é que aquilo que o Noah Lyles também quis fazer foi lembrar que os melhores jogadores da NBA deixaram de ir à seleção norte-americana. Portanto, longe vão os tempos do dream team de 92, de Michael Jordan, do Magic Johnson, do Scottie Pippen. E isso justifica-se com o facto de não quererem lesionar-se ou correr o risco de se lesionar no verão, pôr em risco toda a temporada da NBA, sendo que as equipas da NBA hoje em dia também não acham grande piada a deixar que os jogadores falhem semanas de pré-época para estar em campeonatos do mundo ou em Jogos Olímpicos. Ora, o Campeonato do Mundo de Basquetebol começou na sexta-feira e os Estados Unidos têm apenas quatro jogadores All-Star, sendo que nenhum dos convocados alguma vez jogou pela equipa principal norte-americana e que o mais velho tem 28 anos, o que demonstra a falta de experiência e também a falta de investimento na competição.
E Bruno Vieira Amaral, eu queria ver uma equipa da NBA jogar na Sérvia com aqueles pavilhões cheios. Será que se aguentava?
Eu acho que sim. Uma coisa que é preciso dizer, obviamente-
É o melhor basquetebol do mundo.
E provavelmente, a equipa campeã da NBA ganharia um campeonato do mundo entre clubes.
Faça-se o mundial de clubes, exato.
Pronto. Agora, da mesma forma que o vencedor de uma prova de uma determinada distância nos campeonatos nacionais norte-americanos de atletismo não é campeão do mundo, o campeão da NBA também não devia ser campeão do mundo. E eu depois li alguns argumentos das tais pessoas que não percebem o quê.
Não conseguem perceber o extraordinário.
Dizem: "Mas na NBA estão jogadores de outros países e são os melhores jogadores". Tudo bem, mas mesmo assim não são campeões do mundo, porque podemos dizer que a Premier League é o melhor campeonato do mundo, de futebol, mas o City não é campeão do mundo. Pode ser, pode vir a conquistar esse título, mas não é. Podemos dizer que a Liga dos Campeões é a competição mais importante e a melhor competição entre clubes do mundo, internacional, mas o campeão, o vencedor da Liga dos Campeões, não é o campeão do mundo.
E tem de jogar, inclusive, a final do mundial de clubes.
Exatamente. Para isso há um campeonato do mundo de clubes. É só isso que o Noah Lyles estava a dizer, para também realçar, destacar o dele e de outros atletas, que esses, sim, são campeões do mundo, porque competem com outros de outros países, não competem só entre si. E quando competem entre si, não ganham o título de campeões do mundo, mesmo que, como acontece em algumas disciplinas, algumas distâncias, os atletas norte-americanos provavelmente conseguiriam. São os melhores do mundo e num campeonato do mundo, se fosse permitido até, por exemplo, em algumas distâncias, como os 100 metros, em algumas circunstâncias, até conseguiriam ter todos os finalistas do mesmo país. Mas ele está a falar de uma coisa diferente. E não sei se por terem ficado magoados com essa referência ou por não conseguirem mesmo compreender aquilo que ele está a dizer, tiveram este tipo de reações.
É o que faz-lhes falta, ter uma organização, uma Liga dos Campeões e depois fazer o Mundial de Clubes para perceber mais ou menos como é que funciona a estrutura da coisa. Vamos ao futuro e falar do muito que está para fechar no mercado para os três grandes e até dia 31 é sempre a fervilhar.
Sim, e este é um mercado, pelo menos no caso do Futebol Clube do Porto, do Sporting e do Benfica, que já não se via há algum tempo. Ou seja, há algumas janelas de mercado que não estávamos tão perto ou na última semana do fim do mercado e ainda podia acontecer tanta coisa. Ainda podia sair tanta gente e entrar tanta gente nos três grandes. E se formos caso a caso, Futebol Clube do Porto, Taremi ainda pode sair para o Milan. O Porto pede 25 milhões de euros, os italianos não querem chegar a esse valor, mas há aqui um problema para o Porto, que é o facto de Taremi à partida querer ir, querer sair e querer jogar no Milan. Evan Ndicka deve chegar, o negócio é complicado porque o Famalicão quer 10 milhões de euros por 90% do passe, mas só tem 75, os outros 25 pertencem ao Málaga. O Porto está a tentar baixar este valor para cerca de sete milhões e o empréstimo de Gonçalo Borges. O Jorge Sánchez já está no Porto, vai ser reforço para a direita da defesa, empréstimo do Ajax até ao final da temporada, com opção de compra de quatro milhões. E Francisco Conceição ainda é hipótese também por empréstimo do Ajax até ao final da temporada, isto um ano depois de ter saído para o clube dos Países Baixos por cinco milhões. No Benfica, Vlachodimos pode sair, o Nottingham Forest à partida já apresentou mesmo uma proposta de nove milhões de euros pelo guarda-redes. À partida, e segundo o que também dizem as notícias de hoje, o Benfica está a olhar para Rui Silva, o guarda-redes português do Betis, como uma possível solução para competir pela titularidade com Trubin e na verdade também com o Samuel Soares, que tem sido o guarda-redes utilizado nos últimos dois jogos. Não é certo também que David Neres permaneça. O Zenit ainda insiste pelo jogador e o avançado brasileiro também não está contente com o facto de não ser titular na equipa de Roger Schmidt. Um lateral-direito para competir com Alexander Bah também dá uma possibilidade na sequência da saída de Gilberto. O último nome falado é Oliver Wirtz, jogador dinamarquês de 21 anos que está no Nordsjaelland. No Sporting, a continuidade de Marcus Edwards também não é absolutamente garantida e o jogador foi o suplente não utilizado contra o Famalicão no domingo. Ou seja, não foi titular e também não entrou nem na segunda parte, não foi lançado por Rúben Amorim. Ivan Fresneda está fechado e só falta ser oficializado. É a solução para o corredor direito e é o primeiro substituto claro para Pedro Porro, que saiu em janeiro. E existe a possibilidade ainda de chegar mais alguém para o ataque. Rúben Amorim gosta muito de Samuel Lino. Samuel Lino é muito complicado chegar ao Sporting e à partida falem-se em Mikkel Damsgaard, internacional dinamarquês que está no Brentford e que poderá chegar também por empréstimo até o final da temporada.
Já nem dois dias, quase. Portanto, para arrumar a questão vai ser complicado, falta muita coisa. E do lado do Benfica, vou perguntar especificamente sobre o Benfica, vês com bons olhos a saída de Vlachodimos? Bah não, Neres parece estar chateado com a situação de arma mágica que salta do banco.
Eu acho que em relação ao Benfica, se criaram aqui umas polémicas e umas dificuldades que não fazem muito sentido. David Neres é um bom jogador. Muitas vezes já foi criticado pelas exibições nas ocasiões em que foi titular, pelos adeptos do Benfica, e é mais um jogador do plantel, é um jogador com qualidade e que, quanto a mim, não há problema nenhum em ele ser suplente, em não entrar de início nos jogos e os jogadores não são contratados para serem titulares ou suplentes, são contratados para fazerem parte de um plantel. Portanto, aí não haveria polêmica nenhuma a essa possibilidade de sair, mas eu não acredito que o Benfica deixe sair um jogador que é importante.
Eu falo é do eventual descontentamento do jogador com a posição.
Pois, quer dizer, eu acho que quando o mercado de transferências fechar, o descontentamento desaparece, porque aí já há certeza. Pode haver agora aqui uma tentativa de forçar o clube a deixá-lo sair, mas eu nem sei se isso seria do interesse desportivo do próprio Neres. Acho que é um jogador com potencial, que tem espaço e que, mesmo não sendo um titular neste momento, pode vir a sê-lo no futuro. Acho que o Benfica tem um problema para resolver na direita, precisa de alguém para competir com Alexander Bah e agora tem um novo problema na baliza, porque a ideia inicial era arranjar um concorrente para o Vlachodimos. Arranjou-se esse concorrente e de repente parece que é o Vlachodimos que vai sair e o Benfica volta à estaca zero. E se o Vlachodimos sair, o Benfica precisa de outro jogador. Samuel Soares, eu acho que esse é o grande erro de Roger Schmidt, não é neste momento jogador para ser titular na baliza do Benfica. Não tem ainda essa qualidade.
Sobretudo na posição que é aquela em que só pode ir um.
Não tem. E Roger Schmidt não deveria ter posto, não lhe quero chamar teimosia, mas essa luta com o Vlachodimos, essa afirmação com o Vlachodimos, não deveria ter aproveitado isso ou ter posto os interesses da equipa abaixo dessa luta, porque eu acho que o Benfica é que sai a perder.
Mariana Fernandes, para fechar e de uma forma muito rápida, o passado. Hoje temos o último título de Michael Schumacher, foi em 2004.
Sim, faz hoje 19 anos que Michael Schumacher conquistou o sétimo e último mundial de Fórmula 1 da carreira. Foi em 29 de agosto de 2004, no Grande Prêmio da Bélgica, numa altura que ainda faltavam quatro corridas para o final da temporada. Schumacher venceu 12 das primeiras 13 corridas desse mundial. Este foi o último ano de hegemonia, não só da Ferrari, como do próprio piloto alemão, que nos dois anos seguintes perdeu o título para a Renault e para Fernando Alonso e que acabou mesmo por, pelo menos, terminar a carreira, naquela altura achávamos nós, em 2006. Voltou em 2010, ainda fez dois anos com a Mercedes, sem o sucesso de antigamente, e acabou por ser substituído em 2013 por Lewis Hamilton. Curiosamente, o piloto britânico em 2020 igualou este recorde de Schumacher de sete títulos mundiais, ainda perseguindo um inédito oitavo, que provavelmente já não irá acontecer. Michael Schumacher foi campeão em 94 e 95 com a Benetton e depois em 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004 com a Ferrari. Portanto, o mesmo hegemonia de cinco títulos consecutivos, que só voltou a ter algo semelhante com o tetracampeonato de Sebastian Vettel com a Red Bull, o mesmo tetra de Lewis Hamilton na Mercedes, antecipando-se que Max Verstappen também esteja a caminho de um registo parecido na Red Bull.
Feito o Euromilhões desta terça-feira, Mariana Fernandes, jornalista de desporto do Observador, aqui com mais tema, futuro e passado. É sempre assim, vamos a todo o espectro do tempo. Um grande abraço, Mariana. Bom descanso.
Até amanhã.
Rádio Observador.