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Está no ar o Euro Milhões com a Mariana Fernandes. Olá, Mariana, bem-vinda à Rádio Observador.

Olá, boa tarde.

Está conosco também o Bruno Vieira Amaral. Trazes para tema do dia a seleção de futebol feminino de Espanha, que tem já as jogadoras convocadas, muitas delas que renunciaram à seleção.

Sim, foi a grande surpresa do dia, ainda que se tenha começado a perceber ao final da manhã que as coisas poderiam mesmo estar a virar para este lado mais inesperado. Montse Tomé, a nova selecionadora da equipe feminina de Espanha, que substituiu Jorge Vilda, o selecionador que foi campeão do mundo e que foi depois afastado na sequência do escândalo com o Luis Rubiales, anunciou hoje a sua primeira convocatória para os próximos dois jogos a contar para a Liga das Nações, contra a Suécia, na Suécia, e contra a Suíça em Córdoba, e chamou 15 campeãs mundiais e outras duas jogadoras que também tinham renunciado à seleção. Esta convocatória já devia ter acontecido na sexta-feira, dia em que estava originalmente marcada, mas acabou por ser atrasada e depois mesmo adiada, porque as 39 jogadoras que tinham renunciado, portanto, 21 de 23 campeãs mundiais, as 12 que já tinham renunciado há um ano com problemas com o treinador e outras seis que estavam na pré-lista do Campeonato do Mundo, emitiram um novo comunicado onde anunciavam as exigências que faziam e explicavam que as mudanças que têm sido feitas entre a mudança de selecionador, a mudança de Jorge Vilda para Montse Tomé, e a demissão do próprio Luis Rubiales ainda não eram suficientes. As conversações continuaram ao longo do fim de semana e esta segunda-feira, as duas partes terão pelo menos chegado a um princípio de acordo com a Federação Espanhola a emitir um comunicado à hora de almoço, onde se comprometia com essas mudanças estruturais e convidava as jogadoras a unirem-se ao organismo nesta nova fase do futebol feminino espanhol. E foi a partir daqui que, pouco depois, na tal conferência de imprensa da selecionadora, se confirmou este cenário, até aqui improvável. Montse Tomé convocou 15 campeãs mundiais, sendo que destas 15, só uma, Athenea del Castillo, jogadora do Real Madrid, não tinha renunciado, e ainda Mapi León e Patricia Guijarro, duas jogadoras do Barcelona que renunciaram a ir ao mundial devido aos desentendimentos com o Jorge Vilda há um ano, portanto, que não representam a seleção espanhola desde o Europeu do ano passado, há mais de um ano. Quem não foi chamada foi Jenni Hermoso, o outro lado da polêmica com o Luis Rubiales, com a selecionadora a garantir que esta foi a forma que encontraram para proteger a jogadora e que não se trata de mais nada do que isso, que foi para proteger Jenni Hermoso. Resta saber se esta convocatória foi unilateral, ou seja, se as jogadoras vão continuar a recusar-se a representar a seleção ou se vão comparecer, já que ainda não reagiram publicamente ao fato de estarem chamadas para a lista de Montse Tomé para estes jogos contra a Suécia e a Suíça. Portanto, por agora, o que sabemos é que a federação convocou jogadoras que à partida, e até agora, porque não há informação em contrário, renunciaram à seleção, e essas jogadoras ainda não disseram se mudaram de ideias, porque de fato chegaram a acordo com a federação, se aceitam esta convocatória, ou se temos aqui um problema ainda maior, porque temos jogadoras que estão a ser convocadas e que não pretendem comparecer e que assim correm processos disciplinares, multas e tudo o resto.

Não é só no futebol português que há polêmicas e esta tem durado já há algumas semanas. Bruno Vieira Amaral, saltando aqui à vista a não convocação de Jenni Hermoso, mas também a justificação dada. Colhe?

Sim, que foi para proteger. Sim, creio que nesse caso, sim, mas é estranho, como dizia a Mariana, não sabermos ainda se foi uma convocatória unilateral ou se as jogadoras foram informadas da intenção da selecionadora em convocá-las. A selecionadora diz que esteve em contato com as jogadoras. A maior parte das jogadoras diz que isso não aconteceu. E isso levanta um problema sério, porque sendo convocadas, se se recusarem, estas que foram convocadas a integrar os trabalhos da seleção, ficam sob alçada disciplinar, podem ser suspensas, podem perder a licença desportiva, ou seja, podem não poder jogar futebol entre dois a 10 anos ou dois a cinco anos. E isso, claro, é grave. Agora, parece-me estranho que tenha sido nomeada uma selecionadora que, em princípio, viria a apaziguar e seria do agrado das jogadoras e a primeira medida que toma, anunciando a convocatória, não seja com o acordo ou com o conhecimento das jogadoras, porque também a maior parte delas já veio dizer que só teve conhecimento da convocatória no momento em que esta foi feita para a imprensa.

Vamos ter que acompanhar as cenas dos próximos capítulos, perceber se elas vão jogar, se há aqui um acordo que foi alcançado e ainda não revelado.

O resumo disto é que é tudo estranhíssimo, é tudo muito estranho, é tudo muito esquisito, este comunicado pra lá, comunicado pra cá, a federação dizer que chegaram a uma espécie de acordo, mas a verdade é que elas, que têm sido tão rápidas a fazer comunicados com o tempo-

Ainda não confirmaram

Ainda não confirmaram absolutamente nada. Ao mesmo tempo que a selecionadora estava a falar, está uma jornalista da marca a dizer que tinha acabado de ter conhecimento de que uma das medidas que as jogadoras exigiam era o despedimento da própria selecionadora. Portanto, está tudo ardendo.

Sim, para além daquelas exigências, e essas aproximam-se um pouco quase da chantagem, e eu já tinha falado dessas exigências na semana passada, de reestruturação de vários departamentos dentro da Federação Espanhola. Ora a federação ou qualquer outra instituição não pode despedir pessoas a pedido, tem de haver justificações válidas para o afastamento das pessoas. Quer dizer, isso não é porque um grupo de jogadores, de jogadoras, seja de quem for, diz: "Nós não queremos aqui estas pessoas e isto tem que mudar."

Aliás, essa foi a justificação encontrada há um ano, quando as jogadoras pediram o despedimento de Jorge Vilda e Rubiales disse: "Não, não é pedido das jogadoras, eu acho que este deve ser o selecionador" e manteve-o e perdeu com isso, na altura, 12 jogadoras.

E nesse caso, o Jorge Vilda não convocou essas jogadoras para evitar precisamente essa situação delas, depois de ficarem sob alçada disciplinar.

Temos de avançar, vamos ao futuro. A final, Noemi Esgueva não vem para a Europa, parece que vai ficar pelos Boston Celtics, mas vai jogar?

Essa é a questão do milhão. Na semana passada falamos sobre as incertezas quanto ao futuro de Neemias Queta, hoje falamos das certezas quanto ao futuro de Neemias Queta.

Mas é surpreendente a notícia.

Eu acho que sim. Acaba aqui por sair um bocadinho como fora do baralho, digamos assim, não estávamos a contar. Portanto, é praticamente certo que Neemias Queta vai ficar nos Estados Unidos, vai ficar na NBA, vai assinar com os Boston Celtics, mantendo aquela lógica do contrato two-way, que já tinha com os Sacramento Kings. Portanto, tanto pode jogar na NBA com a equipa principal, como pode atuar agora pelos Maine Celtics na G League, aquela espécie de liga desenvolvimento em que ele já jogava com os Stockton Kings, que pertenciam aos Sacramento Kings.

Mas não pode jogar nos playoffs. Eu creio que essa é uma das regras.

Exatamente. É a cláusula que não pode ser ativada. Se, de facto, neste caso os Boston, mas já acontecia com os Sacramento, chegarem aos playoffs, ele não pode jogar e não poderá ser utilizado, só pode ser utilizado na fase regular. Os Boston surgem aqui na equação como carta fora do baralho, como dizias. Primeiro, porque os principais interessados em Neemias estavam na mesma conferência que os Sacramento Kings, portanto, estavam do lado a oeste dos Estados Unidos, os Portland Trail Blazers e os Phoenix Suns, parecia que Neemias ia ficar daquele lado, e de repente aparecem os Boston da Conferência Este, e é uma surpresa. E depois, por essa possibilidade que existia de o jogador português vir para a Europa, apareciam aqui o Partizan de Belgrado, também o Panathinaikos da Grécia à cabeça e poder conquistar ou lutar pela conquista da Euroliga e poder fazer uma boa carreira na Europa para tentar esse regresso à NBA. Mas se olharmos aqui para as coisas e principalmente para não só o momento da carreira do Neemias, em que ele claramente queria ficar na NBA, queria ficar nos Estados Unidos, não queria vir para a Europa, e olharmos também para o momento do plantel dos Celtics, acaba por fazer sentido. Boston tem quatro postos para além do Neemias, sendo que dois deles têm um largo historial de lesões, o outro tem 37 anos e o outro é titular. Portanto, eu olho aqui para este contexto e a verdade é que o "The Athletic" também olha e os sites especializados na NBA também olham desta forma. O Neemias tem aqui a possibilidade de ser opção quando as lesões e a fadiga de uma temporada com mais de 80 jogos começarem a abrir hipóteses, para além de continuar a poder mostrar-se na G League, onde na época passada foi o segundo mais votado para o prémio de MVP. Mas eu acho que no fundo, o mais importante é que ele conseguiu o que queria e parecia-me notório que era ficar na NBA.

E ainda bem para ele, a ver vamos se tem tempo de jogo nos Boston Celtics. Muitas alusões ao longo do fim de semana na qualidade das duas equipas. No Twitter alguns comentários dizendo que parece que estava no Alavés e assinou pelo Real Madrid quando ninguém esperava. Esse tipo de comentários. Bem, temos de avançar, estamos a ficar com pouco tempo e temos de ir ao passado. Vinte e sete anos de um 5 x 0 no Estádio da Luz, um Porto-Benfica em uma Supertaça de 1996, que faz hoje anos.

Faz hoje 27 anos que o futebol clube do Porto goleou o Benfica na Supertaça Cândido Oliveira. Foi a 18 de setembro de 1996, em pleno Estádio da Luz. Os dragões venceram por 5 x 0 para conquistar o troféu. O Porto tinha sido campeão nacional, terminou com mais 11 pontos do que o Benfica. Aliás, a época dos 25 gols de Domingos Paciência, da Bola de Prata de Domingos Paciência, e o Benfica tinha conquistado a Taça de Portugal, derrotando o Sporting na final do Jamor, e as duas equipes tinham novos treinadores para a nova temporada também. No Porto, António Oliveira tinha substituído Bobby Robson, que tinha saído para o Barcelona e no Benfica, Paulo Autuori foi o escolhido para suceder ao já interino Mário Bilson, que entretanto já tinha rendido a Artur Jorge. Artur abriu o marcador, Edmilson aumentou a vantagem ainda na primeira parte, Jorge Costa marcou no início da segunda, Arnold Wättel fez o 4 x 0 e Djordjević fechou as contas já perto do fim, num Porto que ainda tinha João Manuel Pinto e que já contava com Sérgio Conceição, Zaovic e Mário Jardel, que foi suplente utilizado neste jogo.

Mário Jardel faz anos hoje, não é?

Exatamente. Faz 50 anos de Mário Jardel. E no Benfica, o guarda-redes era Prudhomme e o 11 contava com Dimas, Hélder, Valdo, João Vieira Pinto e no banco estava o búlgaro Iliyan Iliev. Nessa temporada, 96/97, o Porto voltou a ser campeão nacional, no terceiro ano daquilo que viria a ser o penta. O Sporting ficou em segundo, o Benfica em terceiro, com a Taça de Portugal a cair para o Boavista, que derrotou os encarnados no Jamor com a ajuda de um gol de Nuno Gomes.

Estavas lá em 96?

Não estava, mas assisti a esse jogo de triste memória. O Porto, dias antes, uma semana antes, creio, tinha ido vencer a San Siro, com dois gols de Mário Jardel, na estreia pela equipa. O Benfica também tinha arrancado muito bem a época com Paulo Autuori. Havia grandes expectativas acerca daquilo que o treinador brasileiro poderia fazer, mas este resultado marca ali um ponto de viragem. O Benfica ainda teve bons resultados no campeonato, mas depois a época marca o início se calhar daquilo que ficou conhecido como o período do Vietname do Benfica.

Muito bem, está feito o Euromilhões esta tarde com edição da Mariana Fernandes. Obrigado por estas notícias. Até amanhã.

Até amanhã.

Rádio Observador. Peniche