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Está no ar o Euromilhões, edição desta sexta-feira com o Bruno Vieira Amaral. E Bruno, para tema do dia escolhes as contas do Benfica, declarações do presidente Rui Costa, onde apresenta lucros pela primeira vez. Bastante ativo nas últimas horas, Rui Costa, em entrevistas, primeiro à Benfica TV, nas últimas horas notícia também com uma entrevista à Liga Portuguesa, onde fala da Champions e da possibilidade do Benfica lá chegar a essa final. Mas são boas notícias do ponto de vista financeiro, estas apresentadas por Rui Costa?

Sim, em comparação com os dois últimos anos, são boas notícias. Não diria excelentes, mas boas. Depois de 35 milhões de prejuízo em 2021/2022 e 17,4 milhões no exercício anterior, a SAD do Benfica regressa agora aos lucros. Não é uma grande fartura, mas entre julho de 2022 e junho de 2023, deste ano, a SAD do Benfica teve um lucro de 4,2 milhões de euros. E se há sinais animadores, também há sinais preocupantes. E eu diria que os sinais preocupantes são estruturais, são o cotidiano dos clubes portugueses, que têm um modelo de negócio, chamemos-lhe assim, excessivamente dependente da Liga dos Campeões e das receitas da Liga dos Campeões e da venda dos jogadores. A grande questão que se põe é saber se pode ser de outra maneira ou se não há alternativa. Mas olhemos então para as contas com mais atenção, começando pelas receitas, sinais animadores, excluindo os valores das vendas dos jogadores, o Benfica atingiu um recorde de 195,8 milhões de euros, um aumento de 15,6% em relação ao exercício anterior. E aqui, nesta rubrica, inclui-se a bilhética, o merchandising e também os prêmios da UEFA, ou seja, da Liga dos Campeões. Com transações dos jogadores, as receitas disparam para os 284,7 milhões de euros. E de notar que, no campo da bilhética, o fato de na época passada se ter disputado a Eusébio Cup no Estádio da Luz, levou cerca de mais dois milhões de euro pros cofres do clube. Este ano, no meio de alguma polêmica, não houve a disputa do troféu em que o Benfica normalmente se apresenta aos sócios, e isso também se irá refletir nos resultados do próximo ano. Quanto aos gastos, totalizaram 245,8 milhões de euros, um aumento de 1,3% apenas, mas repare-se que sem a venda dos jogadores, isto significaria um prejuízo de 50 milhões. Eu sei que pode ser um pouco simplista fazer esse tipo de contas, visto que na coluna dos gastos inclui-se compras de passes dos jogadores, dos atletas, mas serve para dar uma ideia da importância de vender jogadores e de vender bem para os clubes portugueses. Os capitais próprios do Benfica são positivos, cerca de 103,2 milhões de euros, e isto dá alguma folga ao clube, ou pelo menos margem, para se endividar ou para se financiar, como preferirem. E se a dívida aos bancos nunca foi tão reduzida, cerca de três milhões de euros, os empréstimos obrigacionistas que o Benfica tem de pagar aos investidores atingem um valor que eu acho que é astronômico, são 164 milhões de euros. Então, o que é mais preocupante, sendo que o Benfica até conseguiu reestruturar o plantel e reduzir o número de jogadores sob contrato de 80 para 62, conseguiu poupar algum dinheiro neste item. O que de fato é preocupante é a sustentabilidade deste modelo, muito dependente, repito, do dinheiro da Liga dos Campeões e de uma boa campanha da Liga dos Campeões e das vendas dos jogadores. Pergunta-se qual o plano B para um ano em que o clube não vá à Champions ou vende jogadores, sendo que a necessidade de vender afeta sempre a capacidade de negociar, ou seja, se os clubes compradores sentirem que o Benfica ou outro clube qualquer está a precisar de vender, é claro, tem outra margem negocial que o Benfica perde, ou então, a não ser a venda dos jogadores, o financiamento ou o endividamento. Mas mais do que os lucros, o que deve agradar aos adeptos neste ano é o fato de isso ter acontecido numa época em que o Benfica foi campeão, mas é preciso atenção a este modelo, que equivale, na prática, a viver com a corda ao pescoço. Isto é válido para qualquer clube português, sabendo nós que na próxima temporada só um clube tem acesso direto à Champions, o campeão, e o outro tem de disputar as pré-eliminatórias.

A ver vamos o futuro das contas do Benfica, que têm sido apresentadas nos últimos dias por Rui Costa. No futuro deste Euromilhões, o Bruno Vieira Amaral coloca aqui o Campeonato do Mundo de Rugby, que começa amanhã com aquela que é a segunda presença da equipe portuguesa nesta fase final.

É, e é já amanhã que começa o Campeonato do Mundo de Rugby, em França, e logo com um confronto que até eu não sei se ligas muito, eu não ligo muito ao rugby.

Nem por isso. Mas tenho curiosidade em saber se esta equipe tem um nome, porque eram os Lobos, não é?

Eu acho que continua a ser os Lobos.

Eu sei que mudava a cada geração.

Não, acho que se mantém. Mas mesmo eu que não ligo muito ao rugby, vou querer ver este primeiro jogo, França contra Nova Zelândia, talvez a seleção mais famosa do mundo. Mas aquilo que quero mesmo ver neste mundial é mesmo a seleção portuguesa, os Lobos, naquela que, como dizias também no início, será a segunda participação da equipe nacional em 10 edições do Campeonato do Mundo. A primeira aconteceu já há 16 anos, curiosamente também em França, e em quatro jogos os Lobos tomaram quatro derrotas contra Nova Zelândia, Itália, Romênia e Escócia. O melhor resultado foi contra a Romênia, um jogo que os romenos venceram por 14 a 10. Para a história, ficou a forma emocionada e efusiva com que os jogadores da seleção cantaram o hino nacional, mas não houve nenhuma vitória, pelo que a seleção chega a este mundial à procura desse primeiro triunfo histórico. A tarefa é que não se figura nada fácil, tendo em conta a qualidade dos adversários, País de Gales, Geórgia, Austrália e Fiji, tudo seleções que estão à frente de Portugal no ranking mundial. Portugal ocupa atualmente o 16° lugar. A seleção é orientada por um francês, temos aí uma vantagem, vai jogar em casa, por assim dizer, Patrice Lagisquet, e tem entre as suas figuras vários lusodescendentes nascidos em França, que é uma das potências da modalidade, e que trouxeram experiência e qualidade a um grupo que tem esse problema, tem pouco por onde recrutar. Já não restam participantes dessa primeira aventura portuguesa, mas há um descendente direto, é só descendentes. É Jerónimo Portela, que é filho de Miguel Portela, que fazia parte daquela seleção que fez a estreia de Portugal em mundiais de rugby. Mas ainda vamos ter de esperar mais de uma semana pela estreia de Portugal neste mundial. Só acontecerá no dia 16, deste sábado a oito, às 16h45, e é contra o País de Gales. Nas casas de apostas, e isto falando sobre o campeonato do mundo no geral, a África do Sul, atual campeã do mundo, é favorita à reconquista do título, logo seguida da anfitriã, França, e também da Nova Zelândia. Eu estive a ler as previsões dos jornalistas do "Guardian" e também eles não se afastam das previsões das casas de apostas, atribuem o favoritismo à seleção da África do Sul, seguida da Nova Zelândia e França. França tem esta curiosidade, já perdeu três finais, procura aqui o seu primeiro título mundial e procura também tornar-se a segunda seleção do Hemisfério Norte a erguer esta taça, que tem o nome de Webb Ellis, o nome do inventor da modalidade, isto depois de Inglaterra se ter sagrado campeã do mundo em 2003. De resto, tem sido Austrália, Nova Zelândia e África do Sul.

E no passado, há 20 anos, Andy Roddick conquistava aquele que foi o seu único título do Grande Slam, foi o último norte-americano a vencer em casa.

E este é um dado muito importante da perspectiva dos norte-americanos, porque Andy Roddick não foi só o último norte-americano a ganhar o Open dos Estados Unidos em 2003, como também foi o último a chegar a uma final, isto em 2006, quando perdeu para aquele que se pode considerar a sua nemésis, Roger Federer. Ou seja, nas últimas 16 edições, nenhum norte-americano chegou à final do Open dos Estados Unidos. Antes disso, e isto já na era Open desde 1968, o que era raro era encontrar um ano em que não houvesse um norte-americano na final, sendo que nos anos 90 até houve várias finais entre compatriotas, Pete Sampras contra Andre Agassi em 95, Pete Sampras contra Michael Chang em 96 e Andre Agassi contra Todd Martin em 99. A última vez em que dois norte-americanos se encontraram na final foi em 2002 e opôs Sampras a Agassi, com vitória de Sampras. No ano seguinte, 2003, foi a vez de Andy Roddick, que era quarto cabeça de série, a conquistar o título numa final contra um espanhol, Juan Carlos Ferrero, isto foi em três sets. Ferrero era o terceiro cabeça de série e atualmente também está lá no Open dos Estados Unidos, mas enquanto treinador de Carlos Alcaraz. Este também foi o único torneio do Grande Slam que Roddick ganhou, apesar de ter chegado a mais uma final em Flushing Meadows, no Open dos Estados Unidos, e a três finais em Wimbledon. Perdeu todas essas finais para Roger Federer, portanto, deve ter um bocadinho de azia quando se encontra ou quando pensa no tenista suíço. Este ano ainda pode haver um vencedor norte-americano, é o jovem Ben Shelton, mas para chegar à final terá de ultrapassar nas meias-finais um muro sérvio chamado Novak Djokovic.

E na outra semifinal, Alcaraz, Medvedev.

Contra o Medvedev. Eu acho que há um ligeiro-

E hoje o Zverev.

O Zverev em três sets. Zverev estava também um pouco cansado, teve uns oitavos de final mais exigentes do ponto de vista físico. Ele que o ano passado também sofreu uma lesão grave, mas mesmo assim uma vitória de Alcaraz em três sets é um sinal para Medvedev. Eu espero um jogo-

6-3, 6-2, 6-4.

É, eu espero um jogo equilibrado, mas o favoritismo acho que vai para Carlos Alcaraz.

Vamos estar atentos também ao US Open. Foi um dos destaques do Euromilhões hoje trazido aqui à Rádio Observador pelo Bruno Vieira Amaral. Rádio Observador