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Rádio Observador.
Aconteça o que acontecer.
Está com a tarde em direto, também perto das 19h temos Euromilhões. E hoje para nos fazer passar pelo tema do presente, para nos levar também ao futuro e ainda regressar ao passado, está conosco o jornalista Diogo Varela. Diogo, bem-vindo. Vamos começar aqui com o tema do dia, que é obviamente o sorteio da Liga dos Campeões, que foi o último nestes moldes. O habitual certame que deixa os adeptos do mundo do futebol em suspense, chegou ao fim. Neste momento, estamos a caminho de uma liga, é isso?
Estamos a caminho dessa liga, Vicente. Olá também, Bruno Vieira Amaral. De facto, aquelas bolinhas dos potes que ouvimos ainda há instantes com o sorteio da Liga dos Campeões chegou ao fim. Isto porque o comitê executivo da UEFA aprovou em reunião no ano passado, para quem se recorda, o novo formato para as competições europeias e que vai ser implementado já na época 24/25, ou seja, a próxima época. Desde já, uma mudança para 36 clubes, ou seja, deixamos de ter aquela fase de grupos tradicional para passarmos a ter uma única fase de liga, que vai incluir todos estes 36 participantes. Cada clube vai realizar um mínimo de oito jogos nesta liga, joga contra oito adversários diferentes, sendo que faz quatro jogos em casa e também quatro jogos fora, em vez dos habituais seis jogos contra três equipas que estamos habituados nesta ronda da fase de grupos. A Liga dos Campeões foi introduzida em 1992, sucedeu à antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus, e entre teorias da conspiração, com aquelas bolas quentes, as bolas frias, uma das maiores polémicas, Vicente, aconteceu o ano passado. Now, the second runner-up is Villarreal. For Villarreal.
Manchester United.
No, this is not possible because Manchester United was in the group, so we need to draw another one. Ouvimos aqui Marchetti. Um dos erros que surge no comitê da UEFA, o Villarreal acaba por aparecer indevidamente no caminho do Manchester United, no sorteio para os oitavos de final. Só que os dois clubes tinham sido precisamente adversários na fase de grupos, logo na fase anterior. O convidado da UEFA, o Andrei Arshavin, antigo futebolista russo que estava a tirar as bolas, também acabou por tirar as bolas do Atlético de Madrid e do Manchester United do mesmo pote, o que não poderia acontecer, uma vez que os colchoneros ficaram em segundo lugar no grupo e os Red Devils, a equipa inglesa, tinha vencido o grupo F. Vicente e Bruno, vão ter saudades deste sorteio?
Eu vou ter saudades desta fase de grupos, que é sempre emocionante, ainda que haja curiosidade para ver como é que vai funcionar este sistema de liga, se vamos ter mais surpresas ou se o sistema de liga acabará por beneficiar ainda mais os grandes clubes. A verdade é que nós olhamos para os grupos da Liga dos Campeões, e não é só este ano, e somos capazes de dizer, quase em todos os grupos, quais são os clubes que vão passar. À partida, há sempre uma ou outra surpresa, mas há sempre dois clubes que nós temos quase a certeza que vão passar em cada grupo. E isso não é benéfico para a competição, não é benéfico para a Liga dos Campeões, para o interesse que desperta, porque para a maioria dos tubarões, isto é quase como um passeio, a fase de grupos. E trazer esse elemento de incerteza, obrigando os clubes também a defrontar sete adversários, acaba por introduzir esse elemento de incerteza. Vamos ver como é que corre depois na prática. A verdade é que tivemos também ao longo de muitos anos o mesmo sistema. Nos primeiros anos houve várias mudanças, umas afinações do modelo da Liga dos Campeões, e parece que tinha estabilizado. Acontece que com o perigo, a ameaça da Superliga, a UEFA teve de se mexer. Os clubes querem mais jogos entre os maiores clubes e nós sabemos que no atual modelo, que vai acabar este ano, muitas vezes grandes jogos ou jogos entre tubarões, a sério, jogos a doer, aconteciam lá mais a partir dos quartos de final. A ideia da UEFA é fazer-
Antes, parece que confrontos.
Exatamente.
Ou seja, aquela expressão do melhor fica para o fim, agora pode ser logo ao início.
Exatamente, porque é isso que os clubes querem, os grandes clubes querem mais confrontos entre eles, que geram mais receitas, logo numa fase inicial. Essa é a ideia também da Superliga. Ninguém sabe como é que vai resultar na prática, se os clubes menos fortes, os clubes das ligas periféricas, vão ter as mesmas oportunidades que têm até agora, porque agora ainda conseguem ir furando de vez em quando e ir contra os favoritos nesse sistema de liga. Vamos ver se têm as mesmas oportunidades.
Eu não tenho uma opinião tão bem formada, mas a verdade é que eu gosto do modelo atual, como ele está, gosto da ideia de fase de grupo. Está qualquer coisa mais perto do Mundial e do Europeu, que é sempre uma altura de grande... Eu não gosto de ligas, na verdade. A consistência é uma coisa com a qual eu lido mal.
Colavas-te ao ecrã, ou neste caso à rádio, quando ia haver o sorteio, as bolinhas a girar.
Sim, é uma coisa engraçada. Eu gosto de sorteios em geral. E isso chama-se Euro milhões, não é verdade, Varela?
Também.
Vamos continuar para o futuro, que aparentemente é de Ivans. Ivan Fresneda, 18 anos, ontem oficializado no Sporting, hoje o Porto oficializou Ivan Jaime, 18 anos para o Fresneda. Qual deles será o terrível para o Benfica, neste caso? Dezoito anos para Fresneda, 22 anos para Ivan Raim. O futuro está no bilhete de identidade destes dois jogadores.
É, precisamente. Têm o mesmo primeiro nome, Ivan, quer para Sporting, quer para Futebol Clube do Porto, e aparecem aqui no futuro porque Fresneda, desde logo 18 anos, mas também o próprio Ivan Raim, 22. Vamos assistindo a contratações bastante jovens dos principais clubes portugueses. Fresneda assina um contrato válido por cinco temporadas, pode ficar até 2028, custou 9 milhões de euros à equipa do Sporting, podem-se somar mais dois mediante objetivos. O Valladolid fica com uma percentagem de futura venda de 10%. Já o Futebol Clube do Porto, com Ivan Raim, é uma notícia do dia também. Contrato semelhante a Fresneda, até 2028. O Futebol Clube do Porto paga 9 milhões de euros por 85% do passe que estava no Famalicão, o antigo jogador do Famalicão. Mas o Benfica, por exemplo, ainda que não seja oficial, a CNN avançou esta notícia e o Zero Zero acabou por confirmá-la. Gianluca Prestianni também irá reforçar a equipa do Benfica. E falamos de um jovem extremo argentino de 17 anos, mais um grande jovem, aqui muito novo, vai custar 8 milhões de euros.
Mas que grande jovem.
E que à partida chegará em janeiro do próximo ano. Ou seja, Bruno, temos aqui os principais clubes portugueses a olhar não só para o presente, mas sobretudo para o futuro.
E já com valores muito consideráveis para a realidade portuguesa, para jovens jogadores. Eu diria que o que está a arriscar menos ainda é o Porto, porque nós já conhecemos, nós espetadores, adeptos, já conhecemos a qualidade do jogador, já vimos que ele-
Já sofrermos até na pele, cada um com o seu clube.
Vale muito. Na liga portuguesa, é uma liga que conhece, os outros são mais uma incógnita, mas os valores, que andam todos à volta do mesmo, são significativos para a realidade portuguesa. É sempre um risco. Eu lembro-me de outros exemplos de jogadores que vêm de campeonatos da América do Sul, muito jovens e que depois têm alguma dificuldade de adaptação e nem sequer singram verdadeiramente em Portugal. Só lembrar, por exemplo, do Franco Cervi, que ainda fez umas épocas mais ou menos simpáticas no Benfica, mas também veio muito jovem. Vamos ver o que este jogador trará, como é que ele se conseguirá adaptar, se é também para emprestar ou não. Vimos também o Benfica a fazer investimentos, de certa forma avultados, nos jogadores nórdicos, no Schjelderup e no Tengstedt, que até agora não correram grande coisa. Eu percebo esta aposta em jovens, porque têm margem de progressão e também de valorização para depois serem exportados, mas há aqui riscos.
E vamos avançar muito rapidamente para a memória do dia de hoje. Faz hoje 29 anos que na Liga Francesa da época 94/95 se estreava como futebolista sénior um rapaz de apenas 17 anos chamado Thierry Henry, um dos meus favoritos. Eu às vezes vou ao YouTube para matar saudades.
Este tema agrada-te e também vai agradar certamente ao nosso João Filipe Cruz. Era uma hora que, na altura, contava com nomes como Lillian Thuram, Youri Djorkaeff, Frank Dumas ou o próprio Emmanuel Petit. Recheada de lendas. O Henry tinha acabado de fazer 17 anos há 14 dias, antes desta mesma estreia. Foi logo titular, acabou por ser substituído na segunda parte. Estávamos a 31 de agosto de 94. O Mónaco, curiosamente, perde em casa 2x0 este duelo frente ao Nice. De resto, a carreira de Henry, cinco temporadas em França, ganhou a Ligue 1 com a equipa francesa. Do Mónaco vai para a Juventus, ficou pouco tempo e depois sim, chega ao Arsenal de Inglaterra, onde se pode dizer que teve o auge da carreira. Ganha duas Premier League. O que dizer daquela época 2003/2004, a época dos invictos. Chegou à final da Liga dos Campeões, chegou mesmo a ser eleito, quer por sócios e adeptos, como o melhor jogador da história da equipa do Arsenal. 2007 vai para Barcelona, ganha a Champions. Em 2010, chega até ao mercado norte-americano, onde fica no New York Red Bulls. Em França, campeão do mundo em 98, ganha o Euro 2000, vice-campeão do mundo em 2006. Henry acaba-se por retirar em dezembro de 2014. Para trás ficam 917 jogos, 411 gols. Conhecido como o eterno 14 pela camisola que usava. Ele, curiosamente, quando regressa ao Arsenal, usa o número 12 e revela que foi por causa de Marco van Basten no Euro de 88. Vicente Bruno.
E nesse regresso houve até um gol do Thierry Henry que foi mesmo o ponto final nesse momento nostalgia. Apesar de não ter sido para grande produção no regresso, foi mesmo para matar saudades. Um grande símbolo do Arsenal, mas não só, Bruno.
Que memórias guardar, Bruno, deste Henry?
Muitas. Lembro-me bem quando ele começou a aparecer no futebol francês e depois na seleção francesa. A seleção francesa de 98 tinha ali alguns problemas na frente de ataque e tinha dois jogadores muito jovens que foram aparecendo. O Henry até marca logo nos primeiros jogos e o Thierry também, que foram depois até companheiros de clube. E a verdade é que havia ali grandes problemas, muitas dúvidas, e eles começavam a aparecer e o Henry ainda não era na altura o jogador que acabou depois por se tornar, sobretudo no Arsenal, que é a época gloriosa, o período glorioso da carreira do Henry, em que ele se transforma num avançado total, num finalizador também, uma capacidade de finalização, que no início lhe era apontada como uma das fraquezas, uma das debilidades, mas que depois mostrou ser um avançado total, um avançado completo, um dos históricos da seleção francesa e um dos símbolos do Arsenal também.
E não esquecer que agora é comentador desportivo e tem grande capacidade para nos explicar as ideias de Pep Guardiola. Eu que não percebo nada quando se olhar para o campo, depois vou ver aquelas explicações que ele dá no quadro e, de facto, o futebol tem muito que se lhe diga.
E devo dizer, para o Barcelona, foi no Barcelona que ele foi campeão europeu. No Arsenal não tinha hipótese.
Sim, foi à boleia de Guardiola, que hoje sabe treinar.
Chegou à final, mas não a venceu.
E também me lembro de uma vez, uma coisa não tão positiva na carreira de Henry, que foi a eliminação da Irlanda, que esteve quase a apurar-se frente à França. Aquela mãozinha. É a prova de quem sabe, sabe e não esquece. Diogo Varela, grande abraço.
Grande abraço.