Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Falamos de desporto hoje com a Mariana Fernandes. Olá, Mariana, boa tarde.

Olá, boa tarde.

E também com os comentários do Bruno Vieira Amaral. Vamos ao tema que escolheste para o dia de hoje, o afastamento da Federação Espanhola de Luis Rubiales e também a demissão do selecionador Jorge Vilda, que de resto já tem sucessor.

Sim, já tem. Chama-se Montserrat Tomé ou apenas Montse Tomé. Era até aqui adjunta de Jorge Vilda, foi também jogadora, jogou no Barcelona, jogou no Levante e agora vai ser, aliás, a primeira mulher a comandar a seleção feminina espanhola. Este parece ser o início do último capítulo desta novela. A Real Federação Espanhola de Futebol emitiu um comunicado ao início da tarde, onde se distancia por completo de Luis Rubiales pela primeira vez desde que tudo isto começou. Critica abertamente o presidente suspenso, pede desculpa ao universo do futebol por tudo o que aconteceu no dia da final do Mundial Feminino e nos dias seguintes, e garante que tudo vai fazer para que algo semelhante não volte a acontecer, num comunicado que é assinado por Pedro Rocha, o atual presidente interino da Federação. Isto porque Luis Rubiales, mais uma vez, está suspenso pela FIFA.

Mas não demitido ainda.

Não está ainda demitido. Luis Rubiales está suspenso, apenas com muitas aspas, porque está suspenso durante 90 dias, portanto mais ou menos três meses pela FIFA, que é o período que a FIFA diz que vai mais ou menos demorar até averiguar por completo tudo aquilo que se passou e chegar a uma decisão final. Essa decisão final, à partida, ditará o afastamento de Luis Rubiales, se ele até lá não se demitir unilateralmente.

Não parece querer fazê-lo.

Não parece nada que aconteça, mas Luis Rubiales por agora não está demitido. Está suspenso e daí este Pedro Rocha, que faz parte da direção de Luis Rubiales, ser ainda presidente interino. Pouco depois deste comunicado, ficou então confirmado esse despedimento de Jorge Vilda, selecionador da equipe feminina que foi campeão do mundo há duas semanas. Vilda foi sempre um braço direito do Rubiales, que o segurou há um ano, quando o treinador foi colocado em causa por 15 jogadores que renunciaram à seleção, na sequência do Campeonato da Europa. Vilda aplaudiu Rubiales na conferência de imprensa, em que este garantiu repetidamente que não iria apresentar a demissão, apesar de uns dias depois ter criticado as atitudes do presidente. Não deixa de ser um pouquinho estranho ou algo parcial, porque Luis de la Fuente, selecionador da equipe masculina, também estava na tal conferência de imprensa e também aplaudiu Rubiales e nem sequer chegou a condenar o presidente, como Jorge Vilda acabou por fazer. Parece uma decisão um pouquinho parcial, ou seja, uma espécie de mal cortado pela raiz, tentar afastar alguém que estava muito ligado à imagem de Luis Rubiales. E também nada disto estará alheio ao comunicado de ontem da seleção masculina, lido por Álvaro Morata, o capitão da equipe, na conferência de imprensa, onde a seleção masculina condena por completo o que aconteceu com Luis Rubiales e acaba por dar uma força extra àquilo que acaba por acontecer hoje, com a federação finalmente, e pela primeira vez, a condenar por completo tudo o que aconteceu e a distanciar-se da imagem de Luis Rubiales.

Era inevitável a saída deste selecionador, porque se percebeu desde cedo que a relação era próxima com Rubiales e até por aqueles aplausos naquela conferência de imprensa?

Pois, em relação a Jorge Vilda, apesar de ele ocupar o cargo de selecionador há oito anos, ou seja, já era selecionador antes de Rubiales ser presidente da federação, desde o ano passado, quando Rubiales, como dizia a Mariana, segurou Jorge Vilda, ou seja, deu razão a Jorge Vilda naquele diferendo que o opunha a um grupo de jogadoras.

Mas era uma questão de abusos que estava na altura em causa?

Não, era um diferendo quase em termos estratégicos e de coordenação do projeto. Aquilo que as jogadoras diziam, e depois foi criado um diferendo entre Barcelona e Real Madrid, porque quase todas elas eram de Barcelona e não existia nenhuma do Real Madrid neste grupo. Mas aquilo que elas diziam era que representavam clubes de topo e que quando chegavam à seleção, o nível de exigência não era o mesmo, sendo que abordava um pouquinho uma questão de controle, em que eram muito questionadas sobre aquilo que compravam, a forma como gastavam o dinheiro, onde estavam em determinadas horas. Mas era muito isto, era mais a base da estratégia e da ideia de que iam à seleção quase como um projeto amador e depois iam para o Barcelona, para os clubes, e aí sentiam uma estrutura profissional.

E algumas queixaram-se de alguns métodos que teriam efeito negativo até na saúde mental das jogadoras. Mas desde esse momento, o destino de Rubiales e de Vilda ficou entrelaçado. Ou seja, caindo um, e ainda por cima, neste caso, o presidente, muito dificilmente Vilda sobreviveria, porque foi Rubiales quem o segurou. Eu vou além da questão dos aplausos na tal assembleia, na tal conferência, depois em que Rubiales conseguiu enganar toda a gente, estava toda a gente à espera que ele apresentasse a demissão e ele disse: "Não, eu fico." Vou além disso, eu creio que o destino de Vilda estava traçado a partir do momento em que o presidente foi suspenso, independentemente depois de outros pormenores. Eu creio que a situação de Luis de la Fuente é um pouco diferente, porque não tinha esse peso. Não tinha um grupo de jogadoras como teve Vilda contra ele. E Luis de la Fuente, é importante também dizer, desculpou-se por esses aplausos. Não defendeu Rubiales, mas desculpou-se por esses aplausos, dizendo que tinha ido lá na expectativa de que o presidente fosse apresentar naquele momento a demissão. Mas ainda não é certo que permaneça. Vamos ver como é que as coisas se desenrolam. Agora, no caso de Vilda, era óbvio que caindo Rubiales, mesmo que ainda esteja apenas suspenso, ele também acabaria por cair, apesar de todos os bons resultados que conseguiu, ele que sai com um registro muito positivo em termos de resultados Desde logo pela conquista do Campeonato do Mundo, mas neste momento isso não era o mais importante.

Vamos ao futuro. A Mariana Fernandes colocou aqui o Vitinha, do Paris Saint-Germain, a propósito também dessa conferência de imprensa. Hoje foi o jogador eleito para falar aos jornalistas nos trabalhos da Seleção Nacional. Diz que ele apresentou a candidatura a próximo líder da seleção. Correu-lhe assim tão bem essa conferência de imprensa?

Correu muito bem. Eu acho que nós andamos sempre a perseguir os futuros líderes da Seleção Nacional. Porque o fim da era de Cristiano Ronaldo está a aproximar-se e andamos sempre à procura de quem é que vai ser o próximo líder. Associa-se muito, muitas vezes, esta ideia, por essa capacidade de liderança, a Bruno Fernandes. Em termos um pouco mais desportivos e até carismáticos, Rafael Leão é muitas vezes apresentado também como o futuro da Seleção Nacional. O próprio Gonçalo Ramos, naquela altura do mundial, por aquilo que fez, por ser o próximo provável goleador de serviço, também já teve esse rótulo, mas é sempre uma ideia um pouco desportiva, ou seja, aquilo que acontece dentro de campo e às vezes escapam-nos os perfis mais discretos. E é por isso que quero falar de Vitinha. Ele já tinha impressionado durante a semana, escapou um pouco cá em Portugal, mas já tinha impressionado em França durante a semana, quando falou num francês praticamente perfeito, numa flash interview depois de um jogo do PSG. Foi notícia em praticamente todos os jornais por conseguir tanto entender as perguntas do jornalista como responder num francês impecável, praticamente um ano apenas depois de ter chegado a Paris. E voltou a impressionar hoje nesta conferência de imprensa, pelo menos a mim, da Seleção Nacional, não só pelo nível do discurso, mas pelo que disse. Ou seja, ele foi questionado sobre a polêmica do VAR no jogo do Foco do Porto e explicou que o problema é falar-se tanto daquilo que se passa fora de campo e pouco do que se passa dentro de campo, pedindo mais atenção à matéria-prima que Portugal tem entre jogadores, treinadores e outros profissionais, e depois ainda respondendo de forma muito inteligente à eterna questão Ronaldo-Messi, ou seja, por ter jogado com um no PSG e por jogar com outro na seleção. Demonstrou uma maturidade que me pareceu acima da média para os 23 anos que tem, quando colocado à frente da comunicação social, e mostrou que pode ser um dos grandes porta-vozes dos próximos anos da Seleção Nacional, sem fugir às questões, mas oferecendo respostas que acrescentam, ao invés das habituais respostas um pouco redondas e um pouco vazias. É certo que é mais fácil jogar no estrangeiro e falar sobre o futebol português do que estar cá dentro e ter de criticar o futebol português, mas não deixou de o fazer e acho que o fez com bastante elegância e até surpreendendo, porque não costuma ser um jogador que faça grandes manchetes.

Mas esta questão da posição em que ele joga, às vezes associamos este tipo de características mais pessoais e emocionais àquela posição onde ele joga.

Sim.

O médio de contenção.

Passa-se também com o jogador que é, para mim, o substituto natural na liderança de Cristiano Ronaldo e de Pepe. Eu acho que há ali uma liderança bicéfala na seleção, que é Rúben Dias, que também já falou esta semana e parece-me pelas características dele, que ele já demonstrou no Benfica, na forma também como se impôs no City, creio que é o líder para os próximos anos da seleção. Há Bruno Fernandes, há também Bernardo Silva.

Sim, este perfil mais discreto.

Exatamente. Eu até compararia o Vitinha ao Bernardo Silva, que é um jogador que tem muita influência e muito peso no balneário. Não tem o mesmo perfil de liderança ostensiva de Rúben Dias. E Vitinha demonstra essa inteligência a todos os níveis, inteligência no discurso, capacidade também no discurso, e capacidade de adaptação que demonstrou ao chegar ao Paris Saint-Germain. Também não teve os primeiros tempos muito fáceis, mas a verdade é que ele foi para um lago de tubarões e conseguiu impor-se através do seu futebol e acredito também através da sua personalidade, demonstrada agora nesta conferência de imprensa. Para além destes todos, ainda há Bruno Fernandes.

Com essa liderança mais ostensiva.

É, mais ostensiva, mais ao nível de Rúben Dias, se bem que me pareça Bruno Fernandes, por vezes, um pouco instável. Às vezes os líderes têm de garantir a estabilidade e Bruno Fernandes vê-se no Manchester United. Por vezes é um dos focos, sendo inequivocamente um líder, é um dos focos de instabilidade emocional até dentro de campo. Mas parece-me que Vitinha estará nesta linha de liderança discreta, um pouco a exemplo do Bernardo Silva, com quem acho que partilha algumas características, não só ao nível futebolístico, da qualidade futebolística, mas também ao nível da inteligência emocional.

Sim, é uma pessoa de Vila das Aves.

Achas que é por aí?

Acho que pode ser por aí que se explicam essas características. Vamos ao passado. Vinte e seis anos desde que os Jogos Olímpicos foram atribuídos a Atenas. Aconteceram nessa altura, em 1997, não é?

Sim, faz hoje 26 anos. Foi neste dia, 5 de setembro de 1997, que o Comitê Olímpico Internacional anunciou que os Jogos Olímpicos de 2004 seriam em Atenas, na Grécia, ou seja, que os Jogos Olímpicos iriam regressar à cidade grega pela primeira vez desde os primeiros jogos modernos, em 1896. Atenas já tinha tentado organizar os jogos de 1996, que foram em Atlanta, até para fazer este centenário dos primeiros jogos modernos.

E foi uma grande desilusão.

Na altura, exatamente. Seria este centenário dos primeiros jogos modernos. Não ficou com essa nomeação, conseguiu esta para 2004, aproveitando para realizar algumas correções históricas, como a alteração das medalhas, porque até 2004, o modelo de medalha utilizado apresentava o Coliseu de Roma, de forma absolutamente errada, porque os Jogos Olímpicos nasceram na Grécia, e a partir de 2004 passaram a apresentar o modelo atual com o Estádio Panatenaico de Atenas. Nestes jogos, Michael Phelps conquistou oito medalhas, foram os primeiros jogos de Usain Bolt, que não foi além de um quinto lugar nos 200 metros, e Kiribati e Timor-Leste participaram pela primeira vez. Portugal conquistou três medalhas, o bronze do Rui Silva nos 1500 metros, a prata de Francis Obikwelu nos 100 metros e a surpreendente prata também de Sérgio Paulinho no ciclismo, com aquela história que todos sabemos, com o Comitê Olímpico a correr para o sítio da meta, porque ninguém estava à espera de que Sérgio Paulinho conseguisse subir ao pódio. Portugal levou uma equipa de futebol a estes Jogos Olímpicos, não passou da fase de grupos, ficou no último lugar depois de uma vitória contra Marrocos e duas derrotas contra Iraque e Costa Rica.

Estava lá o Cristiano.

Exatamente. Uma equipa orientada por José Romão, que integrava na altura, com apenas 19 anos, um jovem Cristiano Ronaldo.

E são estas as recordações que tens também do Obi Coelho?

A medalha.

Paulinho, lembra-me bem.

Claro, foi a medalha que vibrei mais. Eu sempre adorei ciclismo e nunca na minha vida esperei ver um ciclista português, sabendo nós as dificuldades que temos enquanto país para conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos, ver um ciclista português conquistar uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos foi o delírio completo. É verdade, depois disso tivemos campeões do mundo, o Rui Costa conquistou o Campeonato do Mundo, mas naquela altura foi um feito extraordinário nos jogos que nos correram até bastante bem. Em termos de medalhas, eu creio que são os terceiros jogos em que tivemos mais medalhas, já contando com os de 2021, conseguimos quatro. Melhor do que isso, só em 84, conseguimos três, incluindo a de ouro de Carlos Lopes. Em 2004 não conseguimos nenhuma medalha de ouro, mas conseguimos essas três medalhas.

Incluindo uma também nos 100 metros. Uma medalha de prata nos 100 metros.

Essa acho que nunca mais vamos conseguir. Acho muito difícil. E tivemos também uma grande prestação do Rui Silva, naquela distância que eu adoro, que são os 1500 metros, em que já tivemos grandes atletas, mas eu creio que foi a nossa única medalha olímpica nesta distância. Também vibrei muito. Portanto, globalmente, foram jogos muito positivos para Portugal.

Está feito. Euro Milhões, falamos de desporto na tarde em direto, hoje com a ajuda da Mariana Fernandes. Obrigado. Até amanhã, Mariana.

Até amanhã.