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Bem-vindos aos debates que a Rádio Observador vai promover sobre as eleições legislativas de 10 de março. Vamos distrito a distrito procurar conhecer as realidades locais, mas também a forma como cada círculo eleitoral olha para a política nacional. Começamos em Viseu. Comigo tenho António Leitão Amaro, é vice-presidente do PSD, foi secretário de Estado da Administração Local, é candidato pela Aliança Democrática e também a Elza Pais, presidente das Mulheres Socialistas, foi secretária de Estado para a Igualdade e é a cabeça de lista do PS. Convidámos os partidos que foram eleitos em cada círculo eleitoral nas últimas eleições legislativas. Estava aqui a referir que estão dois potenciais regressos à Assembleia da República. António Leitão Amaro, começo por si. Na apresentação dos candidatos do PSD por Viseu, Fernando Ruas referiu que o cabeça de lista do PS caiu para o terceiro lugar e que isso era um sinal de que o PS tinha feito pouco pela região. No caso do PSD, a lista é praticamente toda nova. Significa que o PSD também não fez nada pela região?

Olá, é um gosto aqui estar. Cumprimento a Elza Pais, por quem tenho grande consideração pessoal e será um gosto travarmos esta luta que é eleitoral, não é naturalmente uma luta humana. O PSD tem uma combinação de experiência parlamentar. Curiosamente, eu próprio como cabeça de lista, o Pedro Alves e a Inês Domingos repetimos a candidatura de 2015, que foi bastante bem-sucedida. E duas novidades: Carlos Silva Santiago e Rui Ladeira, até recentemente presidentes de câmara de Sernancelhe e Vouzela. É uma combinação de experiência com renovação parlamentar também neste momento. Mas nem o PSD nem o CDS estiveram no governo nestes oito anos. Portanto, quem tem que responder pelos resultados e pelo esquecimento a que deitou o distrito de Viseu é o Partido Socialista. É de recordar que, e eu retomando esse tal ano de 2015, tudo o que eram os grandes projetos que nessa altura o governo a que eu pertenci lançou e que o Partido Socialista prometeu continuar, tudo ficou ou pelo caminho ou sem se fazer ou não se vê resultado à vista.

Já lá vamos a esses projetos, António Leitão Amaro, para perguntar a Elza Pais se esta questão do PS ter mudado de cabeça de lista é porque ficaram demasiadas promessas por cumprir nos últimos anos e era preciso dar uma nova cara ao partido na região.

O que eu lhe posso dizer é que o PS tem uma lista extraordinária de candidatos, eu própria como cabeça de lista, sinal de que apostamos não só na renovação, mas também na igualdade de género. O meu partido tem 50% de mulheres cabeças de lista à Assembleia da República, portanto, é um sinal de modernidade, igualdade e de que as mulheres também não podem ficar para trás nesta corrida política. Relativamente a Viseu, eu tenho a dizer que o candidato, que foi candidato à autarquia de Viseu, o João Azevedo, é uma pessoa de referência e que estas eleições não são autárquicas, são eleições legislativas. É uma pessoa que tem obra feita e merece da parte do partido toda a confiança para continuar a fazer a sua luta política. Esta luta não é pelo Conselho de Viseu, é pelo distrito de Viseu. Eu não concordo nada, com todo o respeito que também tenho pelo Leitão Amaro, pela consideração pessoal que lhe tenho, mas neste âmbito, não posso concordar com a leitura que faz do nosso distrito. O nosso distrito nos últimos oito anos cresceu significativamente. O número de empresas aumentou cerca de 10%, de 38.300 para 44.100 empresas. O número de trabalhadores aumentou mais 18%, de cerca de 95 para 112 mil. O volume de negócios também aumentou 34%, de sete milhões para 10 milhões. Nós fizemos uma aposta no desenvolvimento do território e no novo impulso que também demos às empresas. E se quisermos falar na diminuição do desemprego, também diminuímos consideravelmente, menos 38%, enquanto que no governo anterior até aumentou 19%.

Já percebemos que aí vão discordar. Deixe-me só ir a uma ou outra questão nacional antes de entrarmos nessas questões específicas. Isto porque estamos na ressaca de umas eleições nos Açores em que a coligação liderada pelo PSD desafiou o PS a viabilizar esse governo minoritário liderado por José Manuel Bolieiro. Elza Pais, acha que o PS deve fazê-lo, deve viabilizar o governo que ganhou?

O que eu acho é que o PS tem os órgãos próprios da região e é nesses órgãos próprios da região que essas decisões irão ser tomadas. Mas deixe-me dizer, numa leitura que eu faço das eleições agora nos Açores, que a vitória do PSD, que obviamente temos de reconhecer, mas também não é uma grande vitória. A AD tem mais um deputado na soma de todos os partidos que tinha nas últimas eleições, mas também resulta do método de Hansen. Eu acho que a vitória foi muito pífia. Agora tem um problema em mãos que tem que decidir como é que vai apresentar ao seu eleitorado uma governação estável. Relativamente à atitude que o PS irá tomar ao PS/Açores, caberá a eles. Sobre isso não me queria pronunciar. De todo modo, não podemos esquecer que nas últimas eleições o PSD tentou normalizar um partido que não merece ser normalizado no quadro da nossa política. Acho que é um partido castrador de liberdades e dos direitos humanos.

Que é o Chega. António Leitão Amaro, o PSD no continente já disse que não viabilizaria um governo minoritário do PS. Agora está a pedir que faça diferente nos Açores. Não há aqui uma incoerência de Luís Montenegro?

O Luís Montenegro não disse nada sobre o comportamento do Partido Socialista no continente e disse uma outra coisa. Não é que haja viabilizações, porque repare, o que tem que acontecer é não haver rejeições. E, portanto, aquilo que se pergunta hoje é se nos Açores, mas isso se calhar para quem nacionalizou a campanha e a questão açoriana foi Pedro Nuno Santos, que passou três dias ou dois dias nos Açores a falar em grandes coligações, a alvitrar que o PSD e a AD só governariam com o Chega e que havia uma coligação qualquer. Já se percebeu que essa mistificação era toda falsa e, portanto, tem que encontrar um discurso novo e uma estratégia nova de campanha. Mas a questão que hoje sobra é: houve um partido, uma coligação de partidos claramente vencedora. Essa coligação de partidos, a AD, que é a mesma que se apresenta a eleições para a República, governa tendo vencido e governa com a maioria e com a coligação que se apresentou a eleições. Só não governará se houver uma moção de rejeição aprovada, se houver um voto negativo para deitar abaixo. E isso só acontece se o Partido Socialista e o Chega se coligarem naquele voto. E essa é a pergunta que existe hoje. Os açorianos falaram ontem, escolheram uma coligação, que foi a coligação da mudança, enquanto que havia líderes políticos que foram para a região até fazer pingue-pongue entre cenários e os cenários para esquerda e para a direita. A coligação da AD ficou a falar para as pessoas e com respostas para as suas soluções, da mobilidade ao rendimento, aos serviços públicos que estão em recuperação. A mesma coisa acontece no plano nacional. Agora que os açorianos falaram, que se percebeu que a alternativa ao socialismo para dar um governo é AD e AD por si, que não é mesmo não, que já não há mais essa conversa. Agora, só há instabilidade, só há governos a cair se os mesmos partidos que se juntaram há umas semanas atrás vão se juntar outra vez. E se o Partido Socialista vai fazer uma coligação com o Chega para deitar abaixo a escolha do povo açoriano.

E por isso passaram a bola para o lado de lá. Ainda nas questões nacionais, Leitão Amaro, o PSD tem procurado reconquistar o eleitorado pensionista. Luís Montenegro já fez promessas para os pensionistas, já disse que é até preciso existir essa reconciliação. Acha ainda assim que os pensionistas vão esquecer o que o PSD lhes fez nos anos da troika?

Creio que estará a falar do cumprimento das decisões de um governo do Partido Socialista de reduzir pensões e de ter deixado os cofres do Estado em maio de 2011 sem dinheiro para pagar aos pensionistas. Creio que estará a falar de o governo ao qual eu pertenci ter dado cumprimento às decisões e aos compromissos do governo do Partido Socialista de José Sócrates.

Mas ainda assim existiu esse divórcio, não é? Isso foi já reconhecido.

Com certeza, foram decisões muito duras, em que quem foi sério e quem cumpriu a palavra do Estado português, as decisões de outros, e restaurou, se quiser, o caminho para as contas certas, para as reformas que permitiram algum crescimento econômico a partir de 2013, a recuperação da emprego a partir de 2013, sim, tomou decisões difíceis. E sim, houve grupos em Portugal de eleitores que ficaram especialmente sentidos com algumas dessas decisões. E cabe-nos a nós, não apenas, e muito mais do que estar a discutir o passado, dizer-lhes o que vimos para o presente e para o futuro. E aquilo que a AD, Luís Montenegro, disse aos pensionistas foi isto e é isto. Um: as suas pensões estão garantidas. Dois: as pensões em geral serão atualizadas de acordo com a lei, isto é, cumprindo a inflação, isto é, preservando não haver perda de poder de compra, porque os preços ficam muito caros. E comem, se quiser, o poder de compra das pensões. Três: para aqueles que vivem com menos de €820 somando todos os seus rendimentos, é preciso levá-los para um rendimento igual ao salário mínimo nacional. Nenhum pensionista em Portugal deve ter um conjunto de rendimentos inferior a €820. É uma questão de dignidade, mas também é uma questão de justiça histórica, especialmente com mulheres, porque com pensões abaixo de €820 estão muitas mulheres que trabalharam, não apenas na sua própria casa, mas na casa de outros, em indústrias como o calçado, como o têxtil, conserveiro, em muitas condições laborais desde muito novas, desde meninas, e trabalharam em condições que não levaram a contribuições para a Segurança Social.

E ficam aqui recordadas essas propostas. Elza Pais, Pedro Nuno Santos apresentou mais recentemente medidas também sobre o complemento solidário para idosos, nomeadamente sobre o rendimento dos filhos não contar. Isto é o PS a correr atrás do prejuízo?

Não, não é o PS a correr atrás do prejuízo. O PS e os idosos sabem quem é que sempre esteve ao lado deles. Aliás, nós vivemos aqui em Viseu, num distrito com uma faixa etária de idosos muito significativa, e as pessoas sabem quem nunca os abandonou, não reduziu pensões, antes pelo contrário, aumentou. Aumentou os salários e o rendimento das pessoas. Mostrámos ao país que havia uma nova forma de resolver a austeridade com soluções não austeritárias, e foi essa a aposta que temos vindo a fazer nos últimos anos. Que lhe diga que fizemos esta aposta toda no Estado social, na gratuidade das creches, nas pensões e nos rendimentos, com contas certas. E não posso deixar de referir estes últimos indicadores de que temos conhecimento. A dívida pública portuguesa está abaixo dos 100% do PIB, 98,7%, um registo histórico extraordinário para Portugal. Saímos do grupo dos países mais endividados da Europa e, portanto, temos aqui um baixo valor de dívida.

Mas Elza, mas foi com austeridade

Foi com a austeridade que aumentaram impostos e reduziram o investimento público. Isso é austeridade.

Nós vamos poupar neste quadro 3.300 milhões de euros que constituirão aqui um balão financeiro para podermos continuar a apostar no estado social, no investimento nas empresas. A dívida pública portuguesa caiu nestes últimos oito anos de governo socialista menos 33%. Tivemos menos 33% de dívida pública, continuando na senda das contas certas. O PIB cresceu 2,3% em 2023, um dos maiores crescimentos da União Europeia. O PIB acumulado dos governos socialistas aumentou 13%. E se quisermos ir ao saldo, portanto, são os três grandes indicadores, o saldo orçamental é a primeira vez em muitos anos que o OE tem um superávit de valor muito expressivo, 4.300 milhões de euros, portanto mais 4,6 pontos percentuais. Contas certas é um facto, não se pode dizer que não fizemos isto, e contas certas com o estado social mais forte, com pensões reforçadas, com o complemento solidário para os idosos que não cortamos.

Já ficou esse resumo das principais medidas. Deixe-me aproveitar a questão das contas certas para virar a agulha então especificamente para Viseu. A região tem tido mais ou menos as mesmas questões e os mesmos problemas há vários anos. Deixe-me começar por um tradicional que é o IP3, já atravessou governos dos dois partidos. Elsa Pais, em 2018, António Costa condicionou a recuperação do tempo de serviço de professores à recuperação do IP3, mas quatro anos depois as obras não foram concluídas. Agora que o PS já fala em recuperar integralmente o tempo de serviço dos professores, significa que o IP3 é para continuar na gaveta?

Não, o IP3 não está na gaveta neste momento. Passados 30 anos, o lançamento do IP3 aconteceu. Há um dos troços onde a sinistralidade era maior e foi escolhido pelos autarcas da região, que é Viseu-Santa Comba. O concurso internacional está lançado, 140 milhões de euros, isto com fundos do OE. E também tenho a dizer que este orçamento podia ter sido excepcionado nos fundos estruturais pelo governo do PSD, o que não aconteceu. Portanto, se tivesse sido excepcionado nos apoios feitos pelos fundos estruturais, neste momento a obra até já podia estar a acontecer. Assim, temos só o concurso que foi lançado. Não está parada, está a andar e vai ser uma realidade dentro do tempo que as obras demoram sempre a realizar.

Mas que é qual? É possível alguma promessa até ao final da legislatura?

A promessa é que o concurso foi lançado e é uma realidade. E sem o concurso ter sido lançado, a obra não pode ser feita. Neste momento, o primeiro passo, o grande passo para que a obra seja feita é o lançamento do concurso. E está aí.

António Leitão Amaro, o PSD compromete-se em desta vez levar as obras até ao fim?

Que obras? Em 2015, quando eu fui candidato com cabeça de lista, em junho desse ano estive entre Santa Comba e Mortágua com o primeiro-ministro Passos Coelho a inaugurar um grande viaduto que era uma obra crítica. Foi o último grande investimento concluído durante anos naquela estrada. Estava nessa altura também lançado um concurso. Veja, oito anos e meio depois, o Partido Socialista chegou, interrompeu o concurso. Aliás, exatamente como José Sócrates tinha feito em 2005. Chegou ao governo e interrompeu um concurso para a mesma estrada. Depois lançou duas placas que ia fazer duas vezes a mesma obra, atiraram pedras, que era a primeira pedra. Enfim, os cidadãos do distrito de Viseu estão cansados desta experiência socialista. Chega, promete, cancela, não cumpre.

Com o que o PSD se pode comprometer?

Fazer. Fazer mesmo. Não há desculpas. E repare, a intervenção que foi feita não garantiu a condição, o acordo com as populações, a promessa feita que era a criação de uma estrada em perfil de autoestrada. Oito anos depois.

E por que retiraram o financiamento?

Elsa, não diga isso. Estava o concurso.

Se não tivesse sido retirado, neste momento a obra já estava a ser executada. O facto de terem retirado este financiamento dos fundos estruturais que tiveram que passar para o Orçamento de Estado, obviamente que atrasou a obra. E Leitão Amaro, também tenho a dizer-

Elsa, isso não é verdade. Tenha paciência. Houve oito orçamentos de Estado.

Leitão Amaro, vamos só ouvir a conclusão do raciocínio da Elsa Pais. Força, Elsa.

Desculpa.

Força. Ia só pedir pra concluir o raciocínio pra depois dar novamente a palavra ao Leitão Amaro.

O que eu estava a dizer é que se as legislaturas não tivessem sempre a ser interrompidas dois em dois anos, obviamente que atrasam todos os processos que estão em curso. Estes processos também não teriam sido interrompidos. Neste caso, nem foram interrompidos, não foram iniciados pelo governo do PSD, que os podia ter iniciado se o financiamento tivesse sido excepcionado no que diz respeito aos fundos estruturais, como aconteceu noutros troços. Por que não foi excepcionado? Não se percebe. E pelo fato de não ter sido excepcionado, obviamente que leva mais tempo do que o que estava previsto. Neste momento está o concurso lançado. Isso é o mais importante.

Leitão Amaro, para uma resposta rápida, só para passarmos ao próximo tema.

Em primeiro lugar, desculpas. Passaram oito anos, passaram três governos do Partido Socialista com os mesmos ministros. O primeiro-ministro não fizeram porque não quiseram e vêm agora, nove anos depois, inventar uma justificação baseada eu nem percebo bem o quê. Nem percebo o que isso quer dizer, não excecionaram ou excecionaram de fundos. Muito simples: estava um concurso em andamento para que hoje só tinham que cumprir o que estava a andar, não interromper, e hoje chegava-se de Viseu, ou de Tondela, ou de Santa Comba Dão a Coimbra em perfil, em traçado da autoestrada. Hoje não existe autoestrada porque o PS não quis e todo o resto são desculpas de quem esteve oito anos a governar e podia ter feito.

Vamos aqui ao próximo assunto.

Demorou o IP3 a ser feito, mais de 20 anos. Responsabilidade vossa.

Vamos ao próximo assunto que também é sobre infraestruturas.

Não é a melhor forma de resolver os problemas.

É verdade, com Pedro Nuno Santos demora sempre tudo tanto tempo quanto não deve.

Com Pedro Nuno Santos é um fazedor e ele já provou.

Deixe-me falar sobre isso, Elza Pais, desculpe, mas sobre a ferrovia é a ponte ideal.

Ele é um amante da ferrovia.

É a ponte ideal, mas vamos a isso. É sabido que Viseu é uma das poucas grandes cidades do país sem comboio. O Plano Nacional Ferroviário já prevê uma linha com passagem por Viseu, mas também diz que as obras só devem começar depois de 2030. António Leitão Amaro, é viável continuar a falar na reativação da ferrovia na cidade de Viseu? Não vale mais pensar numa solução intermédia, mas mais rápida?

Repara, a ligação a Viseu tinha duas vertentes: a Linha da Beira Alta, com obras lançadas há nove anos. As obras estão por terminar nove anos depois. E essa passa mais a sul de Nelas e Mortágua, mas podia ter ou uma ligação a um ramal, ou então depois ter uma ligação multimodal à cidade de Viseu. E depois havia um compromisso que estava pré-registado nos fundos europeus, não nos fundos dados por Bruxelas diretamente, que era a ligação entre Aveiro e Salamanca, passando pela cidade de Viseu. E foi mais um projeto onde o Partido Socialista, António Costa, Pedro Marques, Pedro Nuno Santos, desistiram. E o que eu entendo é que nós devemos lutar por concretizar a ligação e concluir a Linha da Beira Alta e pôr esse tema na agenda e recuperar fundos europeus de que o Partido Socialista desistiu.

Elza Pais, tendo em conta que Pedro Nuno Santos foi ministro das Infraestruturas, vai ter mais dificuldades em explicar no distrito por que é que ainda não chegou lá o comboio.

Eu gostava de dizer que o comboio está no distrito, a Linha da Beira é do distrito, serve o distrito. A Linha da Beira neste momento não funciona porque está em obras. As obras estão previstas acabarem em 2024. Não é uma obra que se vai adjudicar, nem um concurso que se vai lançar. Já se lançou, a obra já se adjudicou.

E atrasou.

Leitão Amaro, é o que acontece à grande maioria das obras.

Todas aquelas lideradas por Pedro Nuno Santos é isso que acontece. O fazedor atrasador.

De todo modo, estão investidos aqui mais de € 600 milhões de fundos estruturais. É uma realidade, a obra será concluída, está previsto que seja concluída a qualquer momento em 2024.

Já agora, mas lembre que a decisão foi do governo anterior.

Estas decisões têm que ser sempre de vários governos. Não há nenhum governo, com a velocidade que os governos caem, que possa começar e concluir a obra no seu mandato.

Às vezes não é, mas atribuo a parentalidade, faz favor.

O importante é que as coisas fiquem feitas para a região. E também tenho a dizer que o TGV, portanto, a alta velocidade entre Lisboa e Porto, também vai beneficiar as pessoas do interior, porque os tempos entre, por exemplo, Mangual de Lisboa podem diminuir com as ligações que se farão a partir de Coimbra em 55 minutos, cerca de uma hora. Portanto, esta é uma aposta que está em curso e para a qual o Partido Socialista canalizará todo o tipo de apoios que estiverem ao nosso alcance, no sentido de servir as populações, servir a região.

Aqui está um ponto onde nós divergimos muito. Eu nunca aceitarei que o meu candidato a primeiro-ministro se justifique que não vai investir e não vai fazer no distrito de Viseu, porque vai haver uma estrada ou uma linha de alta velocidade que vai passar no litoral. É exatamente esta a conversa que nós temos estado a ouvir nas últimas décadas do Partido Socialista. Há sempre coisas a acontecer em Lisboa. Era aquele famoso efeito multiplicador dos investimentos na capital. Faz-se na capital, o país todo beneficia. É à conta disso, desse esquecimento crónico.

Não passa por Viseu, porque nunca passou.

Eu não estou a dizer para passar, eu estou a dizer que nós temos de lutar pelos investimentos na nossa terra.

E rodoviárias que sirvam perfeitamente as populações. Nós queremos apostar na centralidade do interior. As pessoas do interior têm de sentir através de um acesso reforçado ao nível das acessibilidades, têm que sentir que estão aqui perante uma nova centralidade. É importante atrair os jovens para o interior, através até de motivações para algo que tanto lhes diz, como os ambientes verdes, os turismos ecológicos. Portanto, há todo um investimento que tem de se fazer no interior, atraindo jovens, atraindo também populações migrantes e obviamente acolhendo refugiados. Aliás, isso está a acontecer, o que também tem contribuído para o aumento da população no interior. É importante para esta revitalização do tecido social e do tecido empresarial. Obviamente que as acessibilidades são decisivas e estão a ser construídas, quer ao nível da ferrovia, quer ao nível da rodovia.

E são matérias muito relevantes.

Permita-me só.

Os vizinhanços podem contar com o Partido Socialista para uma aposta nas pessoas do interior, para uma aposta e apoio às populações mais idosas, que são sempre as mais fragilizadas, no reforço do Estado Social, do aumento de pensões, do aumento de rendimentos. Podem contar com o Partido Socialista como sempre puderam contar.

Fica já quase feito o apelo ao voto.

Permita-me só.

Deixe-me só colocar já a última questão e dou-lhe um bocadinho para responder a esta questão, que é para responder ao que está em atraso. Sendo um território do interior e tendo Luís Montenegro dito logo quando foi eleito presidente do PSD que não existiam condições para já para avançar com a regionalização, não sente que está a prejudicar o distrito pelo qual é candidato?

Bem, pelo contrário, a resposta a isso é: é preciso ainda realizar uma descentralização a sério. Isto é, que passe para municípios e entidades intermunicipais o poder efetivo de gestão de proximidade de serviços como os cuidados de saúde primários ou o ensino até ao secundário. Coisa que não foi feita. A única coisa que se passou foi poder e responsabilidade para reparar telhados, fazer obras nas escolas e fazer transportes escolares, pôr o pessoal administrativo nos centros de saúde. Isso não é um serviço de educação, é o serviço burocrático e físico de infraestruturas de apoio a serviços públicos. Isso não é gerir e por isso não é passar responsabilidade de decisão sobre os serviços públicos para o nível local. É isso que temos que começar por fazer, é essa a grande missão que está a ser feita. E eu, como secretário de Estado da Administração Local, já lá vão nove anos, fizemos com vários municípios, incluindo do Partido Socialista, muitos projetos de essa descentralização efetiva de competências de gestão na saúde e educação. Voltando ao ponto, há uma coisa que me parece bastante definidora das diferenças e da abordagem.

Entre as questões.

Aquilo que a Elza Pais disse a propósito da alta velocidade, uma obra no litoral justificar o contentamento do interior, é parecido com uma decisão tomada logo no princípio, que foi tirar mais de 200 milhões de euros de um plano de fundos europeus para todo o território nacional para fazer duas obras em duas estações de metro em bairros centrais mais ricos da cidade de Lisboa. É exatamente essa abordagem que nós não aceitamos. É a coesão para o país todo e é dizer que o que está a acontecer, Elza, é que a população está a crescer, infelizmente, no interior do país, tirando algumas cidades e algumas exceções, a cidade de Viseu, o Conselho de Sernancelhe, por exemplo, tem estado a perder população. E tem estado a perder população por muitas dinâmicas difíceis de combater, mas também porque há uma imigração jovem assustadora e há uma saída para a cidade, porque o Estado tem virado as costas ao território, tem tratado os territórios do interior pelas mãos dos governos socialistas como territórios de segunda, como se Portugal fosse Lisboa e o resto fosse paisagem, e isso nós não podemos aceitar.

Muito bem. Elza Pais, no mesmo sentido, há condições para avançar com uma regionalização quando há tantas críticas ao processo de descentralização?

A descentralização está em curso e é um patamar para a regionalização que nós defendemos. Há limitações legais que serão resolvidas a seu tempo. E ao nível da descentralização, eu não posso deixar de reforçar a aposta que se tem feito na descentralização de competências para as autarquias, as quais estão a responder muito bem. Ao nível da educação, deixe-me dizer que toda a aposta que fizemos no parque escolar do interior foi muito importante, porque temos escolas de qualidade, não só ao nível dos professores, obviamente.

Elza, essas obras estão a ser feitas pelas câmaras, não é pelo governo. Feitas pelas câmaras, porque o governo não as fez.

O parque escolar foi o governo, estão a ser requalificadas mais 40 escolas em todo o país.

Pelos municípios.

Agora em articulação com os municípios, antes não era.

Não, não é em articulação, é pelos municípios, são eles que estão a fazer obras, os que têm dinheiro é que fazem obras. O governo não é que é seu.

Nós estamos a fazer uma aposta na requalificação das escolas nestes últimos tempos. Fizemos uma requalificação do parque escolar como não há memória e neste momento estão a ser requalificadas mais 40 escolas do nosso distrito. Deixe-me dizer-

Pelos municípios.

Eu preciso mesmo que deixe a Elza Pais concluir a ideia, António Leitão Amaro, desculpe.

Deixe-me dizer-lhe, ao nível da Segurança Social, o investimento em Viseu é extraordinário. No PAS temos mais 37 milhões de euros, 73 novas respostas e no PRR mais 14 milhões de euros em lares, em centros de dia, em centros de noite, nos apoios domiciliários, nas creches, nos cuidados paliativos, nos cuidados de continuidade, na gratuitidade das creches, que é uma medida absolutamente inovadora. Cada família pode poupar cerca de 230 euros.

Mas deixaram as creches que não fossem públicas de fora.

Para concluir, Elza Pais.

Com que as famílias ficam extremamente importantes para fazerem face a um conjunto de outras despesas. Nós também estamos a apostar, e já foi agora anunciado pelo nosso secretário-geral Pedro Nuno Santos, no combate à pobreza energética, baixando o IVA dos consumos até um determinado limite que aumentará para o ano.

Por favor, esse valor é irrisório. Isso é mais uma promessa de coisas que não fizeram durante oito anos e vão dizer que vão fazer agora. Por amor de Deus.

Fizemos durante oito anos. Eu estou a lhe dizer que esta aposta na Segurança Social não foi agora, nem vai ser.

Pois não, não vai, tem razão. Tem razão, porque não está nada a acontecer.

Não há idoso, dificilmente, não quer dizer que não haja uma outra situação, mas a grande maioria dos idosos da nossa região, se quiserem um lar, um centro de dia, um centro de apoio, cuidados domiciliários, têm alguém ou algum perto de si ao qual poderão recorrer. Portanto, os idosos no nosso distrito que estão apoiados-

Será uma das prioridades. Elza Pais, eu peço desculpa, mas estamos mesmo a chegar ao fim do nosso tempo. Já excedemos, aliás.

E não podemos esquecer.

Já excedemos, aliás, o nosso tempo. A Elza Pais tem aqui uma ligeira vantagem de 20 segundos. Penso que cumprimos mais ou menos o tempo de cada um. Obrigado, António Leitão Amaro, candidato pela Aliança Democrática e obrigado também a Elza Pais, candidata pelo Partido Socialista ao círculo eleitoral de Viseu.