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Bem-vindos a mais um debate no âmbito das eleições legislativas, desta vez sobre o círculo de Braga, com José Luís Carneiro, do Partido Socialista, e André Coelho Lima, do PSD. Bem-vindos. São os dois partidos mais votados nas eleições de 2019 e é este o critério que temos usado para estes debates distritais, se lhes podemos chamar assim. Braga elege 19 deputados, é um círculo importante. O PS conseguiu oito, o PSD outros oito, dois para o Bloco de Esquerda e um para o CDS. Bem-vindos. Hoje é um dia importante, antes do arranque oficial da campanha eleitoral. Há um debate importante entre António Costa e Rui Rio. José Luís Carneiro é o número um por Braga, é secretário-geral adjunto do Partido Socialista. Já falou hoje com António Costa, deu-lhe algum conselho especial para o debate mais logo?
Antes de mais, permita-me que saúde o André Coelho Lima, que é o cabeça de lista pelo Partido Social Democrata, e que saúde as bracarenses, os bracarenses de todo este distrito e que saúde todas as cidadãs e cidadãos desta região, que eu costumo designar como região do Entre Douro e Minho. Todos os dias nós temos o cuidado de dialogar com não apenas a direção de campanha, mas também fazer chegar apontamentos, sugestões, recomendações, em função do contacto que vamos tendo com as populações, com as suas instituições representativas. Hoje não, mas ontem mesmo, pude fazer chegar ao secretário-geral do Partido Socialista e também primeiro-ministro, algumas sugestões, alguns apontamentos sobre aquilo que são matérias que mais devem concentrar os nossos esforços.
Quer partilhar connosco que conselhos deu?
Sim, eu diria que um dos pontos que é muito importante ter como primeira prioridade naquela que é a nossa abordagem, tendo em consideração nomeadamente hoje o debate que vamos ter com o doutor Rui Rio, tem a ver com as nossas opções de política pública para o investimento. Quer para favorecer o investimento das empresas portuguesas, quer no mercado nacional, quer também nos seus esforços de internacionalização. Mas também poderia falar dos esforços que é necessário continuar a fazer para atrair investimento direto estrangeiro. Nós estamos aqui num distrito, uma região em que temos dois importantes investimentos internacionais. Um deles é o da Bosch, é talvez um dos mais importantes investimentos no país e está precisamente nesta região. E por quê? Porque é um investimento que consegue compatibilizar aquela que é uma matriz fundamental europeia, que é o de conciliar a competitividade com as políticas de inovação e de conhecimento que são desenvolvidas, nomeadamente no tecido empresarial que temos aqui no nosso distrito.
Já vamos olhar mais em pormenor para essa questão da indústria e da importância económica de Braga. Vamos ainda ouvir o André Coelho Lima, que também saudamos e damos as boas-vindas. É também número um por Braga e é vice-presidente do PSD. André Coelho Lima, o WhatsApp hoje está particularmente ativo ou há mais chamadas telefónicas? Como é que está a ser?
Muito boa tarde, cumprimentá-los, cumprimentar o José Luís Carneiro, naturalmente, cumprimentar também todos os que nos estejam a ouvir no distrito e no resto do país. No distrito, cumprimento os bracarenses, mas também cumprimento os vimaranenses, os famalicenses, os barcelenses e todos dos restantes 14 conselhos que compõem o distrito de Braga. É evidente que o debate, na perspectiva do doutor Rui Rio, é o momento dele mostrar exatamente aquilo que é. É um político que se caracteriza pela sua autenticidade, pela sua genuinidade. É evidente que os contributos, as sugestões que todos temos sempre a dar, já os fomos dando, não estamos a dá-los agora à última da hora, porque é um momento de repouso e de preparação mais individual do debate logo. Ontem falámos, de facto, mas enfim, é natural que os líderes, no fundo, ouçam as pessoas que compõem a sua, no caso do PSD, a comissão permanente, e que, sobretudo, nós nos tentemos fazer ouvir. É mais isso. Mas o fundamental é que o doutor Rui Rio-
Mas quer partilhar connosco algum conselho que tenha dado a Rui Rio?
Repare, obviamente, não partilharia, espero que compreendam, aquilo que disse ao doutor Rui Rio. Mas acho que há aqui uma mensagem que é fundamental, que é precisamente a do PSD poder ser o farol de esperança para que o país saia deste marasmo no qual continua sempre na cauda da tabela classificativa em todos os índices de competitividade europeu. E essa é a marca, é verdade, temos que o dizer, dos últimos 20 anos do nosso desenvolvimento, mas que não foi alterada, antes pelo contrário, foi piorada nos últimos seis de governação do Partido Socialista. Quando nós passamos do PIB per capita do 15º país da Europa para o 22º. Fico sempre a pensar que quando começamos este projeto em 1986, éramos só 12, hoje somos 27 e nós estamos na mesma na cauda da tabela. E este é um desafio, não é ao PSD, não é ao PS, é ao país. Quando é que nós vamos continuar a conformar-nos com esta realidade, a não querer dar um murro na mesa e fazer algo de diferente pelo nosso país? O nosso país é claramente capaz, tem pessoas absolutamente capazes, totalmente preparadas, tem todas as condições para poder singrar, precisa de uma gestão competente, organizada, motivada, ágil, que assente, sobretudo, no rigor e no pouco facilitismo que é aquele que o PSD apresenta.
Vamos entrar já também no capítulo da economia, até porque José Luís Carneiro também já estava a falar nisso. Braga é um importante polo de inovação, um polo tecnológico, é também um importante distrito no que toca à indústria. O que o Partido Socialista pretende fazer, José Luís Carneiro, para incrementar ainda mais essa vocação industrial e de inovação do distrito de Braga?
Eu queria, em primeiro lugar, lembrar que se trata de uma região bastante diversa, mas que tem elementos de unidade muito importantes. Seria possivelmente de unidade histórica, cultural, identitária, que desde Esposende, junto ao mar, até às terras de Bouro, na montanha, e desde o Douro até à Galiza, estamos a falar de uma região que tem uma identidade histórica e cultural muito vincada e que contribuiu para a formação de um espírito muito empreendedor nas gentes desta região. Esse espírito empreendedor manifesta-se nas empresas, nas indústrias, não apenas nos setores mais tradicionais ou de maior tradição do têxtil, do vestuário, do calçado, mas também nos setores do agroalimentar, ou dos setores da metalomecânica, da indústria com tecnologia aplicada até às novas tecnologias da informação e da comunicação. Para se ter uma pequena ideia daquilo que é hoje a competitividade desta região, e muito particularmente deste distrito, que como disse bem o André Coelho Lima, é Braga, mas é Guimarães, é Famalicão, é Barcelos, são os conselhos do quadrilátero onde está 70% da população. Mas depois temos outros conselhos semiurbanos e conselhos onde o desenvolvimento rural, o desenvolvimento de montanha, assim como também a dimensão de mar, devem ser consideradas no desenvolvimento e no investimento. Mas para se ter uma pequena ideia do conjunto do Portugal 2020, no país tivemos 146 mil projetos, em números redondos, e Braga apresentou cerca de 13 mil projetos. Estamos a falar de 13 mil projetos, em números redondos, que significaram investimento apoiado de 3.2 mil milhões de euros. 2.1 dos fundos europeus, 2.1 milhões de euros. E para se ter uma pequena ideia destes investimentos, estamos a falar de 1050 milhões já realizados, 51%, e 1227 milhões pagos aos beneficiários.
E José Luís Carneiro, medidas concretas para incentivar ainda mais esse tipo de-
O Partido Socialista, no seu programa eleitoral, assume três objetivos muito concretos em relação às empresas. Como se sabe, temos, por um lado, o objetivo de termos disponíveis cerca de 1500 milhões destinados à capitalização das empresas, por intermédio do Banco de Fomento. Estamos a falar também para as micro e pequenas empresas, a extinção definitiva do pagamento especial por conta. E temos também os incentivos fiscais para as empresas que acompanhem as políticas de desenvolvimento económico do país. Estou a falar de políticas que contribuam para a criação de emprego e para a criação de emprego qualificado, com melhores remunerações, e também as empresas que acompanhem os dois objetivos com que Portugal está confrontado, quer o objetivo da transição digital, quer também o objetivo das alterações climáticas. No que diz respeito aos setores mais voltados para a inovação e para as tecnologias da inovação, ou se quisermos, para a transição do conhecimento para a estrutura social e para a estrutura económica e produtiva, eu lembro o forte investimento que está previsto no plano de recuperação e de resiliência, que tem incidência muito particular aqui nesta região e neste distrito, nomeadamente as agendas mobilizadoras. Há um conjunto vasto de projetos que estão nessas agendas mobilizadoras, que associam os centros de investigação e de conhecimento, neste caso a Universidade do Minho, com Guimarães, assim como também o Politécnico do Cávado, com empresas que estão hoje a dar o seu salto tecnológico para uma nova forma de produzir e de conceber e de se internacionalizar.
Vamos ouvir também André Coelho Lima sobre esta matéria. O que é que se pode fazer mais sobre a indústria na região, André Coelho Lima?
Eu estive a ouvir com atenção José Luís Carneiro. Eu diria que tenho aqui uma abordagem diferente, o que é natural, aliás, e é expectável que assim seja, mas uma abordagem diferente, porque eu sou efetivamente residente no distrito de Braga, sou de Guimarães, natural e residente, e portanto a perspectiva aqui não é propriamente regional. Ou seja, nós que somos de cá estamos um bocadinho cansados desta perspectiva de quando ouvem-
Até dá a ideia que é do país estrangeiro, André Coelho Lima.
Não.
Também é Portugal.
Mas deixe-me terminar que vai ver que até vai concordar comigo. Nós que somos de cá, estava eu a dizer, estamos um bocado cansados. Quando este debate ocorre no que respeita aos distritos e círculos eleitorais de Lisboa e do Porto, discute-se o país. Quando se discute todos os outros distritos, discute-se as reivindicações regionais do respectivo distrito. Ora, nós achamos, aqui no distrito de Braga, que, aliás, eu já usei essa expressão há dois anos e tenho-a mantido, tenho dito que o país tem que olhar para esta região como o New Câmara, ou seja, é claramente a terceira região urbana ou metropolitana do país, composta aliás por um projeto que se chama Quadrilátero Urbano, entre as cidades de Guimarães, Braga, Famalicão e Barcelos, e que no fundo congregam entre si cerca de 600 mil habitantes. E portanto, o que significa que as nossas preocupações são as temáticas nacionais. E sobretudo quando falamos na dimensão económica e industrial, nós temos as nossas características, como é evidente. Nós temos uma região densamente industrializada, com uma fortíssima tradição industrial, que aliás o início da tradição industrial em Portugal, designadamente a indústria têxtil, é nesta mesma região, particularmente no Ave, aí a tal diferenciação um pouco aqui entre o Cávado e o Ave. E todos estes projetos que têm sido utilizados, quem ouviu o José Luís Carneiro parece que foi o governo que os fez. Não, isto são projetos que estão disponibilizados pelos programas de apoio e que a fortíssima e ágil indústria local e os empresários locais utilizam e muitíssimo bem para tentarem fazer a sua reconfiguração económica.
O que está a dizer é que esse sucesso se deve às empresas e não ao Estado, é isso?
Não há dúvida nenhuma. Estou a dizer e a sublinhar e a pôr em bold ou em negrito, se quiser. Portanto, tudo isto não pode passar no discurso político como sendo uma atenção particular do Estado nesta região, porque não corresponde à verdade. Existem planos aos quais a dinâmica industrial desta região e empresarial desta região acede e naturalmente atingem esses números. E portanto, quanto a isto, aquilo que é preciso dizer, e vamos ser aqui francos, não vamos nesta altura ter aqui um debate como havendo políticas específicas para o distrito de Braga. Aquilo que é preciso, do ponto de vista do Estado, no distrito de Braga, é investimento público. E desse ponto de vista, aquilo que tem havido é nada. Ao fim de seis anos de governação do Partido Socialista, tudo sucede como se nada tivesse sucedido. Ou seja, foi como se não houvesse atenção especial.
José Luís Carneiro.
Com o dinamismo das autarquias locais... Deixe-me só terminar, José Luís.
Até porque há aqui diferenças no som e quem nos está a ouvir não entende muito bem. André Coelho Lima, duas frases para terminar, se faz favor.
Só para terminar, dizendo que de facto aqui tem havido muito pouca atenção por parte da administração central àquela que é a sua competência, que é o investimento público no distrito de Braga. E quase todos os projetos verdadeiramente estruturantes para as empresas, como sejam coisas tão comezinhas como a ligação aos grandes eixos rodoviários das zonas empresariais mais fortes do nosso distrito, está prometido há décadas e não foi feito. E foi também prometido pelo atual primeiro-ministro e acabou por nunca ser cumprido ao fim destes seis anos.
Vamos ouvir o José Luís Carneiro.
Como é evidente, o André Coelho Lima não tem razão no que está a dizer. Ou melhor, os factos desmentem-no com muita facilidade. Primeiro, a ligação de alta velocidade Porto-Braga-Vigo. Essa é uma ligação na qual o governo está profundamente empenhado e o Partido Socialista está profundamente empenhado e que terá efeito. E depois a própria ligação que é muito importante, nomeadamente para Guimarães, a ligação de ferrovia para a futura estação de ligação à alta velocidade, é uma das prioridades que o Partido Socialista assume claramente nas suas opções de política pública. Dou outro exemplo. Eu visitei todas as estruturas de saúde desse distrito e não há uma única estrutura de saúde, quer hospitais, quer agrupamentos de centro de saúde, que não tenham tido investimento da parte do governo, do Partido Socialista. Podia falar de novas unidades de saúde familiares, podia falar de novos investimentos hospitalares, podia falar na criação de novos agrupamentos de saúde familiares com investimento nas infraestruturas. Mas podia, tão importante como isso, ou mais importante que isso, falar do reforço dos meios humanos. Não houve uma unidade hospitalar que eu tenha visitado que não tenha tido reforço de médicos, reforço de enfermeiros, reforço de técnicos de ação de auxiliares de diagnóstico e de assistentes operacionais.
José Luís Carneiro.
Mas permita-me um outro exemplo.
Queria ir à saúde e aproveitar a sua deixa para irmos falar de saúde.
Mas permita-me só esta nota que é muito importante. Por exemplo, estão no plano de recuperação de resiliência dois investimentos muito importantes, que vou falar um para a área do litoral e outro para a área mais interior. Os investimentos na Estrada Nacional 14 e no nó conhecido como o nó de Jumbo, que faz a ligação nomeadamente com todo aquele eixo de mobilidade com Famalicão, que é absolutamente indispensável para um outro grande investimento, como o investimento da Continental. Mas poderia falar no interior do distrito, o compromisso que já está também contratualizado com Bruxelas, da ligação de Celorico de Basto à A7. Mas enfim, poderia continuar a falar, a dar exemplos de investimento público nas infraestruturas e nas condições de posicionamento desta economia no contexto da potencialidade.
André Coelho Lima, eu queria passar para a questão da saúde, se me prometer 10 segundos.
10 segundos. Eu ouvi com muita atenção, porque o José Luís Carneiro começou com uma frase forte que diz: "Os factos desmentem aquilo que o André Coelho Lima está a dizer." E depois não ouvimos um único facto. Ou seja, aquilo que ouvimos, ao ouvir falar em TGV, ao ouvir falar da ligação da Nacional 14, até parece que o José Luís Carneiro não está no partido do governo. Quem está no governo, que tem estado a governar há seis anos e não fez nenhuma dessas coisas, chega ao fim de mais um ato eleitoral a propor o que vai fazer a seguir. Portanto, não sei quantos anos é que o Partido Socialista precisa para fazer alguma coisa neste distrito. Talvez o 24 como diz o Chega, eu não sei.
Temos de ir à saúde. Temos que falar da saúde, temos que falar do caso do Hospital de Braga e de uma PPP que terminou. Um caso que era considerado, ou foi considerado, um sucesso. O Hospital de Braga cotado como, se não o melhor do país, um dos melhores do país. Com o desenho que vai sair das eleições de 30 de janeiro, José Luís Carneiro, o PS já admite regressar a um modelo de PPP para gerir, por exemplo, o Hospital de Braga, ou isso é uma matéria completamente fora de questão?
Eu estive reunido com o conselho de administração do Hospital de Braga e depois também reuni com os responsáveis dos cuidados primários, assim como também aconteceu com o Hospital de Guimarães e com os cuidados primários. Fiz a mesma coisa em Barcelos e fiz o mesmo também em Famalicão. E no caso concreto de Braga, aquilo que eu pude verificar é que os resultados operacionais na prestação de serviços de saúde, não apenas o nível de qualidade do serviço se mantém, como os resultados operacionais se mantêm positivos e há até uma boa parceria do próprio hospital, quer com as instituições de solidariedade social e também com as próprias misericórdias, no que diz respeito à externalização de serviços de saúde, no que diz respeito particularmente ao ambulatório, como há uma boa articulação com os cuidados primários e com níveis de desempenho muito positivos. Queria, aliás, deixar ficar uma nota de reconhecimento, porque o Hospital de Braga serve toda uma região, como ocorre com todos os hospitais. Aliás, somente quem desconheça, por exemplo, a área da saúde no distrito é que pode ter um discurso localista ou paroquial.
Portanto, não sente essa necessidade. É isso que está a explicar.
Do meu ponto de vista e naquilo que eu pude assistir, não senti essa necessidade. Deixe-me dar-lhe uma nota que é importante, só para que fique esta nota para quem nos está a ouvir. É só perceber que só no setor do têxtil, do vestuário e do calçado, foram 525 as candidaturas aprovadas. Na metalomecânica e na material de eletrónica, 318. No comércio, 68. É só para dar uma nota do seguinte.
Mas estamos a falar de saúde agora, José Luís Carneiro.
Sim, o tecido capilar deste distrito tem também tido uma atenção especial. No que diz respeito à saúde e na pergunta que me fez. Do meu ponto de vista, não há razão, pelo menos conhecida, que seja do meu conhecimento, que leve a que haja uma reconsideração da decisão que foi tomada.
Vamos ouvir a opinião do André Coelho Lima
Primeiro o Hospital de Braga. Eu acho que a resposta do José Luís Carneiro descreve o que não se devia ter feito. Por quê? Nós fizemos uma alteração da PPP para o domínio público da gestão do Hospital de Braga por questões puramente ideológicas. Para o PSD, aquilo que importa não é quem paga o vencimento ao médico, ao enfermeiro ou ao demais profissional de saúde. O que importa é o serviço que é prestado ao cidadão. E aquilo que nos apresenta o José Luís Carneiro é que a gestão pública mantém a qualidade do serviço e mantém os resultados positivos. Ou seja, no fundo, não alterou. Eu, aliás, quero dizer aqui o seguinte, quero ter muito cuidado nesta pronúncia, porque todos os profissionais e a equipa de gestão que está no Hospital de Braga agora, tanto no hospital sob domínio público como antes, no âmbito de uma PPP, merecem todo o nosso respeito e fazem o melhor possível. Aquilo que precisam todos eles é que não haja políticos com debates ideológicos a alterar aquilo que eles têm que fazer, que é o dia a dia, que no fundo, como se viu ainda agora, o Hospital de Braga continua, como todos desejamos, a prestar um bom serviço. Não foi necessária a alteração que aqui ocorreu apenas por critérios de natureza ideológica. Mas agora, deixem-me falar, que eu não posso deixar de o dizer, se estamos a falar de saúde... Diga.
Ia fazer exatamente a mesma pergunta que fiz ao José Luís Carneiro. Mas perante esses resultados, perante esta atual situação, vê necessidade de regressar a esse modelo de gestão?
Repare, aquilo que é preciso, tal como lhe disse, é manter os níveis e os índices de prestação de serviço às pessoas. Há aqui uma resposta que eu não seria responsável dar-lhe sem conhecer a dimensão contratual e sem perceber o que é que significaria. Quer dizer, nós para regressarmos a uma PPP, tínhamos que ter os agentes privados interessados em a ela regressar. Portanto, não dá para dizermos que vamos fazer o mesmo que o Partido Socialista fez. Ou seja, chegou aqui e decidiu mudar a PPP para gestão pública, apenas porque sim, por birra ideológica. Nós não vamos fazer a mesma coisa. Estando a funcionar bem, ficará a funcionar bem. Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa que é importante na área da saúde, porque de facto, às tantas até nos esquecemos que, por exemplo, o atual primeiro-ministro, António Costa, comprometeu-se com a população de Barcelos, com a construção do novo Hospital de Barcelos, que é um compromisso que tem também ele décadas. Ora, findos seis anos de governação socialista, aquilo que aconteceu é rigorosamente nada. Nem um terreno sequer existe. E posso lhe dar aqui um exemplo que acaba por ser paradigmático. É que há um laboratório de hemodinâmica no Hospital de Guimarães, que está pago pela comunidade, ou seja, que está ao dispor da comunidade para poder utilizá-lo ao serviço daqueles que precisem do tratamento com um equipamento de topo e está fechado há um ano, sem poder ser utilizado, preso em burocracias do Ministério da Saúde. Portanto, nós podermos chegar a esta altura com discursos gongóricos, mas de facto, quando estamos em funções, não resolvermos as coisas, de pouco adianta, não é?
José Luís Carneiro, quer ainda dizer alguma coisa sobre isto ou podemos avançar?
Não, fundamentalmente, o que se pode dizer é que esse assunto que agora foi colocado pelo André Coelho Lima tem tido, da parte do senhor presidente da Câmara de Guimarães, uma intervenção permanente. Aliás, o senhor deputado Luís Soares também tem tido essa intervenção permanente. Na semana passada foi objeto, aliás, de reconsideração dos termos em que as coisas tinham ocorrido, porque o André Coelho Lima sabe bem que os responsáveis da administração de recursos públicos têm obrigações muito especiais e é, portanto, a cuidar dessas obrigações de serviço público e agora, ao mesmo tempo, de serviço público, que, do nosso ponto de vista, terá para breve uma decisão sobre essa matéria. Eu queria dar conta de que quanto a Barcelos-
Ou seja, o Governo não fez nada.
Essas afirmações são, de facto, muito levianas.
São levianas? Vai me desculpar. Estas é que são factos. As suas são projeções de factos. Estas são factos. Está ali o laboratório pronto para funcionar e não funciona.
O que eu ouvi também, era muito importante que o doutor André Coelho Lima falasse dos novos serviços de urgência que foram investimento deste governo no Hospital de Guimarães. Devia falar também da nova USF que tem no seu município, do município de onde é oriundo, como investimento do próprio governo. Reparo que não tem tido a oportunidade de conhecer esses equipamentos ou então esqueceu-se de o referir nesta mesma sessão.
Sabe que há uma diferença entre nós. Eu não ando a visitá-los. Eu conheço-os. Há aqui uma diferença entre nós. Eu não os visito em contexto de campanha política.
E reconhece que foram investimentos do Governo.
Sabe o que é que lhe posso dizer sobre isso? Posso lhe dizer que a verba para a urgência do Hospital de Guimarães já estava destinada pelo governo anterior a 2015. E posso lhe dizer ainda que a Câmara Municipal de Guimarães, efetivamente, fez um investimento avultado na urgência, coisa que não tinha que fazer, assumido pelo próprio presidente da Câmara de Guimarães, que teve que o fazer para poder desbloquear a construção que era necessária da urgência. Portanto, é isso que lhe posso dizer.
Meus senhores.
Duma ponta à outra do distrito, os investimentos da saúde são evidentes para todos.
Meus senhores, temos de avançar. Temos poucos minutos, temos aqui três, quatro minutos e temos de terminar. E obviamente também, e pegando naquilo que o André Coelho Lima dizia há pouco, olhar para isto também numa perspetiva nacional, porque Braga é cada vez mais um distrito que atrai cada vez mais pessoas e ainda bem que assim é. E olhando para uma perspetiva mais nacional, José Luís Carneiro, quando é que vamos perceber o que é que o PS vai fazer no dia 31 de janeiro? Vai ser só no dia 31? Até lá não haverá nem uma pista sobre aquilo que o PS vai fazer se falhar a maioria absoluta?
O Partido Socialista tem uma mensagem que é clara: o Partido Socialista precisa de condições para ter estabilidade no exercício das funções governativas. Não pode ficar dependente dos taticismos políticos que, como se viu há pouco tempo atrás, por razões meramente táticas, mesmo no momento em que o país vive uma crise pandémica, económica e social, não olharam a meios para chumbar o Orçamento de Estado. Essa maioria é aquilo que estamos a pedir aos portugueses. Não pedimos uma maioria pela maioria, pedimos uma maioria porque ela é importante para garantir que o país vença esta pandemia, que cria condições de crescimento económico e social, que consegue valorizar os rendimentos médios e avançar com uma política de crescimento económico que nos permita também reduzir a carga fiscal, nomeadamente em sede de IRS, precisamente para as famílias de rendimentos médios. E para alcançarmos esses objetivos de crescimento económico e de justiça social, precisamos de uma maioria que dê estabilidade e previsibilidade ao país.
Mas as sondagens indicam que isso, para já, poderá não acontecer. E é legítimo o eleitor também querer saber o que o PS vai querer fazer no final.
O eleitor aqui tem a opção de votar numa maioria estável e duradoura, que dê previsibilidade, ou então optar por uma solução política que mantenha a instabilidade. E julgo que o país precisa de tudo, menos de instabilidade política.
Vamos ouvir também o André Coelho Lima. André Coelho Lima, até que ponto o facto de o PSD se mostrar disponível para, em caso de necessidade, viabilizar um governo do Partido Socialista, não retira força ao PSD? Por que um eleitor vai votar no PSD sabendo que poderá viabilizar um governo do Partido Socialista, pelo menos durante dois anos?
Eu perguntava-lhe: por que não? Vamos ver. O PSD candidata-se a estas eleições com o objetivo de as vencer e de poder governar. Este é o objetivo do PSD. Isso que seja claro e não há margem para a mais pequena dúvida. Aliás, na pergunta que há pouco fez ao José Luís Carneiro, estava ínsito quase que como adquirida a vitória do Partido Socialista. Esse é um pormenor que eu não posso deixar passar. Agora, o que também se exige de nós, e que se exige de todos nós, é alguma clareza quanto àquilo que faremos. Aquilo que foi dito pelo PSD, pelo presidente do PSD, foi apenas essa mesma clarificação da situação política. Ou seja, ele disse assim: se porventura nós não formos a força política mais votada, viabilizaremos aquela que for a força política mais votada pelos portugueses. Tal como esperamos que, se viermos a ser nós a força política mais votada, o segundo partido mais votado viabilize aquela que for a escolha dos portugueses. É tão simples quanto isto. Chama-se a isto respeito pela democracia e respeito por aquilo que determinam os portugueses. Se as pessoas preferem que nós estejamos aqui com fitas. Toda a gente diz que quer ganhar com maioria absoluta, toda a gente quer a totalidade dos deputados. Enfim, nós temos o dever de ter a ambição de vencer, de ter a ambição de governar, de ter um projeto que sustente essa mesma ambição. Mas temos o mesmo dever de ser claros quanto àquela que será a postura. Isso não é derrotismo, é apenas dizer a verdade às pessoas, é as pessoas saberem exatamente aquilo que contam. Por que se hão de afastar do PSD? O facto de o PSD clarificar esta sua postura é uma postura de responsabilidade. Diga-se a verdade que vários orçamentos, aqui já não digo governos, foram aprovados por direções do PSD no passado, ou seja, governos do PS que foram aprovados. Nós temos isto na história. Aliás, nós só temos dois governos de maioria absoluta, do professor Cavaco Silva e do engenheiro José Sócrates, por sinal de muito má memória para todos nós. Mas são os dois únicos, todos os outros conseguiu-se governar. O que é preciso é que se respeite o resultado eleitoral, e isso não retira em momento nenhum a ambição e o foco em poder vencer, que é naturalmente isso que o PSD tem, não para vencer, não para ter a vitória eleitoral, mas para poder governar nos termos em que consideramos que o país precisa.
Muito obrigado, André Coelho Lima e também ao José Luís Carneiro. Muito obrigado por aceitarem este nosso convite da Rádio Observador para participar neste debate entre os dois número um cabeças de lista pelo distrito de Braga às eleições de 30 de janeiro. Foi uma conversa que andou entre necessidades mais locais e também uma perspectiva mais nacional. Isto no dia em que António Costa e Rui Rio vão ser os protagonistas de um debate que vai ser transmitido pelas três televisões. Ainda uma nota: amanhã, aqui na Rádio Observador, vamos poder ouvir o debate sobre Lisboa, o debate com os nove elementos das listas que concorrem por Lisboa. Nove elementos, porque são os nove partidos que têm assento parlamentar. Vai ser depois das 14h.
Rádio Observador. Braga 98.4. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.