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Caça ao Voto na Rádio Observador, o nosso podcast dedicado à campanha eleitoral com o diretor executivo do Observador, Miguel Pinheiro, e com o editor adjunto de política, Miguel Santos Carrapatoso, até o fim da campanha eleitoral e o fim já espreita, pelo menos esta primeira parte. Andamos aqui a ver quem ganha e perde votos na campanha. Eu sou o Ricardo Conceição e comigo está a Judite França.
Bem-vindos, Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carrapatoso. Começo por ti, Miguel. Quem anda a perder votos?
Miguel Santos Carrapatoso.
Foste o último a ser mencionado. Daí segue para ti.
É toda uma falta de sensibilidade para os assuntos da rádio. Mas sim, diz lá.
Vou começar então por quem está a ganhar votos. Luís Marques Mendes, que acaba de receber uma luzinha muito pequenina ao fundo do túnel. Esta sondagem da Intercampus para o grupo do Correio da Manhã e da Now dá o social-democrata em segundo lugar. É uma sondagem que foge ao padrão, sobretudo se tivermos em conta a Tracking Poll diária da TVI CNN e a sondagem da Católica, que davam Luís Marques Mendes consistentemente em quinto lugar. Agora surge aqui em segundo e isto, de facto, é o balãozinho de esperança que precisava Luís Marques Mendes para se agarrar a qualquer coisa. E hoje tem um dia cheio. Além desta sondagem, tem também a presença de Luís Montenegro. Especulou-se bastante sobre se o primeiro-ministro voltaria ou não à campanha a Luís Marques Mendes depois de dias muito difíceis e mais uma vez em que o candidato parecia estar basicamente arredado da luta pela segunda volta e num dia em que tem uma sondagem positiva, ter também o apoio reforçado de Luís Montenegro, eu acho que são bons sinais da parte da candidatura de Luís Marques Mendes. Já ontem Mariana Lima Cunha, uma das nossas jornalistas que está a acompanhar a campanha a Luís Marques Mendes, já falava disso mesmo, da ideia de que estas 72 horas serão decisivas e também refletia nesse mesmo texto que a esperança não tinha morrido na campanha de Luís Marques Mendes e este é o sinal de que estavam à procura. Repito, é uma sondagem que foge ao padrão até aqui verificado, mas é qualquer coisa e Luís Marques Mendes precisava disto.
Miguel Pinheiro.
Sim, acho que é inescapável. Falta conhecer uma sondagem, vai haver mais uma sondagem. Temos que esperar para perceber o que é que vem de lá. Mas nesta guerra particular entre Marques Mendes e Cotrim de Figueiredo, este estudo de opinião vem dar força a Marques Mendes, até porque esta sondagem apanha o dia em que rebentou a polêmica Cotrim, com as declarações sobre um eventual apoio a Ventura na segunda volta e com as acusações de assédio sexual. Apanha esse dia e o seguinte.
Portanto, apanha dia 12 e 13 já.
Certo. Eu não faço ideia se os resultados até aí mostravam isto ou se mostravam coisa diferente. Não sei se houve uma mudança.
São cerca de 800 entrevistas, pelo menos foi o que vimos aqui.
Quê?
Que foram recolhidas para esta sondagem.
Certo, mas quer dizer, isso pode indiciar o facto desta sondagem apanhar, haver recolha de intenções de voto no dia e no dia seguinte às polêmicas de Cotrim, pode indiciar uma transferência de voto entre um e outro.
Ou pode indiciar que não houve mossa com aquilo que aconteceu.
Quer dizer, mais ou menos, porque a verdade é que tudo o que nós tínhamos até agora era Cotrim claramente à frente de Marques Mendes. Se Marques Mendes aqui passa para segundo lugar, os votos hão de ter vindo de algum lado.
E passa Cotrim, passa Seguro.
E esse é o outro ponto. António José Seguro aparece em quarto lugar. A primeira candidatura à esquerda aparece em quarto lugar. Nós temos André Ventura, o candidato apoiado pelo PSD, o candidato apoiado pela IL e só depois António José Seguro. Por isso, isto baralha tudo. Eu tenho encontrado muitas pessoas que estão à procura da sua intenção de voto, à procura da sua decisão de voto nas sondagens. Antigamente, ia-se às entranhas das galinhas. No tempo da Roma antiga, ia-se às vísceras das galinhas tentar adivinhar o futuro.
Porque as galinhas são mais fiáveis do que os catrinos no que toca.
Muito bem. Isto foi há muito tempo. Não é uma coisa do gênero nas eleições de 86. Não, foi há muito tempo. E portanto, hoje em dia não é preciso isso, mas as sondagens estão a tomar esse papel.
Estão ao nível.
E eu acho que as pessoas, a dada altura, vão ter que tomar uma decisão. Agora, essa decisão pode realmente ser tomada só na cabine de voto. A sondagem de ontem da Católica mostrava que 51% das pessoas que aceitaram responder, muita gente não respondeu, possivelmente porque não sabia o que responder, e 51% das que responderam admitiam ainda mudar o sentido de voto.
Exatamente.
E dessas, a maior parte encontrava-se entre Cotrim e Marques Mendes.
E até o último momento.
Até o último momento. Qualquer coisa que aconteça em cada uma das campanhas, qualquer palavra que seja dita de forma errada em cada uma das campanhas, qualquer disparate que um apoiante diga ou faça, qualquer coisa pode levar a uma mudança de sentido de voto.
Isto parece que vai acabar nos pênaltis. Portanto, quem ganha também pra ti é Marques Mendes.
É Marques Mendes. E há um outro ponto. Vou fazer uma previsão, como se estivesse a ver as vísceras das galinhas. Sábado é dia de reflexão. Eu aposto o que tu quiseres que este próximo sábado nas redes sociais vai ser uma das maiores loucuras que tu viste nos últimos tempos.
Vai ser guerra sem quartel.
As autoridades portuguesas, claro, impõem a sua lei de silêncio aos órgãos de comunicação social no sábado. Isto quer dizer que não vai haver nenhuma hipótese de um órgão de comunicação social sério poder eventualmente olhar pra informações erradas que circulem no sábado. Vai ser o faroeste. Sábado, redes sociais, faroeste, sem haver um único jornalista que possa informar os seus leitores sobre o que está a acontecer naquele faroeste. E podem agradecer às nossas autoridades eleitorais e à nossa legislação eleitoral por isso.
Posso acrescentar um dado, e não é, juro, sobre as eleições em 1986.
Não?
Não é, mas ajuda a complementar o que o Miguel estava a dizer. Esta sondagem que saiu agora mesmo tem 19% de indecisos, é o candidato vencedor, é o primeiro classificado desta sondagem. E há um dado interessante que o António Salvador, fundador e responsável pela Intercampus, nos trouxe na semana passada, numa entrevista que deu ao Observador no programa Vixi Suave, em que lembrava que nas eleições de 2022, aquelas que deram maioria absoluta a António Costa, 24% dos votantes só decidiram na última semana, e é possível descobrir isto com estudos pós-eleitorais. Portanto, 24% dos votantes só decidiram na última semana. Desses, 50% só decidiram nos últimos dois dias. Transpondo para estas eleições, em teoria, os eleitores vão decidir, aqueles que estão indecisos, entre quinta-feira e sexta-feira.
Na solidão das urnas.
Até aí.
Na cabine.
Sexta e sábado, sim, nos últimos dois dias, sexta e sábado.
Exatamente.
E quem anda a perder votos, Miguel Santos Carrapatooso?
Vou escolher Henrique Covey e Melo. É verdade que nós não devemos ser reféns de sondagens e devemos ter sempre muita prudência em analisá-las, mas não há nenhum estudo de opinião até o momento, dos últimos que foram feitos, até estes que saíram entretanto e porventura os próximos que venham a surgir, em que Henrique Covey e Melo tenha sequer uma hipótese vaga de passar à segunda volta. E portanto, parece, insisto, que a campanha do almirante perdeu alguma força neste momento, que as pretensões dele perderam alguma força. E tivemos, entretanto, umas declarações estranhas de Henrique Covey e Melo, que merecerão nas próximas horas uma leitura da parte do Observador num programa pró-voral de Fernando Alvim, em que Henrique Covey e Melo assume que pode, depois destas eleições, eventualmente fundar um movimento político, um partido, não se percebe muito bem aquilo que Henrique Covey e Melo pretende. Sabemos que Henrique Covey e Melo sempre afastou essa hipótese e agora ressurge essa hipótese, tal como Ramalho Eanes fundaram partido, sendo que Ramalho Eanes patrocinou a fundação de um partido a partir da Presidência da República, não a partir de 14%, 13% ou 12% que tenha tido em qualquer eleição, mas parece-me que é Henrique Covey e Melo já deitar a toalha ao chão de alguma forma.
Miguel Pinheiro, quem anda a perder?
Só um ponto sobre isso. Isso é uma grande fantasia. Da última vez que se ouviu uma conversa dessa, foi o milhão de votos de Manuel Alegre. "Meu Deus, Manuel Alegre, conseguiu um milhão de votos nas presidenciais e agora, o que é que vai sair daqui, a nova esquerda?" Não saiu nada. Para não estar a repetir o Henrique Covey e Melo diria que se olharmos aqui pro fundo da tabela, esta sondagem de agora, que tem uns minutos, também nos confirma a ordem de grandeza dos resultados da extrema-esquerda. Catarina Martins 2,6, Jorge Pinto 1,9, António Filipe 1,7. António Filipe aparece atrás de Jorge Pinto. Eu bem sei que nas legislativas os resultados já não tinham sido incríveis. O LIVRE, que é assim apontado como a grande surpresa das legislativas, seis deputados, claro, mas teve 4%. PCP 2,9, Bloco 1,99. Nós já estamos aqui nos mínimos dos mínimos. Mas se se confirmarem valores como estes que aparecem nesta sondagem e que também têm aparecido noutras sondagens e na Tracking Poll, isto é a antecâmara da morte desta área política. Se a isto somarmos a indicação que surge na sondagem da Agenda Católica, de que os candidatos com maior índice de rejeição Não é André Ventura, são estes candidatos da extrema-esquerda, da esquerda radical, como lhe quisermos chamar, mostra que a sociedade portuguesa está, de facto, a rejeitar violentamente estes partidos e começa a ser muito difícil ver uma solução, um futuro. Quer dizer, estes partidos, esta franja vai se transformar num exotismo. Estão ali.
E é particularmente estranho como é que Jorge Pinto consegue tão pouco tendo em conta a base do LIVRE.
Sim, mas aí eu acho que já houve pessoas que referiram isso, e parece-me com razão. É que, de facto, Jorge Pinto não desistiu da candidatura, mas os eleitores desistiram. Eu acho que é daqueles casos em que os eleitores de um partido são mais clarividentes do que os dirigentes. Isso é um problema para os dirigentes do partido. É suposto os líderes liderarem. Se de repente Rui Tavares está a caminhar pela planície, a cavalgar.
Estava fora do país.
Estava de férias, mas imaginem Rui Tavares pela planície, no seu cavalo branco, com uma bandeira do LIVRE na mão direita e outra bandeira com o rosto de Jorge Pinto na mão esquerda. A cavalgar a alta velocidade.
Camisa esfarrapada.
Sim, o vento a levar tudo aquilo, o cabelo ligeiramente comprido porque esteve de férias e não foi ao barbeiro. E de repente olha para trás, à espera de ver as massas do LIVRE atrás dele e não está ninguém. Quer dizer, está o Jorge Pinto e a família num cavalinho um bocadinho mais pequeno.
Nas suas pilecas.
Sim, isto é fatal para um líder partidário, não é?
Miguel Santos Carrapato, queres acrescentar alguma coisa?
Quero só acrescentar um apontamento menos divertido que aquele que o Miguel nos trouxe. É só porque é evidente que António José Seguro, se vencer a eleição, é vencedor e acabou, não há conversa nenhuma. E passando à segunda volta, também, tendo em conta o ponto de partida com que saiu para esta campanha. Agora, eu estou aqui a olhar para o radar das sondagens d'O Observador, que faz uma média ponderada das várias sondagens que vão saindo. António José Seguro está com 21,53%. Isto é um resultado abaixo daquele que Pedro Nuno Santos teve nas últimas legislativas e sem concorrência nenhuma à esquerda, como se viu.
Mais ou menos. Atenção, o almirante vai buscar uns votos socialistas.
Mas senhores, amanhã ainda temos oportunidade para falar sobre as eleições de 86.
Mas temos os meninos à espera nas campanhas.
Eu não queria dizer mais nada. Bom, Miguel Santos Carrapato e Miguel Pinheiro regressam amanhã, até porque temos que falar da 86 e da eleição mais louca de sempre, um podcast Plus d'O Observador em que o Miguel Santos Carrapato é coautor. Vamos até à estrada, ao encontro do Miguel Cordeiro, que está a acompanhar a caravana do Chega. Miguel, onde é que andas? Do Chega, não, do André Ventura.
Sim, de André Ventura, o candidato apoiado pelo Chega. Estamos na Rua de Santa Catarina, coração do Porto. A arruada devia ter começado às 17h30. É o atraso habitual, é da praxe. Está ligeiramente atrasado André Ventura, mas já há muitos apoiantes para dar início a essa arruada na Rua de Santa Catarina.
Miguel, perante os resultados das sondagens e prevendo passar à segunda volta, André Ventura já se perfila como representante da direita, de todas as direitas?
Sim, porque de facto, estávamos a falar de sondagens ainda há minutos e há um dado que salta à vista, é que Ventura lidera praticamente todas. E quando não lidera, está em empate técnico. E portanto, para esta candidatura há já essa certeza de que há uma passagem à segunda volta. Há mais do que isso, há a intenção de vencer, confiança de que vão vencer e até Ventura tem apostado a vencer de forma confortável, tentar caminhar para três, quatro, cinco pontos percentuais de vantagem para o segundo. Esse é um dos objetivos de André Ventura. E coloca-se já isso, já acontece há alguns dias, como o candidato da direita que vai estar contra o socialismo. É daí, por exemplo, que vem esse desafio lançado na semana passada a Montenegro de que terá de definir quem é que apoia na segunda volta. Foi também com tudo isso que depois acabou Cotrim Figueiredo por escorregar, porque essa pergunta começou a ser feita a todos os candidatos da direita sobre quem é que apoiariam numa segunda volta se não estivessem. Porque Ventura disse: "Se eu não estiver, vou apoiar qualquer candidato contra o socialismo". E portanto, sim, temos, de acordo com esta candidatura, já uma ideia de que vão chegar à segunda volta e mais do que isso, estão confiantes de que vão vencer na primeira.
E Miguel, onde é que vai terminar o dia?
É aqui. Esta é a última ação de campanha do dia, Praça da Batalha, Porto. Vai começar daqui a pouco esta arruada e vai seguir durante os próximos minutos no coração da cidade invicta.
Miguel Cordeiro no Porto. Vamos agora ao encontro de outra jornalista d'O Observador que está na estrada, nas campanhas com António José Seguro. Onde andas, Rita Tavares?
Em Mafra, neste momento, à espera do candidato para mais uma arruada. É a terceira hoje, Vila Franca de Xira, Amadora e agora aqui em Mafra.
Estava à espera de um carrilhão, mas não deve estar na hora, deve ser às 18h.
Não, exato, não é a hora certa ainda. Se demorarmos um bocadinho nesta conversa, talvez ainda apanhe.
Exato, mas já não falta muito, por isso temos que acelerar. E António José Seguro estava tão confiante que almejava já vencer a primeira volta. Estes números agora divulgados na sondagem do Correio da Manhã e da NOS podem esmorecer um pouco a confiança?
Vamos ver, porque ainda não tivemos a oportunidade de fazer essa pergunta ao candidato, uma vez que os números saíram entre uma ação de campanha e outra. É natural que agora responda aqui em Mafra a essas perguntas dos jornalistas, mas a verdade é que ontem António José Seguro subiu a fasquia pra um ponto para o qual ainda não tinha feito até agora. Tentou bipolarizar a campanha entre ele e André Ventura. Já só fala nos extremismos e no radicalismo, e pôs essa nova fasquia de não ficar sequer atrás de André Ventura no final desta primeira volta e conseguir tirar os tais extremismos do primeiro lugar e da preferência dos portugueses. E ao mesmo tempo que faz este discurso mais vincado e mais apontado a André Ventura, também entra no seu discurso, porque esta manhã em Vila Franca de Xira, quando nada fazia prever, até porque não estava na agenda do candidato, António José Seguro dirigiu-se à esquadra da polícia local, da PSP, e esteve reunido longos minutos com vários elementos da PSP. Um deles era Bruno Pereira, do Sindicato da Associação Nacional das Polícias.
Dos oficiais de polícia.
Dos oficiais de polícia. Fez essa precisão que estava ali como superintendente daquela esquadra e não na qualidade sindicalista. No entanto, esta ação de campanha em si, desviada até à esquadra da polícia, deixou suspeitas no ar sobre a vontade de António José Seguro tentar entrar nesse campo de argumentos de André Ventura e falar ali na situação da segurança. E lá está, falou, confrontado pelos jornalistas, negou que estivesse ali a tentar ir ao campo de André Ventura, mas também já tinha dito poucos minutos antes que nenhum eleitorado está perdido, portanto, a dar a entender que ainda quer caçar votos também nessa área política, e a falar do tema da insegurança, que agora, na Amadora, quando foi questionado, e foi insistentemente pelos jornalistas desde que colocou o tema na agenda, se existe uma questão de insegurança geral no país, António José Seguro mostrou muita dificuldade em responder diretamente à pergunta. Arrajou várias formas de se esquivar à questão, e chegou apenas a admitir, a dada altura, que as pessoas sentem a insegurança e que, portanto, é preciso dar-lhes respostas. Não é uma ideia muito diferente daquela que foi polêmica da perceção de insegurança pelo primeiro-ministro Pedro Negro. E aqui, António José Seguro também a ir por esse caminho.
E onde é que vai terminar o dia, Rita?
Vai terminar num jantar na Lourinhã, também uma coisa colocada à última hora na agenda, tendo em conta que esta noite há futebol e, portanto, a candidatura estava a prever que não houvesse mais nada, mas entretanto marcou aqui uma iniciativa, um jantar comício.
Há Porto e Benfica a contar para a Taça de Portugal. Obrigado, Rita. Rita Tavares, faça boa viagem. O Caça ao Voto fica até ao final da campanha eleitoral. Amanhã há mais.