Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Caça ao Voto na Rádio Observador, o último episódio da primeira volta das presidenciais 2026. Desconfio que segunda-feira vai voltar o Caça ao Voto. A ver vamos. O Caça ao Voto com Miguel Pinheiro, diretor do Observador, e Miguel Santos Carrapatoso, editor adjunto de política. Aqui fazemos as contas a quem ganhou ou perdeu votos. Eu sou Ricardo Conceição e comigo está a Judite de França.

Bem-vindos, Miguel Pinheiro e Miguel Santos Carrapatoso. Eu começo por ti, Miguel Pinheiro. Quem anda a perder votos?

Ou quem perdeu. Não, mas hoje eu diria novamente Jorge Pinto. Depois de ter perdido votos pra Antônio José Seguro, hoje perdeu votos pra Henrique Gouvaêa e Melo, porque perguntaram-lhe sobre candidatos que dariam garantias de defender a Constituição passando à segunda volta, e ele apontou Gouvaê e Melo. Isto já era divertido, não é? Mas agora eu já estou mesmo, não parece, mas por dentro já estou realmente a dar gargalhadas, porque isto é, não vou usar a palavra. Estava aqui a pensar numa palavra, mas não vou usar. Eu acho que Jorge Pinto foi dos piores candidatos. Eu tenho ouvido muita gente, incluindo nesta rádio, incluindo nesta casa, neste estúdio, muitas pessoas com responsabilidades a dizerem que Jorge Pinto foi um grande candidato, que foi uma grande surpresa, que mostrou uma grande solidez, que temos aqui alguém capaz de assegurar o futuro do LIVRE caso Rui Tavares decida ir gozar a pré-reforma numa ilha das Caraíbas. Eu já ouvi isto tudo. Mas eu honestamente não entendo de onde é que isto vem. Ainda ontem, Jorge Pinto, e não só ainda ontem, no debate das televisões, a dizer que não seria por ele que António José Seguro não seria presidente da República. E agora, afinal, Gouvaê e Melo também é muito bom. Também acho Gouvaê e Melo muito bom. Eu acho que isto não entra na cabeça de ninguém. Para citar um outro candidato, não sei onde é que Jorge Pinto está com a cabeça, mas isto é daquelas coisas que não entram na cabeça de ninguém. O LIVRE está sem estratégia nenhuma. Esta campanha, isto parece, também não vou dizer, só me estão a passar coisas más pela cabeça. Mas isto, de facto, é uma total falta de senso, uma total falta de equilíbrio, uma total falta de rumo. Realmente, para isto mais valia não ter apresentado candidato, como aliás várias pessoas se fartaram de dizer. Era preferível o LIVRE dizer: "Muito obrigado, nós desta vez não vamos, os nossos eleitores compreenderão, o que é importante é concentrar votos em António José Seguro." E assim, Jorge Pinto continuaria a ser um ilustre desconhecido. Acho que a pátria teria a ganhar. Miguel Santos Carrapatoso.

Eu tinha pensado fazer um número neste Caça ao Voto.

Faz, por favor.

Não, eu vou explicar porquê.

Miguel, nós contamos sempre com o melhor de ti. Entro varão.

Não. Que seria usar-

Podem instalar o varão aí, se acharem que é preciso.

Implicaria ter condicionado os nossos moderadores, teria de começar por mim para depois fazer...

Mais uma vez foste-

Ninguém nos condiciona aqui.

Mais uma vez foste incompreendido.

Nem sequer tentei pra não sermos acusados de estarmos aqui a ter uma combinação, mas a minha ideia era: a Judite passava a palavra pra mim e eu usava aquela técnica parlamentar de dizer: "Eu cedo tempo à bancada do Miguel Pinheiro", no caso, para que pudesse continuar a acertar sobre Jorge Pinto. Mas já percebi que também que o Miguel está com dificuldades em escolher as palavras certas. Eu, portanto, vou falar não de Jorge Pinto, mas de Rui Tavares. Vou tentar ser um pouquinho mais criativo pra não continuar a massacrar o pobre coitado Jorge Pinto, que acho que está a precisar de umas férias depois desta campanha. Mas Rui Tavares tem, de facto, um problema. Sempre que não foi ele o protagonista de campanhas eleitorais do LIVRE, ou quando permitiu que houvesse mais alguém a ditar as regras do jogo do LIVRE, a coisa correu mesmo muito mal.

Sim, eu até diria que Jorge Pinto é o Tanger Correia do Rui Tavares.

Mas não é o único. Antes foi Joacim, que aquilo até correu bem porque garantiu a eleição, mas depois foi o desastre a que assistimos todos incrédulos. Depois teve aquele psicodrama com o Francisco Paupério, que não queria como candidato, andou a tentar de tudo para impedir que Francisco Paupério fosse candidato. Francisco Paupério lá foi democraticamente eleito pelos órgãos, escolhido pelos órgãos internos e lá teve de fazer a campanha. E Rui Tavares andou até mudar as regras internas do LIVRE para impedir que isso venha a acontecer no futuro. E agora, mesmo tendo martelado uma eleição interna para garantir que era Jorge Pinto o candidato, foi este desastre a que assistimos todos.

Mas também parece que o deixaram bastante desamparado. O próprio Rui Tavares o deixou bastante desamparado.

Pois, também é um clássico em Rui Tavares e também é um padrão comportamental, já que com Francisco Paupério não meteu os pés na campanha eleitoral. Isso diz muito da capacidade de liderança de Rui Tavares, mas isto é um problema até para o futuro do LIVRE, porque se o LIVRE quer ser uma força pra levar a sério a esquerda do PS, tem de começar a organizar-se de outra forma e tem que começar a ter quadros. Jorge Pinto pode ser um Porventura será um deputado muito respeitável, uma pessoa muito competente nos debates.

Estamos a avaliá-lo como candidato à Presidência da República.

Estamos a avaliá-lo pela experiência política para ser candidato à Presidência da República. Atenção, não estamos a avaliar o currículo, nem a forma de estar na política, mas a experiência que é necessária para se ser candidato de umas eleições como esta, objetivamente, Jorge Pinto não a tinha e não a demonstrou. E isso é um problema para o Livre. O Livre precisa de, e Rui Tavares se quer dar algum futuro a este partido, tem que começar também ele a contribuir para a formação de quadros com mais experiência e a abertura também do partido a esses quadros.

Terá sido ele quem mais perdeu votos nesta campanha?

Rui Tavares?

Miguel Pinheiro. Não. Sim, se quiseres, por arrasto do Jorge Pinto.

Eu preferia Rui Tavares. Acho que sim, acho que Rui Tavares foi uma das pessoas que mais votos perdeu nesta campanha.

Uhum. Miguel?

Sim, por esta perspectiva de futuro, porque acho que o Livre cometeu um erro estratégico ao patrocinar uma candidatura nestas presidenciais, tarde e a más horas, e deu fraca figura nestas eleições.

Miguel Pinheiro, quem é que anda a ganhar votos?

Olha, eu vou te dizer quem é que, na aparência, ganhou votos, mas na realidade, perdeu. Acho que não estou a fazer batota excessiva. Então na aparência, Marques Mendes ganhou votos porque o PS veio dizer, segundo o Expresso, eu ainda não li as letras pequenas, mas penso que o Expresso escreveu que o PS apoiará Marques Mendes se Marques Mendes passar à segunda volta. É isto. E uma pessoa pensa: "Bem, está a ganhar votos". Tem o PS, na verdade, quase poderia ser um momento Cotrim 2, no que diz respeito a Ventura, nas declarações de Ventura. Temos o PS antes da primeira volta a dizer que Marques Mendes se calhar nem é assim tão mau e, portanto, na verdade, as pessoas que não gostam de Seguro, até poderiam votar em Marques Mendes já na primeira volta. Portanto, na aparência, Marques Mendes está a ganhar votos, mas na realidade, não há nada pior nesta primeira volta do que um candidato da direita receber um apoio do Partido Socialista. Eu suspeito que muita gente que esteja indecisa, eventualmente entre Marques Mendes, Cotrim, Ventura, ao ver que o PS, afinal, o candidato preferido do PS à direita é Marques Mendes, vai a correr optar por um dos outros dois. Eu não sei quem foi a pessoa do PS que teve a infeliz ideia de fazer um comentário destes antes da primeira volta, mas quem quer que tenha sido, bravo. Os meus parabéns.

Mas o próprio fato do PSD não dever declarar apoio numa segunda volta sem Marques Mendes é porque está a colocar essa hipótese, não é? De Marques Mendes não ir à segunda volta.

Sim, alguém lhes terá feito a pergunta também e outra mente brilhante do governo também deve ter achado que era boa ideia responder. De qualquer forma, faz todo sentido. Eu não estou a ver nenhuma maneira de a AD apoiar um outro candidato que não Marques Mendes na segunda volta. Não estou a ver.

Mesmo com o medo que será ter Ventura reforçado.

Sim, até porque, na verdade, eu ia dizer que nem é uma questão de não precisa, mas eu acho que o ponto nem sequer é esse. Eu acho que se Marques Mendes não passar à segunda volta, fica tão evidente que os eleitores da AD estão nas tintas para o que acha Luís Montenegro, que eu acho que o melhor é ficar em silêncio e ficar à espera de ver o que é que lhe sai na lotaria no dia 8 de fevereiro. Miguel.

Sim, vai ser uma grande chatice para Luís Montenegro ter de lidar com o day after se Luís Marques Mendes não passar à segunda volta.

E se Ventura conseguir um bom resultado.

Não vejo uma saída feliz para Luís Montenegro neste momento, porque ou passa Luís Marques Mendes, ou como é que se descalça esta bota?

Depois de ter apoiado daquela forma fervorosa.

Não só ter apoiado. Uma coisa é apoiar, e até acho isso perfeitamente legítimo. Uma coisa é apoiar um candidato, outra coisa é criticar tanto como Luís Montenegro criticou todos os outros. Isso, como é que se resolve? Vai aparecer com que cara ao lado de António José Seguro, ou por sinais de fumo, a dizer que os eleitores da AD podem votar em António José Seguro. E cria um problema até mais grave, que é: pode insuflar ainda mais André Ventura, porque se de repente o líder do partido mais votado à direita sugerir que é bom sinal, ou seria possível e útil votar no candidato socialista, pode ainda fragmentar mais esse espaço à direita. Mas aqui quem é que anda a ganhar votos? Como é o último programa antes da segunda volta, eu vou tentar ser criativo e vou escolher José Luís Carneiro, mais ou menos pelas mesmas razões que escolhi Rui Tavares para perder votos. Na política, às vezes é ter as estrelinhas. José Luís Carneiro nem sequer teve o trabalho de arranjar um candidato presidencial. Esse trabalho tinha sido feito por Pedro Nuno Santos, coitado. Entretanto, teve de deixar a liderança do PS. José Luís Carneiro herdou um dossiê quase resolvido, não teve que se chatear com ninguém e agora está na antecâmara de conseguir que o candidato semi Apoiado, mas algo fugidio do Partido Socialista, António José Seguro passar à segunda volta.

Fez um bocadinho cara de pau por parte do PS, para dizer que é uma vitória.

José Luís Carneiro, na verdade, chegou a este processo com uma página em branca e, portanto, nem pode ser atacado por ter dito mal ou bem dos outros possíveis e potencialos candidatos da área do PS. Portanto, herdou um dossiê desarmadilhado, arrisca-se a aparecer na fotografia como o líder do PS que devolveu o partido a Belém 20 anos depois, e recebe aqui um balãozinho precioso de oxigénio. Veremos depois, na prática, o que acontece se António José Seguro for, de facto, eleito presidente, como é que se relaciona com o governo. Eu imagino que haja muita gente no PS a salivar pela ideia de ter em António José Seguro um adversário feroz de Luís Montenegro. Não acho que vá ser esse o perfil de António José Seguro. Acho que esta campanha demonstrou que António José Seguro está-se um bocadinho nas tintas para o PS e está também a fazer esta campanha para provar alguma coisa dentro do PS. Portanto, não me parece que ele vá ter essa dependência em relação ao Largo do Rato. Mas ainda assim, José Luís Carneiro, se tudo correr como o PS espera, vai acabar esta eleição com um presidente em Belém. E atendendo ao resultado que há meia dúzia de meses teve nas legislativas, só pode ser uma boa notícia para o Partido Socialista.

Deixe-me só clarificar aqui uma coisa com o Miguel Pinheiro, porque em 86 quando tivemos-

Olha, já agora quero fazer um comentário sobre 86.

Sim, sim. Vamos já ouvir.

Já que tiveram 15 dias.

Não, vamos já ouvir por prioridade, porque ele tem obra publicada sobre as eleições de 86. A Carolina linda Pereira não foi aceite. A candidatura da Carolina linda Pereira, que foi uma candidata recorrente a eleições, era do PLS, Partido Operário da Unidade Socialista. Portanto, tu consideras que Jorge Pinto é ainda pior do que Carolina linda Pereira, só para eu perceber como candidato.

Eu não me tinha lembrado disso, mas agrada-me a ideia. Subscrevo isso.

Sobre 86, o Miguel Santos Rapatoso é coautor de um podcast chamado "A Eleição Mais Louca de Sempre", Podcast Plus, o que te confere um grau de especialidade.

Uma autoridade, até.

Uma autoridade. E querias dizer sobre 86?

Só para que fique claro, eu só estou a fazer isto porque vocês passaram estes dias todos a massacrarem-me com a eleição de 1986. Mas, e um comentário mais a sério, eu acho que esta eleição, comparando com a de 86, precisamente, mostra até pela adesão que as pessoas estão a ter aos candidatos que concorrem nestas eleições, mostra que a política e os protagonistas políticos, se calhar, perderam um bocadinho de qualidade. Eu acho que não conheço ninguém, e mesmo as sondagens assim o indicam, que esteja particularmente apaixonado por qualquer um dos candidatos. As pessoas estão a votar no que será o mal menor ou naquele que entendem que pode ser o menos mau, e isso também é um bocadinho revelador. Se quisermos fazer a comparação com 86, eu acho que isso há 40 anos não se colocou. As pessoas votaram, de facto, com muita vontade naqueles candidatos todos e nesta- Mas vai ser interessante perceber a abstenção. Ou seja, se o facto de não haver essa paixão política-

Essa capacidade de mobilização, não é?

Deixa lá ver. Em 86, qual foi a abstenção?

Estamos a consultar os nossos apontamentos neste momento.

Não, eu estou aqui a ir à minha memória. Deixa-me cá ver. Qual foi, Miguel?

O Miguel não sabe isso de cor.

Não sei. Sei que a participação foi muito alta. Não sei os números da abstenção. Não sei se bateram recordes de participação, mas foi muito alta.

Votaram 75% na primeira volta e 78% na segunda volta.

78% na segunda volta. Portanto, foi uma participação elevadíssima.

Muita gente.

Vai ser curioso perceber desta vez como é que vai ser, de facto.

Meus senhores, temo que segunda-feira há mais "Caça ao Voto". Temo por boas razões.

Cá estaremos. Tudo pela pátria.

Muito obrigado aos Miguéis. Agora temos que ir pra estrada, doutora Judite.

Ora, vamos às caravanas. Neste "Caça ao Voto", nunca nos esquecemos dos repórteres que andam na estrada e vamos às campanhas de Marcos Mendes e de André Ventura, com Miguel Viterbo Dias e Miguel Cordeiro. E começamos por ti, Miguel Cordeiro, que acompanhas a caravana do líder do Chega. Boa tarde, Miguel, por onde andas?

Boa tarde, estou agora na zona de Alcântara, porque daqui a pouco, às 8 p.m., André Ventura vai ter o comício de encerramento da campanha. O comício vai ser no Instituto Superior de Agronomia e algo que é diferente de outras campanhas do Chega, em que acaba sempre com a descida do Chiado e com um pequeno discurso no final dessa descida. Hoje não foi assim, houve a descida do Chiado e agora à noite há um comício de encerramento.

Miguel, André Ventura está preocupado com o excesso de confiança que advém das sondagens? É uma preocupação que sente-se na campanha?

Está, ou pelo menos deixa a entender que está preocupado. Ele tem apelado à não desmobilização, tem dito: "Não desmobilizem, só o voto no domingo conta. O país não foi feito de sondagens". Tudo isto foi dito nos últimos dias por André Ventura, mas ao mesmo tempo, Ventura usa o que aconteceu no passado para mostrar confiança. O candidato ainda ontem referiu que o Chega consegue sempre uma votação maior do que dizem as sondagens nos dias anteriores às eleições. Nesse sentido, ontem, num discurso em Coimbra, disse: "Se estamos em primeiro agora nas sondagens Imaginem a votação que vamos ter no domingo. E de fato, André Ventura nunca esteve nesta posição. Nunca esteve em primeiro lugar nas sondagens à beira de uma eleição, e agora está ou em primeiro ou em zona de empate técnico. Sabendo disso, André Ventura o que pede é que isso se confirme, que tenha no domingo o primeiro lugar e, além disso, que seja uma votação reforçada. Hoje voltou a fazer esse pedido. Na tradicional descida do Chiado, pediu a quem o apoia para não confiar nas sondagens, pediu que votem no domingo. Fez mais, Ventura voltou também a falar de cenários na segunda volta. E se já ouvimos o candidato do Chega desafiar Montenegro a ser claro na segunda volta sobre quem apoia, agora Ventura pede apenas que não sejam um obstáculo. É um pedido dirigido aos líderes do PSD e da Iniciativa Liberal, Montenegro e Mariana Leitão, que na segunda volta não sejam um obstáculo nesta corrida presidencial.

Miguel, já sabe onde é que termina o dia?

É isso, termina no Instituto Superior de Agronomia com esse comício de encerramento.

Já tinhas dito. Miguel, um abraço e força aí para as últimas horas de campanha. Está quase.

Um abraço.

Vamos também ouvir o Miguel Viterbo Dias, que tem acompanhado a campanha de Marques Mendes. Onde é que tu andas, Miguel?

Já estamos também por Lisboa.

Já estás a suspirar: "Já estou em Lisboa."

Contando com o que vai dizendo o candidato que estou a acompanhar, Luís Marques Mendes, ainda faltam três semanas. Veremos no domingo se confirma ou não essa previsão de Luís Marques Mendes. Mas já estamos por Lisboa. Ontem cumpriu-se a tradição de dedicar o dia ao Porto, hoje em Lisboa, esteve há pouco num almoço com mulheres, onde contou com a ex-presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite. Estará daqui a cerca de meia hora no comício de encerramento que vai contar com Carlos Moedas e depois termina com aquele conceito sempre moderno, uma festa da juventude a fechar a noite de sexta-feira e que encerra o programa público de campanha de Luís Marques Mendes a partir das 9 p.m.

A estratégia de Marques Mendes continua a ser de estar colado ao PSD e ainda ontem teve várias figuras do PSD na campanha, também colado ao governo. Tem sido a principal estratégia ou principal fio condutor da campanha?

Não é a única, mas é realmente esse o fio condutor da grande narrativa destes 15 dias, é essa candidatura da estabilidade. Começou muito por ser uma candidatura colada à AD, depois houve ali uma ligeira correção nessa narrativa para dizer que é o candidato da estabilidade, ou seja, com este ou com qualquer outro governo, o objetivo é cumprir e fazer cumprir os quatro anos de uma legislatura. Tem sido essa a tônica em todas as intervenções de Luís Marques Mendes e também na forma como se procura diferenciar face aos candidatos. E tem contado praticamente todos os dias com figuras do partido. Aliás, o partido foi se unindo à volta de Luís Marques Mendes durante estes dias, mesmo que nas bases existam muitos votos que tenham fugido, quer pra João Cotrim Figueiredo, quer pra António José Seguro, quer pra outros lados, nos órgãos dirigentes, nos deputados, nos autarcas, essa aproximação tem existido ao longo destes dias de campanha e isso é algo que tem vindo em crescendo, sobretudo se nos lembrarmos da forma como Marques Mendes foi recebido naquele congresso do PSD de forma algo fria. Ou seja, daí até aqui, o partido mobilizou-se à volta do candidato e isso existiu. Veremos se depois tem reflexo ou não na capacidade de mobilização das bases e dos eleitores, que é o mais importante pra assegurar essa passagem à segunda volta. Mas portanto, o discurso neste último dia tem sido um pouco o que se ouviu nas últimas horas, é não confiar nas sondagens, confiar, sim, na sondagem da rua e acreditar que é possível passar à segunda volta. Porque se as pessoas não acreditarem, se as pessoas que tencionam votar em Marques Mendes não acreditarem, então esse voto vai fugir pra outros candidatos. Por isso, a mensagem tem sido de que tudo está em aberto. Há muitos eleitores, não só os indecisos, mas aqueles que disseram nas sondagens que vão votar João Cotrim Figueiredo, também disseram que ainda podem mudar esse voto e é a esse dado em específico que a campanha de Marques Mendes tem agarrado. É que tudo está em aberto e, portanto, é possível ir à segunda volta e assim não desperdiçar o voto noutras candidaturas do centro-direita.

Miguel, só não disseste onde é que é a Festa da Juventude.

A Festa da Juventude é em Algés, concelho já de Isaltino Morais, que é um dos apoiantes do almirante. E já agora também deixem-me só dar esta nota, é que o comício de encerramento vai decorrer no sítio onde Henrique Gouvaerts e Melo apresentou esta candidatura presidencial, ali bem perto das docas de Santo Amaro, em Lisboa.

Portanto, logo preparem as cassetes e os discos, porque há festa em Algés. Obrigado, Miguel. O último caso voto desta primeira volta, feito exclusivamente com Miguéis: Miguel Santos Campatos, Miguel Pinheiro, Miguel Cordeiro e ainda Miguel Viterbo Dias. E ainda temos mais Miguéis cá em casa, no Observador. O Caso Voto Suspeito vai regressar na segunda-feira, se tivermos segunda volta.