Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começamos por falar do coronavírus, que chegou oficialmente à Europa.

Dois casos já confirmados em França.

O coronavírus fez a primeira vítima mortal na Europa. Existem dois casos de coronavírus em Portugal. As primeiras análises deram resultado positivo.

O número de casos confirmados em Portugal está a subir. Hoje foi conhecida a notícia do quinto caso. E hoje o coronavírus entrou em força no debate político, com o primeiro-ministro no Parlamento a garantir que o país está preparado para enfrentar a doença e ainda a abrir a porta à possibilidade de um internamento obrigatório. Isto depois de André Ventura, aqui no Observador, avançar que vai pedir uma revisão constitucional para permitir o internamento compulsivo. E neste episódio de hoje procuramos respostas para a pergunta: o que está a ciência a fazer para nos ajudar? Vamos desfazer um mito sobre o real número de vítimas mortais do Covid-19 e vamos ainda à Austrália, onde há uma nova crise: o pânico do papel higiênico.

Mais tarde ou mais cedo, algum caso positivo se vai verificar.

Estamos preparados para que um cenário semelhante àquele que está a acontecer em Itália possa acontecer também no nosso país.

Agir com alguma atenção. Todos nós estamos sensíveis.

Quinto caso confirmado em Portugal. O número de positivos continua a subir.

Que é um homem na casa dos 40 anos, que também regressou de Itália, está internado no Hospital de São João, no Porto, onde estão também outros dois doentes, um homem de 60 anos e outro de 33.

São cinco o número de infectados. Estão internados. Isto no dia em que o coronavírus entrou no debate parlamentar. Foi tema central do debate quinzenal com António Costa no Parlamento, a abrir a porta ao internamento compulsivo e a garantir que há base legal para o fazer, se assim se justificar.

Prevêem a possibilidade, a título excepcional, e cito, "de separação de pessoas que não estejam doentes, de forma a evitar eventual disseminação da infeção ou contaminação". Existe, pois, enquadramento legal suficiente para a adoção das medidas que se revelem necessárias para prevenir o contágio num cenário de transmissão comunitária do vírus.

O governo diz ainda que tem preparada, caso seja necessária, uma linha de crédito de 100 milhões de euros para ajudar as empresas. Mas refere António Costa que a economia portuguesa tem conseguido resistir às pressões. A principal preocupação está no setor do turismo. Mas regressemos àquela questão do internamento compulsivo. O Chega vai dar início ao processo de revisão constitucional. Estamos a falar do 27º artigo da Constituição. O anúncio foi feito aqui no Observador por André Ventura.

Vai dar entrada esta semana no Parlamento, um primeiro passo para a revisão constitucional, que neste caso se vai prender com o artigo 27 da Constituição e com as questões do internamento compulsório, porque entendemos, como já o dissemos, que esta norma não serve em casos de um surto de epidemia. Temos uma Constituição completamente anacrônica.

A alteração irá permitir o internamento compulsivo em casos como o da crise do Covid-19. E o CDS diz que há uma quebra de confiança entre o primeiro-ministro e a ministra da Saúde. Para Francisco Rodrigues dos Santos, isto fica demonstrado pelo fato de António Costa ter chamado a si a gestão desta crise do Covid-19.

O que nós verificamos foi que o senhor primeiro-ministro avocou a si a responsabilidade do tratamento desta matéria tão sensível e de gravidade como é a epidemia do Covid-19. O que me parece a mim que o Ministério da Saúde já estava a ser temido pelos portugueses, agora está tremido.

O futebol em Itália vai jogar-se à porta fechada até 3 de abril. Todos os jogos de futebol da Série A vão jogar-se sem público até o início do próximo mês. E a Itália decidiu ainda fechar as escolas e as universidades em todo o país como medida de precaução para conter o coronavírus.

Precisamente, a comunidade de Madrid acaba de confirmar um caso de coronavírus em uma menina de quatro anos. Seu pai acabara de voltar da Itália, de Bérgamo, e contagiou sua esposa e a menina. É, portanto, outro caso mais-

Há três crianças infectadas em Espanha, uma menina de quatro anos e duas outras crianças em idade escolar. Informação confirmada esta tarde pelas autoridades sanitárias espanholas em conferência de imprensa. E hoje foi registrado o primeiro caso de coronavírus dentro das instituições europeias. É um funcionário da Agência Europeia de Defesa e torna-se no 25º caso de coronavírus na Bélgica. Este homem terá sido contaminado em Itália, onde tinha estado na semana passada. O Iraque registra a primeira morte após infecção pelo novo coronavírus. Um imã de 70 anos morreu hoje no Curdistão Iraquiano. Na Coreia do Sul, o número de vítimas mortais continua a subir. São já 35, numa altura em que as autoridades sul-coreanas tentam a todo o custo conter o vírus. Bem-vinda, Ana Kotowicz.

Olá, Ricardo.

És jornalista do Observador. Tens acompanhado com especial atenção as últimas sobre o coronavírus. Aqui chegados, ainda não há cura.

Aqui chegados, ainda não há cura e dificilmente teremos uma cura. Falar em vacina ainda é uma realidade um pouco distante, embora há quem goste de estar otimista. O que poderemos já começar a falar é de eventuais tratamentos.

Então, há alguma esperança nalguns medicamentos, é isso?

Há alguns medicamentos que começam a dar sinais de que talvez possam funcionar nos pacientes que têm o novo coronavírus.

Na SIC Notícias, Francisco George falou no Rendizivir, acho que é assim que se pronuncia.

Chamado Renda

O remdesivir está a ser ensaiado na China. É um medicamento produzido pela indústria farmacêutica, que foi cedido agora para ensaios e tudo indica que está a ter efeitos positivos.

É um desses medicamentos que está a ser estudado?

Para já, esse medicamento, com esse nome super difícil de dizer, é aquele que parece dar mais garantias de que possa haver uma hipótese de podermos tratar quem está doente. Este medicamento é de uma farmacêutica norte-americana, da Gilead, e foi desenvolvido não para o novo coronavírus, mas para o Ebola. Foi assim que ele começou a ser trabalhado. O que acontece com este novo surto? Houve dois estudos nos Estados Unidos, outros dois na China, inclusivamente um já na Coreia do Sul, e tem estado a ter resultados promissores. Inclusivamente, houve um paciente nos Estados Unidos que foi tratado com este medicamento e ao fim de um dia começou a ter melhorias. Portanto, isto dá-nos aqui um sinal positivo de que o medicamento poderá funcionar.

Mas quanto tempo é que temos de esperar entre os sinais e uma maior certeza?

Toda essa parte agora é muito complicada e depende do medicamento em causa, porque repare: este medicamento não foi criado especificamente para o novo coronavírus. Ele estava a ser desenvolvido para o Ebola. E o que é que aconteceu? De repente, com este surto, começa-se a testar tudo o que nós temos que ataca agentes infecciosos. Este foi um deles e este parece estar a ter resultado. Pelo menos teve naquele paciente e de tal maneira convenceu as equipes de investigação que rapidamente a China e os Estados Unidos, e agora a Coreia do Sul também, autorizaram que os testes começassem. E por que isso aconteceu, Ricardo? Porque ele no passado já tinha dado testes de ter alguma eficácia contra a SARS e a MERS, que são os outros dois coronavírus que nós conhecemos, mas ainda e apenas em testes em animais. Só agora é que vamos começar a testar em humanos.

E obviamente os laboratórios estão muito interessados também nisto, porque quem descobrir o medicamento poderá ter uma bela faturação no final do ano, não é?

Exatamente. Até já há notícias de que uma farmacêutica na China estará a começar a produzir em massa este medicamento, violando a patente da farmacêutica norte-americana. Portanto, isto ainda pode dar confusão para esse lado.

Vamos voltar aqui só à vacina. Mesmo que surja uma vacina, ela só poderá começar a ser administrada, daqui a 18 meses, dois anos?

Os prazos neste tipo de situações são sempre difíceis e nunca podemos falar em nada muito concreto. O que nós sabemos é que até hoje nunca tivemos uma vacina que fosse desenvolvida tão rapidamente. Por quê? Primeiro, tu vais ter que testá-la em animais, depois vais ter que testar em pequenos grupos de seres humanos e só mais tarde, quando a sua eficácia, ou melhor, quando a sua segurança estiver garantida, é que começas a fazer testes em massa para perceber se ela é eficaz ou não, porque às vezes pode ser eficaz em três ou quatro pessoas, mas não ser em grande dimensão. O problema é que, no entretanto, o surto do coronavírus pode desaparecer e aí quando tiveres uma vacina não tens é que experimentá-la, porque já toda a gente está curada.

Obrigado, Ana Kotowicz. Já a seguir, fact-check. E a pergunta de hoje é: o coronavírus já matou 112 mil pessoas? Não. O número oficial ronda as 3200 mortes em todo o mundo. Têm sido divulgadas milhares de notícias e informações falsas sobre este vírus e uma delas é esta: "Vírus fora de controle já matou 112 mil pessoas". Esta falsa notícia foi tão partilhada, que o Facebook a classificou de potencial fake news. Não é potencial, é mesmo fake, é mesmo falso. O número de vítimas mortais continua a aumentar em todo o mundo. São cerca de 3200, longe das 112 mil. O total de casos confirmados anda perto dos 95 mil e destes, mais de metade conseguiu recuperar da doença. São mais de 50 mil aqueles que conseguiram recuperar. Itália continua a ser o país com mais vítimas mortais na Europa, cerca de 80 mortos. Ou seja, se encontrar por aí uma notícia a dizer que o vírus está fora de controle e já matou 112 mil pessoas, é falsa. Pode entrar agora o carimbo. E agora a história de uma crise ligada ao coronavírus, a crise do papel higiênico na Austrália. Depois de limparem as prateleiras dos supermercados para açambarcarem comida, os australianos estão agora a esgotar as embalagens de papel higiênico. E isto porque têm medo de ficar retidos em casa durante muito tempo. E não é preciso explicar muito mais, pois não? A procura foi tal que levou mesmo a um dos principais supermercados australianos a colocar limites nas compras. Outras empresas devem agora seguir o exemplo. Esta crise já tem um nome: o grande pânico do papel higiênico. Estamos a ouvir o relato da jornalista do Nine News Melbourne. A polícia já teve que ser chamada para acalmar alguns clientes. Houve um caso que chegou mesmo a ameaças com arma branca, tudo por um rolo de papel higiênico. Na internet há já pacotes à venda por preços entre os 40 e os 800 euros, quando um pacote de papel higiênico na Austrália custa cerca de quatro euros. Não se esqueça de lavar as mãos com frequência, 20 segundos, com sabão. E sabemos que é difícil, mas convém cortar nos beijinhos e nos abraços. A sonorização é da Beatriz Martelo Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. Voltamos amanhã.

Começamos por falar do coronavírus, que chegou oficialmente à Europa.

Dois casos já confirmados em França.

O coronavírus fez a primeira vítima mortal na Europa.

Existem dois casos de coronavírus em Portugal. As primeiras análises deram resultado positivo.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto