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Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.
Faleceu um doente que tinha a doença Covid-19.
Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico. Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.
Vamos ver como vai ser o desfecho.
E vamos vencer.
Está decidido: a telescola vai arrancar para os alunos do ensino básico e sem exames. No secundário, poderá haver aulas presenciais em 22 disciplinas, mas ainda não há calendário. O governo tomou as decisões hoje para o arranque do terceiro período nas escolas no dia 20 de abril. Hoje vamos conhecer Federica Parlato. É médica interna no Hospital de Santa Maria, está a trabalhar em Lisboa, mas o coração está em Palermo, na Sicília. É lá que está toda a família. Federica conta-nos como é viver pela segunda vez uma pandemia. E hoje vamos fechar a caminho daquele que poderá ser, nesta altura, o local mais seguro para estar em tempos de pandemia.
Esta é uma luta pela nossa própria sobrevivência.
A prioridade absoluta para a nossa nação será a nossa saúde.
A vitória depende de cada um de nós.
Testa, testa, testa.
Se você está doente ou não se sente bem, fique em casa.
Agora, uma garantia que eu queria dar a todos os portugueses e, em particular, aos alunos, às suas famílias, a todos aqueles que trabalham na escola, docentes ou não docentes, é que o governo nunca tomará a decisão de iniciar as aulas presenciais se não tivermos condições de segurança para que essas aulas presenciais possam ter lugar.
No final da reunião do Conselho de Ministros, o primeiro-ministro António Costa anunciou a decisão sobre o retomar da atividade nas escolas. Jardins de infância vão continuar fechados. No ensino básico, o terceiro período vai ser feito por telescola. Arranca já dia 20 de abril no canal RTP Memória e não há provas de aferição ou exames do nono ano. No secundário, ainda não há um calendário para as aulas presenciais, mas quando arrancarem, vão iniciar em 22 disciplinas consideradas cruciais para o acesso ao ensino superior. O calendário de exames do secundário é empurrado para julho e setembro. Quando as aulas reabrirem, professores e alunos vão ter de usar obrigatoriamente máscara, máscaras fornecidas pelo Ministério da Educação. E em Espanha ganha força de novo a esperança.
Os dados, com toda a prudência que logicamente podemos expressar, são alentadores. Alcançámos e superámos o pico de contágios da Covid-19 e encontramo-nos perto do início da descida.
Pedro Sánchez, o presidente do governo espanhol, no Parlamento em Madrid, hoje a anunciar que o pico da curva de contágio já passou, mas as restrições, essas vão continuar. O número de mortos em 24 horas voltou a baixar. Ainda assim, registaram-se 683 mortes. Ontem foram 757. Os novos casos em Espanha também desceram. Nas últimas 24 horas foram confirmados 5756, menos 424 do que ontem.
Peritos estão a confirmar que a curva está a começar a descer e a estabilizar. O número de infecções está a diminuir. Estamos confiantes de que, se continuarmos assim, vamos superar a pior fase.
Este é Giuseppe Conte, o primeiro-ministro italiano. Em entrevista à BBC, diz que a curva está a descer e poderá levantar algumas restrições de forma gradual no fim do mês. E quanto à pergunta "o senhor foi lento a fechar todo o país?", Conte responde que a perfeição não é deste mundo e diz que, olhando para trás, faria exatamente o mesmo. E Boris Johnson está a recuperar, ainda internado em Londres. O porta-voz do primeiro-ministro britânico diz que Boris Johnson continua bem disposto. A Alemanha passou a fasquia dos 2000 mortos, regista 2107 mortos, mais 246 do que ontem. É o maior aumento diário em 24 horas, depois de um abrandamento registado no início da semana. Os valores revelados pelo Instituto Robert Koch voltam a crescer. Já a seguir vamos conversar com Federica Parlato. É médica italiana, está a trabalhar em Lisboa e diz-nos que está a viver esta pandemia pela segunda vez. Bem-vinda, Federica Parlato.
Obrigada.
A Federica é italiana, tem 29 anos, é de Palermo, na Sicília. Nesta altura é interna, médica no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Estudou medicina em Palermo, também em Lisboa. Federica, decidiu ficar em Portugal ou já não conseguiu voltar à Itália no meio de toda esta confusão?
Acho que nem sequer tive muita hipótese de escolha, porque em Itália, como toda a gente sabe, a situação começou a acontecer no dia 20 de fevereiro. Aquilo que aconteceu foi que o governo não conseguiu tomar as medidas necessárias a tempo. E nós não sabíamos, no fundo, aquilo que iria acontecer nos próximos tempos. Só no fim de semana, na quinta, sexta-feira, antes de ser decretado o estado de emergência, depois no domingo, só na Lombardia e na segunda-feira para a Itália toda, é que eu me comecei a perceber que provavelmente este estado de emergência, este isolamento da Itália iria acontecer.
E já não conseguiria voltar.
É sim, claro que poderei eventualmente voltar, só que no fundo, acho que eu estou a ser mais útil aqui como médica no internato médico, do que seria lá, em que eu nem sequer estou inscrita na Ordem dos Médicos em Itália, embora tenha acabado o curso em Itália, tenho autonomia para trabalhar. Mas, no fundo, acho que nos últimos quatro anos sempre trabalhei cá, estou habituada à maneira de trabalhar cá e senti que queria ser mais útil aqui. Embora, ainda naquela altura, no início de março, acho que já havia os primeiros casos aqui em Portugal.
Sentiu-se dividida sobre o que é que poderia fazer?
Sim, senti-me dividida, mas acho que é a sensação de toda a gente, mesmo dos meus colegas portugueses que têm a família longe ou que têm os familiares cá. No fundo, nós não podemos fazer muito nessa altura para as nossas famílias, estamos todos isolados. Portanto, claro que para mim o problema maior é saber que qualquer coisa que aconteça, não é assim tão fácil eu conseguir voltar neste momento, diria quase impossível, e a angústia é mais nesse sentido. Mas eu teria voltado à Itália só no sentido de estar mais próxima da minha família. E acho que do ponto de vista profissional e da ajuda, do pequeno contributo que se pode dar nesta situação, acho que no fundo, faz mais sentido eu estar.
E o que lhe contam de Itália? Quando fala para casa, o que lhe contam sobre como está a ser vivida a situação, sendo que o norte de Itália foi particularmente atingido, mas também agora o sul, e há diferenças substanciais entre o que é estar em Milão ou estar em Palermo. O sul é uma zona mais pobre de Itália. O que lhe contam? Qual é o relato que lhe fazem?
Felizmente, isto parece mal de ser dito assim, mas felizmente que isto explodiu numa região que é uma das mais ricas e que tem o melhor sistema de saúde. O Sistema Nacional de Saúde italiano é ótimo, é reconhecidamente muito bom, mas há mesmo muitas diferenças entre as várias regiões, especialmente entre norte e sul. E os cortes que têm sido feitos, tanto cá em Portugal, também houve em Itália, e portanto, toda a gente sabe que se isto explodir em Itália, vai ser uma completa catástrofe.
Se fosse no Sul, seria muito pior, é isso?
Sim, seria uma catástrofe. Já nas primeiras semanas foram esgotadas todas as vagas de pressão negativa, que são necessárias. Acho que na Sicília só havia perto de 10 vagas, na Sicília inteira. O que me dizem? Bem, isto foi basicamente viver uma epidemia em dois tempos. Parece tudo um déjà vu também aquilo que eu estou a viver aqui, porque parece que voltou a acontecer e voltou a se proporcionar tudo aquilo que aconteceu em Itália nas semanas anteriores.
Ou seja, aquilo que lhe relatavam de Itália, está agora a sentir que está a acontecer cá, é isso?
Não do ponto de vista do isolamento social, da situação da quarentena. Acho que aqui, do ponto de vista sanitário, do Sistema Nacional de Saúde, está se a conseguir dar resposta e acho que até agora a situação, toda a gente sabe que tem estado bastante controlada.
E acha que os portugueses são mais cumpridores destas regras do que os italianos?
Acho. Embora eu estava com muitas dúvidas sobre realmente os italianos irem cumprir as regras. Acho que é um povo mais rebelde.
Mais quente.
Sim. Mas acho que em Itália também. Aqui tivemos uma grande vantagem. Nós conseguimos ver aquilo que aconteceu em Itália e posteriormente o que aconteceu em Espanha, e as coisas correram mal e aqui as pessoas ficaram logo muito assustadas.
E isso foi bom?
Acho que aqui, sinceramente, estão a cumprir muito mais. Mas acho que em Itália, se não foram cumpridas as medidas, foi mesmo logo no início, em que houve uma situação de pânico. Por exemplo, quando foi lançado o estado de emergência e foi lançada a zona vermelha da Lombardia, basicamente houve Uma fuga de milhões de meridionais que vivem no norte. Eu não vi nada disso acontecer aqui. Por exemplo, as grandes cidades como Porto e Lisboa têm uma grande população e sabe-se que são as zonas que provavelmente têm mais risco.
E as pessoas não fugiram para as suas terras?
Não, exatamente, acho que isto acabou por não acontecer e mesmo os mais novos, estudantes ou pessoas que podiam trabalhar de casa, acabaram por ficar na cidade onde estão. E isto sem dúvida que favoreceu também o não se propagar do vírus.
A Federica é uma jovem médica.
Sim.
Posso dizer que está no início da carreira.
Estou muito no início.
Como é que têm sido estes dias, Federica?
Têm sido pesados do ponto de vista psicológico, mais, se calhar, para mim, porque realmente eu estou a viver isto há mais tempo.
Está a viver isto duas vezes.
Estou a viver isto duas vezes e isto começou só no dia 20 de fevereiro e mesmo assim parece-me que já passaram meses. Está a ser pesado do ponto de vista psicológico. Eu neste momento tinha começado em fevereiro um estágio no serviço de medicina intensiva. Eu sou de medicina interna e todos os meus colegas que estavam a fazer estágios neste momento foram chamados de volta aos serviços de origem e a exceção foi feita só por nós que estávamos nos cuidados intensivos e que, portanto, mantivemos o estágio, que acaba por não ser bem um estágio.
É um estágio já muito real.
Sim, do ponto de vista do trabalho, sinceramente, não acho que neste momento esteja a ser muito pesado. No fundo, para mim também os cuidados intensivos é um mundo novo. Eu só comecei o estágio em fevereiro, portanto é uma luta contra o tempo para tentar perceber o funcionamento e tentar perceber a abordagem a estes doentes, que é muito diferente da abordagem aos doentes da enfermaria ou do serviço de urgência que sempre tive.
Isto mudou a forma como vê a medicina, como vê a profissão?
Não. Eu nunca pensei vir a presenciar isto na minha vida, nem muito menos no internato, nem ter de encontrar nos cuidados intensivos numa altura dessas, mas não mudou a minha visão da medicina.
E quantas horas de sono nestes últimos dias?
Nós estamos a conseguir organizar. Nós no sentido da chefia do serviço que organizou isto, acho que de uma forma muito sensata, porque como não sabemos qual é que vai ser a evolução epidemiológica, estamos a tentar já desde que isso iniciou, adaptamos o nosso trabalho às necessidades e portanto acabamos por trabalhar mais por bancos, em vez de ter uma atividade do dia a dia como tínhamos dantes, porque pode ser muito desgastante passar muitas horas no hospital nessa fase.
E tem os materiais que precisa, por exemplo, equipamento de proteção? Tem sentido falta disso?
Sim, acho que estava a ser mais um problema a nível das enfermarias e do serviço de urgência, mas acho que agora, mesmo a nível do serviço de urgência, tem sido feito um enorme esforço para se terem todos os dispositivos de proteção em Santa Maria. Foi um problema no início e apesar disto, graças às capacidades organizativas e também à generosidade de doações que foram feitas. Foi um problema grande no início, também quando foram descobertos, e isto foi a primeira coisa que realmente me assustou, quando foram descobertos os primeiros casos em doentes que já estavam internados há dias dentro do hospital. E acho que foi aí que percebi que realmente, foi na terça ou quarta-feira, depois de ter sido decretado o estado de emergência em Itália, que lá é que percebi que iríamos para o mesmo caminho, que já a infeção estava na comunidade.
Sei que a Federica faz anos em agosto. Nessa altura, já quer estar na Sicília?
Espero bem que sim. Neste momento está suspensa para nós, profissionais de saúde, qualquer possibilidade de pedir férias. Mas não sei qual é que vai ser a evolução. Há quem diga que Portugal já passou o pico. Mesmo assim, vamos continuar a ter casos durante bastante tempo. Eu só gostava, nessa altura, das coisas estarem mais ou menos resolvidas e que a maioria das pessoas possam ter voltado à vida normal. Depois, se eu tiver que festejar os anos uns meses depois, não há problema.
Obrigado, Federica Parlato. Federica Parlato é italiana, de Palermo, na Sicília, está nesta altura a trabalhar como interna médica no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Já a seguir vamos ao fact-check. E como estamos hoje ao nível da bola de cristal, a aldrabice que hoje vamos desmascarar mete videntes. No Facebook anda a circular um vídeo com uma autodenominada vidente espanhola que, a 24 de dezembro, teria avançado com a previsão da pandemia de COVID-19 e com um grande detalhe. Tudo isto num programa de televisão. Há uma descrição que acompanha este vídeo, como sempre, a descrição é sugestiva: "2020 vai ser um ano de muito medo, de incerteza, de terror. A natureza vai castigar todos os humanos. Creio que em 2020 não haverá nenhum abraço", é o que prevê esta vidente. Isto foi num programa chamado "Toni Rovira i Tu", que passa na 25 TV da Catalunha e passa depois noutras televisões regionais espanholas. A convidada é esta autodenominada vidente Nubia De María, que tem mais de 300 mil seguidores no Facebook. Vamos ouvir aqui só um pedacinho.
Vai castigar só os humanos.
Porque somos nós, se acaso, os seres humanos maus. Somos nós os que desrespeitamos.
40 dias, por pelo menos, o planeta vai descansar.
Nubia De María diz que a humanidade vai ser castigada, que o planeta vai parar por 40 dias e acrescenta: "Creio que em 2020 não haverá nenhum abraço". Este vídeo foi partilhado milhares e milhares de vezes no Facebook como tendo sido emitido na véspera de Natal. O problema é mentira que este programa seja de 24 de dezembro. O próprio apresentador do programa publicou no Twitter uma foto do programa desse dia e a roupa que na altura usava era outra. Estava, por exemplo, de gravata e no vídeo que agora é partilhado está de laço. Os acessórios usados pela vidente também são diferentes. Por exemplo, o colar não é de todo o mesmo. Na página de Facebook de Nubia De María, a própria publicou um vídeo a dizer que 2020, e atenção à diferença, vai arrancar num ciclo positivo. Isto foi a 31 de dezembro, no dia em que há a primeira referência à COVID-19 na China. Não é preciso bola de cristal para adivinhar que o carimbo hoje é falso. Dasvidania, adeus em russo. É a palavra que ouvimos aqui na descolagem do Soyuz 2.1, foguetão russo lançado na manhã desta quinta-feira do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A nave Soyuz MS-16 separou-se do foguetão menos de 10 minutos depois da descolagem e a bordo seguiam muito acanhados dois cosmonautas e um astronauta. Iam a caminho da Estação Espacial Internacional, aquele que deverá ser nesta altura um local a salvo da COVID-19. Esta viagem não é muito longa, dura cerca de seis horas. Foram tomadas precauções especiais devido a este coronavírus.
Contact confirmed. Hooks engaged at 17:13:21.
Anatoli Ivanishin, o comandante, diz que esta é uma altura estranha para viajar, mas também diz que vai para o local mais seguro da Terra ou, pelo menos, da órbita da Terra. Acrescenta que durante meses vão estar num local super seguro, enquanto cá embaixo nós vamos combatendo a pandemia também em isolamento. A sonorização é do Bernardo Almeida e da Beatriz Martelo Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. Boa Páscoa e bom fim de semana.
Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.
Faleceu um doente que tinha a doença COVID-19.
Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico. Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.
Vamos ver como vai ser o desfecho.
E vamos vencer.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto