Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.
Faleceu um doente que tinha a doença Covid-19.
Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico.
Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.
Vamos ver como vai ser o desfecho.
E vamos vencer.
A Azambuja é uma das maiores plataformas logísticas do país e é por ali que passa uma grande quantidade dos produtos que todos consumimos. O que se está a passar na Azambuja? É a pergunta central que hoje fazemos. Aquele conselho, na região de Lisboa e Vale do Tejo, tem sido protagonista de dezenas de casos de contágio e nunca parou de trabalhar durante o período de confinamento. Hoje conversamos com a presidente da Junta de Freguesia da Azambuja, Inês Louro, sobre um problema que se arrasta e que pode ser perigoso para toda a região da Grande Lisboa. Esta é uma luta pela nossa própria sobrevivência. A prioridade absoluta para a nossa nação será a nossa saúde.
A vitória depende de cada um de nós.
Teste, teste, teste.
Se você está doente ou não se sente bem, fique em casa. Volto a dizer, nós acompanhamos sempre, todos os dias com muita atenção, não só a situação do país em geral, como a situação de Lisboa e Vale do Tejo em concreto, porque de facto é neste momento aquela que apresenta maior número de novos casos por dia. Apesar do padrão em Lisboa, como tem alguma associação com pessoas mais novas e, portanto, mais saudáveis, a gravidade não tem sido muito maior do que foi no passado.
Graça Freitas, a diretora-geral de Saúde, afirma que a região de Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a mais atingida pela Covid-19. Dos 288 novos casos nas últimas 24 horas, 228 foram nesta região. Isto representa cerca de 80%. Em apenas duas semanas, o número de casos a nível global em todo o planeta registou um aumento de um milhão de casos. Os especialistas dizem que para isto contribuem fatores como mais testes, a realização de mais testes, e também o fato do Brasil e de outros países da América do Sul estarem a registar subidas significativas, como por exemplo o México, Peru ou mesmo a Colômbia. Já a Venezuela reporta oficialmente pouco mais de 800 casos e 10 mortos, segundo os números oficiais. Espanha alivia o confinamento nas zonas mais atingidas de Madrid e Barcelona, vão entrar na chamada fase um de quatro e os habitantes destas grandes cidades espanholas podem finalmente voltar às esplanadas. Donald Trump usou uma máscara de proteção. Será a primeira vez que o faz. Foi numa visita a uma unidade fabril da Ford, no Michigan, e tirou a máscara antes de falar com os jornalistas. Diz que até fica bem com a máscara posta, mas não quer dar à imprensa a oportunidade de o apanhar com a máscara colocada. Mas já se sabe, em tempos de smartphones, não foi difícil escapar uma fotografia de Donald Trump de máscara. Já a seguir falamos com a presidente da Junta de Freguesia da Azambuja, Inês Louro, sobre o que se está a passar naquela região, que serve de placa giratória para a distribuição de produtos que todos nós consumimos.
É uma situação epidemiológica particular, mas que está a ser seguida e acompanhada por todas as entidades do setor da saúde, da autarquia, da Proteção Civil, outros parceiros sociais e obviamente com os responsáveis pelas empresas. E, portanto, é uma situação que, estando sob preocupação, está a ser bem acompanhada para interromper cada uma destas cadeias.
Inês Louro?
Sim.
Bem-vinda, muito obrigado. Em mais ou menos oito quilômetros na Estrada Nacional três, entre Vila Nova da Rainha e Azambuja, isto no sentido Lisboa-Santarém, ficam dezenas de armazéns, muitas unidades fabris. Passam por aí milhares de produtos que todos consumimos. Quantas pessoas, Inês Louro, trabalham aí nessa área?
Bom, antes de mais, deixe-me agradecer ao Observador e na sua pessoa a oportunidade de explicar um bocadinho aquilo que se passa na minha região e nomeadamente o impacto disto na minha freguesia. Temos dados de que trabalharão aqui oito mil e tal trabalhadores só nestas zonas de logística e nos tais oito quilômetros que identificou.
Mais de oito mil pessoas.
Mais de oito mil.
E nunca pararam neste tempo de confinamento.
Exatamente, nunca pararam. Tal como disse, esta zona abastece praticamente o país todo. Tudo que é marcas de supermercado conhecidas são daqui que são abastecidas e haveria aqui uma dificuldade por parte das empresas de pararem o que fazem no seu dia a dia e foi uma área da produção que efetivamente nunca parou, nunca teve situações de layoff, a não ser em termos administrativos. Mas aqueles que estão operacionais nunca efetivamente interromperam. Houve aqui uma interrupção coerciva De uma empresa, porque disparou muito os casos, que penso que é conhecido.
O caso dos frangos, não é?
Sim, dessa empresa, que esteve encerrada penso que oito dias. Oito, nove.
Muitos destes trabalhadores são estrangeiros e vivem na área da Grande Lisboa. Podemos dizer isto?
Podemos dizer que muitos destes trabalhadores são estrangeiros, segundo o que nós temos conhecimento, se bem que nós não temos exatamente os números totais e oficiais dessa situação. Mas sabemos que sim, que há muito trabalhador estrangeiro. É uma zona que vem muito da Grande Lisboa, porque como é muito bem fornecida para o transporte por comboio e o acesso é muito fácil, portanto daí ser atrativo para essas pessoas se deslocarem para estas zonas de logística, mas também há muita gente do Conselho de Azambuja, nomeadamente da Freguesia de Azambuja, que trabalha nessas áreas logísticas.
E o que se está a passar aí? Por que temos um foco tão importante da doença nessa zona?
Tem a ver exatamente, penso, com a sua primeira questão. Estamos a falar de uma zona onde as empresas nunca pararam a laboração, onde se mantiveram, mesmo durante o estado de emergência, sempre a laborar e bastou que tivesse havido um surto numa das empresas para que a situação de alguma forma ficasse descontrolada em todas as demais. Estamos a falar de empresas que trabalham por turnos rotativos, mas os turnos quase todos têm os mesmos horários. As pessoas vêm muito confinadas ao mesmo espaço nos comboios. Depois o apeadeiro estreita muito quando têm que sair e todas acederem para o mesmo espaço de saída. Portanto, a probabilidade de contágio é muito elevada. Além disso, eu sei, porque me foi dito por alguém de responsabilidade dentro da Sonae, e estou a dizer, a fonte não é oficial, mas foi dito por uma fonte de lá de dentro, que o primeiro caso que tiveram de positivo para Covid estava diretamente relacionado com essa outra empresa. Seria uma filha de uma senhora trabalhadora dessa outra empresa onde houve esse primeiro surto. E depois a partir daqui, a situação torna-se um bocadinho incontrolável. Neste momento, já estão a ser tomadas uma série de medidas.
Era isso mesmo que lhe ia perguntar, o que está a ser feito?
Olhe, nós aqui já tivemos duas reuniões muito importantes com o estado central, nomeadamente com o secretário de Estado, que é o coordenador para a situação do Covid, que é de Lisboa e Vale do Tejo.
Duarte Cordeiro.
Duarte Cordeiro, onde todas estas preocupações já foram manifestadas, inclusive com todas as empresas de logística. Sei que o senhor presidente da Câmara também já teve reunião com o secretário de Estado dos Transportes. Há aqui várias coisas que neste momento se está a tentar minorar. Uma delas é o alargamento das carruagens. Porque às vezes estamos a falar de turnos que entram, por exemplo, à meia-noite e há uma falsa aparência de não necessidade de ter tantas carruagens. Mas neste momento e face a esta situação, não é bem assim que funciona.
Deixe-me pegar nessa questão dos transportes, porque foram salvo erro disponibilizados também alguns autocarros para tentar retirar gente aos comboios, mas por aquilo que temos visto, esses autocarros estão longe de ter a lotação lotada, passo a repetição. A questão dos comboios é mesmo fulcral aqui, não é?
É, os comboios é a situação fulcral e ali o ponto onde eles efetivamente acabam por convergir na saída do apeadeiro. Foi solicitado às empresas várias medidas e algumas delas neste momento já estão a tentar implementá-las. Uma delas, que era muito importante, era elas descoordenarem os turnos, ou seja, enquanto têm quase todos os mesmos turnos, por exemplo, entra um turno quase todos às oito da manhã, entra outro turno, quase todos à meia-noite, alterarem isto. Umas empresas terem turnos a entrar às sete, outras terem turnos a entrar às nove. Ou seja, isto implica da parte das empresas uma reorganização, mas isto é muito importante que é para os trabalhadores não virem todos juntos no mesmo transporte.
E houve respostas positivas por parte das empresas?
Sim, segundo o que nós sabemos, algumas empresas estão a adaptar. Além disso, eu já iniciei também aqui uma ronda de visitas às empresas e já tive a oportunidade de falar com algumas delas e algumas delas já começaram a implementar essas mesmas medidas. Outra das situações, há empresas, nomeadamente esta que está com este grande surto, que nós estamos agora com este problema, é uma das empresas que têm carrinhas, camionetas, para ir buscar trabalhadores, a locais onde não estão bem servidos transportes. E uma das coisas que foi pedido foi nesta fase fazer um esforço para irem também buscar os trabalhadores que apesar de estarem servidos pelo transporte público, que é o comboio, mas também para irem fazendo, ir buscando essas também zonas. Mas é muito difícil, até porque repare, muitas das vezes estes trabalhadores até vêm de BOEM uns com os outros nos seus transportes próprios.
Inês, deixe-me aqui fazer-lhe uma pergunta, porque Azambuja e a Linha do Norte é utilizada por milhares de pessoas, não só por esses trabalhadores que vão para aí trabalhar, mas por todos aqueles que, desde Santarém ou até mais longe, se deslocam diariamente para Lisboa para vir trabalhar. Nesta altura de confinamento, obviamente, esse número é reduzido, mas isso pode ser uma preocupação acrescida, porque essas pessoas vão ter de usar esses comboios, vão ter de passar por aí.
É uma preocupação muito acrescida e eu tenho um exemplo desses em casa, porque tenho o meu filho. Os meus filhos ambos estudam em Lisboa, estão com aulas on-line, como é evidente, mas é óbvio que neste momento começam a querer ter algum contacto social E eu não os deixo apanhar o transporte público. Isto eu consigo coordenar. Depois temos uma população residente, porque ficamos aqui nos arredores de Lisboa. Em transportes públicos, nós em 40, 45 minutos estamos em Lisboa, em qualquer local. E nós temos aqui uma população que praticamente reside em Azambuja, mas apenas quase só para pernoitar, onde toda a sua vida a trabalhar, faz tudo em Lisboa.
E já manifestou essa preocupação, por exemplo, junto do secretário de Estado?
Sim, todas estas preocupações têm chegado. Nós temos falado todos a uma só voz e frequente, e temos estado coordenados. E neste momento, penso que todas as preocupações estão focadas efetivamente em Azambuja. Sabe-se que temos aqui um problema muito grave. E o problema não é só grave em termos do impacto na minha região, e quando digo na minha região, na minha freguesia. Até posso lhe dizer, a minha freguesia antes desta situação e deste surto na primeira empresa, nunca sabíamos ao certo quantos infetados tínhamos, porque nunca tinha atingido os três. E como sabe, não há divulgação de dados enquanto a freguesia não atinge o três. E quando existe este primeiro surto, dispara logo para 16, depois para 20 e tal. E segundo o que sei ao dia de hoje, estamos com 39 casos. Para uma freguesia com 11 mil e qualquer coisa de habitantes, é muitíssimo.
É relevante. E há hipótese de cordão sanitário? Isso já foi falado ou não?
Essa situação foi levantada por um vereador da oposição. Foi levantada como hipótese ou como exemplo, em algumas sessões de Câmara e nalgumas reuniões que tivemos e que há pouco lhe mencionei, com os tais responsáveis máximos nesta área. Mas ainda ontem houve declarações por parte do Duarte Cordeiro de que essa não era uma hipótese neste momento a seguir.
E esta quinta-feira, foi quinta-feira da Ascensão, feriado na Azambuja, Dia da Espiga.
Feriado para alguns.
Calculo, Inês Louro, mas sem grande festa este ano, não é?
Sim, sem grande festa. Eu tive a sorte de alguém apanhar a espiga para mim, que é uma coisa que eu gosto muito de fazer. Infelizmente, e em termos profissionais, não tive oportunidade. Além disso, ontem visitei a empresa onde surgiu o primeiro surto. Foi uma das coisas que fiz no meu dia de trabalho. Mas tive a sorte de que me apanhassem a espiga, porque é uma coisa com muito significado. E quem conhece os nossos campos, que são tão bonitos, e onde se apanha tudo aquilo que faz parte da espiga, e que aquilo tem tudo um significado, e que nós, de alguma forma, acreditamos que tendo a espiga em casa durante o ano todo, tudo aquilo que aquilo significa, o ter pão, o ter amor, o ter azeite, todo o significado da espiga que é importante para nós. E uma vez que é permitido as caminhadas ao ar livre, acho que quem teve essa oportunidade, acho muito bem que o tenha feito.
Muito obrigado, Inês Louro, a presidente da Junta de Freguesia da Azambuja, uma região que tem sido palco de um surto de Covid-19. Já a seguir vamos ao fact-check. E no fact-check: vacina contra a gripe aumenta o risco de apanhar Covid-19? Um estudo realizado pela Armed Forces Health Surveillance Branch, com militares dos Estados Unidos e publicado em janeiro de 2020, mostrou que a vacina contra a influenza parece aumentar em 30% o risco de infecção pelo Covid-19. Isto está escrito no Facebook, é uma publicação de Facebook, com base numa página de internet que se chama "A Verdade Vos Libertará". Apesar deste post citar um estudo, isto é totalmente falso. O documento referido neste post existe, mas aqui é completamente retirado do contexto. Este estudo desenvolve um conceito conhecido como interferência viral, o que significa que a vacinação para a gripe pode aumentar o risco de outros vírus respiratórios. No entanto, este estudo feito pelos militares norte-americanos, a tal Armed Forces Health Surveillance Branch, foi desenvolvido entre 2017 e 2018, muito antes de surgirem os primeiros casos de Covid-19, que como se sabe, foram reportados oficialmente no final do ano passado. A Organização Mundial da Saúde e diversos especialistas afirmam que a vacina da gripe reforça o sistema imunitário e é aconselhável. De resto, o governo português anunciou precisamente esta sexta-feira um reforço no número de doses de vacina da gripe para este ano de 2020. Vão ser compradas mais 500 mil doses, levando assim para dois milhões o número de vacinas disponíveis este ano. Por isso, venha de lá mais uma vez o carimbo de falso. Agora que andamos de máscara, encontramos aqui um problema novo. O reconhecimento facial deixou de funcionar nos smartphones, sobretudo naqueles topo de gama e nos mais recentes, e isto dificulta e muito o acesso ao telefone. A Apple encontrou já uma forma de ajudar e até já atualizou o sistema operativo iOS, usado pelos iPhones. Agora, sempre que levanta o telefone da Apple, ele permite de imediato introduzir o código e assim minimizar o problema de falhanço no face ID. A Google, criadora do sistema Android, ainda não disse nada sobre o assunto. Recorde-se que o sistema Android é o mais usado, de longe, em todo o mundo. Mas há quem esteja a trabalhar neste problema e promete já ter solução para tudo isto. A identificação pelo rosto passa a incidir nos olhos e na linha das sobrancelhas e também na linha das maçãs do rosto. Uma companhia britânica diz já ter dado passos muito concretos, já tem a tecnologia pronta, consegue identificar rostos mesmo quando as pessoas usam chapéus, óculos ou até o véu, como no caso de algumas mulheres muçulmanas. Algo que pode ser muito útil a quem lida com telemóveis, com identificação facial, mas também interessa e muito aos serviços de segurança e de inteligência de todo o mundo. O fact-check é da Andreia Costa, a sonorização é da Beatriz Martel Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição. Bom fim de semana.
Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.
Faleceu um doente que tinha a doença Covid-19.
Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico.
Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.
Vamos ver como vai ser o desfecho. E vamos vencer.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.