Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Explicador da Rádio Observador, este sábado há eleições para a Distrital de Braga do PSD, com dois candidatos na corrida, o atual presidente e eurodeputado Paulo Cunha e Carlos Eduardo Reis, ex-deputado, que chegou ao Parlamento pela mão de Rui Rio e esteve com Jorge Moreira da Silva quando se candidatou à presidência do PSD. Eu sou Ricardo Conceição e comigo está a Judite França.
E conosco está Carlos Eduardo Reis. Bem-vindo, obrigada pela disponibilidade. A Distrital de Braga é a distrital do braço direito de Luís Montenegro, Hugo Soares, presidente da bancada parlamentar e secretário-geral do partido. A direção apoia Paulo Cunha. O senhor representa a oposição à direção de Montenegro e Hugo Soares?
Olá, Ricardo, Judite. Não sabia que a direção nacional tinha tomado posição nesta eleição. Isso pra mim é uma novidade e não me parece que haja nenhum tipo de oposição. Há um processo eleitoral que foi aberto e em vez de estar a disputar algum espaço político fora daquilo que eu acho que é o timing certo, naturalmente os processos eleitorais quando são abertos, prefiro fazê-lo com as regras que o partido tem, que é durante os processos eleitorais, e este é um processo eleitoral normal. Devo ser até o único dirigente do partido e candidato que avisou com dois anos de antecedência que seria candidato agora. E por quê? Há dois anos fiz uma reflexão, porque tive vários apelos pra poder protagonizar essa candidatura, mas entendi que em pré-autárquicas, próximo das autárquicas, poderia ser prejudicial ou ser confundido alguma divisão nas secções do partido, com depois um resultado menos bom em qualquer dos conselhos. E portanto, não quis nem esse ônus, nem essa confusão, e disse na altura qual era a minha ideia sobre a forma como o distrito estava a ser gerido.
Portanto, é uma decisão maturada, pensada.
É uma decisão maturada e bastante partilhada, bastante pública, diria até. As razões da mesma são bastante públicas. Fi-lo num órgão de comunicação social da região, na altura, e penso que essa reflexão foi sendo também encaminhada para uma decisão positiva, porque acho que hoje reúno condições políticas para poder renovar o distrito primeiro e depois fazer a união, que é uma característica do nosso distrito.
E se vencer, a Distrital de Braga não será assim uma espécie de Gália no PSD?
Não me parece. Eu estou comprometido com o projeto do PSD a nível nacional e também no governo e portanto, não me parece que essa visão Asterix da política se adeque a este caso. Agora, quero naturalmente que a Distrital de Braga tenha um perfil de intervenção diferente daquele que tem tido. E portanto, essa é uma das grandes razões que me fazem avançar para esta candidatura.
Mais crítico, mais crítica do que tem sido agora?
Não tem que ser mais crítico, tem que ser mais interventivo nos temas que eu acho que interessam à região. Repare, nós não sabemos o que é que a atual direção distrital ou líder distrital pensa sobre a terceira grande área metropolitana do país e a sua criação. Qual é a sua posição sobre aquilo que afeta os nossos autarcas hoje como desafios estruturais? A mobilidade, os territórios inteligentes, os fundos comunitários, esta última grande oportunidade de aceder a esses fundos e as distritais, que foram criadas há muitos anos atrás pra serem uma estrutura intermédia de poder do partido, pra passar a mensagem do partido, pra ter um apoio logístico de criação das secções e de acompanhamento, mas também pra poder ser um instrumento de captação de quadros e da sociedade civil para o partido. Eu acho que aí essa distrital falhou e portanto, esta é uma das grandes razões que me fazem estar nesta candidatura, porque nada se alterou de há dois anos pra cá a esse nível.
Tem o apoio do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes?
Tenho a expectativa que José Manuel Fernandes vote em mim.
E de Vila Verde também.
Vila Verde, sim. Não vou utilizar isso pra me esconder atrás de ninguém, pra fazer esta candidatura. Eu não preciso dizer que sou apoiante do governo pra ser candidato à Distrital de Braga do PSD, nem preciso de me esconder atrás de nenhum presidente de câmara ou de vários presidentes de câmara para o fazer.
O seu oponente faz isso?
Eu tenho percebido que há um discurso no terreno de que há uma candidatura do governo, como a Judite até começou esta, do partido, da linha oficial do partido, começou esta conversa, e há uma candidatura que não é. Isso não corresponde naturalmente à verdade, porque já vos disse aqui que estou comprometido com o projeto político Luís Montenegro, e não é Luís Montenegro que vai a votos nesta eleição distrital. Esta é só mesmo uma eleição pra a comissão política distrital do PSD Braga.
O Carlos Eduardo Reis suspendeu o mandato de deputado depois de sensivelmente um ano ter sido acusado no caso-
Não, saí pouco depois disso.
Sim, tem razão. De ser acusado no processo Tutti Frutti, é acusado de 22 crimes, entre os quais corrupção ativa, branqueamento de capitais, tráfico de influências, para citar alguns. Esta condição de arguido, neste caso, não diminui a sua candidatura?
Eu penso que não, porque infelizmente hoje na política Nós temos uma confusão maior entre justiça e atividade política. E da maneira que isto está, permita-me esta frontalidade, nós temos que nos habituar a dividir estas duas dimensões, a separar os planos. Há, de facto, uma condição judicial que tenho, e isso será dirimido em tribunal e com os órgãos da Justiça. Agora, eu não estou disponível para deixar de exercer nenhum dos meus direitos. E portanto, separando estes dois planos, não me sinto nada limitado para o exercício desta função.
Mas sentiu-se obrigado a deixar o Parlamento.
Não, podemos ir aí, mas não foi bem assim. Acresce a isto o facto de eu ter entrado para a atividade política a tempo inteiro depois de 2018. Foi quando fui eleito para o Parlamento em 2019. Ora o caso teve diligências em 2018 e é anterior a isso. Depois disso, fui eleito repetidas vezes, sempre somando resultados maiores, tanto para as eleições legislativas, no meu círculo, como nas eleições autárquicas. Não quero dizer com isto que o voto iliba, mas também não culpa. E portanto, eu também não estou disponível nesta matéria para subverter, inverter o ônus da prova e muito menos para trocar a presunção de inocência pela presunção de culpa. Isso seria totalmente contra as minhas convicções, e eu sou um político de convicções.
Mas sendo este um caso que envolve o desempenho de funções, envolve a política.
Não envolve, é preciso fazer essa clarificação. A minha eventual participação nesse caso diz respeito à gestão de empresas. Eu não tinha nenhuma função pública, só fui eleito pra funções públicas depois, em 2019.
Mas sendo uma situação destas e numa altura em que tem um partido ao lado como o Chega a cavalgar todos estes casos.
Ó Ricardo, acho que já lhe respondi. Não me limita.
Não o preocupa, sequer. Não preocupa no sentido de não fere a sua candidatura.
Para estarmos na política hoje temos que ter esta carapaça de poder falar sobre estas situações com alguma naturalidade. Com certeza que eu gostava que a justiça fosse mais rápida. Eu gostava que isso estivesse resolvido. Mas para continuar a fazer política, eu não me vou limitar nos meus direitos. E temos vários casos de pessoas que saíram, que se limitaram nos seus direitos e depois tiveram uma conclusão de processo que não tinha muito que ver com as acusações.
Mas sentiu-se limitado no Parlamento?
Não me senti limitado. Eu acho que fui muito claro na altura. Eu dei uma entrevista a um órgão de comunicação social, a uma televisão portuguesa, a SIC, não me passa publicidade, em que deixei bastante clara a minha visão sobre essa situação. Nenhuma regra do partido me impedia de continuar como deputado. E mais importante, o estatuto dos deputados não me impedia de continuar a exercer a função de deputado. E portanto, eu disse, na altura, com franqueza, que agora aqui o faço, que saía por falta de confiança política do líder parlamentar e não por quem entendesse que o deveria fazer. E portanto, que não estava disponível, como já aqui disse, para inverter a lógica da presunção de inocência pela presunção de culpa. E, portanto, acho que ficou muito claro na altura.
Esta candidatura não pode ser lida então como uma espécie de vingançazinha?
Nem que quisesse, não sei fazer. Eu faço política com convicção. Eu tenho causas pelas quais me bato. Não é o poder pelo poder. Eu sei exatamente aquilo que quero com a minha equipa renovada para a Distrital de Braga do PSD e é isso mesmo que eu quero fazer. Não há vingança nenhuma, até porque o meu adversário não é a pessoa que há pouco citei.
Carlos Eduardo Reis, tenho que lhe fazer esta pergunta, já estamos em cima do nosso tempo, mas como é que tem visto a atuação de Pedro Passos Coelho, este ressurgimento, as críticas que têm lançado ao governo?
Pedro Passos Coelho é alguém que tem, de facto, um poder da palavra muito impactante, digamos assim. E é impactante por uma razão, porque tem credibilidade. E tem credibilidade porque tem convicções. E hoje na política é muito usual as pessoas não terem convicções ou adequarem as convicções conforme o momento político ou a matéria que se está a tratar. E, portanto, Pedro Passos Coelho, sempre que entende necessário, faz a sua intervenção. Eu não considero, sinceramente, por causa deste perfil que agora aqui tracei de Pedro Passos Coelho, que isto seja uma sombra no governo ou uma sombra no partido. Luís Montenegro fez parte das equipas de Pedro Passos Coelho, Hugo Soares fez parte das equipas de Pedro Passos Coelho. Muitos dos ministros que compõem o governo fizeram parte dessas equipas e não estou em crer que o facto de Pedro Passos Coelho expressar as suas opiniões...
Não melindra Luís Montenegro?
Não sei se melindra ou não, isso é uma questão que tem que colocar ao primeiro-ministro. Admito que discorde, porque as críticas foram muito claras e acutilantes, mas não me parece que isso diminua a legitimidade do governo, nem a capacidade reformista do governo. E acho que era isso que ele aludia na intervenção.
E não vê problemas que Pedro Passos Coelho o faça? Se pudesse aconselhar, aconselharia mais recato.
Eu não vejo problemas em que ele o faça porque eu tenho uma conceção da política de liberdade e olho para os partidos como organizações livres de militantes e, portanto, eu não confundo o tempo do governo com o tempo da oposição em relação ao partido. Eu acho que somos sempre livres de ter a nossa opinião e muitas vezes, com militantes qualificados como Pedro Passos Coelho, podemos aproveitar até essas suas convicções para podermos, eu não diria corrigir, ou pelo menos refletir sobre algumas dessas opiniões e dessas críticas. Eu acho que isso é a essência dos partidos e se matarmos isso, os partidos, sobretudo os clássicos como o PSD ou como o Partido Socialista, até, morrem e é isso que me proponho renovar e depois unir.
Muito obrigado, Carlos Eduardo Reis, candidato à Distrital de Braga do PSD.
Obrigado eu pela oportunidade.