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Está no ar o Explicador da Rádio Observador e hoje, na edição das manhãs 360 de fim de semana, falamos sobre o cenário político atual. Para isso, convidamos para estar conosco Rodrigo Saraiva, deputado da Iniciativa Liberal. A moderação deste Explicador é do José Rafael Lopes. O país vai a eleições a 18 de maio, foi a data escolhida pelo Presidente da República. A campanha ainda não começou, mas o cenário pós-eleições está completamente em aberto. Que Parlamento teremos após os portugueses irem às urnas é uma das principais questões em cima da mesa. Numa altura em que nenhuma sondagem dá uma maioria clara, quer à direita, quer à esquerda, os cenários de governabilidade estão na ordem do dia. Há ainda muitos indecisos, muita indecisão. Na direita política, dois cenários implicam Iniciativa Liberal e Chega como possíveis soluções. Para olhar para este tema, convidamos Rodrigo Saraiva, deputado da Iniciativa Liberal, a quem agradeço ter aceitado o nosso convite. O Chega também foi convidado, mas até à hora do programa não indicou nenhum representante. Como tal, Rodrigo Saraiva, a Iniciativa Liberal olha para estas eleições legislativas como uma oportunidade para ser a ponte para uma maioria à direita?
Muito bom dia, José Rafael. Lamentar este eclipse que deu ao Chega para este debate, mas fiquemos aqui os dois a fazer esta análise da situação política atual. Infelizmente, vamos para eleições. A Iniciativa Liberal, no momento do debate da moção de confiança, ainda antes de serem conhecidas as sondagens que vieram a demonstrar aquilo que nós sentíamos, que os eleitores portugueses não queriam que existissem eleições. E portanto, estávamos alinhados com esse sentimento dos portugueses de que o governo e o cenário parlamentar atual deveriam continuar fazendo a democracia funcionar. A democracia não vive apenas de eleições, vive também de mandatos, e este mandato, esta legislatura, deveria continuar a ocorrer. Mas havendo eleições, e o José Rafael na introdução estava a dizer que a campanha ainda não começou, o que nós começamos a concluir é que pra maioria dos partidos a campanha nunca parou. Tivemos a assistir a debates de moções de censura e de moção de confiança com todos os partidos a pensar em fazer a campanha e irem pra eleições. Não era o que nós queríamos, mas se vamos a eleições, vamos a elas. E a Iniciativa Liberal apresenta-se a estas eleições com as suas principais bandeiras desde que apareceu na política portuguesa, comandando-se mais liberdade económica, liberdade política, liberdade social. E confirma-se aquilo, se olharmos as sondagens, tem vindo a dizer que são ferramentas que todos os partidos, por muito que minimizem as sondagens, todos os partidos consideram as sondagens como ferramentas de análise. E portanto, se olharmos para aquelas ou, por exemplo, apenas para uma de um centro de sondagens, porque isso permite-nos avaliar as tendências que esse centro de sondagens tem vindo a fazer, parece que se comprovar que a Iniciativa Liberal, tal como aconteceu nas últimas eleições legislativas, nestas eleições legislativas poderá continuar a ser o único partido sempre a crescer.
E já olharemos para essa sondagem da Intercampus, Rodrigo Saraiva. Ainda assim, mantenho a minha questão: a IL olha para si mesma como a única opção possível de coligação com a Aliança Democrática para conseguir essa maioria à direita?
Não vou estar com grandes rodeios. Se nós olharmos para aquilo que é o cenário parlamentar que tem estado na atualidade em Portugal, não há outra força política, aquela que conjuga neste momento o PSD e o CDS, como aquela com que nós poderemos sentar a conversar. As outras não são possibilidade ou por questões ideológicas, por questões programáticas ou até por questões de prática política. E, portanto, aquilo que nós acreditamos, isto não é um objetivo para a Iniciativa Liberal per si. O objetivo é mesmo para podermos transformar o país. Nós acreditamos que somos o único partido que tem a responsabilidade, que somos confiáveis e que temos a ambição para fazer as transformações que o país exige. Achamos que isso tem vindo a ser reconhecido pelos portugueses. E nós achamos que só teremos essa capacidade para transformar o país, influenciando governos, se tivermos ainda mais força. E essa força é obviamente eleitoral, é uma maior força em termos de votos, é uma maior força em termos de mandatos, o que nos vai permitir que no próximo cenário governativo, estejamos no Parlamento ou estejamos também no governo, possamos influenciar as políticas pra poder transformar o país e transformar e melhorar o dia a dia dos portugueses. Esse é o nosso objetivo, aliás, deveria ser o objetivo de todos os partidos, dentro daquilo que são as suas crenças, as suas ideias, acreditarem que querem, de fato, transformar o país. Nós queremos mesmo e acho que os portugueses têm vindo a reconhecer isso.
E em troca de quê, Rodrigo Saraiva?
Em troca de políticas, por exemplo. Nós somos o único partido olhando para aquilo que são-
Apenas apoio parlamentar ou implicaria mesmo exigência nesse cenário de maioria AD e IL, implicaria exigências de presença mais ativa no governo?
As presenças nos governos, e até se olharmos também para o âmbito autárquico, a presença em executivos camarários, as presenças, os lugares de governo e de secretário de Estado, podem ser apenas uma questão de garantia de implementação das medidas, das propostas, porque isso é que é verdadeiramente importante. Uma das principais preocupações que os portugueses têm vindo a transmitir naquilo que são estudos de opinião que são feitos, é a questão da saúde. Nós somos o único partido que tem uma visão diferente pra aquilo que é o sistema de saúde. Nós apresentamos uma proposta de lei de bases da saúde que implementa aquilo que nós chamamos o Sua Saúde, o Sistema Universal de Acesso à Saúde Que permite o quê? Pôr ao mesmo nível, logo de porta de entrada, o serviço público, o serviço privado e o serviço social. Nós não acreditamos que o serviço privado e o serviço social de saúde servem apenas quando o serviço público falha. Não, qualquer pessoa que tenha uma necessidade em hospitais, em centros de saúde, em unidades de saúde, quando chega, tem que ser indiferente quem é o proprietário, quem é que gere o edifício. A pessoa quer é ser tratada. E nós somos o único partido que tem essa visão. Como é que será possível implementar essa visão? Se nós tivermos força eleitoral para podermos fazer essa exigência.
Rodrigo Saraiva, vamos então olhar para a sondagem mais recente da Intercampus, mostra um crescimento da Iniciativa Liberal. Já o referiu aqui neste explicador. Certamente fará uma leitura satisfeita com este crescimento. Mas, no seu entender, este crescimento da IL, que tem uma subida de 1.6 pontos percentuais, colocando mesmo a Iniciativa Liberal no limiar dos 10%, este crescimento, no seu entender, é roubar eleitorado a quem?
Eu não gosto muito dessa expressão do roubar eleitorado. Os liberais gostam muito de mercados concorrenciais, de competição. E a política é, de facto, um mercado muito concorrencial.
Então ganha quota de mercado a que partido?
Exatamente. Nós ganhamos quota de mercado a todos. Seria estar a enganar as pessoas a dizer que não é junto de eleitores que têm vindo a votar mais no PSD, por exemplo, que nós temos mais perspetivas de ganhar eleitorado. Isso é óbvio, mas há todo um outro conjunto de eleitores que podem a cada momento começar a olhar. Nós quando aparecemos na política em Portugal, tivemos um cartaz muito conhecido que tinha uma frase que era: "És liberal e não sabias". Porque as pessoas quando olhavam para as nossas mensagens da necessidade de baixar impostos, mais liberdade de escolha, as pessoas diziam: "Espera aí, se calhar eu sou liberal". Sim, és liberal e se és liberal, então vota na Iniciativa Liberal. E essas pessoas andavam a votar em vários partidos, não apenas no PSD. Olhando essas sondagens, aquilo que elas transmitem é que nós temos tido um crescimento. E esse crescimento advém do quê? De consistência e de confiança. É nisso que nós acreditamos. E temos sempre feito este esforço para manter no dia a dia, nas atitudes que vamos tomando, nas posições que vamos tomando, uma postura que transmita confiança aos eleitores.
Ainda assim, Rodrigo Saraiva, pergunto se, tendo em conta estas sondagens e pelo que me está a dizer, se a Iniciativa Liberal não conseguir aumentar a representatividade no Parlamento, vai ser considerado como uma derrota, tendo em conta a forma como caiu o governo?
Nós somos um partido muito ambicioso, portanto, se não crescermos, obviamente que não é uma vitória, não estaremos satisfeitos.
Mesmo tendo em conta a forma como caiu o governo?
Nós acreditamos que os portugueses vão reconhecer no momento do voto, aqueles partidos que têm sido consistentes e que são confiáveis. E no dia do debate da moção de confiança, ficou muito patente que a Iniciativa Liberal é um partido em que as pessoas podem confiar e podem olhar para este grupo parlamentar, que merece ter maior dimensão, porque são de confiança e têm responsabilidade.
E de que forma é que isso se vai representar nas listas com que avançam para o Parlamento? Haverá muitas alterações?
Eu estou um pouco limitado. Nós amanhã vamos ter um conselho nacional onde vão ser conhecidos mais nomes do que aqueles que já foram tornados públicos. Da informação que eu tenho, quer por aquilo que foi tornado público, quer aquilo que já foi partilhado internamente, há algumas renovações, algumas que advêm de algumas vontades expressas de alguns deputados em saírem das listas, como foi o caso do Bernardo Blanco e da Patrícia Gil Vaz. Essas renovações são necessárias e também são renovações que são motivadoras. Há pessoas que já são conhecidas dos portugueses que irão continuar e há muitas outras novas caras que os portugueses irão ficar a conhecer. Da informação que eu tenho, mesmo que nós venhamos a crescer, que é esse o nosso desejo, vamos ter um grupo parlamentar de grande qualidade e de grande capacidade de combate para transformar o país.
Grupo parlamentar que neste momento conta com oito deputados. Rodrigo Saraiva, o que é que seria um bom resultado após o dia 18 de maio? Consegue quantificar?
Não, não consigo quantificar. E o Rio tem dito que nós não devemos neste momento limitar aquilo que é a nossa ambição e a nossa capacidade de crescimento. Vou-me ficar por uma frase batida, mas que fica bem, que é: o céu é o limite. Sempre com céu, sem eclipse. Nós não nos queremos eclipsar.
É a questão do dia, até porque hoje é dia mesmo de eclipse. Rodrigo Saraiva, na eventualidade de o Parlamento apresentar resultados semelhantes ao que tínhamos nesta legislatura, que acabou por cair após ter sido chumbada a moção de confiança ao governo liderado por Luís Montenegro, como é que é possível evitar novas crises políticas como a que atravessamos agora?
É possível evitar se todos os partidos, concordemos com eles ou não, forem coerentes naquilo que é o seu discurso e a sua prática. Eu hoje, neste momento, estou a ter uma conversa com o José Rafael Lopes e estaríamos a ter aqui uma conversa a três com um outro partido. Um outro partido que passa a vida a dizer que é de direita, que quer mais liberdade económica, tentando aproximar-se assim de algumas mensagens, quer da Iniciativa Liberal, quer do PSD, mas que depois na prática, e cá está a sua incoerência entre discurso e prática, demonstra exatamente o inverso. Porque se o Chega não tivesse andado a fazer propostas e a votar propostas, é dos partidos que mais vota ao lado dos partidos da esquerda. É um partido que vota para mais aumento de despesa pública, quer taxar a banca e a energia, quer a TAP nacionalizada, quer usar os lucros da Caixa para dividendos para habitação Assim não será possível que uma maioria que acredita que o Estado tem que ter menos presença na vida das pessoas, e poderá haver transformações. Portanto, aquilo que se deseja, seja qual for o novo quadro parlamentar, é que os partidos tenham consistência entre discurso e prática. Se assim for, os partidos são obrigados a respeitar a vontade dos portugueses e encontrar consensos em âmbito parlamentar.
Rodrigo Saraiva, Luís Montenegro defendeu o não e não ao Chega. Recentemente, aqui na Rádio Observador, Miguel Relvas disse que é preciso saber ler a vontade dos portugueses. Tendo em conta que a IL pode vir a ser um possível parceiro para alcançar a maioria à direita, falámos disso no início deste Explicador, qual é a posição da IL sobre o não e não ao Chega?
O primeiro partido que foi muito claro a dizer não e não ao Chega foi a Iniciativa Liberal e, portanto, queremos acreditar que Luís Montenegro vai se manter coerente. Mais uma vez, a questão da coerência aqui é fundamental, porque o partido Chega não é confiável, o partido Chega é um partido que é socialista na sua prática e nas suas propostas, para além de todos aqueles casos que aconteceram e que os portugueses estão a vir a conhecer, ainda ontem mais um em torno do Chega, que demonstram que não é confiável. E, portanto, os portugueses que querem uma maioria parlamentar para transformar o país com menos presença do Estado, com mais liberdade, sabem que só dando força à Iniciativa Liberal é que será possível haver uma maioria parlamentar que siga esse caminho, que faça uma transformação com ambição para menos impostos, para mais liberdade de escolha na saúde, na educação, para melhores propostas de habitação mais ambiciosas, sobretudo do lado da oferta e não da procura. Esse é o caminho. Nós temos sido muito consistentes e muito confiáveis nestas mensagens e vamos continuar até o dia 16, depois é o dia de reflexão.
E o dia das eleições.
E depois até o último dia da campanha, vamos continuar com consistência, com confiança e com responsabilidade a dizer estas mensagens. É preciso modernizar o Estado, é preciso recuperar confiança nas instituições e é preciso romper com a estagnação económica.
Rodrigo Saraiva, muito obrigado por ter aceitado este nosso convite e por ter participado na edição de sábado do Explicador.
Obrigado, José Rafael. E no Dia do Piano, ponham também o Ludovico Einaudi a tocar, não só Mozart.