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A Maria Miguel Duarte já aqui está conosco. Começa agora o novo fact-check da Rádio Observador. Olá, Maria, bom dia.
Olá, bom dia.
Maria, hoje vens tirar dúvidas sobre uma das maiores marcas de sempre.
Exatamente, e uma que eu sou grande fã, mas infelizmente sei que faz muito mal. É a Coca-Cola.
Não estás sozinha. Somos duas, eu ando a fazer um tratamento para não consumir.
É verdade.
Um detox. Mas é difícil.
É verdade, mas espera aí. Qual é a polêmica desta vez com a Coca-cola? Já sabemos, pelo menos, a mitologia diz-nos que ajuda a desentupir canos.
Mas esse fact-check eu posso dizer que entramos logo de pés juntos.
Por isso é que vocês, que são fãs de Coca-Cola, estão a ser vacinadas.
Sabemos que faz mal.
Muito desentupidas.
Os nossos órgãos são todos limpinhos. Pois exatamente, a Coca-Cola é conhecida por desentupir canos e por ter na sua composição alguns ingredientes que nós sabemos que não são propriamente benéficos à saúde. Mas este ingrediente é um tanto peculiar.
Então vamos lá perceber, Maria, que ingrediente é esse.
Eu não sei se vocês estão preparados, mas são insetos.
Insetos?
Sim.
Eu já ouvi muita coisa, agora insetos. Já percebi que eu quando bebo depois fica . É isso, são os insetos.
Sentimos umas borbulhas na barriga.
São eles a bater às barbatanas.
Estão a chamar os coleguinhas.
Exato.
Conta-nos tudo, Maria.
Descobri que num conjunto de publicações nas redes sociais, foi sugerido que na composição da Coca-Cola é introduzido um corante, que é feito a partir de insetos. Outra coisa particular é também o nome do inseto. Vamos ver se eu consigo dizer. Cochonilhas.
Cochonilhas. Isso parece uma coisa espanhola.
Parece com o caracho, não é?
Exatamente.
E eu fui pesquisar e pelas imagens que vi, parece uma espécie de larva com patinhas, absolutamente linda, como podem calcular.
Mas então, como é que esse corante está associado à cor da Coca-Cola?
Essa foi também a minha dúvida, Júlio. Basicamente, é extraído um ácido deste inseto e depois é feito um corante de cor carmim a partir do inseto. E nas redes sociais existem vários vídeos de pessoas a mostrarem o rótulo da Coca-Cola, em que se vê o ingrediente E150d, que é o nome deste corante.
E portanto, esse corante é extraído desse bicho fofinho, larva com patas.
Uma larvazinha. Pois, mas parece que afinal não é, porque se recorrermos à página da Comissão Europeia, onde são disponibilizados detalhes dos aditivos alimentares autorizados na União Europeia, reparamos que o E150d é o sulfito de amônio, que dá à Coca-Cola a cor caramelo. Por outro lado, o tal E120, que é o corante que é extraído a partir deste bicho, que eu não me vou arriscar a dizer o nome outra vez, está a ser confundido nestas publicações com o E150d, que é então oriundo da cochonilha, mas que não está presente no rótulo da Coca-Cola.
Então qual é a cor do carmim deste fact-check? É da cor da Coca-Cola?
Podia ser carmim, mas é vermelho. Porque não existe, de facto, nenhum vestígio de insetos na composição da Coca-Cola. Este corante não existe. Ou seja, existe o E150d, mas não é ele que dá a cor à Coca-Cola.
Agora é preciso saber onde é que este corante é aplicado. Em que produtos?
Eu vi que em vários produtos estéticos e cosméticos.
Ah, também é bom saber. Conto contigo amanhã para explicar isso.
Desde a baba de caracol.
Exatamente, vai por aí fora. Carmim vermelho, Fact Check das manhãs 360 hoje com a Maria Miguel Duarte. Amanhã mais para ouvir, sempre por volta das 7h40, ou então a qualquer hora em podcast.