A Ucrânia teria tomado uma medida drástica: o “recrutamento forçado de mulheres”. Nas redes sociais, isto é o que se lê na legenda de um vídeo que mostra uma mulher em claro desespero a ser agarrada e detida por agentes da autoridade.

“Os homens em idade de combater já foram todos triturados”, denuncia a mesma publicação. É certo que a Ucrânia sempre enfrentou problemas de recrutamento. Fruto de ser um país cerca de quatro vezes mais populoso, a Rússia tem conseguido mobilizar mais homens para a linha da frente.

Nesta lógica, as autoridades ucranianas teriam avançado para a mobilização forçada de mulheres. Essa hipótese nunca foi, no entanto, oficialmente confirmada pelas autoridades ucranianas.

O vídeo publicado nas redes sociais é verdadeiro. Porém, não mostra uma mulher a ser mobilizada à força e enviada para a linha da frente. Publicado originalmente por Nataly Soloviova, esta influencer ucraniana denuncia que a polícia de Kiev está a “agir de forma agressiva”: “Estão a arrastar as jovens com violência”. E identifica a mulher em questão: Tanya Zelyonka.

Tanya Zelyonka não estaria, contudo, a ser enviada para a guerra. Estava antes a protestar por motivos ambientais, até ser agarrada pela polícia. Em meados de setembro de 2026, vários manifestantes protestaram na capital ucraniana contra obras da autarquia que implicavam o abate de árvores para a instalação de uma tubagem de aquecimento.

Perante os vídeos que mostraram Tanya Zelyonka a ser agarrada pelas autoridades, a autarquia de Kiev — que está a manter um verdadeiro braço de ferro com os manifestantes — anunciou a abertura de um inquérito para verificar as “circunstâncias e as ações” que levaram à detenção à força da jovem. Não houve nenhuma referência à mobilização forçada como sugere a publicação nas redes sociais.

Cerca de um mês antes da publicação deste vídeo, a 25 de agosto de 2026, devido a rumores que circulavam nas redes sociais, o Parlamento ucraniano emitiu um esclarecimento a deixar bem claro: “A mobilização de mulheres na Ucrânia não está a ser realizada, preparada nem considerada”. “Não existem iniciativas legislativas, projetos de lei ou sequer discussões internas sobre a mobilização de mulheres”.

“Na Ucrânia, as mulheres ingressam nas Forças de Defesa em caráter estritamente voluntário”, esclarece o desmentido, que pediu à população para não se deixar levar por “manipulações”, recorrendo apenas a “fontes oficiais de informação”.

Conclusão

O vídeo não mostra um recrutamento forçado de mulheres na Ucrânia, mostrando antes uma manifestante ambiental a ser detida em Kiev. Apesar de o país continuar com falta de homens na linha da frente, as autoridades ucranianas garantiram ainda, num comunicado em agosto de 2026, que não estão a ponderar avançar com essa medida.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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