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Começa agora o fact-check das manhãs 360 com o jornalista Aníbal Rebelo. Bom dia, Aníbal.
Olá, bom dia.
Hoje vamos falar de insetos comestíveis. É mesmo o que me apetece esta hora. Hum, uma torradinha. Bora.
Isto por causa de uma publicação que afirma que a União Europeia está a autorizar a comercialização de mistura de farinha de insetos e farinha de cereais, sem que seja necessário qualquer tipo de indicação na embalagem.
Ou seja, isso quer dizer que podemos ir a um supermercado, compramos um pacote de farinha a pensar que é farinha de trigo e podemos ter crostinhas lá dentro?
A ideia que passa na publicação que estamos a analisar é um bocadinho essa. Esta publicação alega que estão a ser vendidos insetos em produtos cujos rótulos não referem esses componentes. E é garantido que isso acontece desde o início deste ano. A ser verdade, existem aqui vários problemas. Os casos de alergias, se os componentes não estiverem referidos nos alimentos, e as pessoas que ainda não consideram os insetos como alimentos para humanos. Essas pessoas também têm direito de saber o que estão a comer e, no fundo, é a essas pessoas que esta publicação está a tentar chegar.
Mas já há algum tempo que na Europa se comercializa a chamada farinha de inseto, ou pelo menos chama-se farinha amarela, não é assim?
É verdade. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos já autoriza essa comercialização. Na Europa é autorizado o uso de larva do besouro da farinha.
Olha que bem.
É bom para fazer essa farinha. Outro dos insetos que pode ser utilizado para alimentação humana é, por exemplo, o grilo caseiro.
Diz que é crocante.
É bom, já provei.
Já provaste? É bom.
É bom. Sabe a batata frita.
Então e não podemos comer antes batata?
Como tudo, existem regras para a utilização destes insetos que podem ser utilizados na alimentação humana para evitar problemas para a saúde do consumidor. No caso, por exemplo, da utilização do grilo caseiro na comida, a rotulação das embalagens que contenham este inseto devem conter, por exemplo, uma declaração de que este ingrediente pode causar reações alérgicas a quem tenha, por exemplo, alergia a moluscos e a crustáceos e produtos derivados.
Coisas parecidas com os insetos, não é? O certo é que, em termos económicos, a utilização de insetos na alimentação é apetecível. É muito tentadora, de facto, para as empresas deste setor. E por isso não me parece credível que seja autorizada a sua utilização de forma escondida, como quer fazer essa publicação.
E tens toda a razão. Ainda existem muitos anticorpos na Europa contra este tipo de alimentos, numa indústria que até 2025 pode chegar a movimentar valores na ordem dos 3,4 mil milhões de euros. E falamos aqui só no negócio da criação de insetos. Mas voltando a esta publicação, os alimentos que contêm insetos fazem parte da categoria novel food, que segundo a Comissão Europeia, são todos aqueles alimentos que não eram consumidos por seres humanos antes de 1997, e todos esses alimentos devem ser devidamente rotulados nas embalagens devidas e todos os ingredientes são considerados como seguros, já que, caso não sejam, não teriam tido a aprovação por parte dos Estados-membros.
Sendo assim, Aníbal, vamos então ao veredito final.
É verdade que a União Europeia autoriza a venda de determinados insetos para alimentação no espaço europeu. Alguns deles podem ser usados em farinhas, mas ao contrário do que diz esta publicação, todos estes ingredientes devem estar em produtos devidamente rotulados e assim, de acordo com o nosso sistema de classificação do Observador, este conteúdo é errado.
Então leva um carimbo vermelho este fact-check da Rádio Observador com Aníbal Rebelo. Amanhã voltamos a olhar para as notícias que circulam nas redes sociais.