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Olhemos agora para as notícias que vão circulando nas redes sociais, começa o Fact Check das manhãs 360 com a jornalista Teresa Borges. Bom dia, Teresa.
Bom dia.
Vamos até à Austrália.
Vamos até bem longe para tentar verificar uma publicação que se tornou viral no último mês e que toma a forma de uma pergunta. À medida que esta publicação tem sido partilhada nas redes sociais, o formato vai variando, a língua também, mas a suspeita lançada é sempre a mesma: como é que a Ómicron entrou na Austrália, se os não vacinados não podem sair ou entrar no país?
Teresa, é um tema que não tem saído das primeiras páginas nas últimas semanas, à medida que a variante Ómicron se tem propagado rapidamente pelos vários países e continentes. Mas vamos então aqui por partes. Convém, em primeiro lugar, perceber que medidas é que estão em vigor na Austrália.
Sim, a Austrália tem sido um dos países a adotar medidas mais fortes desde o início da pandemia, em particular para os turistas não vacinados. Chegou a fechar fronteiras, a impor quarentena, mas as regras foram sendo levantadas gradualmente. Neste momento, quem tiver a vacinação completa pode sair do país sem precisar de autorização. É, pelo menos, essa a informação que consta do site oficial da autoridade de saúde australiana. Alguns estados também já não obrigam ao cumprimento de quarentena a quem chega do estrangeiro e já completou o esquema vacinal contra a Covid-19.
Mas ainda assim mantêm-se restrições para os não vacinados.
Mantêm-se. Quem quiser sair do país e não esteja vacinado, precisa de uma autorização especial, salvo algumas exceções. Já as conhecemos bem aqui em Portugal, por exemplo, no caso de viagens de negócios ou no tratamento médico urgente. Mas a verdade é que, como disse, as regras foram sendo retiradas ao longo do tempo, de forma gradual, e este recente pico de casos de infecção registrado no país é mesmo apontado como consequência disso.
E o aumento de casos tem acompanhado a Ómicron nos vários países. Sabemos que é mais contagiosa do que as outras variantes e é também verdade que já foi detetada na Austrália.
Já foi, o primeiro caso foi identificado há cerca de um mês, mas este aumento de casos pode também ser explicado pela redução da efetividade das vacinas contra a Covid-19 ao longo do tempo. Essa possibilidade já foi referida por vários especialistas até aqui em Portugal. Ainda no mês passado, na última reunião de peritos no Infarmed, Alzenda Machado, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, adiantava que há uma redução da proteção da vacina à medida que o tempo passa. Vamos ouvir essa explicação.
Atinge-se o máximo 14 a 41 dias após a toma da vacina e depois observamos um decaimento ao longo do tempo. Quando olhamos para o outcome mais grave, nomeadamente para hospitalização, percebemos que há também algum decaimento desta efetividade com o tempo. Contudo, este decaimento, este decréscimo, é muito mais lento comparativamente quando observamos a efetividade contra a infecção.
Há uma redução da proteção tanto para a infecção como para o desenvolvimento de doença grave, ainda que a ritmos diferentes. A redução é mais suave na prevenção de internamentos ou de mortes por Covid-19.
Ora, quer isto dizer que a proteção é mais longa para evitar o desenvolvimento de casos graves de Covid-19 do que para evitar que uma pessoa vacinada seja infectada com o vírus.
Exatamente. Também a Organização Mundial de Saúde já tinha alertado há bem pouco tempo que as vacinas salvam vidas, mas não previnem totalmente a transmissão do vírus. Os dados recolhidos em relação à variante Delta mostram mesmo uma queda da efetividade para a transmissão da doença na ordem dos 20%. A isto junta-se, claro, o facto da Ómicron ser mais contagiosa.
Os especialistas têm também alertado que falta saber muito ainda sobre esta variante Ómicron. Mas Teresa, vamos ao carimbo de hoje.
Vamos a isso. Carimbo laranja, esta publicação é enganadora. A Austrália está entre os países com restrições mais fortes para viagens, mas as regras têm sido alteradas de forma gradual para os não vacinados. Para além disso, é importante recordar que quem tenha recebido a vacina pode transmitir e ser infectado com a Covid-19.
Muito bem, carimbo laranja no Fact Check das manhãs 360 desta quinta-feira com a jornalista Teresa Borges. O Fact Check fica disponível já a seguir também em podcast.