Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o Gabinete de Guerra das manhãs 360, esta quinta-feira com a análise do historiador Bruno Cardoso Reis. Olá, Bruno, bom dia, bem-vindo.
Olá, bom dia, obrigado.
O ministro da Defesa israelita, Ben-Gvir, classificou como ataque terrorista o incidente a bordo do voo da Flydubai, onde passageiros relatam que um dos pilotos, natural de Omã, esfaqueou o comandante e tentou desviar a aeronave que voava do Dubai para Tel Aviv. Netanyahu diz que se impediu um desastre como o 11 de setembro. Bruno, que leitura fazes de tudo isto? Falar em terrorismo serve para unir Israel em torno da segurança ou é um episódio isolado que está a ser também politizado no meio da campanha eleitoral?
Eu acho que realmente é muito suspeito um incidente deste tipo, neste voo específico, com este destino, com esta origem, ou seja, é um voo entre os Emirados e Israel, é parte do pacote, digamos, os chamados Acordos de Abraão. Sabemos que Israel e os Emirados se aproximaram muito por causa da ameaça do Irão, que veem como uma ameaça partilhada e ainda mais depois do início deste conflito no Golfo, em torno do Estreito de Ormuz, entre os Estados Unidos e o Irão. Os Emirados foram dos países mais atacados. Israel terá estado envolvido no esforço para defender os próprios Emirados. Portanto, é verdade que teremos de esperar para perceber pela investigação, pelo interrogatório até do próprio piloto. No fundo, aqui as hipóteses é ser um simples caso de suicídio, não será muito provável, porque há outras formas de fazer isso sem matar toda gente que está no avião com a pessoa. Portanto, no mínimo, é uma tentativa de causar aqui um massacre, um incidente com múltiplas vítimas.
E confirmando-se, qual será a resposta de Israel, Bruno?
A questão, no fundo, era perceber exatamente qual seria o motivo, se é um motivo puramente individual, portanto, só queria matar muitas pessoas ou se queria matar realmente israelitas por motivos políticos. Aí então seria terrorismo. Realmente acho que é uma hipótese bastante provável, mas teremos de confirmar. Agora, em termos de efeitos, acho que a confirmar-se, no fundo, provavelmente não altera assim tanto, porque quer Israel quer os Emirados já têm aqui uma postura de muita hostilidade em relação ao Irão, já veem o Irão como uma potência, digamos, um adversário existencial. Portanto, acho que no fundo, só irá confirmar isso. Eventualmente, poderá haver aqui alguma retaliação mais específica. E aí pode haver, eventualmente, sempre este risco de escalada ou de uma nova escalada no conflito, mas à partida, pode não alterar assim tanto. É possível também que altere alguma coisa em termos de alguma revisão na forma de funcionamento destes voos, que tanto quanto eu percebi, aliás, para já foram suspensos, pelo menos temporariamente. Em todo caso, mesmo aí, não sabemos também os detalhes todos, mas sabemos que, de um modo geral, os voos para Israel têm realmente uma segurança reforçada. Em muitos casos, até há a presença dos chamados air marshals, portanto, no fundo, polícia a bordo. Não sabemos se é exatamente o caso aqui. No caso dos voos da companhia israelita, é sempre assim. E há até outros mecanismos também de defesa ativa, por exemplo, em relação a possíveis ataques com mísseis, etc. Mas não sabemos, portanto, se os Emirados imitaram exatamente todos esses aspectos ou não.
Entretanto, Donald Trump voltou a ameaçar Teerão. Disse sem rodeios: "Ou rebentamos com eles ou fazemos um acordo garantindo que a decisão final será tomada muito em breve". Bruno, já não é novidade esta narrativa de Trump, mas consegues perceber o que pode estar para acontecer, estando as eleições intercalares à porta? Falar em estratégia quando envolve Trump fica difícil, mas quais poderão ser os planos, ou nem ele sabe?
Eu acho que este conflito no Irão realmente foi sempre uma guerra sem uma estratégia, ou pelo menos sem uma estratégia clara e que fosse realista. Esta ideia de por via puramente aérea resolver de forma decisiva o problema, derrubar um regime ou impor a paz, realmente não é algo que seja confirmado pelos padrões históricos. De facto, desde o início do poder aéreo que há essa promessa, essa ideia de que poderia ter um papel decisivo, mas de facto, o que a história foi mostrando sucessivamente é que isso não se concretiza. Por exemplo, aquele exemplo clássico durante a Segunda Guerra Mundial, do Goering prometer ao Hitler a chamada Batalha de Inglaterra, simplesmente por via aérea, dos bombardeamentos da sua Luftwaffe, da aviação de guerra alemã, que isso iria ser suficiente para forçar a Grã-Bretanha a aceitar o domínio alemão e nazi da Europa. E realmente isso não aconteceu. Portanto, realmente, a mim parece-me que isto é o tipo de retórica que Trump tem usado sempre, mas mostra que ele também não tem propriamente novas ideias. Provavelmente, está à espera que com as intercalares a seguir haja alguma mudança. Ele próprio também já referiu isso várias vezes. No fundo, aqui a ideia seria uma espécie do que aconteceu na crise dos reféns. Mas aí houve uma mudança de presidente nos Estados Unidos, o presidente Carter, que os iranianos culpavam do apoio ao Xá do Irão e de ser um inimigo da revolução islâmica, perdeu as eleições, em parte por causa dessa questão. Portanto, não sei se a situação é realmente comparável. Portanto, parece-me que é sobretudo uma questão de esperança, para já, de Donald Trump, que isso possa ter um impacto decisivo. Portanto, não dou muita importância, nem muito crédito a estas palavras. Aliás, em termos de Pensarmos se Donald Trump tem uma estratégia ou não. Muitas vezes ouvimos essa ideia de que Donald Trump tem, no fundo, uma visão de grande estratega, que seria sempre a questão, em última análise, da contenção da China, da competição com a China. É por isso que ele intervém na Venezuela, é por isso que está a atacar o Irã, que é um grande fornecedor de petróleo da China. Vimos uma cimeira extremamente cordial com o líder chinês e em que Donald Trump, de acordo com os próprios norte-americanos, com o embaixador norte-americano na China, acabou a oferecer armas à China. Como é que isso é compatível com a ideia de uma visão estratégica de competição a todo o preço da China? Realmente, parece-me evidente que isto confirma que com Donald Trump não há estratégia, é sempre tudo muito improvisado, muito por instinto e em função do que ele acha que são os interesses dele de curto prazo.
Sim. O primeiro-ministro do Reino Unido diz haver fortes indícios de que o Irã teve, de facto, participação no incidente de segurança em Fairford, a base aérea utilizada pelos Estados Unidos. As declarações provocaram uma imediata negação por parte de Teerão. Bruno, o governante não faria estas insinuações se não tivesse informações mais credíveis. Confirmando-se, quais poderão ser as consequências?
Realmente, Marco Rubio, o responsável da diplomacia norte-americana, já tinha referido isso. Apesar de tudo, Marco Rubio não é Donald Trump, embora trabalhe para Donald Trump, portanto, tem um pouquinho mais de crédito. Se fosse o presidente americano, eventualmente podia-se duvidar mais. A mim pareceu-me também que ele não faria essas declarações sem ter alguma indicação mais sólida, embora não fosse propriamente muito diplomático, porque, por regra, espera-se que seja o país que é alvo do ataque a dar essas informações em público. Mas isso, se calhar, precipitou um bocadinho ou levou os britânicos a avançar com essa informação, a confirmar essa informação. Estes dois incidentes, a confirmar-se, parecem-me apontar para algo que sempre me pareceu que seria um risco, que era realmente de uma retaliação do Irã e de uma escalada, de um alargamento do conflito, nomeadamente por parte do Irã, usando não meios mais convencionais, militares. Mesmo aí, obviamente, o Irã não faz uma campanha completamente convencional, utiliza meios tipo novo, como os drones, etc. Mas também utilizar aquilo que o Irã, o regime iraniano, tem utilizado ao longo destas décadas, muitas vezes, que são estes meios não convencionais, ou seja, ataques de tipo terrorista, que em muitos casos procura que não sejam fáceis de atribuir ao Irã, aquele tipo de táticas de guerra híbrida, de guerra na zona cinzenta, que a Rússia também tem estado a utilizar muito. O que é de esperar é sempre que o Irã procure negar, que procure com isso evitar uma retaliação mais forte e mais fácil. Agora, se de fato os países, nomeadamente a Grã-Bretanha, tiverem informações mais concretas, também podem optar por uma retaliação mais robusta. Mas eu não dava também isso por certo, porque a Grã-Bretanha também tem mostrado reservas, como a generalidade dos países europeus, em envolver-se mais diretamente no conflito. Pode eventualmente reforçar o apoio aos Estados Unidos, aos países do Golfo nesta campanha, mas não parece que o novo primeiro-ministro britânico, que ainda por cima também está ainda a procurar consolidar a sua popularidade num lugar que está a exercer ainda há pouco tempo, que realmente apostasse numa retaliação que obrigasse a um envolvimento muito mais direto no conflito, porque sabemos que isso não é muito popular na generalidade dos países europeus.
Bruno Cardoso Reis, muito obrigada pela tua análise. Bom final de semana.
Bom dia. Bom final de semana. Obrigado.