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Abrimos porta ao Gabinete de Guerra na Rádio Observador, o programa em que destacamos as principais questões geopolíticas mundiais. Eu sou Martim Madeira e hoje contamos com a análise de Bernardo Valente, professor de Relações Internacionais no ISCSP. Boa noite, seja muito bem-vindo à Rádio Observador. Obrigado por ter aceitado o nosso convite.
Boa noite, Martim.
Vamos começar pela situação na Ucrânia, com a carta aberta de Volodymyr Zelensky a Vladimir Putin. O presidente ucraniano lançou o convite e o desafio ao presidente russo de terem uma conversa olhos nos olhos. Putin recusou, diz que até o momento não vê sentido em encontrar-se com Zelensky e fala também que as hostilidades cessarão quando a Rússia atingir os objetivos militares. Ontem, por exemplo, Putin dizia que a Rússia estava aberta a fazer compromissos e a negociar a paz, mas agora recusa esta proposta de Zelensky para negociações frente a frente. Esta recusa de Putin mostra, como Zelensky disse há pouco, que a Rússia opta novamente pela guerra.
Sim, parece-me que foi uma jogada brilhante do ponto de vista diplomático de Zelensky. Ou seja, ao colocar aqui o ônus do conflito em Putin, ao colocar aquele que é o ônus da guerra depois de Putin, até nos últimos tempos, ter vindo falar bastante da possibilidade de encontrar um mediador. Mediądor esse que poderia até ser europeu, poderia passar por Schroeder, e seria esse mediador que iria fazer a ponte para um cessar-fogo mais definitivo, para eventualmente um processo de paz com o conflito congelado. A verdade é que Zelensky, ao lançar esta carta, e uma carta que não é nada favorável a Putin, e até foi o próprio Putin que disse que tinha elementos rudes naquela carta, e não deixa de ser interessante que foi o próprio Putin que achou que Zelensky referir-se à sua idade era particularmente desagradável, e acho que também é um elemento interessante desta carta. Mas a verdade é que Zelensky, ao colocar então o ônus do conflito em Putin, no momento em que a Ucrânia está a devolver o conflito ao território russo, o que tivemos até aqui, pelo menos até há uns meses atrás, foram quatro anos de iniciativa russa, de uma Rússia que, apesar das sanções europeias, apesar da resistência ucraniana, apesar do crescimento tecnológico ucraniano, continuava a alimentar a sua máquina de guerra, fosse através do sacrifício da sua própria população, como de militares que vinham recrutados muitas vezes de outros paraísos do eixo da resistência, entre eles a Coreia do Norte, por exemplo, países africanos também. A verdade é que agora Zelensky, as forças ucranianas estão a bater o pé às forças russas, e esse bater o pé às forças russas implica que estejam a empurrar essas mesmas forças russas para território que os russos já diziam que tinham conquistado, mas que no fundo são territórios bastante contestados de ambas as partes. Portanto, o que havia era uma infiltração russa, não era uma conquista de território de fato. E portanto, Zelensky tem conseguido, ou as forças ucranianas têm conseguido empurrar a Rússia, para além da inovação tecnológica, como estávamos aqui a falar, estamos a falar de milhões de drones produzidos por ano. E só para ter a noção, os Estados Unidos, que são a maior máquina de guerra do mundo, produzem cerca de 390 mil por ano. A Ucrânia para o ano tem uma perspectiva de cerca de sete milhões de drones produzidos. Portanto, tudo isto dá esperança às hostes ucranianas, dá esperança às hostes europeias e empurra Putin para uma posição de fragilidade e por isso é que no dia da vitória, há cerca de um mês, apareceu um pouco mais cabisbaixo, um desfile que não teve a pompa e circunstância de outros tempos. Sabemos que a economia russa se tem ressentido bastante e, portanto, para terminar, o que resta a Putin, neste momento, são estes ataques que parecem até em desespero às forças russas. São estes ataques em desespero. O que eu quero dizer com ataques em desespero? É aquilo que se chama na estratégia militar os last-ditch offensive. Portanto, os last-ditch offensive foi o que aconteceu na Primeira Guerra Mundial com a Alemanha quando estava prestes a capitular, na Segunda Guerra Mundial com a Alemanha Nazi quando estava prestes a capitular, que no caso da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, falamos das Ardenas, é o lançamento de um ataque já em 1944, na altura, sabendo que o armistício, a capitulação das suas forças estaria para breve. E parece-me que Zelensky também já percebeu que é isto que Putin está a tentar fazer, que isto são ataques de desespero, ataques ad hoc de grande escala, mas que não representam fielmente aquilo que é o estado, não só das forças russas, mas também da economia russa.
Aquilo a que os americanos chamam de Hail Mary, não é? Quando é a última esperança, tem que ir. Por falar neste empurrão que estava a falar o Bernardo, do que está a acontecer com a Rússia e desta pressão que está a sentir, a pressão econômica, também a pressão política, parece-lhe que esta guerra só acaba, de fato, se a Rússia atingir os objetivos militares ou se algum dia, embora possa parecer um bocadinho raro, conceder a vitória à Ucrânia por não conseguir atingi-los? Sabemos que Vladimir Putin tem um ego e também uma visão um bocadinho difícil, teimosa, digamos, também porque Zelensky até diz que esta é uma escolha de motivos pessoais, é uma guerra por motivos pessoais de Putin. Parece-lhe que possa acontecer essa concessão de vitória à Ucrânia por não conseguir objetivos militares ou Putin vai mesmo até o fim e nunca vai fazer um cessar-fogo?
Uma concessão de vitória parece-me difícil, até porque o que pode acontecer, e o que vemos agora também a acontecer um pouco com Trump na questão do Irão, é que à medida que se vai percebendo que não há uma saída para o conflito, e Putin também já percebeu que não há uma saída limpa, vitoriosa, repentina deste conflito, até porque as forças ucranianas só vão crescendo em influência, o que pode acontecer é uma reconfiguração dos objetivos do conflito. E portanto, se no início deste conflito tínhamos os objetivos maximalistas russosE os objectivos maximalistas russos passavam por expandir o seu território para os cinco mares, uma espécie de recuperação não da União Soviética, mas do Império Russo, e conseguir controlar aquilo que é o Rimland também nas relações internacionais, portanto, as áreas portuárias que acabam por estar à volta nas franjas da plataforma euro-asiática. Se este era o objectivo inicial, Vladimir Putin agora se não quiser conceder a derrota, que não parece que vá acontecer, terá que reconfigurar os seus objectivos. Até me parece que o primeiro passo para reconfigurar esses objectivos é quando começa a falar do Donbass e da importância do Donbass do ponto de vista estratégico, até para a recuperação do pós-guerra, portanto da Rússia como da Ucrânia. Portanto, Vladimir Putin tem que reconfigurar os conflitos se não quiser conceder essa derrota, mas também aquilo que o Zelensky diz é verdade. Neste momento, esta guerra é tão pessoal de Putin. Putin já não é, como sabemos, um líder novo, comprou ao longo dos últimos quase 30 anos, como o Zelensky disse também na carta.
Dos 26 anos, a metade dos 26 anos no poder de Putin foram a fazer guerra contra a Ucrânia, é o que diz Zelensky.
Precisamente. E que fez essa guerra, Zelensky diz a certo ponto, e que fez essa guerra também comprando a lealdade dos russos. E agora é muito mais difícil comprar a lealdade dos russos tendo em conta o estado da economia russa. E, portanto, quando temos até a Ucrânia a conseguir defender já o Mar de Azov, a Ucrânia a conseguir servir de fronteira até para os bálticos e a intervir em possíveis ataques ao espaço aéreo, a intervenções no espaço aéreo dos países bálticos por parte da Rússia. Portanto, a Ucrânia a servir aqui de zona tampão e uma zona tampão que vai cavalgando no território. Vladimir Putin, neste momento, só tem duas opções: ou luta até ao último homem e terá que aí sim declarar uma derrota militar, ou então terá que reconfigurar, como estava a dizer, os seus objectivos de guerra. Se bem que essa reconfiguração dos objectivos de guerra tem que ter de alguma forma a anuência por parte daquela cúpula de poder, incluindo Lavrov, que também já se vai expressar em relação à carta Zelensky e até o próprio apoio de Marco Rubio aos europeus. Lavrov veio dizer esta semana que ficou desiludido com Marco Rubio porque acha que os Estados Unidos estão a cair para o lado europeu no caso do conflito com a Rússia, e essa cúpula de poder não será nada fácil de convencer por parte de Putin. Portanto, parece-me que a única solução que resta, efetivamente, é Putin continuar o esforço de guerra, só que ao continuar o esforço de guerra, se com as informações que temos neste momento e se a guerra continuar nesta tendência, o que teremos é uma economia russa decrépita, são os bálticos e os países nórdicos a viver num ambiente de medo constante, mas sabendo que esta economia russa por estar decrépita e por ter este efeito quase perverso de se ter definido agora todo para o esforço de guerra e ter de se reconfigurar, esse medo também se vai perdendo, mesmo junto das fronteiras europeias com a Rússia. E, portanto, com a informação que temos, não parece que haja nenhum ganho efetivo por parte da Rússia e por parte de Vladimir Putin.
Também hoje houve a cimeira em Montenegro. A Europa já mostrou algum apoio ao convite de Zelensky. Queria lhe perguntar se está na hora dos europeus pressionarem a Rússia.
Os europeus têm tentado pressionar a Rússia. Agora, o problema é que não sabem como ou não têm os mecanismos para tal, não os desenvolveram, pelo menos, ou não os desenvolvemos ao longo dos últimos 20, 30 anos. Por quê? Porque sempre nos afirmamos como o polo da normatividade, o polo dos valores pacíficos dentro das relações internacionais. E a verdade é que isso, e também por estarmos um bocadinho debaixo do guarda-chuva defensivo nuclear dos Estados Unidos e da NATO, fez com que nunca tivéssemos desenvolvido esses mecanismos. E agora o que está a acontecer é que estamos a acordar tarde para uma realidade, que é uma realidade de ameaça existencial à Europa. Uma realidade de ameaça existencial à Europa implica que tenhamos de começar a pensar num exército comum, mas aqui a grande questão também é, como estava a dizer há pouco, os nórdicos que, por exemplo, a Suécia e a Finlândia, que se juntaram muito recentemente à NATO, os estados do Báltico, não olham para este conflito, nem para o nível de ameaça da mesma forma que nós olhamos, ou que a Espanha olha, ou que a França olha, principalmente por a dimensão geográfica e histórica, como sabemos. Portanto, o primeiro objetivo será criar um instrumento de coerção, criar um instrumento de força física no território e que passará por um exército comum eventualmente, mas um exército comum que tem que estar coordenado nas suas vontades, que é aqui que está a grande dificuldade e por isso é que ainda não foi criado. E depois, criarmos uma estrutura diplomática, que não temos, por isso é que às vezes é um pouco confuso e até o próprio Trump e Putin têm alguma dificuldade em perceber quem é o representante diplomático europeu, porque temos de perceber se queremos uma diplomacia que vem dos Estados, e por emanar dos Estados podemos ter várias vozes e uma postura um pouco fragmentada por vezes, o que é natural, porque são muitos Estados e estamos à procura ainda mais de alargamento para espaços que anteriormente foram da Rússia, como a Moldova, ou então se queremos um aparelho diplomático que vem das instituições europeias, mas esse aparelho diplomático que vem das instituições europeias, neste momento está fragilizado, ou pelo menos pode ser acusado pelas hostes russas de ser parcial. Por quê? Porque temos apoiado a Ucrânia sempre neste conflito, os europeus têm apoiado a Ucrânia sempre neste conflito, e por isso é que ter um mediador europeu neste momento é difícil, porque não só temos várias vozes, mas institucionalmente a União Europeia sempre apoiou desde o primeiro dia a Ucrânia contra o invasor russoA Europa, neste momento, depara-se com isto e também com outro problema, que é mais político do que militar. Se quisermos continuar a expandir, ou seja, se optarmos pelo alargamento em vez do aprofundamento, o alargamento chegará à Moldova em breve, chegará à Geórgia, também território da antiga União Soviética, em breve, aliás, onde nasceu Stalin, e isto será sempre visto como uma ameaça do lado russo. Portanto, este conflito entre um polo normativo, que é a Europa, e um polo militar, é pernicioso para a Europa, porque a Europa ainda não tem os mecanismos militares e de coesão para fazer face a estas forças russas que mesmo que decrépitas, continuarão a procurar expandir a sua área de influência na plataforma euro-asiática.
Agora, queria ainda termos um pouco de tempo, que fosse muito rapidamente, telegraficamente, um tempo de irmos ao Irão. Isto porque houve uma informação nesta última hora, muito recente, de que Netanyahu contraria Trump e diz que do ponto de vista de Israel, não há nenhum cessar-fogo no Líbano. Já era visível no terreno que esse cessar-fogo anunciado por Trump parecia um pouco virtual, mas em termos oficiais ele de fato existia, estava oficial. Apesar da chamada tensa entre os dois líderes, parece-lhe que isto é o Netanyahu a dizer não a Trump, como, por exemplo, Ben-Gvir tinha pedido?
O governo Netanyahu está muito dependente daquela coligação e está muito dependente destes ultraconservadores como Ben-Gvir. Portanto, a grande vitória que esta intervenção no Irão trouxe às hostes israelitas foi a ocupação da parte sul do rio Litani. E recordo que o próprio Hezbollah é criado e é o único proxy, que falamos muito dos proxies, mas distinguimos pouco os proxies. O Hezbollah é o único proxy que é criado diretamente pela Guarda Revolucionária Iraniana. E é criado diretamente, precisamente para defender aquela zona sul do rio Litani que está agora a ser ocupada pelas IDF. Portanto, este é o grande objetivo, ou pelo menos a grande vitória, mesmo que seja pírrica por agora, de Netanyahu, de Israel, no Líbano e nesta intervenção no Irão, se quisermos colocar tudo no mesmo pacote. E aliás, uma intervenção israelita no Líbano, que o objetivo é criar a tal zona tampão que sempre fez parte da política externa, das linhas de política externa israelita. Por outro lado, o que Donald Trump está a dizer é que deviam meter no mesmo pacote de paz, no mesmo pacote de cessar-fogo, a questão do Líbano e a questão do Irão. Mas Netanyahu não quer perder agora a parte do território que tem no Líbano, ou que pelo menos conseguiu ocupar no Líbano, sabendo que teremos eleições e o Likud, partido de Netanyahu, terá que ir a eleições em breve, daqui a cerca de dois, três meses. Portanto, uma posição fragilizada do ponto de vista interno e daqui a dois, três meses podemos estar a falar do Netanyahu muito diferente, não só do ponto de vista político, mas também do ponto de vista legal, não só pelos processos que tem a nível internacional, mas também a nível nacional. E depois temos Donald Trump a dizer o quê? E com isto termino. Donald Trump a dizer que tudo isto faz parte do mesmo pacote de paz e Donald Trump já percebeu que se não houver paz no Líbano, e aqui é uma paz não entre Israel e o Líbano, mas uma paz entre Israel e o Hezbollah, e essa paz neste momento parece impossível, até porque o Hezbollah é criado precisamente também para destruição do Estado de Israel, e Israel, por consequência, também procura a destruição do Hezbollah, só que o Hezbollah não é o Estado libanês e portanto Donald Trump já percebeu que negociar com o Estado libanês não é a mesma coisa que negociar com o Hezbollah, porque o Estado libanês neste momento até está a tentar procurar hostilizar o Irão, hostilizar o Hezbollah, mas depois não tem a capacidade de implementação no terreno. Portanto, Donald Trump, neste momento, o que quer mesmo é sair do conflito e conseguir devolver a paz aos seus contribuintes, devolver a economia global ao seu ritmo normal. E agora tem ali o garrote, não só do estreito de Ormuz, mas também de Netanyahu, que não só influenciou bastante esta intervenção no Irão, como agora também influenciará bastante o retardar do fim desta intervenção ou do fim desta presença norte-americana no Golfo Pérsico.
E está por isso a ceder, no fundo, às imposições iranianas, porque o próprio Irão diz mesmo que o cessar-fogo no Líbano é mesmo um ponto fulcral para que se avance para umas negociações de paz entre os Estados Unidos e Irão, mas portanto só mesmo para ter a garantia da sua resposta de que isto é Netanyahu a contrariar Trump, ou seja, Trump não está a ter muita mão no Netanyahu.
É Netanyahu a contrariar Trump. Não nos podemos esquecer que há vários anos que teóricos das relações internacionais norte-americanos alertam para a importância que o IPAC, portanto, que as organizações israelo-americanas de lobby têm dentro da política externa norte-americana, e que foi isto que muito provavelmente levou a esta intervenção assim de forma tão precipitada. Portanto, esta intervenção no Irão é algo que está nas linhas de política externa americana há muito tempo, mas nunca ninguém teve a coragem de o fazer precisamente porque é um ninho de vespas, é impossível sair. E agora Donald Trump quer abandonar, Netanyahu não quer que Donald Trump abandone e vai fazer o máximo para se perpetuar e expandir até a sua área de influência, a sua presença no Líbano. E portanto, Donald Trump agora terá que fazer uma escolha que é ou magoa a sua aliança histórica com Israel ao sair do conflito à pressa e sair de um conflito que vai deixar o Médio Oriente mais instável, vai deixar os estados do Golfo mais instáveis e apesar de neste momento haver um inimigo comum que é o Irão, os estados do Golfo também odeiam Israel, a maior parte deles. E portanto, Donald Trump pode sair rapidamente para se proteger também do ponto de vista eleitoral, sabendo que assim está sob a pena de magoar uma aliança histórica, ou então tem a opção de ficar ali como está, no estreito de Ormuz, tentar procurar uma solução diplomática, militar, o que seja, com o Irão, mas prolongar tanto este conflito que vai ter um impacto enorme, não só a nível eleitoral, mas mesmo naquilo que é a reconfiguração do sistema internacional, porque se percebe que a grande potência mundial hegemônica, neste momento consegue ser contrariada com meia dúzia de drones no estreito de Ormuz e com um garrote à economia.
Estados também que no Golfo Pérsico são importantes para Donald Trump, por exemplo, a Arábia Saudita, e mesmo nesta guerra que estava aqui a dizer, pode ter sido um pouco puxada por Israel também, Netanyahu há 30 anos que fala em armas nucleares no Irão, que nunca se verificaram, mas há 30 anos que fala. Chegamos ao final do nosso tempo. Obrigado Bernardo Valente, professor de Relações Internacionais no ISCSP. Agradeço-lhe por esta análise no Gabinete de Guerra.
Obrigado.
O Gabinete de Guerra fica como sempre disponível em podcast.