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Que teriam que ser trabalhados para que houvesse uma reunião. Logo a seguir, durante esta semana, a meio da semana, Lavrov dá uma conferência de imprensa que diz: "Mas nós não reconhecemos legitimidade ao presidente ucraniano, porque o presidente ucraniano já ultrapassou o seu mandato há cerca de um ano e meio e, portanto, politicamente, ele não tem mais legitimidade". Cabe lembrar que mesmo no meio de uma brincadeira, naquela mini conferência de imprensa dada por Trump e por Zelensky, à entrada de Zelensky na sala oval, Donald Trump diz duas vezes que não é por estarmos em guerra que os Estados Unidos ia deixar de ter eleições. E o jornalista pergunta a Trump: "Mas isso é o que os ditadores fazem". E ele repete: "Não, aqui na América não há ditadores, porque nós vamos sempre a eleições".
A deixar o recado, não é?
Exatamente. Putin, ao reunir-se com Zelensky neste período, era dar o reconhecimento a Zelensky, que hoje a Rússia não lhe concede. E, portanto, como não tem interesse em acabar com a guerra e como não quer dar esse reconhecimento e elevá-lo ao nível de um chefe de Estado com legitimidade política, esta reunião nunca vai acontecer. E, portanto, a única coisa que Donald Trump fez foi comprar tempo ou dar tempo a Putin, e Putin agora está a aproveitar para fazer esta narrativa, através de Sergei Lavrov, de que nós até queríamos reunir, nós até queríamos apresentar aqui um processo de paz. Atenção, não é de cessar-fogo, é de paz, para efetivamente podermos terminar esta guerra, mas do outro lado, temos alguém que não é legítimo e portanto, tem este discurso completamente cheio de contradições.
Miguel, a terminar, olhamos para o Médio Oriente, milhares de pessoas protestaram este sábado em Tel Aviv, e não só, para exigir o fim dos ataques a Gaza e a libertação dos reféns israelitas. Miguel, qual a importância destas manifestações e que impacto terão sobre o governo de Netanyahu, que nem a comunidade internacional consegue parar?
O impacto é zero, porque apesar de nós estarmos a ter, quer através das sondagens, quer através também das imagens televisivas que estamos a ver, dessa quantidade de milhares de israelitas que saem à rua para protestar, parece-me que ainda não existe uma total desconexão entre o povo israelita e o governo de Netanyahu. Mas o governo de Netanyahu, que neste momento está completamente decidido e está completamente sozinho, quer seja naquilo que é a ideia internacional, quer mesmo seja o apoio interno, está decidido a entrar em Gaza, está decidido em ocupar Gaza e está decidido numa segunda vaga, de ocupar a Cisjordânia. E nós já vimos, inclusive, o próprio ministro das Finanças e o ministro da Defesa de Israel, que são muito mais à direita do que é Netanyahu, apesar de Netanyahu ter feito toda a sua vida política com a ideia de que Israel deveria invadir a Faixa de Gaza e impedir sempre a possibilidade de existência do Estado da Palestina. Cabe lembrar de que neste momento, nem a falta de apoio internacional, muito e muito menos o facto de nós termos o próprio IDF a dizer, logo ao princípio, que não estava confortável com esta invasão e termos as famílias dos reféns ainda a pedirem que isto não aconteça, nada disto vai desmotivar Netanyahu. Netanyahu e o seu governo tomaram uma decisão e a decisão é acabar com a ideia da criação de um Estado da Palestina, invadir e dividir aquilo que é hoje a Faixa de Gaza. E neste momento sabemos que estão a ser negociados, quer com o Sudão, quer com a Somália, o transporte e o envio de palestinianos para esses países e, portanto, esvaziando quase a Faixa de Gaza e permitindo daqui a pouco, e porque esse também está no projeto, o aumento dos colonatos na Faixa de Gaza, e acabar de vez com esta ideia que a comunidade internacional vai voltar a discutir em setembro, com a aprovação e a apresentação por parte de outros países do reconhecimento do Estado da Palestina, e é isso que se prepara. Portanto, nem mesmo a população que saiu à rua para se manifestar vai conseguir impedir este anseio expansionista que tem o governo Netanyahu.
Miguel Baumgartner, é sempre um gosto tê-lo conosco. Muito obrigada pela análise no "BDE". Boa semana. Obrigada.
Bom dia, bom trabalho. Obrigado.