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Começa agora o primeiro episódio do ano do "Geração V", teu programa de comentário político da Rádio Observador, feito em parceria com o Voto. Hoje temos conosco mais um candidato ao mais alto cargo da Nação. Já recebemos Luís Marques Mendes, João Cotrim Figueiredo, Catarina Martins, António José Seguro e Jorge Pinto. E esta semana vem conversar conosco Manuel João Vieira. Olá, candidato Vieira, seja bem-vindo ao "Geração V" e obrigado por ter aceitado o nosso convite.
Muito obrigado eu. Eu é que estou muito contente em ter aceitado este convite.
Eu sou o Vasco Galhardo, vou ser o moderador destas conversas e comigo hoje tenho o Alberto Cunha e o Manuel Pais. Olá aos dois. Preparados?
Olá, boa noite.
Preparadíssimos. Um bom ano aos nossos ouvintes.
Exatamente, bom ano. Manuel João Vieira, antes de avançarmos para as perguntas mais elaboradas, queremos saber muito rápido o que faria o presidente Vieira se recebesse estes três diplomas em Belém, ou seja, se promulgava, se vetava ou se enviava ao Tribunal Constitucional. Eu vou agora apresentar.
Tinha os três que o Marcelo mandou para trás?
Não. Vamos apresentar outros.
Ah, tá.
Pode ser? Muito bem. Então recebe um diploma em Belém do projeto de lei que aprova o regresso do serviço militar obrigatório em Portugal. Promulga, veta ou envia para o Tribunal Constitucional?
Isso dependeria sempre da altura. Se nós estivéssemos numa ocasião em que a pátria estivesse em perigo, eu vetaria o documento. Estando numa ocasião em que a pátria não me parece estar em perigo, eu vetaria.
Muito bem.
Portanto, há bocado disse que vetava, não é? Não, eu deixava andar.
Muito bem. Alberto?
Chegaria um projeto de lei que implementaria tetos de renda obrigatórios. Não há mais rendas do que um certo valor.
Pois, depende dos andares, não é? Quantos andares é que tem. Eu acho que o teto obrigatório deve ser pensado em função das pessoas, deve ser pensado em função do que as pessoas recebem. E se eu for presidente da República, as pessoas vão receber 5 mil por mês. Vamos restabelecer a classe média, porque a classe média tem se perdido nestas coisas todas, desde o 25 de abril até agora, sobretudo nas últimas décadas. E isso é um fenômeno a nível mundial, é um fenômeno que acontece nos Estados Unidos, que acontece em Inglaterra. Portanto, eu acho que é preciso refundar a economia, porque se nós observarmos apenas os tetos das rendas, eu vou vos dizer quais são os limites dos tetos das tendas na Faixa de Gaza. Portanto, não vale a pena.
Muito bem. O Manuel agora.
Se chegasse à presidência um diploma sobre a retirada da possibilidade de casais do mesmo sexo se casarem, o que faria? Promulgava ou vetava?
Acho que não fazia nada.
Não fazia nada?
Nada.
Muito bem. Vamos avançar agora para as perguntas mais elaboradas e a primeira é do Alberto.
A segunda presidência Trump trouxe uma continuação da sua política externa, mas em particular, um agravamento da sua visão em relação à Europa, tanto a nível comercial como militar. Queremos imaginar um futuro presidente Manuel João Vieira a receber ou a ser convidado para uma visita oficial pelo presidente Trump. O que diria Manuel João Vieira como presidente da República em favor da posição portuguesa e do que seriam as relações com os Estados Unidos?
Eu já ouvi até dizer que ele quer transformar a Costa da Caparica na Riviera do Atlântico.
Aceitava isso?
Teria que haver muito dinheiro por trás, muita corrupção. E há sempre corrupção, quando se passa política nos Estados Unidos. Lá é normal a corrupção. É outro universo. Mas gosto muito do boné do Donald Trump. Gosto muito do boné. Gosto das gravatas, das camisas. Gosto muito da mulher, Melania Trump. Gosto também do chapéu da Melania Trump.
Levaria um chapéu daquelas.
E a Ivanka.
A filha, sim.
Ivanka Trump. Também gosto muito da Ivanka Trump. Eu acho que é uma família maravilhosa. Eu acho que é uma nova Camelot. É uma nova Camelot aquilo. É um sítio abençoado por um tipo de deus que se chama o deus dinheiro. E eu gostava de chamar a atenção para os radioespectadores que Portugal é o 14º país com mais reservas de ouro no mundo. Portugal não é um país propriamente pobre. O que acontece é: o que nós fazemos com os nossos recursos? E aquilo que nós estamos a fazer com os nossos recursos é um bocado disléxico. É obrigar uma pessoa que desenha com a mão direita a fazer coisas com a mão esquerda. É isso que me tem parecido a democracia portuguesa.
Muito bem. Manuel.
Eu queria perceber que motivações tem um homem das artes para este envolvimento político, digamos, tardio, e se acha que consagra os conhecimentos institucionais, administrativos e legais suficientes para o mais alto cargo da Nação.
Bom, isso foi tudo submetido. Agora, em relação ao tempo, eu comecei isto em 2001 Portanto, já vai mais de uma vintena de anos. E na altura, quando começou, tinha apenas como propósito fazer um programa televisivo sobre um candidato que era muito parecido, curiosamente, isto é em uníssono com os Simpsons a preverem o Donald Trump como presidente.
Da escada.
Era o presidente, jogava golfe, fazia essas coisas. E o que aconteceu foi que, pela primeira vez, a internet começou a ter um feedback em Portugal. Esses vídeos foram todos para o feedback. Os cartazes foram todos para o computador e às tantas, quando havia concertos, nós recolhíamos assinaturas. E portanto, o que acontece é que acabou por ser uma performance feita tanto em vídeo, como em áudio, como propriamente na vida real. Portanto, transpusemos as coisas, porque na altura nós viemos da arte, não viemos da política.
Muito bem, é a primeira vez que vai estar no boletim de voto, correto?
Correto. Porque exatamente, eu creio que muitos dos votantes, daqueles que queriam ser votantes há não sei quanto tempo. O sistema era muito complicado, porque eram necessárias duas assinaturas, uma normal e outra que tinha que passar por uma junta de freguesia que: "Está doente, talvez aqui a três dias".
A burocracia era muita alta.
A burocracia era muita. Nós tínhamos muitos papéis e não tínhamos maneira de ir a Ponte da Delgado e Bragança.
Pois. E percorrer o país todo.
E éramos uma equipa muito pequena. Precisávamos de ser um partido para ter conseguido autenticar essas segundas assinaturas que têm aí.
Mas pronto, conseguiu este ano.
Este ano consegui. Eu, aliás, fi-lo com alguma tranquilidade, porque não estava à espera.
A internet ajudou muito.
O meu horizonte era o horizonte mínimo.
Conseguiu quase o dobro?
Sim. Achei estranho.
A internet ajudou muito então este ano, não é?
Eu acho que sim, ajudou. Eu não sabia que havia tantas pessoas que tinham acesso a esta coisa da chave móvel digital. E eu aprendi a fazer, ir lá ver. Já não me lembro agora que não preciso de ir, já me devo ter esquecido. É como aqueles exames de matemática.
Logo a seguir ao exame esquece-se de tudo.
Logo a seguir esquece.
Exatamente. Alberto.
Agricultura. Portugal é um país de agricultura, mas na data em que celebram 40 anos que nos juntámos à CEE, existe o sentimento, por exemplo, na produção de vinho, mas não só, que a agricultura portuguesa, a produção de vinho não é tão competitiva, tanto nacional como internacional, para criar empregos, para criar riqueza, como era há 30 ou 40 anos. O Manuel João Vieira, como presidente, o que poderia fazer por este setor?
Nós estamos a falar aqui de um setor muito específico. Eu acho que com o aquecimento global, em princípio, a tendência é o álcool ser mais alto, mas a qualidade não vai aumentar por causa disso. Há pessoas que estão a fazer neste momento, os alemães e os austríacos, compraram terrenos no País de Gales para fazer vinho. Portanto, todo este panorama, com os problemas climáticos, está a ser afetado. Agora, o que eu acho é que nós tínhamos uma agricultura, eu lembro-me quando era pequeno, que era uma arquitetura em que havia pequenos terrenos, pessoas que tinham pequenos terrenos e que lá se iam amanhando, e havia uma agricultura de pessoas que tinham grandes terrenos e que contratavam quando queriam os desgraçados para trabalhar. Estava dividido em estes dois tipos. Por acaso, o meu avô tinha um monte, não tinha muito dinheiro, tinha uns burros, umas carroças, ia à feira, gastava algum dinheiro na farra quando voltava. O meu outro era professor primário. Mas eu quando era pequeno, consegui ver, as aldeias eram lindas, porque eram todas feitas em granito. A paisagem portuguesa era das mais belas do mundo.
Acha que já não é?
E não havia eucaliptos. Só havia eucaliptos mais naquela parte mais rara norte.
Então é contra a plantação de eucaliptos.
E não havia acácias, aqueles infestantes. Era uma paisagem diferente. Eu acho que Portugal continua a ser um dos mais belos países do mundo. Para mim, eu prefiro passar férias em Portugal do que ir lá para fora.
Muito bem.
Estamos de acordo.
Não respondi à pergunta, mas também não faz mal.
Alberto, queres continuar no mesmo tema?
O tema era bom.
Sim, agricultura, produção de vinho, qualidade do nosso vinho.
Além do vinho, eu acho que nós estamos no bom caminho naquilo que diz respeito ao foco na qualidade e na quantidade de enólogos que nós temos neste momento Supervisionar as mais diversas castas. Nós temos, salvo erro, duas castas principais, que é o tinto roriz e outra qualquer, e depois põem só outras para dar um perfume mais assim, mais assado. Eu não percebo muito de vinhos, mas gosto de os beber. Eu acho que isto é um problema a nível da Comunidade Europeia, que se tem que resolver ao nível da Comunidade Europeia. Até que ponto é que nos serve ainda a Comunidade Europeia do ponto de vista da política agrícola comum, mas também do ponto de vista da defesa, de outros pontos de vista. Nós o que estamos a assistir é a alguma desagregação na Comunidade Económica Europeia.
Acha que seria importante termos uma supranacionalização da política de defesa na União Europeia?
Sim, porque aí tínhamos um regimento que era com aqueles ratos do entroncamento, tínhamos fisgas. Portugal não tem produzido desde a guerra do Ultramar, não tem produzido grande material, parece-me a mim. Era necessário refazer isso tudo para ter uma economia um bocadinho mais de guerra. Agora, quem é que nós temos aqui que nos pode atacar assim de repente?
Quem é que acha?
Assim de repente, o Oceano Atlântico pode subir, é chato, não podemos fazer nada. Na Espanha, temos aqui o problema das águas internacionais e do respeito pelas convenções dos rios, que não são, na maior parte das vezes, respeitadas por Espanha. Temos uma central nuclear que já devia ter sido desativada há 20 anos e que continua em funcionamento e deram agora autorização para funcionar ainda mais tempo. Portanto, se há aqui um problema de água, e há um problema de água, e se esse problema não se consegue resolver pela via diplomática, nós também estamos em maus lençóis, porque não podemos dizer que o nosso exército foi disperso. Há uns tipos que roubam umas coisas nos paióis.
Manuel, próxima pergunta.
Eu ia-lhe perguntar: o que faria Manuel Vieira numa situação internacional instável como a atual para efetivar, dentro das suas funções, claro, a projeção de Portugal tanto na União Europeia como nas Nações Unidas?
Eu usava a bomba V. A bomba V é a bomba Vieira. É uma bomba muito superior à bomba de neutrões, à bomba de prótões e à bomba de eletrões.
Isto é provado cientificamente?
É tudo. Esqueci-me de trazer os papéis. Mas a bomba V é uma bomba que é a bomba da verdade. E uma vez desencadeada, as pessoas não são capazes de mentir e todos os seus fatos, todas as suas máscaras caem. E aí, com a bomba V, vamos poder ver quem é quem sob essa máscara. Por exemplo, o que está debaixo da máscara do Trump? Se calhar não está nada.
Mas o que acha?
Mas a bomba V era uma, outra era a enorme bomba de mau cheiro, que também podemos espalhar.
Essa espalhava onde?
Exato.
Depende, mas é que nós temos que ver quem são os nossos adversários. Agora, o que eu faria é: nós faríamos um país ecológico. Eu acho que há uma coisa muito importante, que as pessoas devem ser felizes. E na Constituição não está garantido o direito à felicidade. Eu exigiria que estivesse garantido na Constituição o direito à felicidade.
Então e como é que acha?
Como responsabilidade do próprio governo.
E como é que se consagra esse direito à felicidade? O que acha que para os portugueses seria essa felicidade? Como é que a dirigiria?
A felicidade não é a mesma coisa para todas as pessoas, portanto, teria que ser visto caso a caso. E isso ia dar trabalho a muito psicólogo.
Ia fazer o Ministério da Felicidade.
Por exemplo.
Ministério da Felicidade. Então o outro fez o Ministério da Guerra e eu gostava de fazer o Ministério da Corrupção.
Para acabar com a corrupção.
Para acabar.
O Ministério da Corrupção, pelo menos, todas aquelas coisas iam todas para o Ministério da Corrupção. Eles lá que se entendessem.
Ficava mais centralizado.
Ficava ali e depois fazia-se assim uma espécie de um campo de prisioneiros e que eles só saíam de lá quando chegassem a uma deliberação.
Muito bem, está feita a primeira parte do "Geração V". Vamos agora para um curto intervalo e já voltamos para a segunda parte do nosso programa para continuar a conversa com o Manuel João Vieira. Até já. Estamos de volta para a segunda parte do "Geração V". Manuel João Vieira, é tempo de ouvirmos a sua recomendação. O que vai sugerir às pessoas que nos veem e ouvem?
24 horas de sono. Acho que as pessoas andam demasiado acordadas. Acho que deviam passar 24 horas a dormir, a descansar, num sono reparador, para ver depois, no dia em que acordassem, as coisas com outros olhos.
O Manuel João consegue dormir 24 horas seguidas?
Precisava do auxílio talvez de um cirurgião que me desse aquelas coisas que deram a Michael Jackson.
Propofol. Sim. Alberto, pergunta.
Queria fazer aqui uma pergunta sobre a saúde. E já agora, é interessante falar desta questão do descanso, porque acho que uma coisa que poucos candidatos concordam é que a saúde está mal. Toda a gente diz que a saúde está mal. Queria ouvir o que o Manuel João Vieira acha e se acha que há alternativas fora do sistema de saúde, por exemplo, do meu e mais, podem ajudar a saúde dos portugueses.
Eu acho que devia haver, como o Trump fez, devia ser o Ministério da Doença.
Da Doença?
Sim, e não o Ministério da Saúde. Eu o que propus já é que é proibido estar doente. É proibido estar doente porque nós vamos arrancar com um programa por satélite que detecta toda e qualquer mal função nos organismos vivos dentro do perímetro de Portugal e, portanto, esse tipo de prevenção far-nos-á poupar a jusante. Portanto, será proibido estar doente e quem der começar a tossir, vai para a Ilha da Madeira fazer um curso de ioga.
À Ilha da Madeira.
Sim, como eu já disse.
Mas quanto tempo na Madeira?
Quanto tempo na Madeira? Isso parece-me o título de um livro.
Quanto tempo na Madeira?
Quanto tempo na Madeira.
Que tipo de livro?
Que tipo de livro? O livro do Alberto João Jardim sobre o bicho da Madeira, não sei. O que é feito dele, a propósito?
Ele agora vai apoiar o almirante Gouveia e Melo.
Muito bem.
Manuel, próxima pergunta. Qual é a sua opinião sobre o crescimento nos jovens de ideias associadas à extrema-direita? Se acha que estamos a entrar num novo ciclo político e acha que a democracia está em risco?
Eu não acho que a democracia está em risco. O que eu acho que está em risco é a inteligência. A extrema-direita a que me refiro é uma extrema-direita de conversa de café, mais do que uma extrema-direita muito elaborada, com um programa muito determinado, como o "Mein Kampf", por exemplo, ou mesmo como os programas de Mussolini. É mais baseada na conversa de café e num problema de identidade. O que eu sou? Ao menos não sou como os pretos e os banhóis. Esses caras estão nos aleijar. Portanto, a ideia de simplificar toda a vida política com bode expiatório é muito aliciante, porque é muito simples para as pessoas, as pessoas percebem isso tão bem como o futebol. Ainda é mais simples que o futebol.
Então e acha que, por exemplo, se o Chega eventualmente conseguisse formar governo, que seria um governo que não teria pernas pra andar? Acha que não tem estrutura?
Não sei, eles têm todos pernas.
O que é que diz?
Não sei se há algum coxo. O que eu acho que se o Chega teria pernas para andar. Bom, o Chega não seria um governo maioritário, parece-me a mim.
Esperemos que não.
Pelas sondagens.
Em princípio, não.
E portanto, haveria aí muita sacudidela. E a última pode ser considerada o orgasmo das sacudidelas que chegam.
Mas o que é que pode dizer a um jovem que está encantado com o Chega e com o André Ventura?
Com esses ideais.
Eu tive essa experiência com um sobrinho meu e falei com ele sobre o assunto de uma forma inteligente.
O que é que ele disse?
E o que ele disse: "Não, ele quer mesmo acabar com a corrupção." Isto é, as pessoas deixam-se encantar, não sei como é que é possível.
Ainda por cima tendo tantos casos de corrupção no partido também.
Deixam-se encantar pela linguagem fascista, simplista e pelo falar alto. É isso que se passa. E por outro lado, temos que convir que estes anos todos de democracia mais ou menos centrista, mais ou menos centro-direita, centro-esquerda.
Sempre a saltar entre PS e PSD.
Provavelmente as pessoas talvez já estejam um bocado... Querem experimentar outra coisa, são jovens.
Mas não quer dizer-
É como as drogas. "Vou experimentar o não sei o quê, que acaba em Ol e depois morre, pom." São jovens.
Muito bem, Alberto.
É interessante falar de centro-esquerda e centro-direita. Um dos outros candidatos, aliás, teve uma entrevista relativamente conhecida por uma dificuldade de responder onde é que ele se situava no espectro político, esquerda, direita. Queria perguntar ao Manuel João Vieira, onde é que situaria o Manuel João Vieira no espectro político?
Eu sou do extremo-centro, mas extremo-centro, esquerda-direita. Isto é, eu tanto sou patriota no caso de Olivença, e acho que devíamos recuperar Olivença, e nesse aspecto sou patriota e de direita, como acho que as pessoas deviam ter todas um salário digno, acesso à saúde gratuito e à educação e essas coisas.
Considera-se ecologista?
Considero-me ecologista desde pequenino. Sim. Já tenho uma certa idade, reparei nas mudanças sem precisar de olhar para os gráficos científicos.
Acha que devem ser feitos mais esforços, principalmente a nível internacional e no multilateralismo, para esse reforço contra as alterações climáticas?
Eu acho que cada vez que se fala na luta contra as alterações climáticas, nos vamos afastando do ponto de Paris. Na realidade, emitimos hoje em dia muito mais emissões poluentes do que nessa altura. Portanto, desde essas várias conferências que houve, que vai subindo a pique o nível do carbono entre nós.
10 anos depois, chegaram à conclusão que a esmagadora maioria dos países não cumpriu as metas com que se comprometeu.
Exatamente. E se vai continuar assim, as pessoas não têm tendência a pensar a médio prazo, só pensam a curto prazo. E é por causa disso que vão acontecer, é inevitável, e já estão a acontecer estas migrações de pessoas que deixam de poder utilizar os seus terrenos agrícolas, que se transformam em desertos. Isso leva também a guerras. Portanto, guerras, miséria, migrações em massa, é o que dá o aquecimento global. Nós, neste momento, se conseguíssemos manter 1,5, que não sei se já ultrapassamos, pela estimativa dos cientistas, isto ainda ia subir um bocadinho.
Tinha tendência a aumentar.
Ia subindo, porque isto é um bocado como parar o Titanic.
Já estamos na fase em que a banda está a tocar perto do final?
Não sei se já temos aquela rapariga lá na proa ou não. Tem muita piada, mas não tem piada.
Sim, é um santo cerro.
Há formas simples de plantar árvores. Há algumas formas de mitigar, não de parar, mas de mitigar este problema.
Acha que não existem outras medidas que podiam ser tomadas, principalmente nas grandes indústrias, desde o fast fashion até outras?
Eu acho que sim.
Que seriam mais impactantes.
Eu acho que as grandes indústrias, nós estamos aqui a pensar que aquilo que mais polui, que um terço da poluição é gerada pelo tráfego naval, tráfego em contentores, nos super navios de contentores. Se nós formos pensar um bocado nisso, estamos tramados, porque para fazer isso embarcar a vela, era preciso...
Por isso, qual será a alternativa então?
Eu acho que a alternativa é começarmos devagarinho a baixar a escala e a aproximar-nos um bocado mais daqueles anos que foram, em Portugal não, mas nos anos 60, em que havia classe média, por exemplo, em Inglaterra. Tentarmos aproximar-nos um bocadinho mais disso. Poderíamos não ter tantos carros por habitante. Poderia haver algum transporte animal. Não estou a dizer para pôr uma junta de bois a andar ali no Rossio, mas eu acho que devíamos parar com esta tendência psicótica de irmos sempre em frente, cada vez mais depressa e de nos dirigirmos ao abismo, porque isto é suicida. E as pessoas, como não gostam de falar em temas suicidas e pavorosos, entretanto fazem guerras, que não servem para nada, a não ser para matar pessoas. Como é o caso da Palestina e dos ex-soviéticos. E a Somália e as guerras que andam por aí, Filipinas, não sei o quê.
Alberto.
Continuando aqui no progresso tecnológico, como professor universitário, há algo que eu tenho visto muito, que é o efeito da inteligência artificial na forma como os meus alunos pensam ou não pensam ou fazem os trabalhos. Como é que o Manuel João Vieira vê a inteligência artificial, positiva ou negativa, e como é que acha que pode ser melhor utilizada, se é que acha?
O que eu acho é que a única maneira de utilizar a inteligência artificial é como esboço. Nós temos: "Eu quero fazer aqui uma coisa agora. Isto talvez se aproveite, mas eu acho que a maior parte do texto tem que ser feito pela pessoa". Acho que há ali uns elementos ou outros elementos que se podem safar. Agora, a inteligência artificial tem um senão. Vai contra os direitos de autor, vai contra tudo aquilo que há em todas as bibliotecas do mundo. Quer dizer, isso é bom, mas por outro lado, é um bocado esquisito. E depois, há sempre subtis palavras que de repente não deviam estar ali, que vieram de outro sítio, que provocam um mal-estar. Agora, acho que, por exemplo, para fazer animação, é bom.
Já utilizou o ChatGPT, por exemplo?
Já utilizei o ChatGPT.
O que é que achou?
Achei que precisava de Kitos.
Kitos para os piolhos? Por quê?
Porque são chatos.
Ah, porque são chatos.
Não, mas os ChatGPTs agora são chatos muito mais adiantados. Eu experimentei a fazer um discurso e queria Um discurso de um presidente de Portugal que meteu-se a ornitorrinco e outros animais. E aquilo escreveu um discurso todo direitinho a dizer: "Camaradas ornitorrincos, não sei o quê".
Gostou do discurso que o ChatGPT preparou?
Gostei, depois tive que o refazer porque havia algumas partes que eram um pouco estranhas. Mas, de facto, é possível ter-se estupidez natural e utilizar a inteligência artificial. É muito bom.
Muito bem, Manuel João Vieira, antes de fecharmos, queremos fazer consigo o desafio que temos promovido com todos os candidatos, que é pedir que nos diga um ponto positivo de cada partido com centro parlamentar, visto que se está a candidatar para um cargo que deve gerar consensos, promover a estabilidade e manter o diálogo com todas as forças políticas. Podemos começar?
Um ponto positivo?
Se tiver, não é obrigado a dizer. Vamos começar. PSD.
PSD. Um ponto positivo.
Se não tiver nenhum, pode dizer que não tem nenhum.
O ponto positivo do PSD é continuar a ser igual a si próprio.
Muito bem. Chega.
Chega. O Chega leva um ponto positivo por ser um partido, se bem que eu não concordo com a ideologia, ser um partido que faz barulho.
O PS.
O PS é um partido que está numa certa depressão, porque aquilo que aconteceu na maioria absoluta foi uma coisa tipo Watergate. Portanto, dou-lhe o mesmo ponto que ao PSD, porque conservar vai ficar igual a si próprio com este novo candidato à presidência. Talvez um bocadinho mais à direita.
A Iniciativa Liberal?
A Iniciativa Liberal. Bom, a Iniciativa Liberal eu nunca percebi o que quer dizer liberal em português e liberal em inglês. São dois termos que são completamente diferentes. Liberal em inglês está associado a uma liberalidade nos costumes, mais ou menos em tudo, e também está mais ligado à esquerda, ao passo que a Iniciativa Liberal está mais ligada a questões que são caras à direita. Entre a Iniciativa Liberal e o PSD, eu acho que a Iniciativa Liberal tenta ser mais específica em relação aos temas.
Claro.
E por isso dou-lhe também o valor.
E o Livre?
O Livre tem lá um tipo que é primo de uma amiga minha, por isso dou-lhe três.
O PCP?
O PCP eu vou lhe dar dois porque o meu tio Juvenal era membro do PCP, eu gostava muito do meu tio Juvenal. Acho que o PCP é o único partido que continua a dizer a mesma coisa há 40 anos.
São coerentes.
E pelo menos não podemos dizer que eles digam coisas diferentes, digam isto aqui e aquilo ali.
O CDS.
CDS é um partido.
Certo.
CDS é um partido. Não nos podemos esquecer disto. E é um partido ao qual eu vou dar um quando tiver um membro. Tem membros no Parlamento?
Tem dois deputados, sim, neste momento.
Então eu dá meio por deputado, dá um.
Mas então não há nenhum ponto positivo do CDS?
O CDS foi um partido muito interessante no pós 25 de Abril.
Partido fundador da democracia.
Porque era fundador da democracia, era o partido mais à direita que se encontrava. Possivelmente, havia também o MDLP e o ELP, mas já era diferente. A social-democracia cristã ou a democracia cristã.
Sim.
De facto, na realidade, eu acho que aquilo era um coito de ex-pessoas coniventes com o regime anterior. Entretanto, evoluiu. E depois eu assisti a coisas entre membros do CDS que eu prefiro não...
Muito bem. O Bloco de Esquerda? Pode beber água se quiser.
O Bloco de Esquerda.
Aqui uma pausa.
Perdeu para o Livre. Eu gosto muito do Bloco de Esquerda e aprecio muito a coragem da Marta Lago, apesar de tudo, ter feito aquela viagem toda de barco a remos. E portanto, só por causa disso vou lhe dar dois valores.
E agora só faltam dois partidos. O PAN?
O PAN é giro. Podia se chamar PIN.
Qual seria a sigla do PIN?
A sigla?
O que é que significaria o PIN?
Boa pergunta. Eu acho que o PIN devia ser um triângulo agudo, com a parte aguda voltada para baixo, que é um pin. Mais ou menos o símbolo.
Ponto positivo.
Eu acho que tem um ponto positivo porque preocupa-se com alguns animais, não se preocupa com outros.
E para acabar, o JPP da Madeira.
O JPPSRL não é uma firma de construção civil?
Juntos pelo Povo, é o partido regional da Madeira.
Não sabia. Isso mete descendentes do Alberto...
Não.
Não.
São dissidentes do PS Madeira.
E dissidentes deste último, também.
Deste último?
Aquele que houve um caso.
Isso já não tenho a certeza, mas já foi há uns anos.
Em relação à Madeira, a Madeira é sempre igual. A Madeira é sempre um jardim, é sempre um carnaval, é sempre uma maravilha. Sabem que eu estive em palco, tive a honra de partilhar o palco com o grande Alberto João Jardim vestido de índio num carnaval no Funchal. Nunca me vou esquecer disto.
Deve ter sido uma boa experiência.
Foi maravilhosa.
Sim, foi bem recebido lá.
E ainda dançava bem.
Acredito. Muito bem, o nosso tempo chegou ao fim. Muito obrigado, Manuel João Vieira, por ter vindo conversar conosco. Boa campanha e boa sorte.
Muito obrigado.
O "Gera-se em V" é uma parceria entre o Ah voto e a Rádio Observador. Obrigado Alberto Cunha e Manuel Pais. Foram grandes companheiros aqui. Eu sou o Vasco Alharme, muito obrigado por estar desse lado. Tudo a correr bem e até para a semana.