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Este é o "Guerra na Terra Santa", um podcast da Rádio Observador em que olhamos para as mais recentes notícias do conflito no Médio Oriente. Bruno Cardoso Reis, uma sondagem conhecida hoje mostra que o partido de Netanyahu, o Likud, só conseguiria 18 dos 120 lugares no Parlamento israelita. O partido de Benny Gantz seria o vencedor e teria o maior número de lugares. Os partidos da direita e extrema-direita também teriam um grande crescimento. Netanyahu está a perder o apoio da população neste conflito.
Sim, isso parece bastante claro. Agora, o que isso não significa é que haja aqui uma viragem. Desde logo, não há uma viragem à esquerda. A política israelita tem evoluído nas últimas décadas sempre mais para a direita, depois de muitas décadas em que o partido dominante era o Partido Trabalhista, o partido de centro-esquerda israelita, que hoje em dia praticamente desapareceu. Estamos a falar sobretudo de centristas, como é o caso do general Gantz ou de partidos mais à direita. E a questão é que Netanyahu está a perder muito, mas isso significa uma subida dos moderados, o que à partida diria eu, é uma boa notícia para quem acha que é importante haver alguma moderação na ação militar de Israel e algum compromisso sério com o esforço de negociação, não com a Hamas, que isso é impossível, mas com a autoridade palestiniana e com líderes palestinianos mais moderados, mas também está a levar a uma subida de outros movimentos ainda mais à direita de Netanyahu. A grande questão vai ser perceber qual é o equilíbrio de forças. Se serão, apesar de tudo, os centristas e uma direita mais moderada que prevalecem, que têm a maioria no Parlamento, ou se o resultado final é uma maioria ainda mais de extrema-direita, ainda mais resistente a qualquer tipo de compromisso com os palestinianos e com partidos que inclusive defendem abertamente um processo de limpeza étnica e de anexação dos territórios palestinianos.
Bruno, há também a questão da possível ofensiva de Israel em Rafah. Nos Estados Unidos pressionam Israel para que tenha um plano credível de forma a garantir a segurança dos civis. Numa resposta muito rápida, Bruno, como é que se pode perceber esta pressão que os Estados Unidos têm colocado sobre Israel, aparentemente cada vez mais neste conflito também?
Os Estados Unidos preocupam-se com a população civil de Gaza, ao contrário, por exemplo, do Hamas, que a utiliza sistematicamente como escudo humano, como carne para canhão, como um instrumento de propaganda para fazer pressão sobre Israel. Se há mais ajuda humanitária em Gaza, isso deve-se sobretudo aos Estados Unidos, que são ainda o grande interlocutor de Israel. Cada vez menos o governo israelita se deixa pressionar ou ouve aquilo que vem das Nações Unidas ou mesmo de outros países ocidentais. Os Estados Unidos têm essa preocupação e querem garantir, e também é graças a essa pressão, que não haja uma operação militar em Rafah, provavelmente. O próprio governo israelita estabeleceu um prazo até 10 de março para se chegar a algum tipo de compromisso de libertação de reféns, de cessar-fogo e até lá não avançará com uma ofensiva em grande escala. E entretanto, os Estados Unidos têm pressionado também Israel nesse sentido, havendo uma ofensiva, pelo menos garantir-se desta vez mais condições para a evacuação segura das pessoas e mais condições nos locais onde essas pessoas, onde esses civis palestinianos sejam mais uma vez forçados a deslocar-se. É tentar reduzir os custos humanos desta terrível tragédia humanitária. E realmente os Estados Unidos, para quem estiver de boa-fé, é evidente que têm estado sempre empenhados nesse aspecto e têm tido um papel decisivo para melhorar na medida do possível as condições dos civis na Faixa de Gaza.
"Guerra na Terra Santa" é um podcast da Rádio Observador, vai para o ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9h30, tem nova edição depois das notícias das 16h, está sempre disponível em podcast. Eu sou o Luís Soares, até amanhã.