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Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.

Este genérico diz tudo. Já estão comigo Marco Horácio, António Raminhos e o Luís Filipe Borges. Olá!

Nós estamos sempre.

Estamos, mas contrariados. Eu estou contrariado, porque eu já estou a pensar nestes dois.

Eu estou sempre aqui, sempre presente.

Eu sou a Maria João Simões e é a terça, é dia de "Elas Exigem Saber". Elas que são as nossas ouvintes, as vossas fãs, que têm enviado dezenas de perguntas.

Podem ser haters também.

A tia do Horácio é muito chata.

A tia Horácia?

A tia do Horácio é muito chata.

As perguntas são todas da tia do Horácio. E ela tem mais de 4 mil preparadas, percebem?

Vamos lá sortear a primeira. Acham que fiz barulho sem querer?

Não, está bom. É para as pessoas perceberem que isto é real, isto é verdadeiro, isto acontece.

Vamos ver quem é que cai na Liga dos Campeões. Quem é que sai para nós?

Quem é que sai?

Juventus.

"Por que os homens se assustam com as mulheres inteligentes e livres?"

Não me assusto nada.

"Será que estas são o espelho da insuficiência que carregam"- O quê? Espera lá.

Estava já para responder.

"Por que os homens se assustam com as mulheres inteligentes e livres?" E depois: "Será que estas são o espelho da insuficiência que carregam do lado de dentro?"

Ah!

Que profundidade. Olha, é tão profunda que eu vou deixar para os meus dois colegas.

Em relação à insuficiência, só sou cardíaca.

Do lado de dentro.

Uma nota para esta nossa ouvinte: quando essa tua última relação acabou, foste tu, não foi ele, o problema. Um homem que se gure de si adora mulheres independentes e livres.

Inteligentes.

Adora inteligentes, tal como adora ter amigos inteligentes e independentes.

Isso é um pormenor curioso, e eu acho que entre nós já falámos sobre isto, que é nós quando chegamos a uma certa idade, lá está.

Já começamos a falar .

Começamos a falar assim.

Como a Bárbara Guimarães.

Abre as asas, Marquinhos.

José Carlos. Como o Carlos do Carmo.

Meu querido.

Meu querido.

Meu querido.

Meu querido.

Isso é um bocado triste, não é? Mas os homens ainda se assustam com mulheres inteligentes.

Não, o que eu ia dizer é que-

Independentes ou de mal?

Inteligentes.

Era só inteligentes?

E livres.

E livres.

Só, que já é tanto.

Eu acho é que nós não temos paciência.

Qualquer pessoa que tenha três-

Cala-te, Borges!

O Borges não está a falar!

Tem que ignorar.

O Borges está a divagar completamente.

Divagar se vai ao longe. Nós chegamos a uma altura em que começamos a ligar muito mais. Quando somos adolescentes e jovens adultos é muita mulher bonita, gostosa, jeitosa. Não é?

Não sei, diz-me tu.

Que nos dá tampa. É preciso acrescentar.

Que nos dá tampa, mas nós começamos é: "Foi uma gostosa que me deu tampa." Mas quando chega a uma certa idade, às vezes, chega uma mulher que é espantosa.

Não se esqueçam da mulher do Marco Horácio.

Sim, sim. Que tem 20 anos mais nova.

Já vos disse isso? Sou tão discreto.

Mas que depois começa a falar e que não desenvolve.

E pronto.

Perde a graça.

Sim.

Perde a graça.

Portanto, inteligentes sim e livres também.

Força, claro.

Eu vou dizer uma coisa que se calhar pode parecer estranho.

Ou não demasiado livres.

Não, não, claro. Quem é que quer ter uma pessoa dependente de seja do que for? Que entusiasmo é que há nisso, não é? Uma pessoa livre é uma pessoa que está contigo porque quer estar contigo. Eu interpreto dessa forma.

Sim.

Horácio.

Se for livre no sentido de relação aberta, não é para mim, mas pode ser para muitas pessoas, e está tudo bem.

Eu acho que tem muito a ver com a insegurança do homem, porque quando um homem é inseguro, uma mulher muito bonita ou uma mulher muito inteligente tem o mesmo efeito no homem inseguro. Ou seja, aumenta a insegurança do homem. Como é óbvio, uma mulher inteligente.

É preciso pensar no flagelo das mulheres bonitas, mulheres como a Maria João.

Um flagelo.

Mulheres como a Maria João, que parecem insaciáveis e depois os homens não vão.

Que horror, que disparate tão grande!

Com medo.

É verdade.

Com medo, não vão.

Com medo de levar tampa.

Meus amigos, Maria João, qualquer coisa que vocês precisem, se vocês tiverem esse namorado, não lhe desejam mal nenhum. Estou sempre cá. Eu estou sempre cá, Maria João.

As pessoas não estão a ver.

Maria João Simões.

Já estou a correr.

Eu vou.

As pessoas não veem, mas nós estamos em mesas separadas e tudo.

Estamos em mesas separadas. E qualquer dia o Borges está interdito de entrar no estúdio. Se continuar com estas cantadas. Mas não te esqueças dos recursos humanos, tenho que ver aqui.

Tens que lá ir depois deste direto.

Mas o que é que ias dizer, Horácio?

Estava a dizer que eu tenho a sorte de ter uma mulher muito bonita e muito inteligente, e ela não me assusta, pelo contrário.

E é casada também, além de isso, é casada.

E casou comigo. E eu não me considero dos homens mais bonitos nem mais inteligentes à face da Terra, muito longe disso.

É verdade.

Mas sei pôr uma máquina a lavar. E isso para uma mulher inteligente e bonita, pôr a máquina a lavar, saber fazer um bom risoto, aparta-te da mulher.

Sabes fazer um bom risoto?

Sei.

Se eu te divorciar, eu quero casar contigo. Adoro risoto.

Vamos à segunda pergunta.

Borges, vira-te pra frente.

"Quem fica mais estigmatizado com o divórcio: a mulher, o homem ou os filhos?" Tema sério. Estava esperando alguma coisa mais leve.

Lamentavelmente, estás a escolher.

Sim.

Não necessariamente.

Sim.

Muito obrigado.

Exatamente. Se os pais se derem muito mal O melhor para os filhos.

Quantos casais vocês conhecem que estariam melhor divorciados? E que teria sido melhor? Começo eu.

Eu conheço vários.

Uns 14.

Começo eu.

Começo eu, os meus pais. Se se tivessem divorciado, se calhar, a determinada altura, coitadinhos, já partiram os dois. Mas eu brincava muitas vezes com isto. Há casais que tu percebes que o estar juntos é só estar a dificultar a vida a eles próprios, aos filhos.

Mas muitos pensam que estar juntos é para o bem dos filhos e ficam juntos por causa dos filhos, quando só estão a fazer mal aos filhos.

Eu conheço casais-

Por causa de discussões, porque não há amor, porque não há um gesto carinhoso.

Eu conheço casais que se divorciaram e que se davam mal durante o casamento.

E depois passaram a dar-se bem.

Passaram a dar-se bem. E já aconteceu, eu por exemplo, ir ao cinema com as pessoas divorciadas e com os filhos, e já com os namorados das pessoas divorciadas. E vai toda a gente. E está tudo tranquilo.

Uma coisa é tu lutares pela tua relação, tens filhos. É lutares pela tua relação. Se ainda te faz algum sentido estar com a tua companheira e se podem reavivar a paixão. Agora, nunca se deve manter uma relação pelos filhos, até porque os filhos é que vão sofrer com isso. E o meu filho, da minha primeira mulher, separei-me ele tinha dois anos, e ele é um miúdo feliz, equilibrado. Também depende muito da forma como educamos os filhos depois. Mas hoje em dia faz parte da vida. Ou seja, nós nos separarmos porque não estamos felizes, também tem que ser um ensinamento pra eles. Não estarmos com pessoas que nos fazem infelizes só porque temos que estar, não faz sentido nenhum. Portanto, os filhos, normalmente, quando são mais pequeninos, não se lembram dessa separação. Deve haver ali uma fase em que, se calhar, mexe mais com eles do que com os pais. Agora, os pais, se forem inteligentes, e se forem bons pais, não deixam que isso influencie em demasia os miúdos que não têm culpa nenhuma.

Muito bem dito.

Sabes o que é que eu acho, doutor?

Diz lá, Borges. Não tem nada a ver.

Dá lá a tua. Tenha o senhor, ó Borges.

Não, tenho que concordo.

Eu costumo dizer uma coisa, que é: se eu e a minha mulher nos divorciássemos, ela safava-se melhor do que eu. Eu acho que ela safava-se.

Sim.

Passado três semanas já tinha outro.

Não, passado três semanas já tinha outro. Eu ia ficar-

20 anos mais novo

...ia ficar na porcaria, ia ficar a sofrer sozinho.

Era bem feito a partir.

Ia ficar. E ela ia se safar. E tal como muitas vezes brincamos com a situação de o que é que seria estranho, muitas vezes disse: "E se tu apanhasse a tua mulher com outro homem?" Para mim ia ser super estranho, mas a primeira coisa que eu fazia era logo ligar às 50 mil mulheres com quem eu me podia ter envolvido e não envolvi. Dizer: "Olha, lembras-te daquele encontro pra gente marcar? Já podemos marcar."

Tu já estás bloqueado. Essas te já te bloquearam todas. Eu sou muito pragmático nessas coisas. Eu às vezes brinco com a Sara e digo, como é óbvio, eu-

Ele brinca literalmente porque ela é 20 anos mais nova.

Sim. Mas não estou a falar dessa brincadeira, estou a falar das brincadeiras sérias. Digo-lhe assim: "Olha, a coisa mais natural da nossa vida é eu morrer primeiro do que tu, espero bem que isto aconteça, portanto vais ficar com tudo que é meu e com todo gosto."

Que é nada.

Que é nada. São dívidas, vou deixar dívidas. Agora o que eu digo sempre a ela é-

Um carro verde azeitona, que é o mimo.

Exato. Digo: "Olha, se um dia nos separarmos, não quero nada. Eu acho que quero que tu estejas bem, que a nossa filha esteja bem, não quero nada, porque a nível material não ligo muito, as coisas são o que são, a gente não leva nada conosco. Acima de tudo, penso sempre no bem-estar da pessoa que está comigo e dos meus filhos. Sempre foi assim, porque eu sei que eu tenho a capacidade de recuperar e o meu feitio é alemão, sou muito pragmático e, portanto, vou sofrer. Claro que vou sofrer, mas entre isso e perceber que a Sara não é feliz e logo a minha filha também não é feliz, eu prefiro me separar e fazer má vida, não estar ali a alimentar uma relação que se vai tornar tóxica com o tempo. Pronto, é dito.

Estou impressionada. Isto hoje foi muito profundo.

Aqueles casais que se divorciam já aos 70 anos. Isso é que eu acho estranho.

Incrível. Bonito.

Isto hoje foi profundo. Regressamos na próxima semana. Até lá, já sabe que à sexta, depois das 11 da noite, há novo episódio de "Homens de Uma Certa Idade". A versão "Elas Exigem Saber" regressa na próxima terça-feira.

Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.