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"Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade".

Epá!

Olha para esta loucura, olha para isto.

Muito obrigado. Não estava nada à espera disto.

Olha. Epa!

Não estava nada à espera disto.

Que fixe!

Incrível. Por mim podemos ficar só por aqui. Obrigado, foi tudo, até à próxima.

Foi um gosto.

Muito obrigado. É a nossa primeira gravação ao vivo do "Homens de Uma Certa Idade". Estamos aqui no Bliss Fest, um encontro sobre ser saudável, sobre alimentação consciente, autoconhecimento.

E cá estamos nós, não é? Que é melhor para...

E convidaram-te.

Eu estou aqui como exemplo de tudo o que não se deve fazer.

Também é preciso saber.

Cá estamos nós, muito agradecidos pelo convite, pela nossa primeira gravação ao vivo.

Ao vivo, e é o sítio ideal, porque isto é pessoal muito bem com eles próprios, muito tranquilos.

Não, eu acho que se não estivessem, não estavam aqui.

Não vamos ser agredidos.

Já estavam noutro nível.

Mas eles estão aqui, têm pena nossa, portanto vieram cá ver.

São bonitos, mete nojo.

A lógica do podcast mantém-se a mesma. Temos um tema para a emissão de hoje e obviamente inserida neste festival teria que ser: o que é que vocês estão a fazer para se manterem saudáveis ou para prolongar a vossa existência nesta Terra? Eu sou o António Raminhos, 44 anos, sou terapeuta/funcionário público interdimensional. Eu ajudo pessoas a passarem de dimensão para outras dimensões, uma espécie de funcionário público, que sou eu que dou os modelos que devem preencher. Tem muitos imigrantes lá também. Temos muitos imigrantes.

Nada tinhas perdido.

Aqui do lado esquerdo do Raminhos, Luís Borges, 47 anos, quase 48. Sou modelo de catálogos de vida saudável. Faço sempre a fotografia do antes.

Muito bem.

Que espera é esta, Horácio?

Essa é difícil. Eu sou o Marco Horácio, tenho 51 anos e sou fabricante de panamás para totós.

Está boa. Ainda bem que não fui à tua loja.

Para os nossos queridos ouvintes, António Raminhos está de panamá.

Panamá e todo um outfit.

E ainda por cima, estão 45 graus.

No Japão é assim que a malta anda.

Mas tu não estás no Japão, estás em Portugal.

Pois não, mas o calor é igual ao do Japão. Já foste ao Japão? Então cala-te.

Não, mas eu não andava assim vestido no Japão. Andava mesmo à tuga, com uma camisola a dizer Cristiano Ronaldo.

Ora bem, eu por acaso vinha a pensar nisto, nesta ideia de: nós somos malta, o único dos anos 80, eles são um bocadinho mais atrás. Malta dos anos 80, por palmas, é mais fácil.

A idade de poder dizer isto, por palmas.

Então malta dos anos 70. Há malta dos anos 70?

Uhul!

Malta dos anos 60. Há malta dos anos 60?

Está bem.

Malta dos anos 50, se conseguirem bater.

Século XVIII, alguém do século XVIII?

Eu adoro no pessoal dos anos 80, adoro o entusiasmo com que pessoas que nasceram em 89 batem palmas. "Eu sou dos anos 80, eu lembro-me de tudo".

Na realidade ainda é.

É engraçado, porque nós, esta consciência de te quereres alimentar melhor ou de estares melhor, é algo que não existia no nosso tempo, nos anos 80.

Eu já vos contei qual foi o meu pequeno-almoço, crescendo na Ilha Terceira-

Eu conheço

...toda a minha infância e adolescência. O que a minha mãe me servia todos os dias era uma donete, que é como na Ilha Terceira chamamos aos donuts.

Uma donete.

Uma donete e café com leite. Todos os dias.

Café com leite, mas com que idade?

Café com leite.

Sim, sim.

Que idade?

A partir dos seis.

Isso já explicita muita coisa.

E acho que antes dos seis era só café com leite. E quando é que entrou o bagaço?

A partir dos 10, lá também não pode ser assim só até aos 10.

O que é que tu comias ao pequeno-almoço?

Sabes que eu nasci na Alemanha? Era bratwurst.

Bratwurst.

O schnitzel.

Schnitzel.

Não, nasci na Alemanha e o meu pequeno-almoço era uma solha do meu pai logo de manhã: "Acaba de comer isso". Normalmente era isso. O pequeno-almoço era logo isso, era logo uma solha na cabeça.

Eu lembro-me, eu acho que era o clássico de todos nós, era o quê? Era Estrelitas, era o Chocapic.

Nestum.

Farinha Ampar, ainda sou do tempo da Farinha Ampar, que era o mais saudável. Ainda assim, existia a Farinha Ampar. Mas eu lembro-me, as minhas filhas ficaram, quando eu fui para os Açores com o Borges, a Catarina também estava de viagem, ficaram com a minha sogra. E eu cheguei a casa, abro o frigorífico e está aquilo carregado de Ucal. Estás a ver? Leite em pó. Com fartura.

Continuamos à procura do Pedro Sire.

Não, porque eu vou falar mal agora.

Ucal.

Nos anos 80, eu tive a pior experiência com Ucal. Eu já partilhei isto? Se calhar, não.

Acho que não.

Então, eu tinha seis ou sete anos, nos Olivais, eu cresci nos Olivais, em Lisboa.

Um gajo de bigode e panamá que cresceu nos Olivais vai contar uma terrível experiência.

Isto é como Ucal.

Não é droga, não é armas, não é nada.

Não, calma.

Ok.

Eu tinha seis anos. Todos os dias eu bebia uma Ucal. Vou beber a minha Ucal e eu provo, e eu digo assim à minha mãe: "Mãe, isto sabe mal". E o que é que uma mãe consciente diz? "Cala-te e bebe".

Exatamente.

E eu: "Não quero beber mais isto, está-me a saber mal." "Deixa-te de coisas, bebe isso." E eu bebo a O'Call toda. Quando acabo de beber a O'Call, a minha mãe pega na garrafa. Aliás, eu pego na garrafa, mostro à minha mãe e o que é que estava dentro da garrafa? Uma beata. A garrafa estava fechada e estava dentro dela uma beata. A minha mãe entra em pânico, liga para, naquela altura já existia, o número de apoio de envenenamento.

Mas entra em pânico por quê? Porque não fumou até ao fim o cigarro?

Liga para lá e o senhor diz muito assustado: "Tem que pôr já o miúdo a vomitar, porque as beatas têm uma substância meio alucinogénia, que muitos toxicodependentes utilizam até as beatas no café e no álcool com a cinza, porque tem efeitos parecidos com a droga."

Não fazia ideia.

Isso justifica muito do que se passa hoje. E então fui eu, lembro-me de ir para a pré-primária e já nem sei quem é que me meteu os dedos à argola. Acho que toda a gente. A minha mãe, a educadora de infância, a assistente lá estava, um senhor que ia a passar na rua.

Sim, mas e em relação ao teu problema de saúde?

Não havia controle, eu só comia porcaria.

A única coisa que eu me lembro de quando era mais novo, imagino que estamos a falar do pequeno-almoço, era que nós vivíamos muito aquela ideia das novelas brasileiras, aquela mesa posta com bolo.

Nunca vivi isso.

18 sumos tropicais.

18 sumos tropicais, café, não sei o quê.

O Pedro Guerreiro já bebía abacaxi durante três horas.

Sim.

Sempre com a mesma medida.

E aquelas mesas fartas. Depois o cara chegava à mesa e via ali o pão do dia anterior e o leite, e o café, e depois a solha no fim. O cara pensava: "Estão me a enganar, como é que é isto?"

O arroz de marisco dos anos 80 era arroz e delícias do mar.

Pois era.

É a única coisa.

Delícias do mar.

Sim.

Eu sou muito boa boca, sete delícias do mar ou 10 delícias do mar.

Porque aquilo não é nada.

É.

É mistura. Houve até uma altura que eu olhava para aquilo e pensava assim: "Que bicho tão estranho, como é que isto anda no mar?"

Sim.

Será os canivetes, aquilo que dizem que andam lá.

Ninguém sabe o que é. Leva um pouco de tudo.

E há uma coisa curiosa.

É beata de cigarro que ele leva.

Já nos anos 90, a minha irmã foi uma das primeiras pessoas a fazer o curso com o Francisco Varatojo, do Instituto Macrobiótico. Quando eu disse que vínhamos fazer aqui o evento ao Borges com a família Varatojo, e o Borges perguntou: "Mas o Luís Varatojo dos pesticidas?"

Ia ser.

Ia ser.

Há tantos Varatojos.

Não são relacionados com esse Varatojo. Que eu saiba, não.

Só de feitio.

Eu lembro da minha irmã, anos 90, começar a levar pra casa geleia de arroz e tofu, e eu assim: "Mas o que é esta merda? O que esta moça anda aqui a trazer? Isto é droga? Se calhar isto é merdas novas que andam a circular aí." E eu lembro dela começar a fazer experiências com aquilo e eu: "Não, eu não vou, nunca na vida." E olha pra mim hoje.

És o maior.

Geleia de arroz em casa e tofu.

É o maior consumidor de tofu do país.

E cozinha muito bem tofu.

Cozinho. O que te deu para entrares nesta caminhada de luz?

Não sei.

António Rabiches, já agora, fez 45 anos anteontem. Uma salva de palmas. Está aqui, está impecável.

Muito bem, está aqui. Cheio de saúde.

45 anos. Não, eu deixei de comer carne para aí há-

O que a disciplina, uma alimentação saudável e heroína conseguem fazer. Está impressionante.

Está impecável.

Eu deixei de comer carne para aí há oito ou nove anos, porque nunca gostei muito. Já só comia frango e peru, e depois deixei de comer.

Eu deixei de comer porco depois de ver "O Porquinho Babe". Fala sério.

Eu como peixe, mas não como polvo por causa do documentário do polvo. Portanto, eu não vejo mais documentários nenhuns.

Tens que ver o "Nemo". Se calhar paras de comer peixe.

Tu disseste para ver o documentário do polvo e eu não quis ver, porque eu gosto muito de comer polvo.

Não, eu deixei de comer polvo, não sou capaz de comer polvo, porque agora penso: "Aquele polvo podia ser meu amigo."

Pois era.

E eu deixei de comer porco, exceto quando me servem porco. Passas a explicar. Portanto, é uma luta entre aquilo que o "Porquinho Babe" me fez sentir e uma questão de boa educação. Uma pessoa está a te oferecer presunto, não vais dizer que não. Mas tenho que fazer um jogo mental, que é: eu vou comer aquele presunto, porque me está a ser servido por um anfitrião simpático, mas eu penso sempre: este porco era um grande filho da mãe. Este porco batia na sua porca, este porco devia dinheiro a outros porcos, merece ter acabado no meu prato.

Exato.

Tenho que fazer esses exercícios.

Não, e é saudável fazeres isso. Demonstra que, de facto, emocionalmente, estás capaz. Estás ótimo.

Nós falamos muito nisto. Eu trabalho muito com o Borges, e portanto eu acompanho os seus hábitos.

Eu fui saudável durante um ano e meio.

Foste? Quando?

Então não fui quando eu treinava, caralhos.

Isso foi em que ano?

Foi antes da pandemia.

Foi 2014?

Treinámos juntos.

Sim, mas foi 2000 e quê?

Antes da pandemia, não sei. Na minha idade, já não-- eu sei que aconteceu tudo há três anos e já fui à quinta.

Eu nunca o conheci saudável.

O Borges, de manhã acorda, fuma, durante a noite não sei se fuma ou não, mas acorda, fuma, vai beber um café, fuma, bebe um uísque, depois fuma e depois vai tomar o pequeno-almoço. Depois do pequeno-almoço, está no restaurante, a senhora diz: "Já provou este tinto do Pico?" "Não, vou provar." E prova o tinto do Pico. Mas é o cara que vai sobreviver a todos nós.

Eu acho que vou.

Não tenho dúvidas.

Eu vou vos enterrar a todos.

Ele vai estar no meu velório com um cigarro assim. E a apagar-me o cigarro na testa.

E é bonito, esta nossa amizade é muito bonita, e tu estás aqui a achincalhar o Borges à frente de toda mundo, é sempre bonito.

Não estou a achincalhar, estou a lhe dizer que ele vai passar-nos a todos.

Olha, eu em relação à vida saudável, sou muito prático. Acima de tudo, temos que ser saudáveis aqui em cima E aqui no coração. Eu acho que a partir desse momento, as escolhas saudáveis é uma coisa que vai acabar por acontecer, uns mais cedo, outros mais tarde.

É a primeira vez ao vivo e a primeira vez que recebemos um convidado conosco, o Gustavo Santos.

Não, pra isso eu tinha que abrir a camisa mais dois botões e estar bronzeado. Ainda não estou nesse ponto. Não estou a malhar a esse ponto. Não, mas estou a falar a sério. Eu acho que isto é tudo uma escolha. Nada vale ser saudável e termos uma vida saudável se formos umas bestas uns para os outros. Estarmos bem conosco, estarmos bem com os outros, e automaticamente as escolhas que nós começamos a fazer na nossa vida, naturalmente se tornam sempre com mais consciência. À medida que vamos envelhecendo, também vamos sentindo isso, a necessidade de comer menos algumas coisas, de ter mais cuidado com o nosso corpo, ter mais cuidado com a alimentação. Quando éramos novos, não tínhamos nem informação, nem tínhamos sequer quem nos apoiasse nisso. Os nossos pais estavam se a borrifar pra isso.

Sim, eu já disse isto. Nasci em 80, eu até procurar um psicólogo pela primeira vez aos 18, mas até aí, nunca fui o tipo que tinha uma perturbação obsessiva compulsiva ou lidava com ansiedade. Era o esquisitinho, o nojentinho, o deixa de coisas. Cada vez que eu estava encomentado alguma coisa, faziam: "Ah!" Pronto. Que era isso, nos anos 80 não havia questões de saúde mental. Nos anos 80, tu não tinhas um vizinho bipolar, era só uma besta.

Sim. Era.

Era assim que tu falavas, não tinhas um primo com depressão, era um mariquinhas que não saía de casa.

Exatamente, eram só ninins.

Passava muito por aí.

Não tinhas um primo com déficit de atenção, era só burro.

Exato, mas isso continua a ser algo real. Ainda passa um bocadinho por aí. Borges, vá lá fazer uma pergunta.

Está bem, qual é que é o microfone? Estamos quase a acabar a primeira parte.

Temos microfone aqui.

Estamos a controlar isto. Microfone. Borges, é esse? Vou aí buscar. Tu achas que queres perguntar a alguém? Estava aqui a pensar.

Sim.

Há aqui alguém que nunca comeu açúcar ou carne na vida? Mesmo nunca tenha comido.

Assim é que eu gosto.

Açúcar ou carne.

Quem é que é? Não há cá fundamentalismo.

Essa pessoa não tem qualquer alegria em viver. É por isso que se ela existir, não consegue levantar o braço. Obrigado, Jorge. Uma salva de palmas pro Jorge.

Obrigado, Jorge. Aproveitar pra dizer que estamos aqui no Bliss Fest a fazer os homens de uma certa idade.

Vou ter que ligar? Obrigado, Jorge. Quanto tempo é que falta pro intervalo?

Eu estou a controlar, Borges.

Está bem calmo.

Três minutos.

Nós começamos a fazer isto em janeiro e há várias pessoas que têm estado intrigadas desde o início com a mulher da vida de Marco Horácio, que é um tema que nós nunca falamos antes. E vamos finalmente falar. Ela é quantos anos mais nova do que tu?

É 20 anos mais nova que eu. 19.

19! Calma.

Não é assim tão nova como as pessoas acham.

Vou falar.

Já está em entrada de hora.

Então vou falar com a Sara. Uma salva de palmas pra Sara.

Vai falar contigo. Escolheste a pessoa ideal pra falar de hábitos saudáveis. Casou comigo, a partir daí...

Então, Sara, que idade é que tu tens?

Tenho 32.

32. E o que é que viste nesta velha carcaça?

O que eu vi nesta velha carcaça? Eu vi uma pessoa da minha idade. E eu sou mais velha, fazes a perceber?

Então, mas espera aí, uma pessoa da tua idade, és tu que tens 50 e...

Isto deixa eu ver. Não.

Tens que agarrar mais em cima, Borges, pra não tapar o emissor.

Acho que é mais por aí. É, já está certo agora, não está? Está.

Ele é muito discreto em relação a isso, mas ele mantém-se em ótima forma. Tu tens um papel a desempenhar nessa jornada?

Não vamos entrar nas intimidades, por amor de Deus.

Não, se apertas com ele pra ir pro ginásio, ajudas com a disciplina ou isso é tudo pelo Marco, é o Marco que faz?

Eu sou um bocado igual a ti, eu sou desencaminhadora. Portanto, ele é saudável porque quer e tenta me puxar. Mas as idas ao ginásio, tentar comer mais saudável, vem tudo dele.

E é verdade, eu sei que ele cozinha bem. Ele faz, de fato, em casa esse papel, que ele tem muito orgulho em contar nos programas.

Eu não sei, porque ele nunca nos convidou.

Convida, sim!

Tu és um grande ordinário.

Mas desmarca.

Eu convidei pra almoçar ou jantar. "Não, tenho as minhas filhas sozinhas em casa."

Ele convida quando sabe que eu não posso.

Isso foi desculpa.

Qual é o melhor prato que o Marco faz em casa? Isto interessa ao nosso vasto auditório.

Claro.

Oi. Talvez bacalhau com broa.

Bacalhau com broa. Acho que é uma broa forma de acabarmos a primeira parte.

Não estou falando da broa do pão, atenção. Bacalhau e depois broa é no fim do bacalhau.

Com Piatas. Piatas no bacalhau.

É isso que eu ponho no bacalhau.

Olha, eu escolhera pequenino broas, agora que é maduro.

Vamos pro intervalo. Eu acho que sei a tua resposta, ou a vossa resposta, mas podem contribuir ou não pro nosso crescimento pessoal e emocional.

Não, obrigado, boa tarde.

Eu acho que é como tudo na vida, é uma escolha. Eu acho que tu tens que escolher coisas com as quais tu te identificas e seguir pessoas que podem trazer uma mais-valia na tua vida, nem que seja fazer-te sorrir, tão simples como isso. Acho que as redes sociais é um ótimo sítio pra tu encontrares um caminho mais saudável, mais natural, que tem mais a ver contigo.

Ou mamas, podes só encontrar mamas. Podes encontrar as duas coisas também.

Podes encontrar tudo, sim.

Mamas saudáveis.

Mas a ideia aqui é um bocadinho, a escolha é sempre tua e a escolha de não ver, não fazer like, de bloquear, é o poder que nós temos na rede social em não nos contaminarmos. Uma coisa que me faz, um bocadinho fora do tema, faz-me imensa confusão como é que a malta nova agora, muito nova, com discurso em relação às mulheres odioso, que não faz sentido nenhum. E eu pergunto: o que é isto? Não é que o mundo está a caminhar. E tem muito a ver também com o lado saudável. Essas pessoas, pra já, não são saudáveis. Por isso é que eu digo, emocionalmente, nós temos que ser equilibrados. E depois, esta crescente tendência De objectificar, de miúdos que nem sequer sabem, nem sequer leem, nem sequer sabem o que foi antes do 25 de Abril, não sabem o que foi este país. E de repente vêm com estas tendências. É adentio. E acho que isto as pessoas têm que bloquear, denunciar e não seguir, porque isto é uma doença, para mim.

Mas isso é também o que promove depois as redes sociais, porque nas redes sociais, se tu puseres coisas bonitinhas, o algoritmo diz: "Ei, não."

Mais gatos, não.

Não, gatos funciona. Eu de vez em quando ponho gatos, penso: "Isto preciso de aumentar", meto gatinhos. Gatinhos com mamas funciona muito bem. Não os gatinhos, mas um par de mamas e um gato lá no meio.

É?

Funciona bem. Por exemplo, quando publico cenas do meu podcast, do "Somos Todos Malucos", ainda esta semana tive uma conversa com o Francisco, que é o presidente da SOS Voz Amiga, e ele estava me a dizer, ele está lá há 30 e tal anos, que fica assustado porque reparou uma coisa, que é: as pessoas são cada vez mais novas, as que estão a ligar. Mas ele tem chamadas de putos de 12 e 13 anos. A dizer que estão fartos de viver. A ligar para a SOS Voz Amiga. Havia lá um comentário de um miúdo, eu percebi que devia ser um miúdo, devia ter aí também 14 anos, a dizer assim: "As pessoas estão cada vez mais fracas e sensíveis." Isto fez-me uma confusão do caraças. Eu tive vontade de responder, depois não respondi, alguém respondeu, mas aquilo que eu iria responder é que, na realidade, nós somos todos sensíveis. A diferença é como é que tu lidas com essa sensibilidade. Tens vários níveis.

Mas esse era um miúdo dos que procura ajuda?

Não, um puto que comentou. Deve ser, se calhar, um desses putos que lá está, vai pelo lifestyle, os números da vida e carros e não sei o quê, e gajas, e compra tudo, e ela não faz nada porque eu é que trato dela. Mas na realidade, lá está, nós somos todos sensíveis. Como tu lidas com essa sensibilidade é que é diferente. Ou tu procuras, aceitas e relacionas-te com aquilo que estás a sentir, com as tuas emoções, e choras, e pedes ajuda se for preciso, e ris-te, e estás chateado e as vives todas, ou então a tua sensibilidade afasta tudo isso e tu projetas nos outros ou projetas em coisas que estão fora de ti, porque na realidade nós somos todos sensíveis.

E a sensibilidade, desculpa estar te interromper, hoje em dia é muito vista como uma fraqueza e, pelo contrário, acho que a sensibilidade, cada vez mais, é que nos define.

Acho que foi a Meghan Markle que cunhou aí uma frase: "O amor é o novo punk." Que eu acho muito fixe. O Nuno também puxou por isto, acho que já há até T-shirt ou alguma arte gráfica. Enfim, não quero parecer ultralamechas, mas estamos a precisar.

Temos que ser. Claro.

Ser rebelde hoje em dia é dizer a alguém: "Gosto de ti, parabéns pelo que estás a fazer", incentivar, motivar a pessoa, não dizer merda online. Nós ainda no outro dia estávamos a falar sobre isso. Por exemplo, das pessoas que estão aqui, quem é que já disse aos pais que os ama? Quem é que nunca disse? É melhor ao contrário.

Já muita gente não disse.

Há muita gente que não disse.

Por lágrimas, em vez de ser por palmas.

É engraçado, eu acho que tem muito a ver com a nossa geração. O meu irmão tem 60 e tal anos.

Incrível.

É 19 anos também mais velho do que eu, o meu irmão. É engraçado, eu sempre me dei muito bem com meu irmão e tenho uma relação diferente com a minha irmã, mais próxima de emoções, mas com o meu irmão é mais parvalhão. A gente cumprimenta-se a mandar murros nos tomates um ao outro, que é coisas que os gajos também fazem muito, os homens é tudo à bruta, cumprimenta-se .

Comigo não fazem que há limites.

Espero bem. Se não fosses, levas murros nos tomates do meu irmão, também.

Não sei, se eu apanhar, se calhar.

E o meu irmão, no outro dia-

Se não fosse o teu irmão, tinhas 14 filhas.

Exato. No outro dia com o meu irmão, dei-lhe um abraço e olhei na cara dele e disse assim: "Mano, gosto muito de ti." E o meu irmão começou: "O que é que vais pedir?" "O que é que vais pedir? Já queres pedir alguma coisa?" Eu: "Não, estou a dizer que gosto muito de ti, amo-te. Gosto muito de ti, tenho orgulho."

Eu acho que essa palavra amo é uma bonita palavra.

Nós podíamos falar sobre a nossa relação, eu e o Rodrigos.

Podem. E até há vídeos disso.

Já dissemos coisas muito bonitas um ao outro. Normalmente enquanto eu fumo um cigarro após o sexo. Não, agora a sério, já dissemos coisas muito bonitas, mas dizemos normalmente quando já não estamos na presença, ou através de post. Eu escrevi uma coisa outro dia.

Sim, escreveste, muito bonita.

Quando fizeste anos.

E uma boa prova é que ele escreveu uma coisa muito bonita no meu aniversário e eu respondi ao post dele e não respondi ao da minha mulher.

Bem feito, era não fosse ela embora, deixou-te aqui sozinho. Eu divorciava.

É engraçado.

Ia veneno.

E depois eu também me pus a pensar que eu já disse coisas, apesar de raramente serem presenciais, já disse mais coisas bonitas sobre ti do que sobre o meu próprio irmão de sangue.

O teu irmão também é um otário. Não é nada, uma joia.

Preciso sair brevemente para ligar ao psiquiatra.

O teu irmão.

Não, mas a palavra amor parece cada vez mais uma palavra muito difícil dizer. E eu, nos espetáculos que faço da personagem que eu tenho já há 20 anos, falo muito disso. De facto, o amor é a única coisa que nos distingue hoje em dia.

A personagem é o presidente Marcelo.

Exato. Há vários tipos de amor. Podemos ter amor pelos nossos amigos, pelos nossos filhos, pela nossa mulher, por seja quem for. Mas este sentimento de amor é a única coisa que nos pode, no fundo, salvar deste caminho que este mundo está a levar, de uma insensibilidade, de uma brutalidade. E, portanto, eu acho que sim, acho que cada vez mais tem que se falar de amor, tem que se promover o amor.

O Horácio vai sair daqui como guru de uma seita.

Não vou nada, estou a falar a sério. Eu falo isso, por exemplo, está aqui a minha filha com dois anos. O amor que nós temos aos nossos filhos é inexplicável. E é este tipo de amor, e eu tenho um filho que vai fazer 19 agora.

E tens outro no México.

Tenho outro no México, que é o Paquito.

É o dos chumos?

É o dos chumos, exatamente. Está muito bem na vida dele, graças a Deus.

Tem imensos amigos, faz parte de um cartel.

Sim. Se quiserem, ele vende mais barato. Mas foi o meu filho mais velho, por exemplo, numa fase muito difícil da minha vida, que me deu força para continuar e para pensar: "Não, não posso desistir, vou em frente". Isto é o que o amor é capaz de fazer, dar aquela força extra de tu não desistires. Agora não, felizmente, estou muito feliz. Acho que é a primeira vez na minha vida que me sinto tão feliz, desde que conheci a Sara. Portanto, a felicidade está ao alcance de toda a gente. É verdade. Isto é amor, amor é isto.

Eu senti exatamente o mesmo em relação à exata mesma pessoa. A Sara mudou a nossa vida.

Foi, não foi? A Sara é assim, a Sara é maravilhosa.

Ela tem o timeshare, com esta teoria.

Não, mas é verdade, eu digo sempre, temos é de estar abertos ao amor. Acho que todos nós já magoámos, fomos magoados. Eu acho que aqui a grande lição é nós não desistirmos e não tentarmos procurar aquela pessoa que nos acompanha e que nos aceita como nós somos, sobretudo com os defeitos que nós temos, porque amar o que é bom é fácil, os defeitos é que é aceitarmos e ver para além disso é que é difícil. Mas é possível e a vida é boa e nós conseguimos ser felizes sozinhos. Agora, se pudermos partilhar com outra pessoa e com os mais pequeninos, acho que é ótimo, é o único legado que deixamos aqui. E vou-me embora. Boa tarde.

Queres ir falar com alguém?

Quero, eu estava mesmo a pensar nisso. Eu quero ir falar com alguém.

Estás a chorar, é isso?

Eu já não sei qual é o tema.

O tema é México.

Isto teve uma deriva de tal ordem que eu já não me lembro de nada.

Na realidade, não é uma deriva, nós estamos a falar do que é que vocês estão a fazer.

O que é que nós fazemos neste podcast. Eu abri as portas ao amor.

Divagamos.

Eu abri as portas ao amor.

De divagar se vai ao longe.

Que lindo. Lá está.

Vá lá, Boss. Vou lá. Então é o quê? Vida saudável. Estou a ver ali um casal com muito bom aspeto, metem nojo até. Sim, vocês os dois, estou a olhar para vocês. São um casal? Se calhar são só irmãos fónicos. Eles estão aqui atrás. Porra, vou ter que ir lá. E como é que a gente preenche estes segundos de silêncio?

Não te preocupes.

Vai dizendo coisas.

Exato.

O Boss estava a dizer que nós estávamos a divagar, mas nós não estamos a divagar, porque isto é um hábito saudável, caraças. Se tu aceitares as tuas questões e procurares resolvê-las. Eu, por exemplo, noto diferenças na minha maneira de ser, tirando a parte mais mental, mais relacionada com a ansiedade e com a perturbação obsessivo-compulsiva, mas mesmo aí também já resolvi muitas questões. Está a tocar o meu telemóvel?

Não, isto é aquela musiquinha que eles metem para a Júlia, aquele pianinho.

Não resolveria se não estivesse a trabalhar nisso. Há bocado estava a dizer, eu conheço muita gente que come bem e é vegetariano e são bestas autênticas. Lá por seres vegetariano não quer dizer que sejas boa pessoa.

Por isso é que eu digo que eu acho que é um processo que começa sempre de dentro para fora.

E terapeutas, e conheço malta que estão mais virados para terapias holísticas e que também realmente fazem aquilo, mas depois por trás também têm as merdas deles a resolver.

Queres falar algum nome? Não, estou a brincar. Vamos entrar em direto com o Luís, que está-

Não é do público? Também é do recinto do Bliss Fest, com um casal que vamos averiguar se é ou não um casal. Olá, como é que se chama?

Rita.

Muito prazer, Rita. E?

Enrique.

Rita e Enrique, vocês pinam? Só para saber. Estão juntos?

Estamos juntos.

17 anos?

17, sim, confirmo.

17 anos que estão juntos.

Isto merece uma palma. 17 anos.

Estão juntos desde a primária classe.

Uau.

Muito bonito. E é habitual virem a este tipo de eventos ou vieram ao Bliss Fest porque achavam que era tipo Boom e seria fácil conseguir ácidos?

É habitual. Também conhecemos o Boom e recomendamos. Mas é um momento para estarmos um com o outro. E é importante, temos dois filhos, também, gémeos. E é o espaço que nós damos à nossa relação, é vir a estes eventos, estarem conosco e com outras pessoas.

Que idade é que eles têm, os filhos?

Vão fazer 10 anos, são gémeos.

Estão com quem? Sozinhos em casa?

Estão com os avós.

Claro.

Boa.

A beber o calo.

Não, isto é muito importante também. Este tempo para vocês é muito importante.

E a beber licor, exato. Eu tenho uma pergunta. Para já, parabéns, acho maravilhoso o que vocês estão a fazer e tenho uma pergunta importante, vou agora passar ao Enrique, só para também ouvirmos um bocadinho a voz dele. Que hipótese existe de eu deixar os meus filhos com os vossos pais? Poucas, foi sincero. E pronto, é tudo aqui em direto do recinto do Bliss Fest, com um casal que não vai ajudar a minha sanidade mental, porque não fica com os meus filhos. Uma salva de palmas.

Uma salva de palmas, muito bom.

Isto é uma boa dica.

Não, a Rita, isto que ela acabou de dizer é muito importante, nós encontrarmos dentro do casal, da família, ou seja, os filhos são importantes, claro, mas nós também, como casal e até como indivíduos, também somos importantes. Nós existimos, por si só, antes de conhecermos a outra pessoa. E eu e a Sara temos uma relação ótima.

Pois temos.

E ela aceita e compreende os meus momentos que eu preciso de estar isolado e sozinho, porque preciso disso. Não é porque esteja cansado da minha vida ou cansada da minha família, não é disso. Preciso, porque eu gosto de estar sozinho, gosto de estar no silêncio, gosto de estar a ouvir música, gosto de estar afastado de tudo. Ela aceita isso e já compreende isso. E depois há momentos em que nós também Sentimos essa necessidade de estarmos os dois juntos, voltar a conectar. Que os filhos às vezes criam essa distância, através do cansaço, a gente perde a paciência. Depois perdemos, às vezes, de vista o bom que a outra pessoa tem, porque são noites sem dormir, é tanta coisa, é tanta preocupação, tanta responsabilidade, que perdemos às vezes de vista. E é bom que vocês fazem, é um grande exemplo, é tirarem espaço para vocês, mimarem-se um ao outro, para depois voltarem revigorados e ter os filhos, sim, mais gordos, porque os avós já se sabe, é guloseimas atrás de guloseimas, sempre a estragar.

Vocês estão casados há?

17.

Dois anos.

Dois? Eu e a Sara?

Casados há dois anos.

Mas o que é que estás a falar da minha vida porquê agora?

Namoram há quanto tempo? Há cinco. Eu estou com a Catarina há tempo demais.

Pois, mas vocês agora separaram-se.

Devem ser apanhar 25.

Ela está no Vietname agora.

Lá está, 25 ou 26. Alguém está assim também há tanto tempo. Eu estou há 25 anos, 26.

Quem dá mais?

Aqui, por gritos de desespero. Mas repara como é que estas meninas levantam as mãos.

Isso é sim. Estou, mas não queria estar.

Esta senhora vai-se divorciar agora. Nós estamos há 25 anos e vivo muito disso. Por acaso acho que nós sempre tivemos boa comunicação, como todas as relações, temos momentos mais complicados. Já passamos por situações difíceis. Inclusivamente a minha mulher num podcast revelou que houve uma altura que pensou em divorciar-se de mim e decidiu revelar no podcast.

E tu não sabia?

Eu não sabia. Eu não sabia.

Mas ficas a saber, fui eu que disse a ela para não separar, que disse: "Olha, tu estás tão bem com ele e o que nós temos é só, isto é só físico".

Depois falámos sobre isso. Realmente eu pensei, sim, eu compreendo, porque não é fácil viver com um cara como eu, que está sempre a pensar em coisas.

E com esse Panamá na cabeça, então, meu Deus.

Temos que despedir os nossos ouvintes na rádio.

Já estamos a final da segunda parte.

Já estamos a finalizar a segunda parte.

Uau!

O Borges achou que era interessante.

Cortar. O Borges está totalmente anti emoções hoje.

Vamos pegar nisto e vamos pegar noutro tema muito interessante. O que é que estão a fazer a todo o glúten e é possível mandarem para a minha casa? Vamos continuar agora exclusivamente no online. Até já!

E agradecer a esta malta magnífica aqui no Bliss Fest que está aqui a acompanhar ao vivo. Muito obrigado, até já. Estamos de volta. Uau, que ambiente! 45 graus aqui no Sesimbra Natura Park, ao vivo.

No Bliss Fest.

Bliss Fest.

Muito obrigado pelo convite.

Temos que tirar aquela fotografia para as redes sociais.

Tirar a fotografia.

Terceira parte exclusiva do podcast?

Sim, isto é só o podcast, portanto só online. O tema de hoje é: que nome terá a igreja de Marco Horácio?

Vai ter amor, de certeza.

Eu estava a falar do facto de isso também é um hábito saudável, nós podermos falar sobre as coisas e eu e a minha mulher falamos sobre tudo. E quando falamos sobre tudo, eu acho que isto tem sido mesmo um ponto que nos tem ajudado bastante. Mesmo, por exemplo, tapa os ouvidos da miúda.

Não, ela está a ficar com os dois anos, não quer dizer mais nada.

Questões mais sexuais, de intimidade. Lá está, nós temos três filhas, às vezes chamamos a atenção: "Olha, isto não está a rolar nada. Temos que arranjar aqui maneira de resolver isto". E marcamos, às vezes eu marco na agenda.

Sim, mas não liguem mais para mim que eu tenho mais que fazer a minha vida, está bem? Eu gosto muito de vos ajudar, mas agora...

E nós procuramos, falamos sobre isso, se há coisas que estão a correr mal, falamos. E eu acho que o ponto essencial, e que é uma coisa que nós temos vindo a trabalhar, e que é importante, que é nós, tudo aquilo que falamos um com o outro, não vemos como uma agressão, como uma acusação. Às vezes é tramado.

Fere o teu orgulho.

Sim, e às vezes ela vai puxar coisas que aconteceram em 1999.

"Só pensas em ti, só pensas em ti".

Mas isso é verdade, eu só penso em mim. Mas isso é uma questão que eu sou muito autocentrado, mas é uma coisa que eu tenho cada vez mais consciência, por um conjunto de práticas que também comecei a introduzir na minha vida, como por exemplo a meditação. Não sou um cara que medita todos os dias. Há alturas que sim, que medito todos os dias, 20 minutos, 15. Há alturas que não me apetece e não medito. Isso é uma cena que eu queria falar há bocado e que me esqueci, que houve um psicólogo que trabalha muito na área do desporto, com atletas profissionais de alta competição. E nós estávamos a falar daquela malta do TikTok e do Instagram, tipo: "Acordo todos os dias às 04:00, depois leio 10 páginas deste livro, depois leio 10 páginas daquele livro, depois bebo água purificada que deixei durante a noite benzida pelos meus guias espirituais. E como pão sem glúten, manteiga de amendoim". "Cinco peitos de frango cozidos, enquanto tomo ducha de água fria". "E com isto tudo já são 04:30 da manhã".

Incrível como é que ele faz todo aquele menu.

E isso pode ser, para além de eu achar que muitas vezes não é real, que é uma imagem que está ali, isto são redes sociais, é difícil entender aquilo como real, causa uma frustração numa data de pessoas como eu, que têm dificuldade a criar hábitos, que pensam: "Sou um bando de merdas, porque não me levanto às 04:30 da manhã". E depois esse psicólogo estava a dizer uma cena que é: as coisas funcionam se cumprirem o seu propósito. Porque se vocês estiverem a levantar às 04:30 da manhã, fazer essa merda toda e depois continuam frustrados ao fim do dia, ou começas a entrar em pânico porque não estás a fazer as coisas, isso não está a servir propósito nenhum. E foi por isso que eu também deixei de meditar todos os dias, porque eu às vezes senti que estava a meditar por obrigação. E então pensei: "Isto não pode ser".

Estavas a meditar à pressa.

Sim, estou a meditar à pressa.

Já está. Eu já meditei.

Bora assistir à PlayStation É o equilíbrio. Acho que na nossa vida, cada pessoa tem o seu equilíbrio, é encontrarmos, de facto, este equilíbrio. Eu e tu fizemos recentemente no projeto que estamos a filmar nos Açores, fizemos uma coisa chamada cerimónia do cacau. Já alguém fez cerimónia do cacau? Claro.

Uau!

Tanta gente. Por que não haviam de ter feito? Eu nunca tinha ouvido falar. A rapariga é uma lituana que vive na Ilha do Pico, literalmente no meio do mato, uma cabana. Mas o cenário depois- Tem que se trepar bem para lá chegar. O cenário é surreal, porque subes bastante. Eu fiquei a odiá-la, ainda nem a conhecia. Nós estacionamos o carro e tínhamos uma subida de oito minutos. Eu fui subindo e tinha bastante inclinada.

O Borges foi-se queixando.

Para mim, 34.

O Borges foi subindo e o Borges foi-se queixando.

Eu subi e desci quatro vezes, e o Borges no início. Não, na boa, os oito minutos ele tinha feito duas vezes enquanto eu fazia uma. Eu não estou mesmo em condições. Mas depois a cerimónia do cacau em si foi muito fixe. Eu gostei muito. No meio de um rio seco, ribeira seca. Descalços. Sim. O cacau era ótimo. Sim. A maneira como ela conduziu aquilo era também muito simples, colocou-nos lá. E eu senti-me bem. Senti que nós estamos a fazer isto, estamos a filmar, portanto não estamos a fazer com uma hora e meia como aquilo devia ser, estamos a fazer uma versão rápida para televisão, mas aqueles 15, 20 minutos, mesmo assim, lembrei-me: isto faz da meditação. Sim. Tive uma coisa muito rara de sentir, que é serenidade. Mas isso implica também a prática, porque há muita malta que medita aqui e que provavelmente aconteceu a mesma coisa. Tu já meditaste alguma vez? Está a pensar em merda para dizer.

Não estou nada. Não sei, eu acho que de vez em quando faço o meu género de meditação, quando eu me isolo um bocadinho e gosto de estar no meu sossego, no meu silêncio e vou pensando um bocadinho na minha vida e tentando centrar-me. Não sei se se pode considerar uma espécie de meditação ou não.

E rezar? Rezar é uma forma de meditar também. Sim. A diferença, o mindfulness é mais uma questão de tu estares presente no momento, estares mais consciente. Tudo aquilo que nós fizemos na cerimónia do cacau foi mais isso, mais estar presente no momento, consciente aos sons, tudo aquilo que nos rodeia, sem nos apegarmos a isso. Tu fizeste uma coisa que eu achei muito rara em ti, sobretudo tendo em conta a perturbação obsessivo-compulsiva e estás a ir para um sítio que não sabes muito bem o que é que vai acontecer e estás num sítio onde estás pela primeira vez, e depois estamos descalços na natureza. Mas quando aquilo acabou, tu perguntaste à lituana se lhe podias dar um abraço. Disse que era porque era jeitoso. Não. Mas que não era nada ao teu género. Não, porque me senti bem. Por exemplo, meditação, as primeiras vezes que eu meditei, e para a maior parte desta malta que está aqui, de certeza que foi a mesma coisa, um cara começa a meditar e passa tudo na cabeça. Quando eu digo tudo é listas de compras, táticas do Benfica, cagalhões a voar. Por que ele tirou o gel do cabelo? Não estou a gozar. Pilas assim. Tipo Pac-Man. É que é tão simples, tu estás tão habituado a uma vida tão acelerada que tu estás a querer parar e é como se a tua cabeça dissesse: "O que esse cara está a fazer? Tem que lhe mandar merdas, ele não pode estar aqui sem pensar em nada."

Eu acho que a primeira vez que entrei em meditação foi no antigo Zimp, em que eu também tive o prazer.

Foi padrinho, não foi? O antigo Zimp, que era um festival, que era uma semana em agosto, na Serra da Estrela, perto de Seia, numa quintazinha que havia lá, muito fixe.

E foi a primeira vez, e sei que quando saí da espécie de transe, senti uma leveza incrível. A meditação é um pouquinho isso. A conclusão que eu cheguei é que quando tu tiras tempo para ti, longe de tudo, e te isolas e consegues absorver o universo, a energia à tua volta e de alguma forma equilibrar-te. E eu senti isso, só não me passaram as pilas pela cabeça.

Estava no início da meditação.

Estava na tua. Mas sim, nos primeiros minutos nós pensamos em tudo e mais alguma coisa, até conseguirmos estar tranquilos, demora um bocado.

Por que motivo continuaste a fazer meditação, então?

Eu sou demasiado. Olha, eu sou capricorniano e sou muito ansioso.

Mas por alguma razão.

É isso.

Cinco minutinhos por dia. Olha, desporto já fazes, não é?

Já, e hoje fui comprar dormidina, que eu estou há três dias sem conseguir dormir.

Por quê? Em que é que andas a pensar?

Ando a pensar em tudo. Na sexta tive um trabalho importante que tinha que correr bem e depois ontem tive espetáculo.

Toma este remédio.

É quê?

Dois uísques.

Não posso.

Mas isto não é um remédio.

Analgésico.

É, capaz de ser mais um analgésico. Eu acho que tu beneficiarias muito. Eu estou sempre a tentar. O Borges faz anos dia 5 de agosto.

Eu sou testemunha disso, estás sempre a puxar por ele.

O Borges faz anos dia 5 de agosto e eu ando-lhe a dizer, há não sei quanto tempo, aliás, já falámos no podcast, de comprar o Dexazine para ele deixar de fumar. Exatamente. E para voltar a fazer desporto.

Sim.

E o Borges não é capaz de se comprometer.

Não é capaz. Incrível.

Olha, com o cigarro na boca. Não és capaz de te comprometer diante destas pessoas que estão aqui? Não, eu não esqueço. Aliás, tu estás a fumar porque estás a ficar nervoso de eu estar a falar disto.

Pois, exatamente.

Sim, um pouquinho, é verdade. Mas também é preciso perceber que temos todos de morrer de qualquer coisa. E eu estou só a tentar baralhar o destino.

Não, e tu estás a escolher a morte que queres. Basicamente.

Mas também não é bem assim. Olha, eu tive um tio que faleceu agora há pouco tempo, ele tinha 84. O meu tio fumava desde os 12, sempre para aí três maços.

Meu herói.

Três maços. Claro que morreu de um enfisema, mas foi aos 84.

Lá está.

A bisavó da minha cunhada morreu aos cento e tal Morte natural, recente. E todos os dias, isto é verídico. Estava na coca desde os 25. Não, mas todos os dias bebia um copo de aguardente. Espetáculo. E tinha um garrafão de tinto, produzia vinho lá na quinta dela e bebia só o vinho dela. Parece aquela piada: "O meu avô morreu com 105 anos de idade, tomava dois maços de tabaco, bebia uma garrafa de uísque por dia, continuava a sair à noite. Mas morreu de quê? Tivemos que o matar, ficava caríssimo". Exato. Claro que é preferível, aquela imagem do teu corpo é o teu templo. Se tu puderes viver, tratá-lo de alguma maneira mais tranquila. O Borges tem que pôr no templo dele, tem que pôr exaustores. O teu corpo é o intendente de antigamente. Se puderes cuidar dele. Mas uma questão é que lá está, tens que cuidar, eu cuido por prazer, porque gosto. Eu pratico desporto porque gosto e porque me faz bem. Por exemplo, o desporto para mim, eu treino quase todos os dias e às vezes não me apetece e vou naquela: "Não me apetece nada ter que ir treinar" e vou treinar. Não há uma única vez. Eu acabo o treino e não há uma única vez que eu não diga: "Isto valeu a pena". Portanto, eu faço porque gosto. Tu e eu temos uma coisa em comum nesse aspecto, que é: ambos odiamos correr. Odeio correr, meu. Odeio correr. Para mim é a pior coisa do mundo correr. Odeio pessoas que correm. Sim. Odeio pessoas que correm e partilham fotografias e vídeos sobre terem corrido.

E quando vão com a câmera assim à frente, a correr e a filmar. Então não há um autocarro desgovernado que-

Eu tenho um amigo meu que está a fazer uma cena voluntária, que está a correr 100 maratonas em 100 dias. É maluco!

Precisa de ajuda.

Cem maratonas em 100 dias, 42 km todos os dias. Ele já fez outra, que era 50 maratonas em 50 dias.

Aqueles pés devem estar num Cristo.

Claro, estão todos a rebentar. Quão mau tem de ser o teu casamento para tu te- Aí é que está, é que ele está bem casado, pelo menos é o que ele me diz. Está bem casado e bem resolvido. Cem maratonas em 100 dias. Só que é uma cena solidária. Desculpa, amor, é para ajudar as pessoas. É uma cena solidária, está a angariar dinheiro para várias instituições. Ele já fez 50 maratonas em 50 dias no Japão. E eu disse a ele: "Há dias que tu falhas por causa do físico, estás com os pés rebentados, em tortas, ou seja o que for". E ele: "Claro, por exemplo, em Tóquio, eu cheguei ao último dia e faltavam-me três maratonas". E eu: "Então como é que fizeste?" Ele: "Corri as três no mesmo dia".

Isso é batota.

À volta de um parque.

Isso é batota. Já não é 50 maratonas em 50 dias.

Não é. Esse gajo vai ser o morto mais sarado do cemitério.

Pois é isso. Eu continuo a bater na mesma tecla, porque há muito aquela ideia, não sei se sou eu que estou a ficar velho.

Estás.

Estou. Saudável é: temos um corpo impec, temos uma pele impec, temos um cabelo espetacular. Para mim não é isso. Eu continuo a dizer: sermos saudáveis é estarmos bem conosco. Podemos estar com quilos a mais, quilos a menos, podemos ser vegetarianos, podemos não ser vegetarianos. Eu acho que tudo começa em estarmos bem conosco. E acho que hoje em dia é muito difícil, como o mundo está muito confuso, é difícil encontrarmos esse bem-estar conosco e depois esse bem-estar com os outros. Porque quando tu encontras isso, quando estás bem contigo, essas escolhas-

Acontecem naturalmente

É o que eu acho. Portanto, acho que a pandemia veio um pouquinho embaralhar muito as pessoas. Eu ainda fiz parte daquelas pessoas que achavam que-

Ia ficar tudo bem.

Sim, que ia ficar tudo bem. Mas eu acho que há pessoas que de facto surtaram, como tu dizes muito bem, e que revelaram o pior delas. E há pessoas que aproveitaram esse tempo para estudar, para ler, para tirar cursos.

Para aprender a fazer pão. Então, se calhar, aconteceu o que era suposto ter acontecido.

Sim, se calhar as pessoas-

Quem teve ali uma oportunidade para ver o momento para mudar as coisas, fez isso mesmo, e outros que se calhar não estavam tão ligados a isso, continuaram o seu caminho ou revelaram ainda coisas piores. Concordo com o Jorge que a vida são escolhas. Eu já tinha ouvido falar em água e acho que vou escolher beber mais. É agradável.

Vais beber mais água? É a primeira vez que estás a beber água, não é?

Olha, mas nós temos um amigo que trabalha connosco, eu nunca o vi beber água.

Não?

O nosso sonoplasta. O gajo do som, nunca o vi beber água. Só bebe cerveja. Nem sei como é que ele faz som. Ele deve ouvir outras merdas que a gente não está a ouvir. Exato. Nunca o vi beber água, é impressionante. Eu, por acaso, bebo três litros por dia, bebo imensa água.

Uma salva de palmas para o Borges. Três litros por água por dia não é qualquer ser humano que consegue.

Muito obrigado.

Estás a ver?

Devia fazer mais xixi.

Tens que ir à próstata.

Acho que nós podemos fazer isto agora de outra maneira. Vamos à última pessoa? Eu ia sugerir uma coisa: não queres ver se alguém nos quer colocar uma pergunta? Pode ser. Até para a gente aplicar uma grande pausa em silêncio, que é das melhores coisas que pode acontecer.

Depois põe isto na edição.

Exato. Sim, se está a dar alguma coisa. Alguém quer colocar alguma pergunta, fazer uma partilha. Alguma observação, ensinar-nos como é que se usa tão bem uma mala quando se está apenas de biquíni. Fiquem à vontade. É só levantar o braço.

Um de cada vez, por favor, calma, não temos tempo para todos.

Senão eu vou ali à última pessoa.

Eu acho que é melhor, que o Borges como ele está, vai ser desagradável. Olha, está ali uma senhora lá atrás.

Maravilha, venha cá. E tinha que ser a que estava mais longe. Palmas para ela, pela iniciativa. Vai aí o microfone. Está aí. Já está aí, até consigo. Agora parecia o Pac-Man. A técnica ia por um lado e ela ia por outro.

Olá, boa tarde.

Olá, boa tarde, como é que se chama?

Eu sou a Anabela.

Olá, Anabela. Digam todos: "Olá, Anabela".

Olá! Sou a mãe do Jorge.

Olá, olha o Jorge.

Olá, ô Jorge!

Olá, ô Jorge!

Vou colocar uma questão que não é minha, é da minha amiga comadre.

Ok.

Que teve vergonha de vir ao microfone. Eu vou perguntar por ti.

Sim, está bem

A questão é esta: o que é para vocês o bem-casado?

O bem-casado?

Sim, já que falam de casamento e do assunto mental.

Sou a pior pessoa para responder a isto. Sou especialista em divórcios, portanto vou passar aos meus colegas.

Se calhar passavas esta, Borges, não? Espera aí, passa.

Vocês estão muito bem casados.

Raminhos, tu já estás casado há tempo mais, não é? Tu já me sabes.

Eu acho que hoje sei o que é estar bem casado.

Vamos ver se temos a mesma opinião.

Não, não vamos ter.

Ok, é bom.

Eu acho que não vamos ter, porque para mim estar bem casado é swing. A resposta é swing. Já tivemos esse desafio alguma vez. Ô Borges, alguma vez eu vou para o swing? Eu com as minhas merdas todas, só se fosse enrolado em celofane. Enrolado em celofane e cada vez que estivesse com um casal: "Mas mostrem-me os vossos exames primeiro." Sim, senhora.

Mas eu tenho dois casais amigos, mas que não se conhecem, e eu tenho que os apresentar, claramente, tendo em conta o que eu vou contar. Dois casais, de pessoas que estão juntas há muito tempo, com filhos, pessoas muito bem-sucedidas nas suas vidas profissionais e que são praticantes de swing e ambos me dizem a mesma coisa, que o segredo é: a mulher escolhe.

E não vou deixar a minha mulher escolher.

O casal com que-

Não deixava nunca.

E isto resulta. Tenho que apresentar estes casais.

Nem a babysitter eu consigo escolher.

Mas diz lá, qual é o segredo?

O segredo para mim é, ou não é o segredo, é o que é para nós estar bem casado. Para mim, bem casado é eu olhar para a minha mulher e achá-la muito mais bonita, mais preenchida e mais mulher do que quando começámos a namorar.

Que bonito.

Para mim é isso. E é verdade. E eu sinto, por exemplo, ela está agora no Vietname e eu estou genuinamente feliz por ela estar no Vietname. Não é por ela estar no Vietname, é por ela estar a ter as experiências que está a ter.

Claro.

Porque dá muito jeito em casa. Um gajo estar sozinho com três miúdas é muito estrogénio, muito drama, porque a culpa é sempre minha de tudo. Mas eu acho que é sobretudo isso, é eu sentir essa segurança de olhar para ela e ter orgulho na mulher que ela é e que se tornou. E sobretudo, perceber que em vários momentos tenho que lhe agradecer o fato de não se ter ido embora. E para mim isso é estar bem casado.

Sim, mas ela também não te viu de Panamá ainda.

Já. Bem pior.

Há muitos anos, eu vi um documentário maravilhoso sobre relações, em que os protagonistas eram de todo tipo, casais convencionais, pessoas que praticam o poliamor, heterossexuais, homossexuais, mais novos, mais velhos. Havia uma representatividade muito boa nesse documentário. E depois alguns especialistas falavam também sobre o que é cu nas pessoas, qual é o segredo do amor, diferenças entre amor e paixão, a química. Mas o que eu retive foi um psicólogo clínico francês, um senhor de uma certa idade, que disse uma coisa que eu nunca me esqueci: "Qualquer relação para funcionar, não interessa que idade as pessoas tenham, se gostam mais disto, se gostam mais daquilo, não interessa. Qualquer relação para funcionar tem que cumprir aquilo a que eu chamo de teoria da cadeira e as cadeiras têm quatro pernas." E depois ele dizia: "Uma perna é, obviamente, atividade sexual regular e satisfatória para ambos. Segunda perna, conversar muito. Terceira perna, fazer coisas juntos, mesmo que seja jogarem bridge ou irem ao bliss e ao boom, ter qualquer coisa em comum, uma atividade. E a quarta perna, admiração mútua." E eu lembro-me na altura, e isto já foi há uma data de anos: ele depois dizia "basta que uma destas pernas falhe e a relação está condenada. Claro que uma cadeira de três pernas aguenta-se durante algum tempo, mas inevitavelmente vai cair." E eu lembro-me, tinha para aí 29 ou 30 anos, portanto já foi mesmo há muito tempo, e mesmo assim peguei na teoria da cadeira e apliquei às minhas relações até ali e cheguei à conclusão que faltava sempre uma perna. Normalmente era a da admiração mútua, coisa em que nunca tinha pensado. Até porque, como homem básico que sou, mais nessa época do que hoje em dia, espero, deslumbrava-me muito pelo artifício. Era muito deslumbrado pelo que os meus olhos viam.

Pelo enquadramento.

Ya, pela composição e pelo enquadramento. Não tinha maturidade para ir mais fundo do que isso. Acho que melhorei um bocadinho de nada.

Ia fundo, mas não era na maturidade.

Esqueci, e acho que faz mesmo todo o sentido isto.

Vou-vos dar a minha-

E há cadeiras aqui que se podem alimentar.

Eu juro, pensei que ias dizer merda. Pensei que ias dizer: "Era virar a cadeira ao contrário e sentarem-se." Juro, pensei que ias dizer isso.

Se calhar pode ser a quinta perna.

Mas acho que faz muito sentido, a quinta perna.

Anabela, respondendo à tua questão, eu nunca quis casar na minha vida, era uma coisa que não me assistia. Depois, entretanto, estou casado com a Sara há dois anos. O que é que mudou na minha vida? Nada. Eu acho que para mim, um bom casamento é aquele que tu não sentes que estás casado. Não sentes que o fato de teres casado e assinado um papel, que és dono ou tens uma propriedade, agora isto tem que durar e tem que fazer com que isto resulte. Não. Ou seja, eu não me sinto casado no sentido de que sei que a Sara tem a individualidade dela, eu tenho a minha. Temos essa admiração mútua, porque eu gosto muito de ver a Sara crescer profissionalmente e como mulher, e é um grande orgulho que eu tenho nela, que ela, de fato, é muito trabalhadora e muito profissional naquilo que ela faz, mas não sinto que a qualquer momento, se ela se apaixonar por outra pessoa É viável, pode acontecer, como pode acontecer do meu lado. Ou seja, eu não vivo o casamento preso. Ela, para mim, está garantida. E o giro de estares casado é todos os dias alimentares a relação e perceberes que nada está dado como garantido e tu tens de fazer o teu papel, tens de ser uma mais-valia na vida dela. Acho que quando as relações acabam, e às vezes acabam mal, é quando tu não tens a sensação que a pessoa, apesar de ter durado o tempo que foi, não cresceu contigo. E eu tenho sempre essa preocupação de que as pessoas que estão comigo, no caso a Sara, neste momento, de que ela cresça como mulher e profissionalmente, e ela também tem essa preocupação comigo. Essa evolução e esse dia a dia é que faz com que o casamento dure muito tempo e que tu queiras estar com essa pessoa, que queiras partilhar cada momento com essa pessoa e todas as dificuldades, é não te sentires preso. Sentes-te acompanhado sempre, mas não te sentes preso, não te sentes relaxado no casamento. "Agora estou casado, já posso fazer aquilo que quero e posso desleixar-me um bocadinho." Não. Acho que, para mim, o grande segredo do casamento é esse, é não sentires que estás casado, é sentires que estás com a pessoa certa e que faz parte do teu caminho, da tua viagem, que faz todo o sentido, mas sem nunca te esqueceres. Se tu também não alimentares essa relação e essa pessoa, nada dura para sempre. Tem que haver aqui um equilíbrio muito grande entre aquilo que tu és e aquilo que tu queres e aquilo que tu também podes fazer pela outra pessoa e ajudar a outra pessoa a crescer, porque quanto mais cresce e quanto mais longe ela for, mais eu tenho admiração, mais eu tenho orgulho, mais eu quero pinar com ela. Vamos ter as quatro pernas das cadeiras.

Muito bem, Marco Horácio. Uma salva de palmas para o Marco.

É o que eu acho.

Eu, por acaso, esta ideia de sentir que não estar casado, eu às vezes também sinto isso. Ainda no outro dia senti isso e a Catarina chegou a casa e disse: "Quem é esta gaja que aqui está?" Lá está, desculpa. "O que é isto?"

Olha, Rami, se calhar não vamos aprofundar nisso. Como é que tu te sentes agora, sozinho, abandonado, sabendo que ela está no Vietname?

Volta amanhã, graças a Deus.

Onde há os homens mais bonitos do mundo, como os vietnamitas. Sentes o teu lugar em perigo ou não?

Não, nesse caso, não, mas às vezes já senti. Também tenho ciúmes e gosto de sentir ciúmes.

Ciúme é bom.

Se for nesse registo saudável de: "Achas aquele gajo giro?" "É giro." "Então anda cá que eu vou-te mostrar." Acho que neste nível está bom.

Está bom.

Alguém tem alguma pergunta? Coisas simples: Deus existe, se há vida inteligente no universo.

Borja, eu tento que isto já vai com 25 minutos.

Está, mas é a última parte. Pronto, tu é que tens a cena do tempo.

Então qual é a música? Se não houver perguntas, vamos tocar.

Está resolvido?

Só dizer mais isto.

Foi muito fixe.

Agradecer às pessoas que estão aqui presentes. Dizer uma coisa que eu também digo muitas vezes. Eu tenho a mania de repetir muitas coisas, é para não me esquecer das coisas importantes.

É porque é velho.

Exato, repito muitas coisas. Obrigado pelo vosso tempo. O tempo é a coisa mais preciosa que nós temos. Este tempo que nós estivemos aqui, não vamos recuperar. Eu saio daqui mais feliz e mais preenchido do que quando entrei para aqui. Portanto, espero que vocês também saiam daqui mais felizes, mais bem-dispostos e mais alegres. Valeu a pena estarmos aqui todos juntos este bocadinho.

Muito fixe. Muito obrigado. Uma salva de palmas para vocês. Obrigado, Jorge.

Obrigado por terem convidado.

Obrigado às pessoas que responderam também. O Marco vai iniciar o seu retiro Awakening Soul Masters no próximo fim de semana.

Rocinha Awakening.

Em Fernão Ferro, junto ao acampamento ciganos que há em Fernão Ferro. E quanto à música de hoje, foi escolha do...

Fui eu que escolhi.

Não foi o Pitches? O Raminhos disse: "Vida saudável, ocorre-te alguma música?" E eu lembrei-me de um êxito de uma banda chamada The Presidents of the USA, que é o Pitches.

Fim dos anos 90, não é? Fim dos anos 90.

Acho que já é 2000, mas a música é gira, dispõe bem e que vai introduzir de forma, acho eu, muito agradável, a orgia que se vai seguir.

Menos eu.

Junto da lagoa.

Menos eu.

Muito obrigado a todos. Obrigado ao Observador.

Obrigado.

Obrigado pelo vosso tempo.

Homens de uma certa idade, homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.