Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Homens de uma certa idade. Homens de uma certa idade. O Borges, o Horácio e o Raminhos estão na Rádio Observador porque já são homens de uma certa idade.
Este genérico diz tudo. Já estão comigo Marco Horácio, António Raminhos e o Luís Filipe Borges. Hoje é dia de "Elas Exigem Saber", mas ontem não eram só elas. Ontem não, este fim de semana.
No domingo.
Foi no domingo.
Com 45 graus.
Bliss Fest.
Sim, 45 graus.
A organização meteu uma ventoinha no palco mesmo junto a mim e eu agora quero conhecer o pai dessa ventoinha pra pedir a mão da sua filha em casamento.
Sim.
Correu bem?
Foi muito fixe.
Correu muito bem. Primeira vez ao vivo.
Vai ser transmitido sexta-feira, está tribalizado.
Num ambiente que eu diria que não é questão de não ser propício, mas era peculiar.
Um dia descontrolado.
Peculiar. Era peculiar.
Lendia, 15h.
E era um festival, na realidade, sobre autoconhecimento, comida saudável, boas energias.
Exatamente. Eu estava lá como representante do oposto.
Estava a pensar nisso quando disse agora.
O Borges a fumar em palco foi maravilhoso. Correu muito bem, ficamos muito satisfeitos.
Muito giro. Vamos lá ver se corre bem a captação. Queremos isso.
Foi muito giro.
Vamos lá ver como é que corre. Vai pro ar sexta-feira.
Então vamos à primeira pergunta do dia: os homens também precisam de espaço ou é apenas sinal de desinteresse?
Olha, eu preciso de espaço.
Quem não?
Sim, eu preciso de espaço.
Precisa.
Mas eu percebo a pergunta.
A questão é como é que as mulheres interpretam esse espaço.
Exato. Se tu estás apaixonado e precisas de espaço, não estás apaixonado. Se amas a pessoa e precisas de espaço, é que já passaste daquela fase.
Alguma coisa está errada.
Não, eu acho que quando amas a pessoa é natural cada um precisar de espaço, é uma coisa que até ajuda.
Mas às vezes os homens têm receio de dizerem que precisam de espaço com medo de ser mal interpretados.
Exato, mas o que é que é o espaço?
O que é que é esse espaço se a pessoa tem 60 metros quadrados pelo menos?
Não, uma coisa é tu estares com uma pessoa e dizeres assim: "Olha, eu preciso de espaço. Agora não posso estar contigo, preciso de espaço." Aí estás a dar a entender que estás a pensar na relação.
Ou estás farto da relação, está a ser uma relação muito desgastante.
Outra coisa é, tu podes estar apaixonado e dizeres: "Hoje vou sair só com os meus amigos. Hoje vou passar o dia fora."
Não sei, acho que quando estás apaixonado, não fazes isso.
Não precisas de espaço.
Não precisas de espaço.
Gostas é de invadir o espaço do outro.
Queres ocupar todo o espaço com aquela pessoa.
Sim, por exemplo, eu e a Catarina, no início do nosso namoro, nós passávamos quase 24 horas juntos. E fizemos isso durante o nosso casamento, nós não estamos habituados a estar longe um do outro.
Mas eu acho que isso também tem a ver com alguma maturidade, não é? Quando somos mais novos, pedir espaço ou dizer que queres espaço é mal interpretado. Gera logo desconfiança, insegurança.
Tem muito a ver com a tua vida anterior também. Por exemplo, eu sou uma pessoa que esteve muito tempo sozinho e eu gosto de estar sozinho, como é óbvio.
Aliás, no dia do casamento, o Marco Horácio estava sozinho.
Não, a Sara é que estava sozinha. Eu queria um espaço nesse dia.
Marco Horácio só apareceu no fim.
Casaram por zoom.
Ele só apareceu no fim do casamento.
Só pra comer.
E pra dançar e comer.
Àquela parte do bufê da noite, já, só tem os queijos. Eu de repente apareço e vejo o Marco: "Olha, o Horácio está aqui no queijo da serra."
Aliás, eu já tinha casado com a Sara um mês e meio antes pelo registro. Portanto, já estávamos casados nessa altura. Tivemos a fim de casar.
Depois foste ter o teu espaço.
Eu acho que o registro civil devia fazer um improvement, tipo ter uma cascata de camarão, qualquer coisa.
Sim. É um bocado deprimente.
Um bocadinho menos deprimente.
Menos deprimente. Mas eu gosto muito de estar sozinho e preciso estar sozinho pra me centrar, pra me equilibrar. E a Sara hoje em dia já percebe isso. Ao início achava que eu estava cansado, que estava farto da relação, não sei o quê.
Pois é, isso a pessoa interpreta logo: "Mas será que está tudo bem? Mas não estás a dizer."
Eu acho que está tudo mal quando, a Sara agora já respeita, quando não há esse respeito por esse espaço. A pessoa antes de se juntar com outra e de casar ou namorar, tem uma identidade própria, tem as suas rotinas. E de repente, às vezes, eu concordo um bocado com o Borges, quando nós estamos muito apaixonados, queremos estar sempre com a pessoa e se calhar também é um erro que nós fazemos, mas a emoção fala mais alto, tens razão. Mas eu acho que é fundamental o casal ter o espaço a dois, ter o espaço com os filhos e cada um de nós ter o seu espaço particular, privado. Eu preciso muito, seja pra descansar, seja pra não pensar em nada, seja pra equilibrar a minha vida e pensar: "Ok, isto que me está a acontecer, que eu nunca achei que me ia acontecer na vida, como é que eu estou a lidar com isto?" Porque às vezes lidar com muita felicidade também não é fácil. E no meu caso, eu fui sempre uma pessoa muito solitária e muito sozinho, não quer dizer que tenha sido infeliz, mas de repente eu tenho que lidar com uma felicidade extrema, de ter uma mulher que me compreende, que me aceita como eu sou, ter mais uma filha, ter isso tudo. Eu às vezes preciso de espaço pra pensar nisso.
Pra assimilar isso tudo.
Sim, e dizer: "Olha, mereço".
Uma coisa é certa, antes precisar de espaço do que precisar de tempo.
Eu acho que nunca podes é o indivíduo estar sempre acima do casal, acho eu. Tens que te respeitar enquanto indivíduo.
Não te esquecer de ti.
Sim, respeitar enquanto indivíduo e aquilo que tu gostas de fazer.
Que isso depois também traz equilíbrio à relação.
Claro, e se tu fazes aquilo que tu gostas, eu acho que muitas vezes também te vai relembrar a importância de ter outra pessoa. Consegues dar valor. Agora, se tu também só passas tempo contigo e não passas com mais ninguém, se calhar aí já quer dizer outras coisas. Mas se encontras esse equilíbrio, porque lá está, por exemplo, eu estive a gravar nos Açores com o Borges, no novo projeto dos "Mal-Amanhados", uma série da RTP, mas esta segunda temporada só passa pro ano, não é, Borges? E eu estava, por exemplo, no Pico Estava sozinho, estava com eles, mas não estava com a minha família. E eu pensava muitas vezes: "Olha, tenho que trazer cá a minha mulher e as minhas filhas. Olha, a Catarina gostava de ver isto." Ou seja, eu estou sozinho, mas estou a relembrar-me de quem tenho.
Sim, estás sozinho, mas elas existem.
Exato.
Vamos à próxima pergunta? O Borges está a meditar.
O Borges está.
Vou beber uma cachinha para me concentrar.
Este festival de mima deu cabo dele.
Sim, ele bebe muita água, não estou a gozar.
Ele fez a ayahuasca no festival.
Falamos disto há dias. Por que é que há cada vez mais homens nas redes sociais com discursos machistas? O Borges falou nisso.
É preocupante. Eu acho que o nível de imbecis está a aumentar nas redes sociais.
E de cobardia, não é? Porque é nas redes sociais.
Exatamente. Cobardia disseste muito bem. Para mim o novo grande perigo neste momento são estes imbecis que aparecem a falar desta forma das mulheres.
E que não medem o impacto que pode ter.
Sim, não medem o impacto de quem os segue, mas depois também têm todos um discurso muito contraditório, porque depois dizem uma coisa e depois já estão a dizer outra. Ou seja, eu acho que há aqui também uma chamada de atenção. E hoje em dia nota-se muito esta forma nas redes sociais de chamar a atenção pelo choque, por chocar as pessoas. E as pessoas têm que ter noção daquilo que dizem.
Ainda por cima é isso que alimenta o algoritmo.
Sim. Vai influenciar muitas pessoas.
As visualizações, não é?
Sim, e portanto as pessoas às vezes dizem estas baboseiras e depois entram em contradição, porque o objetivo delas é criar impacto e criar conversa e fazerem repost daquilo que dizem. Portanto, a melhor coisa que nós podemos fazer é ignorar estas pessoas e não lhes dar qualquer tipo de atenção.
Eu acho que é simples. Existem esses discursos porque são pessoas que não conseguem resolver as suas próprias questões e projetam, isso é o básico da história. E projetam nos outros, projetam no exterior aquilo que nem sequer compreendem que se está a passar com eles. Quando tu defines aquela ideia, como muitos fazem de: "O importante é se não tiveres um bom carro, ninguém te vai ver, se não tiveres um bom emprego e não ganhares dinheiro, não há mulher que goste de ti."
Ou tiveres músculos.
Quando tu estás a projetar isto tudo desta maneira, ou seja, quando tu estás a colocar aquilo que tu és dependente de algo que está de fora, é tão simples como se essa coisa desaparecer, tu voltas a ser uma porcaria. Portanto, lá está, a questão é sempre interna, porque o objetivo é nós não dependermos daquilo que é exterior a nós, o nosso bem-estar não depender de alguma maneira daquilo que está fora de nós. Claro que precisamos do básico e daquilo que nos mantém. Vivemos numa sociedade consumidora, numa sociedade com leis. Há coisas que tens que respeitar, coisas que tens que fazer. Mas há esta vertente de quando tu estás a projetar o homem é que sabe e eu é que sei e a mulher é isto ou a mulher é aquilo, tu estás claramente a projetar nos outros aquilo que ainda não resolveste.
As tuas frustrações.
Mas atenção também ao outro lado. Há muitas mulheres que concordam com este tipo de discurso e acham que o lugar delas é em casa, que têm que estar bonitas só em casa para o marido, que não faz sentido serem com amigos, só com amigas. De repente também começa a surgir este outro lado que também me preocupa muito.
As tradwives.
Sim.
Mas quem?
Traditional.
Só servem para cozinhar, para estar em casa e ser feliz.
Mas é assim.
Sente-se feliz com isso.
Agora a questão é: sente-se genuinamente feliz?
Ou é também para alimentar toda a gente.
É tal questão. Agora quando eu acho que tu estás a querer promover uma coisa e dizer assim: "Não, isto é que é o correto. Vocês têm que fazer como eu." Quando tu estás à procura de trazer mais pessoas para o teu lado, é porque de alguma maneira precisas de ter essa-
Essa validação
...essa validação das pessoas. Como a malta diz: "Não, és do Benfica. Não, tu és do Sporting." Se tu estás bem com aquilo. Por exemplo, as minhas filhas quando também se punham com aquela conversa: "Eu sou do Sporting", eu dizia: "Quer lá saber, tu és daquilo que tu quiseres." E não tenho que sentir essa validação.
E esta coisa de o homem é que tem que prover, o homem é que tem que trabalhar. E normalmente são putos com 20 e poucos anos. Onde é que eles vão buscar isto? Isto é malta que sinceramente nunca passou-
Não sabes o exemplo que têm em casa
...e não passou dificuldades nenhumas na vida e não tem mais nada que fazer ao tempo delas. E portanto, cada vez que eu vejo um influencer desses, ainda por cima eles gostam de estar sem camisa, a fazer este tipo de discurso, é logo desconfiar e é bloquear.
O Borges é totalmente a favor.
Estou a falar pouco porque estou só a imaginar uma fantasia que eu tenho que se passa na praia.
Ai, ai, ai.
Passa-se na praia.
9:30 da manhã, Borges.
Calma.
Calma, ele sabe.
Passa-se na praia, o numeiro e muitos influencers deste género ou rapazes incel que fazem esse tipo de comentários estão todos na praia também.
Ok.
Enterrados na areia só com a cabecinha de fora.
Boa!
E eu tenho um buggy.
Um buggy?
Sim, com o depósito cheio.
Com rodas com picos.
E conduzo o meu buggy praia afora, à avenida.
Tipo Tiago Brilha, para trás e para a frente. Eu estava a abrir. Não era isso que eu queria.
Se calhar ficamos por aqui, que isto está a ficar demasiado romântico.
Eu acho que está a ficar romântico demais isto. Está a ficar muito romântico. Isto mexe muito.
E vocês com ele. Homens de uma certa idade. Nunca dei um buggy ao Borges. Nem mot4, nada. Carros sem capacidade de irem para a areia. Porque já são homens de uma certa idade.