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Vai też.

E é tema hoje do Ideias Feitas as opiniões da Dra. Marta Temido sobre o Médio Oriente. Uma crônica que assume este título: "A Dra. Temido é cônsul do Irão em Bruxelas." Olá, Alberto. Boa tarde.

Olá, boa tarde. Sim, eu sei, o título é em sentido figurado. Também devo dizer que as declarações da Dra. Marta Temido aconteceram antes do ataque americano às instalações nucleares do Irão e, naturalmente, antes do contra-ataque iraniano a uma ou duas bases americanas, foi há muito pouco tempo. Isto foi no sábado, salvo erro, que a Dra. Marta Temido, cabeça de lista do PS nas últimas eleições europeias e, portanto, eurodeputada, falou e disse, passo a citar: "Não acreditar no poder das instituições europeias." No que ela acredita é, e volto a citar: "No poder das pessoas que vão pra rua." E ela disse mais: "Que as populações não se reveem nesta Europa e que esta União Europeia é uma união onde no confronto entre os interesses e os valores, ganham os interesses comerciais, ganham os interesses de manutenção do status quo político." E até este momento das declarações da Dra. Marta Temido, eu estava a ver isto num vídeo, eu sentia-me surpreendentemente inclinado a concordar com quase tudo o que ela estava a dizer, porque eu também não acredito no poder das instituições europeias ou na forma como esse poder tem sido usado. Também acho que as populações não se reveem nesta Europa e por isso cada vez mais votam nos partidos que com razão ou sem ela se apresentam como antissistema. E também concordo com as acusações de que a Europa subalterniza os valores em benefício dos interesses, como de resto tem acontecido com o financiamento direto ou indireto da Rússia através da importação de gás natural, por muito que haja aquela retórica toda favorável à Ucrânia. E também verifico, junto com a Dra. Marta Temido, que o status quo da política europeia está desesperadamente empenhado em evitar mudanças. Mudanças pelo menos que sejam minimamente significativas, como se nota pelas intervenções mais ou menos ilegítimas em eleições dos países membros. Quer dizer, que as instâncias de Bruxelas tentam manter afastados do poder os candidatos que representam uma ameaça para esse mesmo status quo. Infelizmente quando eu me preparava para levantar do sofá, já não me lembro onde é que eu estava sentado ou da cadeira o que fosse, e aplaudir de pé a Dra. Marta Temido, ela continuou a falar e esclareceu que nada do que havia dito significava aquilo que eu pensava que ela queria dizer. O que ela acrescentou a seguir foi isto e passo outra vez a citar: "A presidente da Comissão, na abertura da Cimeira do G7, disse estas palavras:" isto é a Dra. Marta Temido a dizer: "Israel tem o direito de se defender. O Irão é o principal fator de instabilidade regional." Isto disse a senhora Van der Leyen. E agora o comentário da Dra. Marta Temido: "Isto sim, a mim causou uma tristeza imensa." Acabei por não aplaudir a Dra. Marta Temido, porque afinal o que ela lamenta é que a Europa e os poderes da União não estejam do lado do Irão e não estejam abertamente contra Israel. Pelos vistos, o que não é muito espantoso, de facto, pra quem cantava no ducho o hino da Intersindical ou lá o que é, agora está na moda cantar maus hinos. A Dra. Marta Temido não considera o Irão um fator de instabilidade no Médio Oriente e não reconhece a Israel o direito de se defender de regimes que prometem há décadas a sua aniquilação. Para a Dra. Marta Temido, Israel é que é o vilão desta história, provavelmente apenas por existir, e o regime dos Aiatolás é um sistema benigno que não prejudica ninguém, nunca pretendeu fazê-lo. Ninguém perguntou, mas era interessante ver alguém perguntar à Dra. Marta Temido se se opõe, de facto, à criação e à existência de Israel e sobretudo o que ela pensa acerca do programa nuclear do Irão e do pormenor de o Irão ser o principal patrocinador e promotor do terrorismo internacional, além do tratamento que o regime iraniano dedica às mulheres, a minorias étnicas, opositores políticos, homossexuais e um longo etc. Provavelmente, se alguém tivesse perguntado isso, a Dra. Marta Temido tentaria fugir às respostas e faria o possível por não se comprometer demasiado. Mas comprometida já ela está, porque ficamos todos a saber, que já sabíamos também, não é novidade, o que a Dra. Marta Temido pensa lá dentro daquela cabecinha. Ela pensa aproximadamente o mesmo que as manas Mortáguas, que um antissemita de certa direita, não estou a pensar em ninguém em particular, mas sei de alguns ou de bastantes, e pelo menos em certas matérias, aquilo que os Aiatolás propriamente ditos pensam. E ela pensa o que pensa uma fatia substancial do atual PS. Esse talvez seja o ponto mais relevante desta história toda. A Dra. Marta Temido, como os seus colegas de ideologia, é uma inimiga do Ocidente e tudo o resto, incluindo o terrorismo, são os meios necessários para atingir os fins. Ela é aquilo que muitas vezes acusam outros erradamente de serem. A Dra. Marta Temido é uma pessoa radicalizada e extremista. É o tipo de pessoa perigosa, pode ser perigosa se tiver poder. E ela tem algum poder. E muitos gostariam que ela tivesse ainda mais. Eu lembro que a Dra. Marta Temido é um possível nome apontado para, a médio prazo, ser uma líder do Partido Socialista, por exemplo. Não sei se isso será especialmente bom pro Partido Socialista, sei que será mau de certeza absoluta para Portugal.

A opinião do Alberto Gonçalves sobre as opiniões de Marta Temido sobre o Médio Oriente é o tema da crônica Ideias Feitas desta segunda-feira com este título: "A Dra. Temido é cônsul do Irão em Bruxelas." Alberto Gonçalves, fica encontro marcado para amanhã. Um abraço.

Grande abraço. Até amanhã. O Ideias Feitas conta com o apoio do azeite Talismã.