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"Ideias Feitas" com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.
Olá, Ricardo, boa tarde.
E hoje queres ir às declarações de António Costa sobre as dificuldades dos jovens no acesso à habitação.
O Dr. António Costa, presidente do Conselho Europeu, fez essas declarações num discurso no Comité Económico e Social Europeu em Bruxelas. Disse que não podemos aceitar que em alguns países da União Europeia, designadamente aquele que eu conheço melhor, jovens adultos tenham de pagar 100% dos seus salários durante 20, 30 anos ou mais para conseguir comprar uma casa. E eu começo por esclarecer que não se pode confundir António Costa, presidente do Conselho Europeu, com António Costa, primeiro-ministro de Portugal durante quase uma década e até há não muito tempo. E também não se pode confundir António Costa, presidente do Conselho Europeu, com António Costa, o homem que chefiou o governo durante os exatos anos em que o custo da habitação se tornou incomportável para uma grande maioria em Portugal, sobretudo dos jovens. E não se pode confundir António Costa, presidente do Conselho Europeu, com António Costa, o estadista que abriu de forma indiscriminada as fronteiras de Portugal à imigração com vistos gold, sem vistos nenhuns, e que causou o maior fluxo de entrada no país de estrangeiros em toda a nossa história, pelo menos o mais concentrado, o maior número de pessoas em menor período. Também não se pode confundir António Costa, o presidente do Conselho Europeu, com António Costa, o governante que apesar de prometer reformas administrativas, isso na verdade todos prometem, manteve ou agravou ou assistiu impávido a que se agravasse a burocracia que dificulta os licenciamentos das construções de novas casas, a dependência excessiva face às autarquias, a carga fiscal que desmotiva a construção, a instabilidade nas regras do mercado, sobretudo no mercado de arrendamento, e um longo etc. E não se pode confundir António Costa, presidente do Conselho Europeu, com António Costa, o profeta que em 2018 prometeu acabar com as carências habitacionais de todos os portugueses até 2024 e que depois reduziu a promessa para 26 mil casas, que talvez já não fossem suficientes para acabar com as carências habitacionais de todo o país e que no fim acabou a entregar uma fração desse número. E por fim, não se pode confundir António Costa, presidente do Conselho Europeu, com António Costa, o secretário-geral do partido que governou Portugal quase ininterruptamente desde 1995 e que viu nesse período o poder de compra dos portugueses distanciar-se para baixo, infelizmente, da média europeia, ou seja, empobrecermos comparativamente cada vez mais. Mas pode e deve confundir-se António Costa, presidente do Conselho Europeu, com António Costa, o homem que ainda ontem falou para a Europa de um problema que pelo menos com esta gravidade é quase exclusivamente português. Parece que a Grécia está mais ou menos ao nosso nível e a Hungria não está muito melhor. Mas o problema é bastante português e é um problema pelo qual ele e o seu partido e os seus governos são largamente responsáveis. E pior, António Costa, presidente do Conselho Europeu, não se limita a fingir que não tem nada a ver com a situação calamitosa que se vive em Portugal na habitação e não apenas na habitação, com habitual e espetacular descaramento e na mesma intervenção junto do Comité Económico e Social Europeu, o Dr. Costa falou na guerra da Ucrânia, nas tarifas dos Estados Unidos, nos aumentos dos combustíveis que resultam agora dos ataques ao Irão e com jeito uma pessoa que esteja um bocadinho distraída ainda extrai disto tudo que o maior culpado da impossibilidade de um jovem comprar casa no Porto ou em Lisboa ou em Braga ou em Setúbal, que o maior culpado é o senhor Trump. E na Europa como aqui, o Dr. Costa continua a ser o que sempre foi, um habilidoso, no pior sentido da palavra, que possui uma enorme cara de pau e que usa essa cara de pau para sobreviver impune às desgraças e no mínimo às maçadas que por incompetência ou convicção vai criando em seu redor e consegue sempre encontrar quem o leva a sério. Isso é uma espécie de talento. É um talento prejudicial, é um talento daninho, com certeza, mas não deixa de ser um talento. E com isto me fico e desejo-te um bom fim de semana prolongado, Ricardo, se for o caso, e um grande abraço e até segunda.
Um bom fim de semana também pra ti, Alberto. Até segunda.