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Boa tarde, Alberto. Bem-vindo.
Olá, boa tarde.
Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. E hoje o Alberto Gonçalves quer falar sobre as regras do confinamento, mas também sobre as exceções ao confinamento. Isto numa altura em que António Costa tem repetido que não quer que a população se concentre nas exceções.
Pronto, mas as exceções existem e não sei se são tão excepcionais quanto isso, porque são muitos casos. Eu hoje vou começar por falar em um, mas isto deve ser generalizável. Eu vi nas notícias, mas na minha terra natal, em Matosinhos, a doutora Ana Gomes a fazer campanha ao lado da presidente da Câmara e mais um séquito e os jornalistas, e foram ao mercado de Matosinhos e era um dia de campanha absolutamente normal, tirando a existência das máscaras, claro, na maioria das pessoas ou em todas, talvez, não sei, não estive a reparar nisso, mas tirando essa questão das máscaras, era um dia de campanha absolutamente normal. Presumo que não seja só a doutora Ana Gomes a fazer este tipo de campanha normal. Presumo que, provavelmente, com exceção do professor Marcelo, que vai estar em casa ou no Palácio de Belém a fazer testes de Covid. Soubemos que ele já fez 80, ou até ontem tinha feito 80, hoje já estará em 85 ou 90, se calhar, não faço ideia, mas os outros candidatos vão andar todos por aí, à vontade, mais ou menos. E por quê? Porque podem. Parece que para a maioria dos cidadãos não pode, aparentemente. E esta é apenas uma das contradições que estão presentes nesta história deste confinamento, como já estavam no primeiro e agora voltam a estar com algum refinamento ainda nas contradições e no absurdo das regras e no absurdo das exceções. Fiz aqui uma microcompilação de alguns casos, de algumas dessas contradições. Por exemplo, ao ar livre, onde o vírus, pelos vistos, mal se propaga ou quase não se propaga de todo, temos uma série de limitações. Não podemos estar ao ar livre. No interior das habitações, onde se dão quase todos os contágios, é onde é quase obrigatório estarmos, por exemplo. Depois temos casos mais particulares e igualmente caricatos, como os circuitos de velocípedes estão fechados. Isto está escrito assim nas exceções, mas as oficinas de bicicletas e que remendam pneus de bicicletas estão abertas. Ou seja, a pessoa pode levar a bicicleta a arranjar, depois não tem onde passear na dita. E temos as igrejas abertas, portanto, as pessoas podem rezar pela saúde dos seus familiares. Depois, se a oração não funcionar, o funeral já é condicionado, o funeral do familiar em causa. As pessoas podem entrar nos supermercados e comprar xampu ou pastilhas elásticas, ou chicletes, como se diz na minha terra. Isso é permitido, mas comprar vinho, livros ou piugas já é proibido, porque talvez estes últimos itens tenham uma concentração superior do vírus ou não faço a mínima ideia, um ambiente favorável à propagação do coronavírus, não sei. Agora, o que sei é que as mortes por Covid e o excesso de mortes não Covid vão continuar a aumentar ou, pelo menos, a manter-se em níveis dos mais altos do mundo. O senhor presidente da República gosta muito de dizer que os portugueses são os melhores do mundo nisto e naquilo. Nesta matéria, se a palavra melhor se aplica, parece que somos ou estamos a ser nesta segunda vaga e sobretudo nestas últimas semanas, Portugal lidera, não sei se exatamente em termos mundiais, mas em termos europeus parece que seguramente que sim, lidera a lista de mortos por Covid em proporção à população, claro, e de mortes não Covid já é uma liderança ou uma quase liderança já antiga. Nada disto se deve ao Natal, nem dos abusos, os supostos abusos que a população cometeu no Natal. Parece que nos portamos muito mal, se ouvirmos os políticos a falar. Não se deve a coisa nenhuma, a não ser à incompetência de um governo e das autoridades da saúde, que não aprenderam nada e não prepararam nada e que continuam a vender às pessoas a ilusão de que foi feito tudo o que é possível. E ontem o doutor António Costa disse exatamente isso, que foi feito tudo o que é possível para enfrentar esta dita segunda vaga da Covid. Se isto era tudo quanto é possível, imagine se não tivessem feito nada. Isto que pretende passar é uma ilusão e que funciona. Eles vendem esta ilusão e a maioria das pessoas compra esta ilusão de que somos um país normal, com meios normais e uma capacidade normal de resposta à crise. Ora, é isto que nos difere da generalidade dos países, por exemplo, europeus. E quando se diz: "Lá fora também é assim." Não, não é assim. Primeiro, os confinamentos não são todos iguais, mas mesmo admitindo que o nosso confinamento está mais ou menos a par de uma série de países europeus, admito que sim, a verdade é que os outros países têm outra capacidade de resposta, tanto ao vírus, à doença em si, como em termos de resposta económica.
E entretanto, o presidente da República hoje já veio dizer que espera que este confinamento não dure mais do que um mês, mas para já, de alguma forma, não põe as mãos no fogo por qualquer tipo de prazo.
Exatamente, e não só o presidente da República. Hoje houve um semanário, o Expresso, podemos dizer o nome, que já diz que o governo está preparado para o confinamento se prolongar pela primavera ou até à primavera. Já há indícios ou já por aí umas notícias de fonte não assumida a dizer que depois das presidenciais vão fechar mais coisas. Ou seja, lá está, porque literalmente as autoridades não sabem o que hão de fazer e estão nitidamente a disparar para todos os lados. E até se percebe que façam isso ou que lhes pudesse passar pela cabeça a ideia de fazer isso. Agora, em caso de dúvida, se a dúvida é fechar muita coisa ou fechar menos coisas e se tem a noção, que não se tem a certeza de qual das alternativas é melhor, a alternativa que deveria vingar, deveria ser a alternativa que permitisse às pessoas levarem de forma mais livre as suas vidas e não desta forma que vai levar à falência de muita gente, que já sabemos, não contando com os que já faliram. Era isso que eu estava a dizer ainda agora há segundos. É diferente a Alemanha ou a França ou o Reino Unido fecharem 15 dias ou um mês, ou mês e meio, ou a Holanda ou a Dinamarca, parece que não fechou, mas por aí fora, é diferente do Portugal fechar. Portugal não tem condições para isso. Ou estávamos perante uma doença, a peste bubônica, que colocasse em risco a população praticamente toda ou uma percentagem absolutamente imensa da população, ou perante uma doença como a Covid, que é uma doença que tem alguma gravidade, etc, mas é uma gravidade, apesar de tudo, moderada. Já não estou a falar só dos mortos não Covid, o excesso de mortes de pessoas que não tinham que ter morrido agora. O custo que isto vai ter, não só económico, o custo económico reflete-se na vida das pessoas. Há um discurso da esquerda, da extrema-esquerda, de que as pessoas são antes da economia. Ora, a economia não é nada sem as pessoas, nem as pessoas são nada sem a economia. A economia não existe numa bolha, à parte onde uns tecnocratas fazem umas contas e uns negócios. Isto tem a ver com a realidade das pessoas e a subsistência, a sobrevivência dessas pessoas. Se com base nestas medidas avulsas, aleatórias e absurdas, estivermos a condenar de forma talvez irreversível os nossos padrões de vida, em termos económicos, isso vai condenar-nos em todos os aspetos. Não há maneira de isolar uma dimensão da outra. E é isso que o governo procura fingir que não existe. Admite-se que isto tem uns custos, mas que o governo vai tentar colmatar esses custos e o Estado, através de uns apoios, que nalguns casos ainda nem chegaram. Eu sei de sócios-gerentes que não receberam ainda um cêntimo do que tinham ficado de receber no primeiro confinamento. Portanto, estas promessas, estas benesses todas, que até incluem um euro e tal ou dois euros e tal, peço desculpa, na fatura da luz, há benefícios e oferendas desse calibre, que não são para levar a sério, obviamente. Essas falsidades, essa propaganda não vai impedir a ruína económica que este confinamento feito sem grandes fundamentos vai provocar. E esse é que é o problema. Eu sei que me repito às vezes nisto, mas isto é o que se tem passado dia após dia e é difícil não falarmos no assunto. Já agora, eu falo.
E são as medidas que dizem respeito à atividade económica e também estas restrições relacionadas com o confinamento, que de alguma forma têm marcado também a atualidade. Por isso mesmo, também aqui o comentário e a análise do Alberto Gonçalves, hoje a escolher para o "Ideias Feitas" este tema das regras do confinamento, as exceções também ao confinamento. Até para a semana, Alberto.
Obrigado, Alberto. Bom fim de semana.
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