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Está na hora do último episódio da semana do "Ideias Feitas" com Alberto Gonçalves. Bem-vindo, Alberto. Queres falar sobre a intervenção de Pedro Passos Coelho esta quinta-feira?

Quero, sim senhor. Olá, Ricardo. Boa tarde. Ontem, que foi durante a apresentação do novo livro do Miguel Morgado, o Pedro Passos Coelho, que foi responsável pela apresentação do dito livro, disse coisas. E como sempre acontece, e se calhar como cada vez mais acontece ou acontece cada vez mais, as coisas que ele disse têm impacto. Eu não estava lá, mas recebi quase em direto telefonemas e mensagens de pessoas que estavam presentes, que ficaram entusiasmadíssimas com a intervenção do Pedro Passos Coelho. A intervenção foi não só, mas principalmente, sobre a questão da imigração, com I, e sobre as palermices, a palavra foi dele, que foram cometidas em matéria da dita imigração. Ou seja, sobre a forma irresponsável como o doutor Costa, com o aval irresponsável do professor Marcelo, também houve umas referências ao Tribunal Constitucional, permitiu que o número de estrangeiros em Portugal triplicasse em meia dúzia de anos. Para o Pedro Passos Coelho, isto faz com que os portugueses se sintam, a expressão também é dele, estrangeiros na sua própria terra, sintam que esta terra já não é sua. E pior, faz com que se sintam inseguros. Ele lembrou que ele próprio já alertava para esta realidade e para estes perigos enquanto o doutor Costa mentia ao país. E ele, e não o doutor Costa, é que foi então criticado por isso. Ele disse que lhe chamaram populista, mas eu lembro-me que lhe chamaram coisas piores. Mas o meu ponto hoje não é relatar o conteúdo da intervenção de ontem do Pedro Passos Coelho, que de resto está contado com pormenor numa reportagem do site do Observador, e nem sequer pretendo comentar a forma, que se calhar foi mais mordaz que o habitual, e nem comentar a frequência, que começa a ser sublinhável, já que é a quinta ocasião em que o Pedro Passos Coelho falou em público durante as últimas semanas. O que eu queria notar é que as intervenções do Pedro Passos Coelho são analisadas ao pormenor porque ele tem, e agora vou usar uma expressão de que não gosto especialmente, o capital político que os outros não têm. E quando digo os outros, digo mesmo todos os outros. O que não falta por aí são políticos ou ex-políticos ou futuros políticos ou futuros ex-políticos a falar e a não dizer nada, a falar para ninguém, exceto os já convertidos, a falar somente porque precisam de aparecer e para marcar a agenda, como eles dizem. Em suma, o que não falta por aí é gente inconsequente e irrelevante, e um regime repleto de gente inconsequente e irrelevante faz com que estejamos precisamente onde estamos como país e como sociedade. Estamos um bocadinho à deriva e um bocadinho a favor. Eu não vou cair na armadilha de partilhar o clichê de que todos os políticos são iguais. Não são. Mas não há, entre todos os ditos agentes políticos no ativo em Portugal, hoje, um único com uma visão coerente para o país, ou um esboço de visão que seja. O que há é conversa fiada, imensa conversa fiada, e uma tradição que vem da cobardia ou da noção dos próprios limites de navegar ao sabor dos ventos, que nunca nos leva a lugar nenhum ou pelo menos não nos leva para onde deveríamos ir ou conseguiríamos chegar. O Pedro Passos Coelho é a exceção destacada e destacadíssima a este estado de coisas bastante triste. Infelizmente, ele não está no ativo, como ele próprio recorda repetidamente, e era muito importante que um dia, cedo ou tarde, mas mais cedo do que tarde, voltasse a estar. Eu julgo que uma significativa quantidade de portugueses, não tenho exatamente percentagens, mas julgo que há um número muito considerável de portugueses que sabe disso, que sabe da diferença que o Pedro Passos Coelho representa face à concorrência. Muitos detestam-no justamente por causa disso e muitos admiram-no exatamente pelas mesmas razões. O Pedro Passos Coelho faz falta e quanto mais aparece, mais se nota a falta que faz. E dito isto, bom fim de semana, Ricardo.

Bom fim de semana, Alberto. O "Ideias Feitas" regressa na próxima segunda-feira. O "Ideias Feitas" conta com o apoio do Azeite da Lisman.